Pedro Magalhães

Margens de Erro

Vale a pena ler

Posted October 27th, 2008 at 12:17 pm4 Comments

James Stimson, sobre os resultados das sondagens nos Estados Unidos:

Saturday 10/25: Stability and Variability
Variability: This is a race of considerable variability in various organization's estimates of what should be the same quantity. And at the same time I have never seen such stability in my estimates of the daily lead. A typical day sees about ten organizations report an Obama lead varying between 1 and 14 points. Thirteen points difference is a lot, more than double what would be expected from sampling fluctuation alone. This arises chiefly, it appears, from two sources, (1) initial assumptions about the partisan makeup of the electorate, and (2) varying likely voter assumptions.

Ler o resto aqui.

by Pedro Magalhães

Uma tempestade perfeita

Posted October 26th, 2008 at 11:24 am4 Comments

O meu artigo de amanhã no Público é sobre - suspense - as eleições americanas. É o último que escrevo antes do dia 4 de Novembro. Quem se interesse poderá ler amanhã no jornal e depois de amanhã aqui. Mas quem se interesse muito - sim, estou a falar de vocês os três - pode descarregar isto, uma apresentação em Powerpoint que fiz há dias na Faculdade de Direito da UL e onde se coligem uma série de dados sobre os fundamentals desta eleição:

1. Mudanças na composição social do eleitorado (o famoso argumento Judis/Teixeira);
2. Mudanças na identificação partidária nos últimos anos;
3. Mudanças nas posições ideológicas nos últimos anos;
4. Avaliação do titular (incumbent);
5. Economia e percepções do estado da economia;

E ainda:
6. Temas da campanha;
7. Avaliação dos candidatos;
8. Mobilização.

Nada disto tem grandes pretensões nem grandes teorias por detrás a não ser as de coligir dados dispersos, ter uma visão das eleições que vá para além das sondagens de intenções de voto e presumir que há factores de médio e até longo prazo que ditam muito do que estamos a observar e cujo conhecimento ajuda a reduzir as incertezas.

by Pedro Magalhães

Fried

Posted October 25th, 2008 at 12:23 am4 Comments

Charles Fried, que tinha apoiado McCain em Janeiro, pediu-lhe que retirasse o seu nome de todo o material de campanha. Fried votou em Obama. É preciso saber quem é Fried para perceber o absolutamente espantoso que isto é.

by Pedro Magalhães

Bush apoia McCain e Palin.

Posted October 24th, 2008 at 3:52 pm4 Comments

by Pedro Magalhães

Três perguntas.

Posted October 24th, 2008 at 12:58 pm4 Comments

Três perguntas num comentário ao post abaixo. Vou tentar responder, remetendo, sempre que possível, para quem sabe responder melhor do que eu:

1. Trata-se da fiabilidade das sondagens que são agregadas nos principais sites como o RCP, Pollster ou 538. No mesmo dia ou espaço curto de tempo, cerca de meia dúzia sondagens são capazes de ter 6 ou 8 pontos percentuais de diferença nos resultados (relativamente à distância entre candidatos), acontecendo isto com muita regularidade. Isto não compromete a confiança das sondagens?

Não devemos ficar surpreendidos com o facto de diferentes sondagens, conduzidas no mesmo momento, exibirem resultados cujas diferenças estão acima do que seria autorizado pelo erro amostral. Há uma multiplicidade de opções técnicas - amostragem, modelos de votantes prováveis, ponderadores, formato das perguntas, etc, etc, etc - que produzem essas diferenças. Há um livro muito bom de um antigo professor meu cujo título resume isso muito bem: The Total Survey Error Approach, em que "total" significa o erro amostral mais todas as outras fontes de erro. Como lidar com isto? Por um lado, importa procurar estimar em que medida há enviesamentos característicos trazidos por cada conjunto de opções metodológicas. Como essas opções tendem a ser estáveis em cada instituto, é possível estimar aquilo que se chama "house effects", ou seja, a tendência de cada instituto para favorecer/desfavorecer cada candidato ou partido. Mas isto mostra-nos apenas um determinado desvio em relação à (vamos chamar-lhe assim) "média", e não em relação à " realidade". O que é a realidade? Ninguém sabe. Mas o que o Nate Silver faz é tomar a prestação passada dos institutos de sondagens como indicador da sua aproximação a essa realidade, presumir que essa aproximação é um bom indicador da sua aproximação à realidade presente, e ponderar os resultados das sondagens na base disso. Aqui estão os indicadores do "track record" de cada instituto que o FiveThirtyEight usa nessas ponderações. É a abordagem mais "sofisticada" (mas também com alguns riscos. Nada garante que desempenho passado seja bom desempenho futuro, especialmente se as circunstâncias políticas e sociais mudarem. O próprio Nate Silver dá um exemplo). O Pollster.com e o RCP são mais agnósticos, o que também não é necessariamente boa ideia.

2ª A média das amostras penso que andam em cerca de 2000 pessoas por sondagem a nível nacional. Não será este um número demasiado baixo para um país de 300 milhões? Penso que 2000 é o número usado regularmente em Portugal, estou certo?

Não, não, e também não (sorry). Não sei o número médio, mas é fácil calcular olhando para esta lista. Sobre o - sempre intrigante - fenómeno de a dimensão do universo ser (quase completamente irrelevante para o erro amostral, ver aqui. Em Portugal, as amostras andam entre os 600 e os 1200. Só na véspera das eleições se costuma usar amostras maiores.

3º Esta já é de leitura de sondagens. Há já sondagens (em número e qualidade) suficientes para falarmos de uma tendência após o último debate presidencial, principalmente nos estados mais decisivos?

Sim, e parece que não teve efeitos.

by Pedro Magalhães

Ainda sobre os efeitos da "raça" no comportamento eleitoral nestas presidenciais.

Posted October 23rd, 2008 at 5:55 pm4 Comments

Há muita gente (alguma dela particularmente competente) que se tem pronunciado sobre este assunto. Larry Bartels, por exemplo, usando dados do American National Election Survey de 2004, sugere que esse efeito pode andar por um custo de 3,7% para Obama.

Mas vejamos a questão por outro lado. Há meses que circulam modelos econométricos que prevêem, na base dos tais "fundamentals" - economia, cansaço/aprovação do incumbent, etc. - a percentagem de votos para candidatos do Partido Republicano (o incumbent). Estes modelos são "cegos" em relação à "raça" dos candidatos. Alguns deles podem tê-la indirectamente, se usarem sondagens sobre os candidatos -mesmo que distantes no tempo em relação às eleições - mas a maioria não tem. Os resultados estão no Pollyvote:


A vantagem máxima para o candidato Democrata é de 16 pontos, a mínima é de 0,2 pontos. Mas a média é de 5,4 pontos.

Agora olhem para aqui:

A estimativa actual da vantagem de Obama, excluídos indecisos e 3ºs candidatos, é de 8,3 pontos. Por outras palavras a vantagem de Obama é maior do que se poderia esperar "given the fundamentals". Claro que: ainda não é dia 4, e mesmo até à véspera do dia 4, as sondagens podem vir a revelar-se erradas. Mas se há alguma coisa que se possa dizer "given the fundamentals", é que o facto de Obama ser negro o favorece eleitoralmente. Absurdo, não é? Sim, mas o contrário, na base disto, também é.

by Pedro Magalhães

O Bartoon explica.

Posted October 22nd, 2008 at 3:14 pm4 Comments

Este debate é interessante, e eu já tinha prometido que ia falar nisto. Um pretexto, então.

Também não gostei especialmente de ver Ronald Dworkin, depois de descrever (correctamente) as consequências (catastróficas) que uma vitória dos Republicanos e a designação de juízes para o Supremo com o perfil prometido por McCain teriam para a interpretação da Constituição Americana, terminar dizendo que "if a remarkably distinguished candidate like Obama loses, this can be for only one reason." Mas as razões porque não gostei são, eventualmente, diferentes das de Miguel Morgado:

1. Primeiro, não há nunca "only one reason".

2. Segundo, ao contrário do que também diz Mark Danner - e retoma João Galamba - , não me parece nada que, "given the 'fundamentals', (...) the contest is so close". So close? Dia 4 cá estaremos para ver. Mas isto não me parece nada close. Vantagens de 6-8 pontos no voto popular não é coisa de somenos e não aparecem todos os dias. Nixon ganhou a McGovern por 23 pontos em 1972, mas.. McGovern? De resto, esta vantagem - ou até bastante menos - é precisamente da ordem do que se poderia esperar given the fundamentals. Esta ideia de que Obama deveria estar a arrasar mas só não está por causa da raça perde sentido logo na parte do "arrasar", porque negligencia a actual polarização do eleitorado americano e tudo aquilo que dá estabilidade ao seu comportamento, independentemente de factores de mais curto-prazo, tais como a economia ou desempenho do incumbent (mas dia 4 espero de não ter de engolir isto tudo).

3. Finalmente, não gostei porque este discurso é exactamente o contrário daquele que Obama tem tido e exactamente o contrário daquilo que lhe convém ter. Ainda bem que a NYRB só é lida por intelectualóides como eu e vocês que estão a ler isto.

Claro que importa perceber por que razão "este discurso é exactamente o contrário daquele que Obama tem tido e exactamente o contrário daquilo que lhe convém ter." É porque, precisamente, o problema existe. Há quilómetros de estantes com coisas sérias escritas sobre o assunto: "Black and white voters do seem to prefer candidates of their own race in biracial elections and, consequently, it is exceedingly rare for black candidates to be elected outside of majority-minority political jurisdictions (Barker et al.1999, Canon 1999, Walton & Smith 2000)". De resto, o grande mérito estratégico da candidatura de Obama e o seu enorme pragmatismo tem residido em fazer com que o problema pareça não existir, desactivando-o como um elemento legítimo de contestação política e retirando-lhe saliência. Claro que os Republicanos têm tentando activá-lo subtilmente, como outros textos na NYRB sugerem (o de Andrew Delbanco, por exemplo). Mas não o podem activar explicitamente: Obama não lhes deu a oportunidade, e fazê-lo por iniciativa própria seria suicídio. Daí que Jeremiah Wright tenha estado ausente da galeria de ataques a Obama, e só surgirá, se surgir, como táctica última de desespero total por parte dos Republicanos.

Quanto ao resto, os meus textos preferidos neste NYRB são os de Joan Didion e de Paul Krugman. Didion, como sempre, para além da elegantíssima escrita, tem um dedo especial para desenterrar a forma como os temas reais e mais importantes na vida americana são retirados do debate político e mediático e substituídos ou misturados com temas fictícios:



"The presence of Barack Obama in the electoral process allowed us to talk as if "the race issue" had reached a happy ending. We did not need to talk about how the question of race has been and continues to be used to exacerbate the real issue in American life, which is class, or absence of equal opportunity."



"For a while, however, Democrats in general, and Barack Obama in particular, seemed to have lost the plot. Instead of running against the Republican economic record, Obama spent the primary season and the first few weeks of the general election campaign portraying himself as a "post-partisan" politician, someone who transcended the traditional party divide. In his speeches, he tended to hold both parties equally culpable for the country's woes, denouncing the failed policies of right and left equally. (...) But all of that has changed in the past few weeks. (...) These days, Obama doesn't try to place blame equally on right and left, he denounces "an economic philosophy that says we should give more and more to those with the most and hope that prosperity trickles down to everyone else," and describes the crisis as "a final verdict on this failed philosophy." He sounds, in other words, a lot like Bill Clinton in 1992. And that's a good thing."

Não acontece muitas vezes que a mensagem política "certa" seja "certa" de duas maneiras: por descrever correcta e profundamente a realidade, e por ser a mais adequada eleitoralmente. Mas desta vez aconteceu. Os Republicanos andam a agitar a frase "spread the wealth" que Obama disse a "Joe the Plumber", como se isso o fizesse perder votos. Um erro, parece-me. O Bartoon de hoje explica tudo isto muito bem.


by Pedro Magalhães

Até na Science se fala do "Bradley effect"…

Posted October 21st, 2008 at 4:22 pm4 Comments

Podemos acreditar no que estamos a ver? Depende.

Posted October 21st, 2008 at 12:27 pm4 Comments

Os textos no post abaixo sobre as possibilidades de recuperação de McCain pressupõem que aquilo que as sondagens nos estão a dizer é, "na média", verdade. Que Obama tem uma vantagem de mais de 5 pontos sobre McCain, que Obama subiu drasticamente desde a crise financeira, que McCain vem recuperando nos últimos dias.

Mas se isto tudo, ou parte disto, for mentira? E se houver um enviesamento sistemático nos resultados? Uma das fontes de enviesamento já aqui muito discutida é o chamado Bradley Effect, através do qual a vantagem de Obama sobre McCain poderá estar a ser sobrestimada. A segunda é o recurso a telefones fixos, através do qual a vantagem de Obama sobre McCain poderá estar a ser sistematicamente subestimada.

James Stimson, da UNC em Chapel Hill, recorda-nos um terceiro possível enviesamento, que desta vez tem repercussões naquilo que julgamos estar a observar nos últimos dias: as pressuposições sobre os votantes prováveis que estão inseridas nos modelos.

The entry of new tracking polls (with likely voter estimates) and the changeover of existing ones to likely voter estimates are confusing the situation this week. Because Republicans traditionally turn out at higher rates than do Democrats, the likely voter estimates shift the composition of samples in the Republican direction, producing better numbers for McCain. This is creating what appears to be an illusory trend toward McCain support, an apparent decline in the Obama lead. This is seen most clearly in the Gallup organization's now triple daily reports. With a pleasing transparency, Gallup is reporting registered voters numbers (as before) and two different likely voter estimates. One Gallup calls the traditional filter assumes that historic turnout patterns will prevail and thus African-Americans and young people, for example, are assumed to turn out at relatively low rates (compared to the perennial turnout champs, the middle-aged and middle class.) Knowing that such assumptions are likely to be inaccurate this year, Gallup is also using a filter (called Expanded) that is based only on what respondents say about voting intentions. I commend Gallup for leaving us free to make our own assumptions about turnout, rather than imposing its own on us (and usually without any information about what they are.) From its latest release (10/19) Gallup shows an Obama lead of 10 points (52-42) among registered voters, 7 points (51-44) among the Expanded likely voter set and only 3 points (49-46) with the Traditional likely voter filter. It makes quite a difference which one gets reported. There is no trend in the registered voter estimates. But if you compare the older registered voter numbers with the newer likely voter numbers the illusion of trend appears.

by Pedro Magalhães

As possibilidades de McCain

Posted October 21st, 2008 at 10:16 am4 Comments

The State of the Race, por Jay Cost: "This makes a comeback for McCain quite difficult, but not inconceivable."

Today's Polls, 10/20, por Nate Silver: "McCain needs to get those numbers down about twice as quickly as Obama got them up, and he does not have any debates or other major public events to assist him."

by Pedro Magalhães