Pedro Magalhães

Margens de Erro

Quem ganhou o debate?

Posted March 4th, 2008 at 4:22 pm4 Comments

Ao que parece, Zapatero. Dados Opina e Invymark.

by Pedro Magalhães

Popularidade Líderes Políticos Fevereiro 2008

Posted March 3rd, 2008 at 11:43 am4 Comments

A Marktest deixou, aparentemente, de trabalhar para a parceria DN/TSF, mas continua a conduzir o seu barómetro político, cujos resultados podem ser consultados aqui. Saiu também, entretanto, uma sondagem da Eurosondagem. A evolução da popularidade dos líderes dos dois principais partidos e do PR é apresentada nos gráficos seguintes (saldo % opiniões positivas-% opiniões negativas). As linhas são curvas de regressão local, à excepção de Menezes (insuficientes observações):




Nem tudo o que está aqui é congruente entre si (permanece a enorme discrepância entre Mkt e Euro no que respeita ao PM) ou com os resultados do último estudo do CESOP. As convergências são:
1. Cavaco paira sobre os líderes partidários;
2. Avaliação de Menezes degrada-se.

As dúvidas:
1. Avaliação de Sócrates maioritariamente positiva (Eurosondagem) ou negativa (CESOP, Marktest)?
2. Sócrates melhor (Eurosondagem, CESOP) ou pior (Marktest) avaliado que Menezes?
3. Sócrates estável ou recupera desde Outubro (Eurosondagem, CESOP) ou continua a declinar (Marktest)?

Note-se que os resultados do CESOP não são directamente comparáveis com os outros, porque no questionário se pede aos inquiridos que façam uma avaliação de 0 a 20 para os líderes, enquanto que os restantes perguntam se avaliam positiva ou negativamente a sua actuação.

by Pedro Magalhães

CESOP, 23-24 Fevereiro

Posted February 29th, 2008 at 12:22 pm4 Comments

Tinha prometido aqui um site novo para o CESOP com divulgação dos resultados das sondagens político-eleitorais. Estamos atrasados. Não somos os únicos, a julgar pelos bancos de dados (vazios ou desactualizados) dos sites dos institutos espanhóis, mas isso consola-me pouco. Seja como for, parte da promessa pode ser cumprida pela porta do cavalo: se clicarem aqui, descarregam o relatório-síntese da sondagem (.pdf), com a respectiva ficha técnica, formulação das perguntas e principais resultados. Em breve, espero, haverá maneira de transmitir informação mais detalhada.

by Pedro Magalhães

Espanha

Posted February 27th, 2008 at 11:12 am4 Comments

Como vão as coisas com os nossos vizinhos? Bem, sondagens não faltam:

1. O Instituto Opina tem o que me parece ser uma tracking poll telefónica, divulgando resultados diariamente. Na última sondagem (dia 25), PSOE liderava com 4 pontos (44/40), como resultado de subida recente.

2. O Publiscopio, para o Publico (o deles), vai apresentando também as suas sondagens. Na última (dia 21), 42,8% para o PSOE, 40,4% para o PP:

3. Demometrica, para a TeleCinco: 44,2% PSOE, 38,6% PP.

4. Noxa, para a La Vanguardia: 4 pontos de vantagem para o PSOE.

5. DYM, para ABC: 42/39,2, para o PSOE.

6. Metroscopia, para o El Pais: 42,3/38,6, para o PSOE.

Todas estas sondagens são anteriores ao debate, pelo que os seus efeitos são impossíveis de estimar, mas as sondagens "flash" realizadas após o debate deram vitória (por pouco) a Zapatero, um facto de interpretação difícil e contestada (geralmente, as opiniões prévias condicionam completamente a análise do "vencedor" dos debates).

Em suma, PSOE lidera as intenções de voto em todas as sondagens, e nunca deixou de o fazer desde as últimas eleições, sobre isto creio que ninguém tem dúvidas. Análises aqui e aqui.

by Pedro Magalhães

SEDES 2

Posted February 25th, 2008 at 12:28 pm4 Comments

Resta talvez dizer que o indicador "confiança nas instituições", especialmente no Governo e no Parlamento, se encontra altamente "contaminado"/"determinado", a nível individual por percepções do estado da economia ou do desempenho do governo, e a nível agregado pelo crescimento económico. Pelo que as diferenças mais interessantes são as que se detectam entre países - relativamente estáveis - do que entre períodos temporais num mesmo país - muito afectadas pela conjuntura. Há grande controvérsia sobre a existência de tendências "seculares" de diminuição ou crescimento da confiança nas instituições.

by Pedro Magalhães

SEDES

Posted February 25th, 2008 at 10:45 am4 Comments

Estive fora, e dou-me conta quer um dos temas da semana foi uma "tomada de posição" da SEDES onde se assinala, entre outras coisas, que se tem "acentuado a degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários, praticamente generalizada a todo o espectro político."

O que dizem os dados disponíveis sobre este assunto? As séries mais longas são dadas pelo Eurobárómetro, que vem colocando as mesmas questões sobre a confiança no parlamento nacional, no governo e nos partidos políticos desde 1997, pedindo aos inquiridos que digam se "tendem a confiar" ou se "tendem a não confiar" em várias instituições. Os gráficos seguintes mostram a evolução em Portugal até Outubro de 2007 da percentagem de inquiridos que diz "tender a confiar", aplicando uma regressão linear simples para detectar tendências:






As indicações mais clara de "degradação da confiança" residem nas atitudes em relação ao Governo. Mas essa "degradação" começa, note-se, em 2002. E analisando os dados ponto a ponto - sempre arriscado, dado o erro aleatório associado a inquéritos usando amostras - atinge o seu ponto mais baixo em 2004, tendo recuperado, ainda que ligeiramente, desde então. Só o mais recente inquérito - final de 2007 - dá sinais de nova descida, mas esses sinais terão de ser confirmados no Eurobarómetro desta Primavera. No que respeita ao Parlamento, as tendências são semelhantes, mais atenuadas, se bem que a última descida seja mais abrupta. E no que respeita aos partidos, a estabilidade é total.

Os dados do European Social Survey têm uma vantagem e uma desvantagem. Por um lado, resultam de inquéritos face a face, realizados com grande rigor do ponto de vista da selecção da amostra, e logo muito mais fiáveis do que o Eurobarómetro. As séries, contudo, são muito mais curtas. Seja como for, os dados são os seguintes. Para cada objecto - Governo, Partidos e "Políticos", a percentagem de inquiridos que se colocam na metade superior de uma escala de 11 pontos - entre 0 e 10 - em que 0 significa que "não têm confiança nenhuma" e 10 que têm "total confiança":

Parlamento
:
2002: 28%
2004: 19%
2006: 21%

Partidos
:
2004: 4%
2006: 7%

Políticos
:
2002: 8%
2004: 4%
2006: 7%

Os valores, especialmente para partidos e políticos, são baixíssimos do ponto de vista comparativo. Mas por outro lado, não se percebe muito bem de que fala a SEDES quando menciona que se "acentuou a degradação da confiança". Qual o ponto de comparação? Se é 2002, a afirmação é porventura correcta. Mas se é 2004, é incorrecta. E se se referem aos resultados do último Eurobarómetro (EB68, Outono de 2007), então deveria ter havido mais cuidado, dado que um único estudo dificilmente autoriza diagnósticos tão categóricos.

Não me entendam mal. Simpatizo com a SEDES e até tenho estima particular por alguns dos signatários da "tomada de posição". Mas da mesma forma como ninguém se atreveria a fazer afirmações sobre a evolução da economia sem olhar para os dados disponíveis, surpreende-me a facilidade com que se fazem afirmações sobre atitudes políticas sem olhar para os dados disponíveis que, felizmente, já vão sendo cada vez mais abundantes.

by Pedro Magalhães

Jay Cost

Posted February 14th, 2008 at 10:43 am4 Comments

Jay Cost, em dois posts recentes, faz a melhor análise dos dados disponíveis sobre o comportamento de voto nas primárias Democratas até ao momento, na minha opinião. Se posso resumir, é assim:

1. Os factores que afectam o melhor desempenho de um ou outro candidato são identificáveis. Clinton tem melhores resultados em estados onde os rendimentos são mais baixos, mais racialmente heterogéneos, no Sul, com maiores taxas de sindicalização, mais população Católica e mais população branca. O facto desta conclusão ser obtida com uso de análise estatística multivariada é importante: tem sido dito que Obama se tem revelado um melhor candidato para ganhar os estados do Sul. Mas isso sucede apenas porque estes estados têm mais população negra, que tende a votar nele em grandes números. Quando controlamos esse efeito, o que vemos é que:

There is evidence that Obama wins Independents, African Americans, white males in the North, "upscale" white voters, and white voters in homogeneously white states. He also seems to do well in caucus states where enthusiasm is a factor. There is evidence that Clinton wins Democrats, Hispanics, white females everywhere, white males in the South, "downscale" white voters, Catholics, and white voters in heterogeneous states.

Os brancos no sul (e o Sul, independentemente de composição racial) votam mais Clinton que Obama.Quando pensamos bem, claro que não podia ser de outra maneira.

2. A última série de vitórias de Obama teve lugar em estados cujas características se encaixam perfeitamente no perfil de eleitores que até agora tem votado nele:

These contests are tailor-made for a candidate that fuses the coalitions of Hart and Jackson, and one who inspires tremendous enthusiasm among his supporters. Given the voting coalitions that have formed over the last month and a half, Clinton never really stood a chance in any of them. African Americans drove Obama's victory in Louisiana. In the District of Columbia, Maryland, and Virginia, African Americans combined with wealthy whites to secure him victory. In Maine, Nebraska, and Washington - Obama took advantage of largely homogenous white populations and caucus contests to secure victory.

Logo, se isto não exclui a possibilidade de que esteja o "momentum" a seu favor em jogo, a explicação das vitórias recentes não precisa desse "momentum".

3. Quando olhamos para os estados que faltam, as suas características são menos desfavoráveis para Clinton:

All in all, this implies a rough parity from here until the end of the primary season. Approximately speaking, neither candidate seems to have an advantage in the remaining contests. So, my suggestion to readers is not to get caught up in the "Obama is inevitable" storyline. Minimally, we should all remember how well the "Clinton is inevitable" storyline worked out five months ago!

4 .Mas atenção:

Again, these considerations assume stable voting coalitions, and therefore an absence of momentum. This assumption might not hold. If it does not, what we will see is Clinton start to lose portions of her strongholds, or Obama consolidating support in his.

by Pedro Magalhães

Exit polls

Posted February 13th, 2008 at 10:59 am4 Comments

Maryland:


Virginia:

Posso estar enganado. Mas acho que são as primeiras primárias em que Obama ganha quer entre homens quer entre mulheres, e até entre hispânicos (se bem que a diferença não seja estatisticamente significativa) e brancos (Virginia). A coisa está a ficar muito difícil para Hillary, assim como para o meu dedinho que adivinha(va).

by Pedro Magalhães

Um mau bocado para Clinton (actualizado)

Posted February 8th, 2008 at 1:04 pm4 Comments

Tudo indica que Clinton, depois de ter evitado ficar completamente submersa pela avalanche Obama, vai passar agora um mau bocado. Amanhã temos Nebraska, Louisiana e Washington. Os dois primeiros deverão ser para Obama e no terceiro a sondagem mais recente também o favorece. Depois vem Maine (hipótese), mas seguem-se logo DC e Maryland, que não devem escapar a Obama. Virginia é a possibilidade de Clinton voltar à tona (mas já nem isso é seguro). São muitos estados a levar pancada.

Entretanto, agora que já se sabe quem é o candidato Republicano, a questão que começa a tornar-se fundamental é qual, Obama ou Clinton, poderá derrotar McCain. E aí as sondagens - independentemente do que acharmos sobre a sua fiabilidade - estão a enviar um sinal: Obama bate McCain; Clinton just maybe.

by Pedro Magalhães

E 90 milhões de dólares depois…

Posted February 7th, 2008 at 7:07 pm4 Comments