Pedro Magalhães

Margens de Erro

Momento "dedinho"

Posted October 2nd, 2008 at 9:57 pm4 Comments

E para não dizerem que só falo de política americana.

Posted October 2nd, 2008 at 3:40 pm4 Comments

Por razões profissionais, conheço algumas pessoas que trabalham na ERC. E talvez por isso, tendo a ser benévolo, não tanto com o seu desempenho mas, pelo menos, com alguma das suas intenções.


Mas isto da ERC, das funções que a lei lhe comete, da maneira como alguns dos seus vogais interpretam essas funções, das contabilidades que usam para as cumprir e (mais importante) das consequências que tiram delas, da divulgação das (delirantes e deprimentes, por parte de entrevistadores e entrevistados) entrevistas conduzidas a responsáveis políticos e dos media no âmbito de uma "investigação", da constante presença dos seus vogais nas colunas de opinião e das relações no interior da instituição está a transformar-se numa coisa - vamos dizer assim com algum pudor - que começa a resvalar rapidamente para o desastroso. Os mandatos têm cinco anos, e só terminam em 2011. Mas 2011 é tarde demais.

by Pedro Magalhães

Porrada (post para nerds completos das sondagens; pessoas normais não devem ler o que se segue)

Posted October 2nd, 2008 at 2:57 pm4 Comments

Nos Estados Unidos, analistas e sites agregadores de sondagens há muitos, mas o Real Clear Politics, o Pollster.com de Blumenthal e Franklin e o FiveThirtyEight de Nate Silver são os mais conhecidos. Mas enquanto o RCP é mero agregador de dados e outra informação política, o Pollster.com e o FiveThirtyEight são analistas, e óptimos (e vale a pena ir também ao site de Drew Linzer para uma abordagem completamente diferente - Bayesiana - da de Nate Silver em relação à estimação das probabilidades de vitória nacional e nos estados).

Agora, o 538 deu-se conta de uns truques do Real Clear Politics no que respeita às sondagens incluidas e excluídas das médias móveis. A importância do RCP no debate político americano é hoje em dia tão grande que isto é grave. Aguarda-se reacção oficial.

by Pedro Magalhães

Os pobres, a religião e o voto.

Posted October 2nd, 2008 at 12:05 pm4 Comments

É muito comum - e ouvi a versão simplificada e cómica do argumento num stand-up show do Bill Maher há uns dias - pensar-se que há muitos "pobres" americanos que votam contra os seus interesses económicos. Por outras palavras, votam no Partido Republicano porque têm a cabeça cheia de disparates (versão "liberal") ou de valores (versão "conservadora") que lhe são metidos lá dentro pela religião.

Na verdade, é ao contrário. A probabilidade de os ricos votarem Bush em 2004 foi muito mais afectada pela religião do que a probabilidade dos pobres fazerem o mesmo. Este artigo explica porquê, e faz algumas comparações interessantes (incluindo Portugal, no less). Na verdade, a moral da história é a oposta à que é vulgarmente circulada:

This again fits the story of post-materialism, that economic concerns are more important in poorer areas, with social and religious issues mattering more among the rich. Religious and secular voters differ no more in America than in France, Germany, Sweden, and many other European countries, consistent with the post-materialist notion that people in richer countries have the luxury of voting on social issues.

P.S.- Mas se olharem para as linhas na figura 3, percebem desde logo como esta história é apenas uma parte da história. Portugal - pobre e desigual - parece um país rico - em que os rendimentos não afectam a propensão para votar à direita. Aqui e aqui, por exemplo, explica-se porquê. Tem a ver com o facto da clivagem económica no sistema partidário português ter estado subsumida a uma clivagem sobre o regime e com o facto de PS e PSD terem nascido catch-all parties e sem ancoragem social, como partidos "de poder" e não de representação de bases sociais. E há outros casos - Israel, por exemplo - em que a teoria geral cede a particularismos locais.

by Pedro Magalhães

Quem votou como no bailout, 2

Posted October 1st, 2008 at 11:31 pm4 Comments

Mais ou menos definitivo, Nolan McCarty. Há uma regressão e tudo :-)


De resto, isto dá que pensar. Há uns anos, não muitos, teríamos de esperar por longas investigações, recolhas de dados e publicações em revistas especializadas para saber a resposta "não jornalística" à pergunta "que factores determinaram o voto dos congressistas?". Hoje, com os blogues, e com os dados do financiamento das campanhas, do voting record  passado e das sondagens coligidos, organizados e acessíveis em formato digital, são dois dias para termos uma resposta robusta e academicamente sustentável à pergunta. É incrível, se pensarmos bem nisso.

by Pedro Magalhães

Códigos de cores

Posted October 1st, 2008 at 10:14 am4 Comments

No Pollster.com, o mapa mais pequeno com a silhueta dos Estados Unidos, que dá a tendência nacional, exibe, pela primeira vez desde Julho passado, o tom azul escuro.

A cotação de Obama nos Iowa Markets no contrato winner take all já está cima dos 70%, o que significa que se dá a McCain uma probabilidade de vitória inferior a 30%. Mas no contrato vote share a coisa anda - como é natural e acertado, parece-me - muito estável à volta dos 52-54%.

Sobre o Intrade, perdi confiança. Aqui explica-se porquê (com uma sugestão bastante sinistra do que poderá estar a acontecer).

by Pedro Magalhães

Quem votou como no bailout.

Posted September 30th, 2008 at 4:15 pm4 Comments

Aqui se explica quem votou como no Congresso. É simples: os congressistas nos distritos mais competitivos tenderam a votar mais contra do que os que estão seguros nas próximas eleições. Mas a verdade é que a lei não passava na mesma se só votassem os distritos seguros. E como estes belos gráficos sugerem, fica muito por explicar com a teoria anterior. Talvez o Pedro Lains esteja no caminho certo para outra variável explicativa.

P.S. - Mais variáveis:
The Center for Responsive Politics, a Washington nonprofit group that studies money and politics, reports that on average, lawmakers who voted in favor of the bailout bill have received 51 percent more in campaign contributions from sources in the finance, insurance and real estate industries — or FIRE industries, for short — over their congressional careers than those who opposed the emergency legislation.
Esta era tão óbvia que nem me ocorreu...


P.P.S.-Leiam este post de Pedro Sales, no Arrastão, vejam bem os links que lá estão, e digam-me lá se há ou não há coincidências absolutamente incríveis....

by Pedro Magalhães

Ainda os VP’s

Posted September 30th, 2008 at 11:56 am4 Comments

Se os debates entre os candidatos à presidência têm impacto reduzido sobre as intenções de voto, o mínimo que se pode dizer sobre os debates dos VP's é que o seu efeito na corrida deverá ser, provavelmente, nulo. Mas isto é como na publicidade: a razão que faz com que os efeitos sejam nulos ou reduzidos é porque todos levam tudo isto a sério. Se alguém não o fizesse, os efeitos apareciam logo.

Vem isto a propósito do entusiasmo com que - como vimos no post anterior - alguns sectores do Partido Democrata encaram a possibilidade da "tonta" da Palin se espalhar na próxima 6ª feira. Eu espero que os coaches de Joe Biden não sejam tão estúpidos como isso. A última vez que se achou que havia um candidato meio tonto, sem experiência, cheio de esqueletos no armário e representando as ideias mais abstrusas da direita religiosa, esse candidato, se bem me lembro, foi eleito. E de resto, Biden também tem um currículo invejável de disparates. É precisamente por ter todos os defeitos e fraquezas que os "liberais" lhe encontram, e por defender tantas ideias tão profundamente repelentes, que a Sra. Palin deve ser levada muito a sério.

P.S. - Parece que os coaches estão acordados:
"Bush was blistered for being too dismissive of Geraldine Ferraro in 1984 (note the similarity in his approach to John McCain's in last Friday's debate); Biden would risk similar criticism if he's disdainful Thursday."

by Pedro Magalhães

Sobre o debate dos VP’s

Posted September 29th, 2008 at 6:29 pm4 Comments

Não se pode dizer que as fontes sejam de uma imparcialidade à prova de bala, mas...

Memo to Joe Biden: Let Palin Talk, no FiveThirtyEight.

Breaking News from Big Eddie: McCain Camp insiders say Palin "clueless", Ed Schultz.

by Pedro Magalhães

De como as perguntas determinam as respostas

Posted September 29th, 2008 at 12:26 pm4 Comments

Los Angeles Times/Bloomberg Poll. Sept. 19-22, 2008. N=1,428 adults nationwide. MoE ± 3.
"Do you think the government should use taxpayers' dollars to rescue ailing private financial firms whose collapse could have adverse effects on the economy and market, or is it not the government's responsibility to bail out private companies with taxpayers' dollars?"
Use Taxpayers' Dollars: 31%
Not Government's Responsibility: 55%
Unsure: 14%

Pew Research Center survey conducted by Opinion Research Corporation. Sept. 19-22, 2008. N=1,003 adults nationwide. MoE ± 3.5.
"As you may know, the government is potentially investing billions to try and keep financial institutions and markets secure. Do you think this is the right thing or the wrong thing for the government to be doing?"
Right Thing: 57%
Wrong Thing: 30%
Unsure: 13%

Fonte: Polling Report

by Pedro Magalhães