Pedro Magalhães

Margens de Erro

Porto

Posted September 27th, 2013 at 6:44 am4 Comments

No post de ontem, apesar de ter dito que era o caso do Porto que me suscitava maior curiosidade, acabei por colocá-lo na coluna do "menos incerteza". Pois não o devia ter feito, pelo menos segundo duas sondagens de hoje. A Católica coloca Rui Moreira com 29%, Menezes com 26% e Pizarro com 24%. A Eurosondagem mostra Menezes com 26,9%, Moreira com 26,5%, e Pizarro com 24,1%. Está tudo aberto.

by Pedro Magalhães

Autárquicas: onde estão as maiores incertezas?

Posted September 26th, 2013 at 11:53 am4 Comments

Excelente recurso, o dossier das sondagens autárquicas da Marktest. Num post escrito há uns tempos, discuti os resultados das sondagens em alguns dos concelhos que tinham recebido maior atenção: Lisboa, Porto, Braga, Oeiras, Matosinhos, Aveiro, Viseu, Gaia e Sintra. Quais os casos onde há menos e mais sinais de incerteza?

1. Menos incerteza: Lisboa, Aveiro, Viseu, Porto. Em Lisboa, todas as 6 sondagens (conduzidas por 2 empresas) colocam António Costa com 50% ou mais das intenções de voto, ao passo que Seara não ultrapassa os 30% nas 4 sondagens mais recentes. Dito isto, o facto de todos esses estudos recentes serem da mesma empresa e com o mesmo método gera-me curiosidade sobre o que se passará quando houver sondagens com, por exemplo, inquéritos presenciais e simulação de voto em urna. Em Aveiro, Ribau Esteves (PSD/CDS) sempre acima dos 40%, Eduardo Feio (PS) com 30% ou menos. Em Viseu, nenhuma sondagem dá uma vantagem inferior a 10 pontos para Almeida Henriques (PSD). No Porto, não houve sondagens desde o meu último post. Aqui tem havido mais variabilidade ao longo do tempo (sondagens em que Menezes lidera com apenas 7 pontos de vantagem coexistem com outras em que lidera por 20). Destes casos, portanto, o Porto é o que me suscita maior curiosidade.

2. Mais incerteza. Em Oeiras, o site da Marktest continua a reportar apenas duas sondagens, completamente discrepantes. A última, de Agosto (telefónicas em Agosto...) tem Vistas com 3 pontos sobre Moita Flores. Em Braga, a última sondagem é de finais de Agosto e tem Ricardo Rio (PSD/CDS/PPM) com quatro pontos sobre Vítor Sousa (PS). Quase todas as restantes sondagens têm margens igualmente ou ainda mais apertadas. Mas Rio lidera em quase todas, o que também é relevante. Em Matosinhos, Guilherme Pinto liderava em sete das oito sondagens já realizadas. Mas nas mais recentes, grandes discrepâncias: 13 pontos de vantagem numa sondagem do dia 6 de Setembro da Pitagórica contra menos de 2 pontos numa sondagem do dia 24 da Eurosondagem.

Depois, Gaia e Sintra. Em Gaia, a sondagem da Católica divulgada hoje coloca Eduardo Vítor Rodrigues (PS) com 6 pontos sobre Guilherme Aguiar, e Carlos Abreu Amorim (PSD/CDS) fora de jogo. Mas se em relação a este último aspecto as sondagens oferecem poucas dúvidas, a Eurosondagem coloca Rodrigues e Aguiar empatados, com ligeira (e não significativa) vantagem para o segundo. Em Sintra, Basílio Horta lidera em 6 das 7 sondagens divulgadas até ao momento, incluindo a de hoje da Católica. Mas desde Julho que essa vantagem sobre Marco Almeida é apertada e, nalguns casos, nem sequer estatisticamente significativa.

Outros possíveis "cliffhangers" incluem Coimbra (Manuel Machado do PS ou Barbosa de Melo do PSD/PPM/MPT?), Évora (Pinto de Sá da CDU ou Melgão do PS?), Faro (Neves ou Bacalhau?), Guarda (Martins Igreja ou Álvaro Amaro?) e Vila Real (Santos ou Carvalho?). Finalmente, lembrar o seguinte: historicamente, as sondagens sobre eleições onde concorrem independentes exibem um desvio médio entre intenções de voto e aqueles que depois vêm a ser os resultados reais bastante superior ao que ocorrer nas restantes eleições. Por outras palavras: nas eleições onde correm independentes, as intenções de voto registadas em sondagens têm sido piores predictoras daquilo que acaba por ocorrer no dia das eleições.

by Pedro Magalhães

Respostas à pergunta

Posted September 24th, 2013 at 10:18 am4 Comments

Vários comentários e e-mails directos sobre o tema do post anterior. Realmente, já me tinham dito que havia uma coisa nova chamada Internet e que era fabulosa.

1. Um post do Mr. Brown em Os comediantes, cuja leitura aconselho.

2. Várias pessoas apontam o "falso" anúncio de Bernanke de que o Fed poderia diminuir o ritmo de compra de títulos. E é verdade que a subida de Maio ocorre exactamente no dia seguinte.

3. Depois, muitas maneiras de ver estas evoluções que revelam a importância da crise política:

* As subidas imediatamente após as demissões (Julho) e decisão de Agosto do TC e sua resposta política: Crise política

* A divergência da evolução as obrigações portuguesas em relação às italianas e espanholas: Divergencia

* Mais divergência, desta vez olhando para o diferencial em relação às taxas alemãs, com comportamento particularmente diferente em Julho (demissões) e Agosto (TC, revisão de metas, etc): Divergencia spreads

E junto algumas citações de mensagens que recebi, nem todas na mesma direcção:

"O que tem definido o valor dos juros da divida portuguesa tem sido desde sempre o grau de liquidez injectada no mercado pelo BCE. Isso foi verdade quando os juros desceram abruptamente (embora por cá tivesse havido personagens a reclamar para esse mérito) e depois quando o BCE começou a secar os mercados secundários voltaram a subir. O que por cá se passa é apenas o tempero de um prato preparado em take away."

"Depois do fenómeno [demissões] existe uma continua divergência das obrigações portuguesas em relação às Italianas e Espanholas , divergência essa que nos 3 meses anteriores podemos observar que quase não existia. É razoável afirmar que tal se deve, pelo menos parcialmente, à crise política e à consequente quebra de confiança na coligação."

"Em IT e ES o spread está actualmente abaixo do mínimo registado em Maio, ao passo que PT está 140pb acima do mínimo (e 60pb acima do valor registado imediatamente antes da primeira demissão)."

"É verdade que o mercado é pouco líquido, pelo que muitas vezes o preço tem movimentos bruscos provocados por ordens de compra/venda relativamente pequenas… Por isso, com um fluxo de notícias positivas (p.ex. com uma conclusão favorável da review) a tendência também se pode reverter de forma relativamente rápida…"

"I don’t think the first announcement of the Constitutional Court had such a strong impact in the yields because the government was very quick and good at selling the alternative cuts that would replace those annulled by the judges. The problem with the last ruling is that it has made investors realize that the government has a hard constraint in terms of policy that is preventing it from delivering on its 'promises'."

"My concern is that Bernanke’s decision not to taper for now should have had a positive effect on the yields (look at Spain’s and Italy’s despite the Berlusconi situation), but they have barely moved in Portugal…"

"Lá fora joga-se o essencial, mas cá dentro têm que ser cumpridos mínimos olímpicos..."

Obrigado a todos.

by Pedro Magalhães

Uma pergunta

Posted September 23rd, 2013 at 1:32 pm4 Comments

A ideia de que a "culpa" da subida dos juros da dívida é a crise política aberta pelas demissões dos ministros Vítor Gaspar e (suponho que especialmente) Paulo Portas está a circular, inclusivamente por parte do próprio Primeiro Ministro (mesmo descontando a interpretação que na notícia é feita das suas palavras). Mas ao mesmo tempo, lembro-me de um post do Luís Aguiar-Conraria (e de um comentário que ele lá acrescentou) que inspira cautela nestas interpretações. Correndo o risco de fazer precisamente aquilo que ele desaconselha, ponho-me a olhar para os gráficos. O que vejo?

10yr PT government

É verdade que é em Maio que esses juros atingem o ponto mais baixo nos últimos seis meses. Mas Gaspar e Portas demitem-se em Julho, e os juros já estavam em trajectória ascendente desde Maio. Porquê? O Tribunal Constitucional? Mas a decisão sobre o Orçamento foi em Abril. E já agora, o caso espanhol: SP government bonds 10yr

E o caso italiano: Italy 10yr govy bonds

É possível - provável, parece-me - que a crise política tenha afectado as taxas com que nos conseguimos financiar nos mercados. Mas tem de haver aqui mais qualquer coisa, não será? Se calhar é completamente óbvio, mas eu sou verdadeiramente ignorante sobre estes temas e não estou a ver. Alguém pode ajudar? Ou é um exercício fútil que só leva à especulação?

by Pedro Magalhães

Filtrar as sondagens: actualização

Posted September 16th, 2013 at 9:38 pm4 Comments

Duas sondagens recentes, uma da Aximage e outra da Eurosondagem. Utilizando a técnica descrita aqui, podemos actualizar as nossas estimativas:PSPSD BECDUCDS

Em comparação com o que tínhamos no início de Agosto, o PS sobe 0,6 pontos (para 36,3%), o PSD sobe 0,9 pontos (para 27,3%), a CDU sobe 0,2 (para 12,2%), o CDS desce 0,1 (para 8,3%) e o BE desce 0,4 (para 7,4%). Naturalmente, quando atendemos aos intervalos de confiança, estas mudanças não têm (ainda?) expressão relevante.

De notar que o PSD, que iniciou uma descida mais ou menos ininterrupta nas sondagens em Setembro de 2011, com um trambolhão em Setembro de 2012 (TSU), vem subindo desde o início de Julho de 2013, altura em que tinha atingido o seu mínimo neste ciclo eleitoral (25%). Pelo contrário, o CDS desce nas intenções de voto desde essa mesma altura.

by Pedro Magalhães

“Positivo” ou “menos péssimo”?

Posted September 15th, 2013 at 9:43 am4 Comments

No discurso de tomada de posse como Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, António Henriques Gaspar assinalou a "crise de confiança que tem afectado na última década a instituição judicial", assinalando também que "não existe hoje na nossa vida colectiva - podemos dizer - uma instituição em que a distância entre a efectiva realidade e as percepções negativas seja tão devastadora". Como ilustração disto, o juiz-conselheiro mencionou que:

Estudos realizados com critérios científicos e com rigor académico, relativos às percepções sobre a justiça - no caso, a justiça civil - concluíram que as percepções são acentuadamente negativas nos entrevistados que não tiveram qualquer contacto com a justiça, e positivas na maioria dos entrevistados que tiveram contacto e recorreram à justiça.

Não sei a que estudo se refere o juiz-conselheiro, mas o mais recente que conheço é o inquérito às empresas sobre a justiça económica realizado pelo INE, no âmbito de um projecto da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Talvez valha por isso a pena recordar os resultados relevantes para este ponto específico (também aqui no destaque do INE):

1. De todas as empresas que foram parte em litígios que resultaram em decisões judiciais nos últimos 3 anos, 42% acham que a qualidade dessas decisões (em termos de previsibilidade e coerência) foi alta ou muito alta e 13% (!) acham que as decisões foram rápidas ou muito rápidas. O que sobra para 100% são opiniões negativas. A não ser que o Presidente do STJ se esteja a referir à avaliação que também foi feita dos conhecimentos técnicos dos juízes (aqui sim, 64% das empresas satisfeitas), não encontramos uma maioria de percepções positivas por parte dos que "tiveram contacto e recorreram à justiça".

2. A lentidão da justiça é vista pelas empresas como o 2º obstáculo mais importante à sua actividade, logo a seguir à crise económica e seus efeitos na procura. Essa preocupação é ainda mais intensa entre as empresas que têm acções pendentes em tribunal.

Em suma, há de facto uma diferença entre as empresas de acordo com a sua experiência com o sistema judicial: as avaliações dos responsáveis das empresas que tiveram contacto com o sistema são menos péssimas do que as que não tiveram. Isso é importante. Mas menos péssimo não é positivo nem bom.

Outros poderão pronunciar-se melhor sobre outra afirmação do novo Presidente do STJ: "A confiança erodiu-se apesar de na última década as respostas da justiça e os índices de avaliação, com excepção da acção executiva, terem melhorado em todos os indicadores". Eu disto percebo pouco. Mas olhando para a Pordata, noto que a taxa de congestão nos tribunais judiciais (o rácio dos processos pendentes sobre os findos) passou de 180% para 200% entre 2002 e 2012 e a taxa de eficácia (processos findos sobre pendentes + entrados) de 34,2% para 32,9%. O Presidente do STJ talvez tenha outros e melhores dados.

Tudo isto é a repetição de um discurso sobre a justiça que já ouvimos milhares de vezes. Citando o Presidente do STJ, "boa parte das representações e percepções negativas que afectam a confiança na justiça, são muito provavelmente induzidas por mediações exógenas". Permito-me traduzir: há uma realidade sobre a justiça que é boa (verdadeira), uma percepção que é má (falsa), e a culpa desta distância é dos pérfidos "mediadores de comunicação". O único problema é que não estou a ver indicações de que a "realidade" seja boa nem de que quem a conhece tenda a considerá-la como tal. Exceptuando, porventura, alguns juízes.

by Pedro Magalhães

20 anos de opinião pública em Portugal e na Europa

Posted September 10th, 2013 at 4:28 pm4 Comments

É o título de um e-book, gratuito, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, com ensaios tratando os vários temas sobre os quais o Portal de Opinião Pública faculta dados: o indivíduo, a família, os grupos sociais, o trabalho, a religião, a economia e a política. Escrevem aqui algumas das pessoas que mais admiro no estudo destes assuntos: Cícero Roberto Pereira, psicólogo social; Sofia Aboim, socióloga; Alice Ramos, socióloga; Maria José Chambel, psicóloga social; José Barreto, sociólogo e historiador; e José Tavares, economista. Depois há também uma outra pessoa que escreve sobre o tema "política". Está aqui. É gratuito, já tinha dito? Boas leituras.

by Pedro Magalhães

Um pedido aos deputados e Presidentes de Câmara de Portugal

Posted September 4th, 2013 at 9:57 pm4 Comments

O inquérito académico mais importante na área das ciências sociais da Europa é o Inquérito Social Europeu. Na edição deste ano, existe um módulo, em cuja concepção participei, sobre aquilo que os europeus acham que uma democracia deve ser e como avaliam o desempenho das suas democracias nacionais. No início do próximo ano, os resultados começarão a ser conhecidos.

Tivemos, em Portugal, uma ideia adicional. Não seria interessante saber em que medida as opiniões dos portugueses sobre o que é e deve ser uma democracia se aproximam ou diferenciam das opiniões daqueles que os representam, a nível nacional e local? Daí que, no âmbito do Barómetro da Qualidade de Democracia do ICS, tenhamos preparado um inquérito online aos deputados e aos Presidentes de Câmara de Portugal. O inquérito está a ser aplicado pela TNS Euroteste, que é também a empresa que aplicou o ISS à população em geral. E na sequência desta ideia, vários outros países que aplicaram o European Social Survey decidiram também fazer inquéritos semelhantes nos seus parlamentos.

É porventura presunçoso da minha parte pensar que este blogue chega a deputados e Presidentes de Câmara. Mas vinha pedir aos que lerem este post que respondam ao inquérito que vos foi enviado por e-mail. É verdade que só agora estamos a sair de férias e, por outro lado, há muito trabalho eleitoral a fazer a nível local. Isso pode ajudar a explicar a baixa adesão que o estudo está a ter até agora. Mas seria muito interessante que, no próximo ano, quando se celebram 40 anos do 25 de Abril de 1974, fosse possível ter uma discussão sobre a democracia que temos e a democracia que queremos ter na base de dados empíricos válidos, e não apenas palpites. O inquérito à população em geral já decorreu e teve boa adesão. Era bom sabermos agora como pensam aqueles que nos representam. Obrigado.

by Pedro Magalhães

Sondagens nas autárquicas

Posted September 4th, 2013 at 10:24 am4 Comments

Dei uma olhada pelas sondagens autárquicas que têm sido divulgadas na comunicação social e depositadas na ERC. Tinha em mente um post que me ia demorar um dia a fazer, com gráficos e quadros. Mas a informação disponível é tão escassa que o modo narrativo me parece suficiente. Julgo não me enganar se disser que há oito concelhos que têm despertado maior interesse por parte de quem encomenda sondagens: Lisboa, Porto, Braga, Oeiras, Matosinhos, Aveiro, Viseu e Gaia. Mas "maior interesse" é relativo: se recuarmos até Maio, os concelhos onde houve mais sondagens foram Lisboa e Porto, mas em cada um foram conduzidos apenas 5 estudos, sendo que desse total de 10, 6 são da Eurosondagem. É bom quando há muitas sondagens de muitas empresas diferentes, até para podermos controlar possíveis house effects. Não é o caso.

Destes oito concelhos, as maiores dúvidas estão em Oeiras, Braga, Matosinhos e Gaia. Em Lisboa, a margem mínima dada a António Costa é de 16 pontos, e isso foi em Maio passado. As três sondagens seguintes deram-lhe margens de vitória ainda maiores. Não há qualquer indicação de que Ribau Esteves não esteja  seguro em Aveiro. Almeida Henriques tem 10 pontos sobre José Junqueiro na última sondagem em Viseu. No Porto, as coisas estão menos seguras para Menezes, mas a mínima vantagem que as sondagens lhe deram agora foi de 7 pontos sobre Rui Moreira (nos dois últimos estudos da Eurosondagem, de 27 de Julho e de 7 de Agosto).

Nos restantes quatro concelhos, os resultados são mais incertos e, nalguns casos, até um pouco estranhos. Em Oeiras, a sondagem mais recente (de 14 de Agosto) coloca Paulo Vistas com uma vantagem de apenas 3 pontos sobre Moita Flores. Mas o estudo imediatamente anterior (de Maio) dá uma vantagem brutal a Moita Flores, da ordem dos 20 pontos. Note-se que esta última foi encomendada pela própria candidatura de Moita Flores, o que não quer dizer que isso seja a explicação.

Em Braga, três sondagens desde Maio, duas da Eurosondagem e uma da Intercampus. A diferença máxima entre Ricardo Rio (PSD/CDS/PPM) e Vítor Sousa (PS) é de 3 pontos, no último estudo de Julho da Eurosondagem.

Em Matosinhos, Guilherme Pinto (ex-PS, agora independente) lidera nos quatro estudos conduzidos. Mas nos mais recentes (da GTriplo e da Eurosondagem, de finais de Julho/início de Agosto), a sua vantagem sobre António Parada (PS) está em 2 pontos.

Em Gaia, 4 sondagens. Mas numa delas, os resultados nem sequer estão disponíveis na ERC. Nos dois estudos da Eurosondagem, de Maio e Julho, Guilherme Aguiar  (independente) e Eduardo Vitor Rodrigues (PS) estão praticamente empatados a 30%, e empate era também o resultado do estudo da DOMP de Maio.

Sintra é um caso estranho, por ter suscitado tão pouco interesse. A ERC reporta duas sondagens, uma da Aximage outra da Eurosondagem mas, consultados os ficheiros, ambos remetem para um único estudo, com Marco Almeida e Basílio Horta basicamente empatados. [ver P.S. abaixo]

Duas notas finais, de resto relacionadas entre si:

1. Se incluirmos Sintra, é perfeitamente possível que, destes nove, quatro venham a ser presididos por independentes (Oeiras, Matosinhos, Sintra e Gaia).

2. É também possível que, desde nove concelhos, o PS conquiste apenas uma câmara (Lisboa).O Porto parece fora do alcance do PS, Braga e Matosinhos (onde o PS NUNCA perdeu) estão em risco e Gaia e Sintra estão longe de estarem certos. Para além disto, o que temos? Guimarães deverá estar seguro. Mas a notoriedade de Bernardino Soares pode trazer problemas em Loures. E se a isto somarmos Gondomar (onde Marco Martins terá dificuldades em bater Fernando Paulo), Santarém (onde o incumbente Ricardo Gonçalves do PSD tem vantagem), Coimbra (onde não é nada certo que Manuel Machado destrone Barbosa de Melo) e Vila Real (onde Rui Santos e António Carvalho aparecem par a par na única sondagem que conheço), o PS arrisca-se a ter uma noite eleitoral algo complicada.

P.S. - Entretanto, avisam-me que a sondagem da Aximage já está disponível na ERC. O trabalho de campo terminou a 4 de Julho, e aí Basílio Horta aparece com 6.5 pontos sobre Marco Almeida, antes de redistribuição de indecisos. Muito obrigado.

by Pedro Magalhães

Portal de Opinião Pública: alguns dados novos

Posted September 2nd, 2013 at 2:49 pm4 Comments

O Portal de Opinião Pública, da FFMS, teve uma actualização com dados recentes, do Eurobarómetro da Primavera de 2013. Essa actualização incidiu apenas sobre alguns indicadores, e na maioria dos casos prolongando tendências já conhecidas. Mas vale a pena revisitar algumas, colocando Portugal em comparação com outros países que mostram tendências semelhantes, por razões óbvias. 1. Depois de um pequeno blip positivo em Novembro passado, avaliação da situação da economia retoma valores anteriores muito desfavoráveis. Em Espanha e na Grécia, a percepção é ainda pior.     2. Já quanto à percepção da economia na Europa como um todo, tendência (modesta) de melhoria a partir de Maio de 2012:     3. Níveis muito baixos de satisfação com o funcionamento do regime democrático. Em Portugal, os mais baixos desde que há dados. Dinamarca como ponto de comparação.     4. Confiança no governo também no ponto mais baixo desde que há dados.     5. Em 1999, mais de 80% dos portugueses tendiam a confiar na Comissão Europeia. A queda, particularmente desde o início da crise financeira, é brutal.  

by Pedro Magalhães