Pedro Magalhães

Margens de Erro

CESOP, 23-24 Fevereiro

Posted February 29th, 2008 at 12:22 pm4 Comments

Tinha prometido aqui um site novo para o CESOP com divulgação dos resultados das sondagens político-eleitorais. Estamos atrasados. Não somos os únicos, a julgar pelos bancos de dados (vazios ou desactualizados) dos sites dos institutos espanhóis, mas isso consola-me pouco. Seja como for, parte da promessa pode ser cumprida pela porta do cavalo: se clicarem aqui, descarregam o relatório-síntese da sondagem (.pdf), com a respectiva ficha técnica, formulação das perguntas e principais resultados. Em breve, espero, haverá maneira de transmitir informação mais detalhada.

by Pedro Magalhães

Espanha

Posted February 27th, 2008 at 11:12 am4 Comments

Como vão as coisas com os nossos vizinhos? Bem, sondagens não faltam:

1. O Instituto Opina tem o que me parece ser uma tracking poll telefónica, divulgando resultados diariamente. Na última sondagem (dia 25), PSOE liderava com 4 pontos (44/40), como resultado de subida recente.

2. O Publiscopio, para o Publico (o deles), vai apresentando também as suas sondagens. Na última (dia 21), 42,8% para o PSOE, 40,4% para o PP:

3. Demometrica, para a TeleCinco: 44,2% PSOE, 38,6% PP.

4. Noxa, para a La Vanguardia: 4 pontos de vantagem para o PSOE.

5. DYM, para ABC: 42/39,2, para o PSOE.

6. Metroscopia, para o El Pais: 42,3/38,6, para o PSOE.

Todas estas sondagens são anteriores ao debate, pelo que os seus efeitos são impossíveis de estimar, mas as sondagens "flash" realizadas após o debate deram vitória (por pouco) a Zapatero, um facto de interpretação difícil e contestada (geralmente, as opiniões prévias condicionam completamente a análise do "vencedor" dos debates).

Em suma, PSOE lidera as intenções de voto em todas as sondagens, e nunca deixou de o fazer desde as últimas eleições, sobre isto creio que ninguém tem dúvidas. Análises aqui e aqui.

by Pedro Magalhães

SEDES 2

Posted February 25th, 2008 at 12:28 pm4 Comments

Resta talvez dizer que o indicador "confiança nas instituições", especialmente no Governo e no Parlamento, se encontra altamente "contaminado"/"determinado", a nível individual por percepções do estado da economia ou do desempenho do governo, e a nível agregado pelo crescimento económico. Pelo que as diferenças mais interessantes são as que se detectam entre países - relativamente estáveis - do que entre períodos temporais num mesmo país - muito afectadas pela conjuntura. Há grande controvérsia sobre a existência de tendências "seculares" de diminuição ou crescimento da confiança nas instituições.

by Pedro Magalhães

SEDES

Posted February 25th, 2008 at 10:45 am4 Comments

Estive fora, e dou-me conta quer um dos temas da semana foi uma "tomada de posição" da SEDES onde se assinala, entre outras coisas, que se tem "acentuado a degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários, praticamente generalizada a todo o espectro político."

O que dizem os dados disponíveis sobre este assunto? As séries mais longas são dadas pelo Eurobárómetro, que vem colocando as mesmas questões sobre a confiança no parlamento nacional, no governo e nos partidos políticos desde 1997, pedindo aos inquiridos que digam se "tendem a confiar" ou se "tendem a não confiar" em várias instituições. Os gráficos seguintes mostram a evolução em Portugal até Outubro de 2007 da percentagem de inquiridos que diz "tender a confiar", aplicando uma regressão linear simples para detectar tendências:






As indicações mais clara de "degradação da confiança" residem nas atitudes em relação ao Governo. Mas essa "degradação" começa, note-se, em 2002. E analisando os dados ponto a ponto - sempre arriscado, dado o erro aleatório associado a inquéritos usando amostras - atinge o seu ponto mais baixo em 2004, tendo recuperado, ainda que ligeiramente, desde então. Só o mais recente inquérito - final de 2007 - dá sinais de nova descida, mas esses sinais terão de ser confirmados no Eurobarómetro desta Primavera. No que respeita ao Parlamento, as tendências são semelhantes, mais atenuadas, se bem que a última descida seja mais abrupta. E no que respeita aos partidos, a estabilidade é total.

Os dados do European Social Survey têm uma vantagem e uma desvantagem. Por um lado, resultam de inquéritos face a face, realizados com grande rigor do ponto de vista da selecção da amostra, e logo muito mais fiáveis do que o Eurobarómetro. As séries, contudo, são muito mais curtas. Seja como for, os dados são os seguintes. Para cada objecto - Governo, Partidos e "Políticos", a percentagem de inquiridos que se colocam na metade superior de uma escala de 11 pontos - entre 0 e 10 - em que 0 significa que "não têm confiança nenhuma" e 10 que têm "total confiança":

Parlamento
:
2002: 28%
2004: 19%
2006: 21%

Partidos
:
2004: 4%
2006: 7%

Políticos
:
2002: 8%
2004: 4%
2006: 7%

Os valores, especialmente para partidos e políticos, são baixíssimos do ponto de vista comparativo. Mas por outro lado, não se percebe muito bem de que fala a SEDES quando menciona que se "acentuou a degradação da confiança". Qual o ponto de comparação? Se é 2002, a afirmação é porventura correcta. Mas se é 2004, é incorrecta. E se se referem aos resultados do último Eurobarómetro (EB68, Outono de 2007), então deveria ter havido mais cuidado, dado que um único estudo dificilmente autoriza diagnósticos tão categóricos.

Não me entendam mal. Simpatizo com a SEDES e até tenho estima particular por alguns dos signatários da "tomada de posição". Mas da mesma forma como ninguém se atreveria a fazer afirmações sobre a evolução da economia sem olhar para os dados disponíveis, surpreende-me a facilidade com que se fazem afirmações sobre atitudes políticas sem olhar para os dados disponíveis que, felizmente, já vão sendo cada vez mais abundantes.

by Pedro Magalhães

Jay Cost

Posted February 14th, 2008 at 10:43 am4 Comments

Jay Cost, em dois posts recentes, faz a melhor análise dos dados disponíveis sobre o comportamento de voto nas primárias Democratas até ao momento, na minha opinião. Se posso resumir, é assim:

1. Os factores que afectam o melhor desempenho de um ou outro candidato são identificáveis. Clinton tem melhores resultados em estados onde os rendimentos são mais baixos, mais racialmente heterogéneos, no Sul, com maiores taxas de sindicalização, mais população Católica e mais população branca. O facto desta conclusão ser obtida com uso de análise estatística multivariada é importante: tem sido dito que Obama se tem revelado um melhor candidato para ganhar os estados do Sul. Mas isso sucede apenas porque estes estados têm mais população negra, que tende a votar nele em grandes números. Quando controlamos esse efeito, o que vemos é que:

There is evidence that Obama wins Independents, African Americans, white males in the North, "upscale" white voters, and white voters in homogeneously white states. He also seems to do well in caucus states where enthusiasm is a factor. There is evidence that Clinton wins Democrats, Hispanics, white females everywhere, white males in the South, "downscale" white voters, Catholics, and white voters in heterogeneous states.

Os brancos no sul (e o Sul, independentemente de composição racial) votam mais Clinton que Obama.Quando pensamos bem, claro que não podia ser de outra maneira.

2. A última série de vitórias de Obama teve lugar em estados cujas características se encaixam perfeitamente no perfil de eleitores que até agora tem votado nele:

These contests are tailor-made for a candidate that fuses the coalitions of Hart and Jackson, and one who inspires tremendous enthusiasm among his supporters. Given the voting coalitions that have formed over the last month and a half, Clinton never really stood a chance in any of them. African Americans drove Obama's victory in Louisiana. In the District of Columbia, Maryland, and Virginia, African Americans combined with wealthy whites to secure him victory. In Maine, Nebraska, and Washington - Obama took advantage of largely homogenous white populations and caucus contests to secure victory.

Logo, se isto não exclui a possibilidade de que esteja o "momentum" a seu favor em jogo, a explicação das vitórias recentes não precisa desse "momentum".

3. Quando olhamos para os estados que faltam, as suas características são menos desfavoráveis para Clinton:

All in all, this implies a rough parity from here until the end of the primary season. Approximately speaking, neither candidate seems to have an advantage in the remaining contests. So, my suggestion to readers is not to get caught up in the "Obama is inevitable" storyline. Minimally, we should all remember how well the "Clinton is inevitable" storyline worked out five months ago!

4 .Mas atenção:

Again, these considerations assume stable voting coalitions, and therefore an absence of momentum. This assumption might not hold. If it does not, what we will see is Clinton start to lose portions of her strongholds, or Obama consolidating support in his.

by Pedro Magalhães

Exit polls

Posted February 13th, 2008 at 10:59 am4 Comments

Maryland:


Virginia:

Posso estar enganado. Mas acho que são as primeiras primárias em que Obama ganha quer entre homens quer entre mulheres, e até entre hispânicos (se bem que a diferença não seja estatisticamente significativa) e brancos (Virginia). A coisa está a ficar muito difícil para Hillary, assim como para o meu dedinho que adivinha(va).

by Pedro Magalhães

Um mau bocado para Clinton (actualizado)

Posted February 8th, 2008 at 1:04 pm4 Comments

Tudo indica que Clinton, depois de ter evitado ficar completamente submersa pela avalanche Obama, vai passar agora um mau bocado. Amanhã temos Nebraska, Louisiana e Washington. Os dois primeiros deverão ser para Obama e no terceiro a sondagem mais recente também o favorece. Depois vem Maine (hipótese), mas seguem-se logo DC e Maryland, que não devem escapar a Obama. Virginia é a possibilidade de Clinton voltar à tona (mas já nem isso é seguro). São muitos estados a levar pancada.

Entretanto, agora que já se sabe quem é o candidato Republicano, a questão que começa a tornar-se fundamental é qual, Obama ou Clinton, poderá derrotar McCain. E aí as sondagens - independentemente do que acharmos sobre a sua fiabilidade - estão a enviar um sinal: Obama bate McCain; Clinton just maybe.

by Pedro Magalhães

E 90 milhões de dólares depois…

Posted February 7th, 2008 at 7:07 pm4 Comments

Post mortem

Posted February 7th, 2008 at 10:54 am4 Comments

No Insurgente, faz-se um post mortem da minha "previsão", feita no fim de Dezembro, de que a 5 de Fevereiro, após a Super Tuesday, "já estará tudo decidido quanto aos candidatos à presidência de cada partido".

Mas se posso ainda estrebuchar um bocadinho, não creio que o problema seja o de dar demasiado peso à informação passada. A previsão até tinha algumas pernas para andar em abstracto, e não apenas enquanto mera pressuposição de que o passado se iria repetir: em suma, havia muita coisa escrita e explicada sobre o fenómeno do "momentum". Se a isto adicionássemos a concentração de tantas primárias num só dia, havia boas razões para supor que tudo estaria resolvido.

Mas não foi assim. A resposta fácil é the Obama surprise. É fácil, mas não é má de todo. É tão boa, aliás, que no próprio Insurgente se presumia que, após a Super Tuesday, o que iria ficar por resolver era o problema dos Republicanos, e não dos Democratas. Foi o contrário, claro.

A resposta que me é menos fácil dar - mas tenho de dar - é que não tomei em conta a proporcionalidade na distribuição dos mandatos nas primárias Democratas. Se o sistema fosse como o Republicano, a vantagem de Clinton - com Califórnia, NY, NJ e Mass. no bolso- já seria bastante mais expressiva.

E é capaz de haver outras. Já a ideia de que há "poucas observações" no passado, avançada nos comentários ao post, me parece menos interessante. Se a ideia é apenas fazer indução, então as séries são sempre curtas. E por muito longas que sejam, há sempre um cisne negro à espreita depois de vermos muitos cisnes brancos. No pun intended.

by Pedro Magalhães

Análises para todos os gostos…

Posted February 6th, 2008 at 1:45 pm4 Comments

...dos politólogos americanos de serviço durante a madrugada, aqui. Exemplos:

Clinton +:

"Obama thought that if he could win one of the big ones, he could end it tonight," said Sandy Maisel, Colby political scientist. "He's shown he is viable, but I don't think he has proven he can knock her off yet."

I was beginning to feel optimistic," said Notre Dame political scientist Darren Davis. "I bought into the fascination with Obama as the primary season went on." Obama's success winning support from blacks, independents, the college educated and young voters is "all well and good, but not significant enough to counteract the traditional Democratic base."

Obama +:

"I think Obama is pretty well positioned, although he did not get the real hits on Clinton that he wanted, like NJ or CA," said [Norman] Ornstein. "He now enters a stretch for three weeks where he will do well and she will not -- he could win all of the contests before March 4. And in Texas, an open primary may help him. Add to that his substantial money advantage and the momentum he brought into tonight, and he is very, very viable."

""It seems clear to me that Obama is viable. His appeal is broad and national in scope," said [Mark] Hetherington. "


Both:
"David Leege, a colleague of Davis' at Notre Dame, contended that "Obama remains viable." Obama's campaign aides "set their sites a little too high, but they can still spin the number and location of the states they have carried. Clinton, of course, stopped his momentum again. Chesapeake [the February 12 primaries in Maryland, Virginia and the District of Columbia] is promising for Obama. Ohio and Texas [on March 4] will be tough, especially the latter, because the same folks [Latinos] who are the difference for Clinton in California are in abundance in Texas."




by Pedro Magalhães