Pedro Magalhães

Margens de Erro

Contabilidades provisórias

Posted September 30th, 2013 at 11:13 am4 Comments

1. Segundo o site do MJ, estão 3021 freguesias contabilizadas de 3092. PSD e CDS, os partidos de governo, somam, para todas as listas em que entraram isolados ou em conjunto, 34,9%. Isto representa uma perda de 15,4 pontos em relação aos resultados das legislativas de 2011. São perdas na ordem das sofridas pelo PSD nas autárquicas de 1989 e 1993, as maiores de sempre sofridas por partidos do governo em autárquicas.

2. Neste momento, de 282 câmaras já decididas, 136 para o PS, 100 para o PSD, 30 para a CDU, 5 para o CDS e 11 para independentes. O PS tem 48% das câmaras atribuidas, superando o seu máximo desde 1976. O PSD tem 35%, pior que em 1989, ou seja, o pior resultado de sempre. CDU e CDS têm os melhores resultados, deste ponto de vista, desde 1997.

3. Dos 20 municípios mais populosos do país, representando 38.5% da população, o PSD tinha 8 câmaras e passou para 5; o PS tinha 8 e passou para 9; CDU tinha 2 e passou para 3; havia 2 independentes, agora há 3.

by Pedro Magalhães

Sobre o novo Conselho de Ciências Sociais e Humanidades e um post

Posted September 27th, 2013 at 10:43 am4 Comments

Chamam-me a atenção para o facto de alguns tweets meus serem citados num post do Câmara Corporativa a propósito da composição do Conselho Científico de Ciências Sociais e Humanidades da FCT.

As citações estão absolutamente correctas, e têm a ver com a minha surpresa pelo facto de este Conselho ser agora presidido por alguém que trabalha na área das Ciências da Vida: em antropologia forense, um ramo da antropologia física ou biológica (o meu amigo Luís Aguiar-Conraria discorda aqui desta minha leitura e dá provas do elevado mérito científico da presidente, coisa de que não discordo mas não é o meu ponto). Não tenho nada contra  o cruzamento entre diferentes ciências e áreas científicas (pelo contrário, afinal, tenho um projecto onde trabalho com economistas, linguistas e engenheiros), mas surpreende-me e incomoda-me um pouco que esta introdução no CCCSH de pessoas (e há mais do que uma) de áreas que não são das ciências sociais e humanidades não tenha, que eu saiba, contrapartida na introdução nos outros três conselhos (de Ciências da Vida e da Saúde, Ciências Exactas e da Engenharia e Ciências Naturais e do Ambiente) de, por exemplo, sociólogos, linguistas, historiadores, psicólogos, etc. Fracassada assim a prova de que estes mudanças visam promover globalmente cruzamento de saberes e interdisciplinaridade, é difícil não interpretar isto - desculpem o "corporativismo" - como uma menorização daquilo que fazemos.

Contudo, incomoda-me também ser citado num post - e no mesmo ponto - em que se atacam pessoas como João Carlos Espada e Rui Ramos. Chamo "ataques" e não "críticas" porque, na verdade, não consigo discernir argumentos. O IEP liderado por João Carlos Espada teve uma vez uma avaliação menos boa da FCT? Eu, que cheguei a colaborar no IEP, tenho de facto alguma pena que não tenha apostado mais na investigação e que dele saia um pensamento que me parece excessivamente carregado e homogéneo do ponto de vista político e ideológico. Mas isso é uma opção como outra qualquer e, mais importante, nada disto impede que João Carlos Espada seja uma pessoa reputada na área onde trabalha (a teoria política) e com publicações nacionais e internacionais em boas revistas e editoras. Não percebo onde é que está desqualificado para servir num conselho deste género.

E depois há Rui Ramos. Não sou historiador nem especialista em nada que o meu colega no ICS tenha estudado. Mas qualquer pessoa de bom senso e boas intenções pode constatar que Rui Ramos tem uma obra vastíssima, muitíssimo citada pelos seus pares, nalgumas das publicações mais marcantes da historiografia portuguesa recente. Rui Ramos é polémico, seja como historiador seja como colunista? Qual é o problema? Colaborou com o Expresso na popularização do seu trabalho? Qual é o problema? São coisas que só sucedem a quem é importante na sua área, e é isso mesmo que Rui Ramos é: um dos mais importantes historiadores portugueses. Desqualificado exactamente em quê para servir no Conselho?

Em suma, o que me parece é que atribuir a estes ataques motivações estritamente políticas e ideológicas é usar terminologia demasiado elegante.  

by Pedro Magalhães

Porto

Posted September 27th, 2013 at 6:44 am4 Comments

No post de ontem, apesar de ter dito que era o caso do Porto que me suscitava maior curiosidade, acabei por colocá-lo na coluna do "menos incerteza". Pois não o devia ter feito, pelo menos segundo duas sondagens de hoje. A Católica coloca Rui Moreira com 29%, Menezes com 26% e Pizarro com 24%. A Eurosondagem mostra Menezes com 26,9%, Moreira com 26,5%, e Pizarro com 24,1%. Está tudo aberto.

by Pedro Magalhães

Autárquicas: onde estão as maiores incertezas?

Posted September 26th, 2013 at 11:53 am4 Comments

Excelente recurso, o dossier das sondagens autárquicas da Marktest. Num post escrito há uns tempos, discuti os resultados das sondagens em alguns dos concelhos que tinham recebido maior atenção: Lisboa, Porto, Braga, Oeiras, Matosinhos, Aveiro, Viseu, Gaia e Sintra. Quais os casos onde há menos e mais sinais de incerteza?

1. Menos incerteza: Lisboa, Aveiro, Viseu, Porto. Em Lisboa, todas as 6 sondagens (conduzidas por 2 empresas) colocam António Costa com 50% ou mais das intenções de voto, ao passo que Seara não ultrapassa os 30% nas 4 sondagens mais recentes. Dito isto, o facto de todos esses estudos recentes serem da mesma empresa e com o mesmo método gera-me curiosidade sobre o que se passará quando houver sondagens com, por exemplo, inquéritos presenciais e simulação de voto em urna. Em Aveiro, Ribau Esteves (PSD/CDS) sempre acima dos 40%, Eduardo Feio (PS) com 30% ou menos. Em Viseu, nenhuma sondagem dá uma vantagem inferior a 10 pontos para Almeida Henriques (PSD). No Porto, não houve sondagens desde o meu último post. Aqui tem havido mais variabilidade ao longo do tempo (sondagens em que Menezes lidera com apenas 7 pontos de vantagem coexistem com outras em que lidera por 20). Destes casos, portanto, o Porto é o que me suscita maior curiosidade.

2. Mais incerteza. Em Oeiras, o site da Marktest continua a reportar apenas duas sondagens, completamente discrepantes. A última, de Agosto (telefónicas em Agosto...) tem Vistas com 3 pontos sobre Moita Flores. Em Braga, a última sondagem é de finais de Agosto e tem Ricardo Rio (PSD/CDS/PPM) com quatro pontos sobre Vítor Sousa (PS). Quase todas as restantes sondagens têm margens igualmente ou ainda mais apertadas. Mas Rio lidera em quase todas, o que também é relevante. Em Matosinhos, Guilherme Pinto liderava em sete das oito sondagens já realizadas. Mas nas mais recentes, grandes discrepâncias: 13 pontos de vantagem numa sondagem do dia 6 de Setembro da Pitagórica contra menos de 2 pontos numa sondagem do dia 24 da Eurosondagem.

Depois, Gaia e Sintra. Em Gaia, a sondagem da Católica divulgada hoje coloca Eduardo Vítor Rodrigues (PS) com 6 pontos sobre Guilherme Aguiar, e Carlos Abreu Amorim (PSD/CDS) fora de jogo. Mas se em relação a este último aspecto as sondagens oferecem poucas dúvidas, a Eurosondagem coloca Rodrigues e Aguiar empatados, com ligeira (e não significativa) vantagem para o segundo. Em Sintra, Basílio Horta lidera em 6 das 7 sondagens divulgadas até ao momento, incluindo a de hoje da Católica. Mas desde Julho que essa vantagem sobre Marco Almeida é apertada e, nalguns casos, nem sequer estatisticamente significativa.

Outros possíveis "cliffhangers" incluem Coimbra (Manuel Machado do PS ou Barbosa de Melo do PSD/PPM/MPT?), Évora (Pinto de Sá da CDU ou Melgão do PS?), Faro (Neves ou Bacalhau?), Guarda (Martins Igreja ou Álvaro Amaro?) e Vila Real (Santos ou Carvalho?). Finalmente, lembrar o seguinte: historicamente, as sondagens sobre eleições onde concorrem independentes exibem um desvio médio entre intenções de voto e aqueles que depois vêm a ser os resultados reais bastante superior ao que ocorrer nas restantes eleições. Por outras palavras: nas eleições onde correm independentes, as intenções de voto registadas em sondagens têm sido piores predictoras daquilo que acaba por ocorrer no dia das eleições.

by Pedro Magalhães

Respostas à pergunta

Posted September 24th, 2013 at 10:18 am4 Comments

Vários comentários e e-mails directos sobre o tema do post anterior. Realmente, já me tinham dito que havia uma coisa nova chamada Internet e que era fabulosa.

1. Um post do Mr. Brown em Os comediantes, cuja leitura aconselho.

2. Várias pessoas apontam o "falso" anúncio de Bernanke de que o Fed poderia diminuir o ritmo de compra de títulos. E é verdade que a subida de Maio ocorre exactamente no dia seguinte.

3. Depois, muitas maneiras de ver estas evoluções que revelam a importância da crise política:

* As subidas imediatamente após as demissões (Julho) e decisão de Agosto do TC e sua resposta política: Crise política

* A divergência da evolução as obrigações portuguesas em relação às italianas e espanholas: Divergencia

* Mais divergência, desta vez olhando para o diferencial em relação às taxas alemãs, com comportamento particularmente diferente em Julho (demissões) e Agosto (TC, revisão de metas, etc): Divergencia spreads

E junto algumas citações de mensagens que recebi, nem todas na mesma direcção:

"O que tem definido o valor dos juros da divida portuguesa tem sido desde sempre o grau de liquidez injectada no mercado pelo BCE. Isso foi verdade quando os juros desceram abruptamente (embora por cá tivesse havido personagens a reclamar para esse mérito) e depois quando o BCE começou a secar os mercados secundários voltaram a subir. O que por cá se passa é apenas o tempero de um prato preparado em take away."

"Depois do fenómeno [demissões] existe uma continua divergência das obrigações portuguesas em relação às Italianas e Espanholas , divergência essa que nos 3 meses anteriores podemos observar que quase não existia. É razoável afirmar que tal se deve, pelo menos parcialmente, à crise política e à consequente quebra de confiança na coligação."

"Em IT e ES o spread está actualmente abaixo do mínimo registado em Maio, ao passo que PT está 140pb acima do mínimo (e 60pb acima do valor registado imediatamente antes da primeira demissão)."

"É verdade que o mercado é pouco líquido, pelo que muitas vezes o preço tem movimentos bruscos provocados por ordens de compra/venda relativamente pequenas… Por isso, com um fluxo de notícias positivas (p.ex. com uma conclusão favorável da review) a tendência também se pode reverter de forma relativamente rápida…"

"I don’t think the first announcement of the Constitutional Court had such a strong impact in the yields because the government was very quick and good at selling the alternative cuts that would replace those annulled by the judges. The problem with the last ruling is that it has made investors realize that the government has a hard constraint in terms of policy that is preventing it from delivering on its 'promises'."

"My concern is that Bernanke’s decision not to taper for now should have had a positive effect on the yields (look at Spain’s and Italy’s despite the Berlusconi situation), but they have barely moved in Portugal…"

"Lá fora joga-se o essencial, mas cá dentro têm que ser cumpridos mínimos olímpicos..."

Obrigado a todos.

by Pedro Magalhães

Uma pergunta

Posted September 23rd, 2013 at 1:32 pm4 Comments

A ideia de que a "culpa" da subida dos juros da dívida é a crise política aberta pelas demissões dos ministros Vítor Gaspar e (suponho que especialmente) Paulo Portas está a circular, inclusivamente por parte do próprio Primeiro Ministro (mesmo descontando a interpretação que na notícia é feita das suas palavras). Mas ao mesmo tempo, lembro-me de um post do Luís Aguiar-Conraria (e de um comentário que ele lá acrescentou) que inspira cautela nestas interpretações. Correndo o risco de fazer precisamente aquilo que ele desaconselha, ponho-me a olhar para os gráficos. O que vejo?

10yr PT government

É verdade que é em Maio que esses juros atingem o ponto mais baixo nos últimos seis meses. Mas Gaspar e Portas demitem-se em Julho, e os juros já estavam em trajectória ascendente desde Maio. Porquê? O Tribunal Constitucional? Mas a decisão sobre o Orçamento foi em Abril. E já agora, o caso espanhol: SP government bonds 10yr

E o caso italiano: Italy 10yr govy bonds

É possível - provável, parece-me - que a crise política tenha afectado as taxas com que nos conseguimos financiar nos mercados. Mas tem de haver aqui mais qualquer coisa, não será? Se calhar é completamente óbvio, mas eu sou verdadeiramente ignorante sobre estes temas e não estou a ver. Alguém pode ajudar? Ou é um exercício fútil que só leva à especulação?

by Pedro Magalhães

Filtrar as sondagens: actualização

Posted September 16th, 2013 at 9:38 pm4 Comments

Duas sondagens recentes, uma da Aximage e outra da Eurosondagem. Utilizando a técnica descrita aqui, podemos actualizar as nossas estimativas:PSPSD BECDUCDS

Em comparação com o que tínhamos no início de Agosto, o PS sobe 0,6 pontos (para 36,3%), o PSD sobe 0,9 pontos (para 27,3%), a CDU sobe 0,2 (para 12,2%), o CDS desce 0,1 (para 8,3%) e o BE desce 0,4 (para 7,4%). Naturalmente, quando atendemos aos intervalos de confiança, estas mudanças não têm (ainda?) expressão relevante.

De notar que o PSD, que iniciou uma descida mais ou menos ininterrupta nas sondagens em Setembro de 2011, com um trambolhão em Setembro de 2012 (TSU), vem subindo desde o início de Julho de 2013, altura em que tinha atingido o seu mínimo neste ciclo eleitoral (25%). Pelo contrário, o CDS desce nas intenções de voto desde essa mesma altura.

by Pedro Magalhães

“Positivo” ou “menos péssimo”?

Posted September 15th, 2013 at 9:43 am4 Comments

No discurso de tomada de posse como Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, António Henriques Gaspar assinalou a "crise de confiança que tem afectado na última década a instituição judicial", assinalando também que "não existe hoje na nossa vida colectiva - podemos dizer - uma instituição em que a distância entre a efectiva realidade e as percepções negativas seja tão devastadora". Como ilustração disto, o juiz-conselheiro mencionou que:

Estudos realizados com critérios científicos e com rigor académico, relativos às percepções sobre a justiça - no caso, a justiça civil - concluíram que as percepções são acentuadamente negativas nos entrevistados que não tiveram qualquer contacto com a justiça, e positivas na maioria dos entrevistados que tiveram contacto e recorreram à justiça.

Não sei a que estudo se refere o juiz-conselheiro, mas o mais recente que conheço é o inquérito às empresas sobre a justiça económica realizado pelo INE, no âmbito de um projecto da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Talvez valha por isso a pena recordar os resultados relevantes para este ponto específico (também aqui no destaque do INE):

1. De todas as empresas que foram parte em litígios que resultaram em decisões judiciais nos últimos 3 anos, 42% acham que a qualidade dessas decisões (em termos de previsibilidade e coerência) foi alta ou muito alta e 13% (!) acham que as decisões foram rápidas ou muito rápidas. O que sobra para 100% são opiniões negativas. A não ser que o Presidente do STJ se esteja a referir à avaliação que também foi feita dos conhecimentos técnicos dos juízes (aqui sim, 64% das empresas satisfeitas), não encontramos uma maioria de percepções positivas por parte dos que "tiveram contacto e recorreram à justiça".

2. A lentidão da justiça é vista pelas empresas como o 2º obstáculo mais importante à sua actividade, logo a seguir à crise económica e seus efeitos na procura. Essa preocupação é ainda mais intensa entre as empresas que têm acções pendentes em tribunal.

Em suma, há de facto uma diferença entre as empresas de acordo com a sua experiência com o sistema judicial: as avaliações dos responsáveis das empresas que tiveram contacto com o sistema são menos péssimas do que as que não tiveram. Isso é importante. Mas menos péssimo não é positivo nem bom.

Outros poderão pronunciar-se melhor sobre outra afirmação do novo Presidente do STJ: "A confiança erodiu-se apesar de na última década as respostas da justiça e os índices de avaliação, com excepção da acção executiva, terem melhorado em todos os indicadores". Eu disto percebo pouco. Mas olhando para a Pordata, noto que a taxa de congestão nos tribunais judiciais (o rácio dos processos pendentes sobre os findos) passou de 180% para 200% entre 2002 e 2012 e a taxa de eficácia (processos findos sobre pendentes + entrados) de 34,2% para 32,9%. O Presidente do STJ talvez tenha outros e melhores dados.

Tudo isto é a repetição de um discurso sobre a justiça que já ouvimos milhares de vezes. Citando o Presidente do STJ, "boa parte das representações e percepções negativas que afectam a confiança na justiça, são muito provavelmente induzidas por mediações exógenas". Permito-me traduzir: há uma realidade sobre a justiça que é boa (verdadeira), uma percepção que é má (falsa), e a culpa desta distância é dos pérfidos "mediadores de comunicação". O único problema é que não estou a ver indicações de que a "realidade" seja boa nem de que quem a conhece tenda a considerá-la como tal. Exceptuando, porventura, alguns juízes.

by Pedro Magalhães

20 anos de opinião pública em Portugal e na Europa

Posted September 10th, 2013 at 4:28 pm4 Comments

É o título de um e-book, gratuito, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, com ensaios tratando os vários temas sobre os quais o Portal de Opinião Pública faculta dados: o indivíduo, a família, os grupos sociais, o trabalho, a religião, a economia e a política. Escrevem aqui algumas das pessoas que mais admiro no estudo destes assuntos: Cícero Roberto Pereira, psicólogo social; Sofia Aboim, socióloga; Alice Ramos, socióloga; Maria José Chambel, psicóloga social; José Barreto, sociólogo e historiador; e José Tavares, economista. Depois há também uma outra pessoa que escreve sobre o tema "política". Está aqui. É gratuito, já tinha dito? Boas leituras.

by Pedro Magalhães

Um pedido aos deputados e Presidentes de Câmara de Portugal

Posted September 4th, 2013 at 9:57 pm4 Comments

O inquérito académico mais importante na área das ciências sociais da Europa é o Inquérito Social Europeu. Na edição deste ano, existe um módulo, em cuja concepção participei, sobre aquilo que os europeus acham que uma democracia deve ser e como avaliam o desempenho das suas democracias nacionais. No início do próximo ano, os resultados começarão a ser conhecidos.

Tivemos, em Portugal, uma ideia adicional. Não seria interessante saber em que medida as opiniões dos portugueses sobre o que é e deve ser uma democracia se aproximam ou diferenciam das opiniões daqueles que os representam, a nível nacional e local? Daí que, no âmbito do Barómetro da Qualidade de Democracia do ICS, tenhamos preparado um inquérito online aos deputados e aos Presidentes de Câmara de Portugal. O inquérito está a ser aplicado pela TNS Euroteste, que é também a empresa que aplicou o ISS à população em geral. E na sequência desta ideia, vários outros países que aplicaram o European Social Survey decidiram também fazer inquéritos semelhantes nos seus parlamentos.

É porventura presunçoso da minha parte pensar que este blogue chega a deputados e Presidentes de Câmara. Mas vinha pedir aos que lerem este post que respondam ao inquérito que vos foi enviado por e-mail. É verdade que só agora estamos a sair de férias e, por outro lado, há muito trabalho eleitoral a fazer a nível local. Isso pode ajudar a explicar a baixa adesão que o estudo está a ter até agora. Mas seria muito interessante que, no próximo ano, quando se celebram 40 anos do 25 de Abril de 1974, fosse possível ter uma discussão sobre a democracia que temos e a democracia que queremos ter na base de dados empíricos válidos, e não apenas palpites. O inquérito à população em geral já decorreu e teve boa adesão. Era bom sabermos agora como pensam aqueles que nos representam. Obrigado.

by Pedro Magalhães