Pedro Magalhães

Margens de Erro

O fim da "chatice"

Posted October 20th, 2008 at 10:18 pm4 Comments

Diogo Belford Henriques respondeu ao post abaixo. Espero não ser injusto se vir a coisa assim: DBH não gostou de uma sondagem pré-eleitoral da Eurosondagem que dava 4,8% ao CDS. Após as eleições, tendo o CDS-PP obtido 8,7%, exprimiu esse descontentamento, mas não tinha mais para argumentar que a simples constatação da discrepância. Mas lendo posteriormente o meu post onde descrevia alguns dos constrangimentos e dificuldades ligadas à realização de sondagens dos Açores, DBH descobriu um ângulo para criticar a sondagem que tanto o apoquentara, mesmo que vários aspectos do que descrevi nem sequer se apliquem ao estudo telefónico da Eurosondagem. E toca de transformar esses constrangimentos em omissões graves, acabando por acusar todos os que fizeram sondagens nos Açores de serem preguiçosos e incompetentes. E ainda houve tempo para levantar a hipótese de que tanta preguiça e incompetência não passassem de uma desconsideração aos açorianos.


Neste último post, o ângulo é algo diferente. DBH acha "grave" que as sondagens à boca das urnas nos Açores não tenham trabalho de campo em todas as ilhas e que o serviço público de televisão não pague tudo o que for preciso para garantir isso. Mas o que importa perceber é que todas as sondagens e todos os estudos deste género resultam de compromissos entre o ideal e o possível. Amostras de 15.000 inquiridos em vez de 5.000, ir a todos os locais de voto de uma freguesia ou ir a todas as freguesias em vez de ir apenas a algumas, incluir telefones celulares em sondagens telefónicas em vez de apenas telefones fixos, fazer 15 ou 20 tentativas de encontrar um inquirido aleatoriamente numa casa em vez de apenas 4 ou 5, dar um mês em vez de uma semana de formação aos inquiridores, etc, etc, etc,  a lista do "ideal" nas sondagens é interminável e inatingível. O importante é garantir que aquilo que se sacrifica não é suficientemente "grave" para impedir boas inferências. E manifestamente não foi, o que não nos impede de reconhecer e tentar descobrir os custos que esses sacrifícios podem ter imposto, até para se perceber que sacrifícios são legítimos da próxima vez.

Eu acho que este tipo de discussão até pode ser, em geral, saudável, e só acontece porque há cada vez mais transparência na maneira como se fazem sondagens. Sabem-se coisas intrigantes de que dantes nem se fazia ideia, aparecem novas perguntas, e conversa-se. Acho, se calhar com alguma pretensão, que não dei um contributo completamente irrelevante para isso. 
Mas acho também que há dois tipos de discussão sobre sondagens e duas opções para as pessoas, como DBH, que exercem funções políticas. Podem aprender alguma coisa sobre sondagens e passam a poder fazer questões e críticas interessantes a quem trabalha nisto. Eu conheço algumas pessoas assim em quase todos os partidos (uma delas tem um blogue e outra até foi Primeiro-Ministro). Mas também se podem limitar a ter um discurso estritamente político sobre sondagens. O segundo é perfeitamente legítimo, mas serve apenas para conversarem uns com os outros. Não serve para mais.

by Pedro Magalhães

"Coming back", ou "natural tightening"?

Posted October 20th, 2008 at 5:51 pm4 Comments

Aí está. "Is McCain Coming Back?"

by Pedro Magalhães

A "chatice"

Posted October 20th, 2008 at 3:37 pm4 Comments

Diogo Belford Henriques (DBH) comenta, num post no 31 da Armada, este meu post sobre as sondagens à boca das urnas nos Açores.

DBH confunde várias coisas, a saber:

1. "Porque (sic) foram os resultados das eleições de ontem diferentes da sondagem (Eurosondagem, não CESOP)?"
O meu post não tem a ver com esse assunto. O meu post tem a ver com o facto da realização de sondagens nos Açores introduzir dificuldades diferentes (e superiores) à realização de outro tipo de sondagens eleitorais, mesmo que sejam sondagens à boca das urnas (e, por isso, livres dos problemas trazidos pela abstenção não declarada e pela medição de intenções e não comportamentos).

2. "Ao contrário do que diz o Pedro Magalhães, é possível ir a todas as ilhas"
Ao contrário do que sugere DBH, nenhum meio de comunicação social está disposto a pagar o que seria necessário pagar para que um instituto de sondagens pudesse realizar trabalho de campo presencial em todas as ilhas dos Açores, dispondo assim de uma amostra representativa dos - neste caso - votantes em todo o arquipélago e evitando assim ter de estimar alguns resultados por extrapolação, com todo o risco e incerteza que isso implica. A não ser que DBH esteja a querer dizer que é possível ir a todas as ilhas, ou seja, que há meios de transporte para lá chegar caso se queira lá ir. Mas se é isso, La Palisse estará contente na sua tumba.

3. "É possível telefonar (se não puder ir) a eleitores em todas as ilhas"
Quando DBH me explicar como é que se fazem sondagens à boca das urnas pelo telefone, eu ficar-lhe-ei eternamente grato.

4. "É possível ler na internet os jornais e rádios de cada ilha e conhecer as notícias e a política local (...) Mas implica trabalho."
Não, não vou dizer que não é possível ler rádios. Mas vou dizer que qualquer organização tem de ponderar os recursos de que dispõe e os benefícios que tenciona recolher do seu investimento. E vou dizer também que, por muito investimento que se faça, é muito mais fácil a alguém que conhece a política nacional e algumas "políticas locais" saber onde procurar informação e interpretá-la correctamente do que a alguém que não as conhece. O meu post era uma confissão de ignorância. Fizemos investimento para compensar essa ignorância (que nos permitiu perceber, entre muitas outras coisas, que os resultados que estávamos a captar do CDS eram credíveis) mas esse investimento daria sempre, em comparação com o que fizéssemos noutros contextos com os quais temos maior familiaridade, menos retornos.

5. "É possível que os "pequenos partidos" decidam livremente e consigam ter bons candidatos em nove ilhas."
Sim, é possível. E?

E parece que a palavra "chatice" também foi mal interpretada. Foi usada no sentido de dizer que as eleições nos Açores, por razões que já devem ser óbvias, nos colocam problemas maiores que as outras. Mas não é "chato" trabalhar nos Açores. Faz-se o que se gosta e, ainda por cima, aprende-se. E não é chato ir aos Açores. São lindos. Têm uma pessoa ou outra um bocado obtusa. Mas isso é coisa que também há (se calhar até mais) no Continente.

P.S- Dou-me conta que a única parte do post que não comentei foi o parágrafo final. Mas essa é a única parte do texto que me parece verdadeiramente mal-intencionada, pelo que nem vale a pena comentar.

by Pedro Magalhães

As duas Tinas

Posted October 20th, 2008 at 3:11 pm4 Comments

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by Pedro Magalhães

As duas Tinas

Posted October 20th, 2008 at 3:11 pm4 Comments

by Pedro Magalhães

Ainda o Bradley effect

Posted October 20th, 2008 at 2:04 pm4 Comments

A síntese da questão e do debate por Mark Blumenthal, aqui e aqui.

E uma visão "iconoclasta" (nunca existiu), aqui (mas muito prejudicada pelo facto do efeito ter sido detectado em muitas eleições e sondagens pré-eleitorais).

by Pedro Magalhães

O Professor e o Monstro.

Posted October 20th, 2008 at 11:51 am4 Comments

Larry Bartels tem um ensaio imperdível intitulado "The Irrational Electorate" na The Wilson Quartely. A economia comportamental está na berra, e chega a altura da sua influência se sentir também na Ciência Política. Bartels chega a citar um dos mais conhecidos livros de divulgação sobre o tema, que por acaso li nestas férias:

Outros livros relacionados que li nestas férias, já agora:




Achei-os todos muito bons, o Winner's Curse mais canonicamente académico, os restantes óptimos livros de divulgação académica (o Nudge mais "policy-oriented", aparentemente próximo dos círculos de Obama), como cá não há.
Voltando a Bartels:
"These and other recent studies offer abundant evidence that election outcomes can be powerfully affected by factors unrelated to the competence and convictions of the candidates. But if voters are so whimsical, choosing the candidate with the most ­competent-­looking face or the most recent television ad, how do they often manage to sound so sensible? Most people seem able to provide ­cogent-­sounding reasons for voting the way they do. However, careful observation suggests that these “reasons” often are merely rationalizations constructed from readily available campaign rhetoric to justify preferences formed on other ­grounds."
O ensaio é uma crítica à ideia de que os votantes são racionais e de que a sua ignorância possa ser compensada quer pelo recurso a "heurísticas" quer pela agregação das decisões individuais.

E uma curiosidade: Rush Limbaugh adorou o ensaio. Sim, Rush Limbaugh:
"I mention this story, actually it's an article from the Wilson Quarterly, the Woodrow Wilson Center for scholars: "The Irrational Electorate." It's by Larry Bartels who directs the Center for the Study of Democratic Politics in Princeton University's Woodrow Wilson School of Public and International Affairs. He is the author of Unequal Democracy: The Political Economy of the New Gilded Age, published earlier this year by the Russell Sage Foundation and Princeton University Press. Now, when you print it out, it runs four or five pages. I'm not a scholar, and Mr. Bartels is, and, to me, the first part -- I had to read this a bunch of times. It reads like gobbledygook, and what it is is an analysis of a whole bunch of studies worldwide over many, many decades of the electorates, the electorates in democracies. And let me just give you some excerpts. One sentence in this piece -- and this is about how people determine who they are going to vote for. People are very short term in their focus. They tend to vote based on how the economy is going, rewarding or throwing the bums out regardless of party. But here's some interesting bits for you."

by Pedro Magalhães

Açores 2

Posted October 20th, 2008 at 11:06 am4 Comments

Rodrigo Moita de Deus pergunta no 31 de Armada: "Nas últimas legislativas regionais da Madeira também houve directos de televisão e mesas redondas com comentadores?"

Uma das maiores constipações da minha vida foi apanhada no dia 6 de Maio de 2007, noite das eleições regionais da Madeira, sentado três horas ao ar livre na Baía do Funchal enquanto José Alberto Carvalho, Marcelo Rebelo de Sousa, António Vitorino e, a espaços, Joe Berardo e outros madeirenses, discutiam animadamente os mais variados assuntos (incluindo a vitória de Sarkozy) em directo e ao vivo para a RTP nacional.

Por isso sim - atchim - houve directos de televisão e mesas redondas com comentadores...

by Pedro Magalhães

Açores

Posted October 20th, 2008 at 10:17 am4 Comments

De seguida, o quadro comparando as estimativas da sondagem à boca da urnas do CESOP com os que vieram a ser os resultados finais.

Não é mau, mas é pior que na Madeira, não é? Enquanto que tudo está muito próximo para os restantes partidos, o PS foi claramente sobrestimado.
Porquê? Os Açores é sempre uma chatice. Não se consegue ir a todas as ilhas e não conhecemos a política local: o carteiro que era candidato de um partido e agora passou para outro; os eleitores que andam chateados com a Câmara Municipal e castigam o partido nas regionais, etc. Ainda por cima, este ano, à conta do círculo de compensação, os pequenos partidos foram a todo o lado.
Pelo que consigo perceber neste momento, há duas razões para a sobrestimação do PS:
1. O problema começa logo na sondagem feita em S. Miguel e na Terceira (as únicas ilhas a que realmente fomos). Os resultados reais no conjunto das duas ilhas são 29,4% para o PSD e 53,5% para o PS. Mas nós tínhamos 27,1% para o PSD e 55,5% para o PS. Porquê este desvio? Não é assim tão grande, mas é maior do que costumamos apanhar. Não parecem ser as recusas: a correlação entre a percentagem de pessoas que recusou responder e a votação no PSD em 2004 é de .22, positiva (como se esperaria) mas baixa.
2. A extrapolação do que se passa na Terceira e S. Miguel para o resto dos Açores é perigosa, ou foi perigosa nesta eleição. Mesmo com os valores correctos para Terceira e S. Miguel, o nosso modelo continua a dar votos a mais ao PS (51%). Conclusão: parece que a entrada dos pequenos partidos em todos os círculos eleitorais mudou o jogo.

by Pedro Magalhães

Manipulação no Intrade

Posted October 17th, 2008 at 10:54 pm4 Comments

A propósito deste post:

Trader Drove Up Price of McCain ‘Stock’ in Online Market.

Obrigado ao José Gomes André pela notícia.

by Pedro Magalhães