Pedro Magalhães

Margens de Erro

Itália

Posted April 14th, 2008 at 1:34 pm4 Comments

Daqui a 30 minutos começam a cair os resultados das sondagens à boca das urnas. As últimas sondagens - divulgadas a 15 dias de distância - davam cerca de 5 pontos de vantagem para Berlusconi. Importa no entanto recordar que, em 2006, a vantagem dada pelas sondagens à Unione sobrestimou a que veio a ser a vantagem real. Há um paper na net sobre o assunto. O que significa uma de três coisas:

- as sondagens italianas sobrestimam o voto do vencedor;
- as sondagens italianas sobrestimam o voto da esquerda;
- as eleições de 2006 não servem para fazer inferências a este respeito.

Ficamos na mesma, portanto. Mas já falta pouco.

by Pedro Magalhães

Um momento para ponderarmos possíveis dúvidas sobre as teorias do eleitor racional

Posted April 11th, 2008 at 5:58 pm4 Comments

Momentos de dúvida sobre as teorias do eleitor racional

Posted April 11th, 2008 at 5:54 pm4 Comments



An ode to Silvio Berlusconi, written by a fawning fan, has become a hit in the run-up to next week's Italian elections

by Pedro Magalhães

As sondagens, 2

Posted April 11th, 2008 at 2:19 pm4 Comments

Deixo aqui também as mais recentes sondagens de cada instituto sobre intenções de voto, assinalando apenas as "estimativas de resultados eleitorais", ou seja, a forma como cada instituto entendeu apresentar os seus resultados de forma comparável com os resultados de eleições. Excluo a Aximage, apenas porque os resultados tais como os conheço não permitem distinguir indecisos e votos noutros partidos, brancos ou nulos.




Passou mais de um mês entre a sondagem do CESOP e a da Eurosondagem e há diferenças importantes quer na inquirição quer na amostragem e posteriores ponderações dos resultados. Mas a ordem dos partidos é igual nas três e as mensagens genéricas também: o PS lidera claramente mas está aquém da maioria absoluta; o PSD não passa dos trinta e muito poucos; os partidos à esquerda do PS somam perto ou acima dos 20%; o CDS-PP é o 5º partido.

by Pedro Magalhães

As sondagens, 1

Posted April 11th, 2008 at 1:49 pm4 Comments

Com as mais recentes sondagens Marktest e Eurosondagem, podemos actualizar os gráficos habituais. Algumas alterações:

1. Os resultados de Mendes e Menezes num mesmo gráfico, assinalando o momento da mudança;
2. Os resultados de Sampaio e Cavaco num mesmo gráfico, assinalando o momento da mudança;
3. O saldo de popularidade pondera agora as não respostas, da seguinte forma:
(%Positivas-%Negativas)*(1-Não respostas ou indiferentes/100).








É fácil verificar que:

1. Depois de comparativamente baixos valores iniciais, Cavaco converge em valores elevados, semelhantes aos de Sampaio em final de mandato.
2. Discrepâncias Eurosondagem e Marktest para o caso de Sócrates; independentemente disso, não parece ainda possível dizer que a tendência é outra que não a de descida, iniciada após divulgação do caso "Independente";
3. Eleição de Menezes interrompeu tendência de descida para líder do PSD, mas as últimas sondagens Marktest sugerem nova descida, colocando hoje Menezes no ponto onde Mendes estava no 1º semestre de 2007.

by Pedro Magalhães

Divertimento de alta qualidade

Posted April 2nd, 2008 at 12:24 pm4 Comments

Aqui.
(Só uma correcção, irrelevante para o caso: o grupo que representa 50% da população é o que tem conhecimentos de economia e de matemática abaixo da mediana. Sou constitucionalmente obrigado a assinalar estas coisas.)

by Pedro Magalhães

The "bumbling nincompoop" versus "the killjoy Stalinist"

Posted April 2nd, 2008 at 11:36 am4 Comments

Boris tem 47%, contra 37% de Ken Livingstone. Mr. Livinsgtone está desgostoso com as sondagens. Como não: 1/5 dos que se identificam com os trabalhistas tencionam votar Boris. Ken ainda não percebeu que, para um cargo sem poder, o melhor é arranjar um tipo que dê para distrair.

by Pedro Magalhães

Outlier: Stranger than fiction

Posted April 1st, 2008 at 4:29 pm4 Comments

Melhor ainda que as notícias falsas do "dia das mentiras" são notícias verdadeiras que parecem mentira.

by Pedro Magalhães

Outlier: O Museu Broad

Posted March 24th, 2008 at 4:07 pm4 Comments

Com as leituras atrasadas, só agora cheguei a um artigo da NYRB sobre um novo museu integrado no Los Angeles County Museum of Art (LACMA), o Broad Contemporary Art Museum. "Broad" (lê-se como "road") é o nome de um senhor chamado Eli Broad, um bilionário americano que fez fortuna com negócios imobiliários e com forte pendor para a filantropia. O senhor Broad e a sua mulher Edythe têm uma colecção de arte contemporânea muito boa (ou pelo menos com coisas muito caras de nomes muito conhecidos), sendo que a maior parte das peças pertence a uma fundação com o seu nome, cuja missão consiste em emprestar arte contemporânea a museus públicos. So far so good.

Sucede que o senhor Broad achou que seria ainda melhor se tivesse um local onde pudesse mostrar em permanência muitas das suas valiosas peças. Deu então 56 milhões de dólares (cerca de 1% da sua fortuna) ao LACMA, instituição a cujo board of directors já pertencia, para construir um novo museu, com o seu nome, desenhado por um arquitecto por si escolhido (Renzo Piano). Entretanto, a directora do LACMA foi ejectada da instituição, ao que parece devido a conflitos com...Broad. A coisa construiu-se, e Broad comprometeu-se a gastar mais 10 milhões em aquisições.

Contudo, um mês antes da inauguração, o senhor Broad anunciou que, afinal, em vez de doar as obras ao LACMA, vai apenas emprestá-las, ao abrigo do modelo genérico que já tinha adoptado para a sua Fundação, sendo que todos os custos de operação são a cargo do LACMA, ou seja, dos contribuintes californianos. No NYRB, a coisa comenta-se assim:

The Los Angeles County Museum of Art receives substantial public funds and many of its staff members are civil service employees of Los Angeles County. Thus the parties who acceded to Broad's de facto privatization of a big chunk of LACMA—the cultural equivalent of a leveraged buyout, or taking a public company private—have done a grave disservice to the taxpayers of the county, who, whether they like it or not, will be footing the bill for much of Broad's monument to himself. It has long been customary for benefactors rich enough to have a museum named after them to provide an endowment for the upkeep of the building in perpetuity. The annual expense of such unglamorous necessities as utilities, cleaning, maintenance, guards, liability insurance, and other carrying charges is so daunting that many collectors who fantasized about founding a private museum have fallen into the arms of established institutions once they realized what autonomy would cost them. Strange as it may seem to those unfamiliar with the ways of American museums, art world veterans agree that Eli Broad pulled off an enviable deal for approximately $60 million.

Ao que parece, o edifício está muitos furos abaixo de anteriores museus de Renzo Piano. E a opinião do NYT sobre a exposição é a que se pode ler abaixo:

The works are intended to reflect the Broads’ penchant for collecting in depth. But the accumulation reads foremost as a display of pricey trophies, greatest hits of the present and recent past.

Enfim, coisas que acontecem muito longe daqui.

by Pedro Magalhães

Obama e o Pastor, 2

Posted March 24th, 2008 at 10:30 am4 Comments

Começa a formar-se um consenso nos analistas sobre uma mudança na campanha, como consequência do caso Wright. Leiam-se os títulos ou passagens dos artigos (e também os próprios, de preferência):


So Much for the "Post-Racial" Candidate

Wright Has Altered the Dem Race

Ou até a descoberta de que:

Racial Problems Transcend Wright

E etc. Tudo isto, claro, coexiste com muitas outras análises que sugerem a impossibilidade de uma vitória de Clinton:

Her own campaign acknowledges there is no way that she will finish ahead in pledged delegates. That means the only way she wins is if Democratic superdelegates are ready to risk a backlash of historic proportions from the party’s most reliable constituency. Unless Clinton is able to at least win the primary popular vote — which also would take nothing less than an electoral miracle — and use that achievement to pressure superdelegates, she has only one scenario for victory. An African-American opponent and his backers would be told that, even though he won the contest with voters, the prize is going to someone else. People who think that scenario is even remotely likely are living on another planet.

O que dizem as sondagens? Várias coisas importantes:

1. Nas preferências nacionais dos Democratas, Obama ainda lidera, mas Clinton recupera nos últimos dias.

2. O cenário para as próximas primárias parece fundamentalmente inalterado. Clinton é favorita na Pennsylvania e em West Virginia, enquanto Obama é favorito na Carolina do Norte. Mas aqui - muito importante - a coisa já esteve menos tremida (vejam as sondagens mais recentes) e falta muito tempo.

3. Independentemente disto, como se sabe, ninguém terá a maioria dos delegados. São os superdelegados que decidem. Quem vai ter a maioria dos delegados eleitos (Obama, certamente) e/ou a maioria dos votos (Obama ou Clinton, a grande questão) pode ser o argumento.

4. E a elegibilidade de Obama sofreu, nos últimos dias, um abalo. Nas sondagens nacionais, Clinton bate McCain (por uma unha negra) mas McCain bate Obama (por uma unha negra também).

Mesmo se for verdade que Obama já não pode perder a nomeação Democrata (um grande "se"), então também é verdade que, para McCain e os Republicanos, o aparecimento de Wright foi a melhor coisa que lhes poderia ter acontecido. Mas claro, a ideia de que este candidato poderia ser "pós-racial", particularmente nos estados do Sul, já tinha sido desmontada há algum tempo (ver ponto 1).


by Pedro Magalhães