Pedro Magalhães

Margens de Erro

Uma frincha

Posted July 16th, 2013 at 10:56 am4 Comments

Vou fazer agora uma coisa para a qual não tenho jeito nenhum: aquilo a que se costuma chamar "análise política". O meu negócio é outro, mas perdoem a incursão em terreno alheio. É porque há uma passagem muito curiosa num artigo de Leonete Botelho e Sofia Rodrigues no Público de hoje que não resisto comentar:

Desde há muito que a maioria e o Governo pediam um entendimento com o PS que tinha por objectivo fazer pressão à troika para ganhar vantagens nas negociações. Com isso, a maioria apresentava como argumento perante a troika um apoio reforçado no Parlamento, mas também ganhava margem para negociar matérias, como a flexibilização do défice, a coberto do PS, com o argumento de que os socialistas eram menos receptivos a medidas que implicam cortes na despesa social.
Só comprovo a minha distracção e a minha ignorância, mas confesso que não sabia nada disto. Eu sabia, por exemplo, que o Primeiro-Ministro não excluía a possibilidade de flexibilizar a meta do défice para 2014, "mas faremos tudo o que está ao nosso alcance para cumprir as metas que foram agora acordadas no sétimo exame regular", e até já tem "prontos os diplomas que terminam os cortes de 4,3 mil milhões de euros que foram acordados para 2014". Sabia também que o CDS considerava que "factores externos" faziam com que fosse "prudente" admitir a possibilidade de nova flexibilização das metas do défice para 2014, mas pouco mais para além de dezenas de notícias injectadas nos jornais sobre nunca claramente assumidas posições do partido e do seu líder sobre o programa de ajustamento. O que eu não sabia era que o Governo, por considerar essas metas impossíveis (ou até, quem sabe, indesejáveis), andava há muito a pedir um entendimento com o PS para, usando o PS como "desculpa" ou para mostrar base de apoio doméstico, ganhar poder negocial frente à troika para renegociar as metas acordadas.

Para além de eu ser distraído e ignorante, há também a possibilidade destes "pedidos" feitos há muito terem sido privados, ou até, que sei eu, de estarmos perante uma oportuna reconstrução da história política recente. Mas isso agora não interessa muito. O interessante é que de repente vejo, não uma "janela de oportunidade", mas pelo menos uma pequenina frincha por onde pode passar um acordo entre os três partidos. O PS consensualiza objectivos de ajustamento mais modestos com o Governo, os nossos credores aceitam a coisa e continuam a mandar os cheques, Seguro reclama para si o mérito de "fazer ver" à maioria os seus erros passados e o PSD e o CDS evitam eleições antecipadas potencialmente catastróficas (especialmente para o segundo, se as indicações desta sondagem se confirmarem).

Contudo, a frincha continua a ser muito estreita. Se esses objectivos consensualizados incluírem "concordar com despedimentos, cortes nas pensões", a coesão interna no PS deverá estar em risco, se José Sócrates servir de barómetro para esse efeito (e provavelmente serve). E mesmo sem contar com isso, para o PS, a equação eleitoral não é inequivocamente favorável a qualquer espécie de acordo com os partidos de governo: CDU e BE espreitam, e um ano (até menos que isso) de "salvação nacional" é muito, muito tempo. Mas a frincha está lá.


by Pedro Magalhães

Mais sobre a sondagem Aximage

Posted July 15th, 2013 at 9:54 am4 Comments

A Aximage pede aos inquiridos que avaliem os principais líderes políticos como tendo actuado "bem", "mal" ou "assim-assim". Depois atribui valores de 3, -3, e 1 a cada uma das opções (-1 sem opinião). Depois agrega e converte numa numa escala de 0 a 20. É um pouco complicado (porventura excessivamente complicado), mas a regra é explicada e consistente, e logo a comparabilidade é possível. Eis a evolução:

 O tombo do líder do CDS-PP é grande. Em consistência com os resultados de intenção de voto do PSD na mesma sondagem, Passos Coelho sobe. Para já, a indicação é esta: o conjunto de episódios em torno da demissão de Portas penalizou-o fundamentalmente a ele e ao seu partido, mas não o seu parceiro de coligação. Mas são indicações a confirmar (ou não) com mais sondagens que sejam realizadas após a crise da coligação.

by Pedro Magalhães

Aximage, 8-11 julho, N=603, Tel.

Posted July 14th, 2013 at 11:52 am4 Comments

PS: 37.4% (+1.9)
PSD: 28% (+4.8)
CDU: 10.5% (-1.0)
BE: 6.7% (-1.7)
CDS-PP: 5.8 (-3.6)

Aqui.

by Pedro Magalhães

Eurosondagem, 5-10 julho 2013, N=1007, Tel.

Posted July 12th, 2013 at 12:46 pm4 Comments

PS: 37% (+0.1)
PSD: 25% (+0.2)
CDU: 12% (-0.1)
CDS-PP: 8% (+0.3)
BE: 8% (=)

Paulo Portas e Passos Coelho são os líderes políticos cuja aprovação mais desceu. Aqui. Se tivesse tempo, tentaria calcular a probabilidade de duas amostras aleatórias (esta e a do mês anterior) darem resultados quase exactamente iguais, presumindo que a distribuição de intenções no universo é igual.

P.S.- Boa ideia a apresentação de %'s sem casas decimais. A ver se continua. 

by Pedro Magalhães

Pitagórica, 28 Junho-2 Julho, N=503, Tel.

Posted July 8th, 2013 at 12:59 pm4 Comments

Intenções de voto. Entre parêntesis, comparação com sondagem anterior (trabalho de campo terminado a 28 de Maio):

PS: 33.9% (+1.2)
PSD: 23.7% (-1.7)
CDU: 13.2% (+0.7)
CDS-PP: 9.1% (-0.4)
BE: 8.9% (-0.5)

Aqui. Outros resultados:

* 57% (contra 33%) acham que "um governo de coligação entre o PS, o PCP e o Bloco de Esquerda" não "seria capaz de responder aos desafios que Portugal está a viver".

*  40% acham que "chegaremos a Junho de 2014" "melhor"ou "muito melhor", enquanto que 32% "pior" ou "muito pior".

* 66% acham "devem-se fazer as eleições no seu período normal" (contra 31% que querem legislativas com autárquicas).


by Pedro Magalhães

PSD nas sondagens, 2001-2013

Posted June 28th, 2013 at 11:55 am4 Comments

Graças ao trabalho incansável do Miguel Maria Pereira, bolseiro do projecto POPSTAR (em breve terei novidades que poderão ser interessantes), e da ajuda da ERC, temos agora uma coisa simples mas útil: uma base de dados das sondagens eleitorais desde 2001. Um exemplo abaixo do que se pode fazer com isto: a evolução das intenções de voto no PSD. Porque as sondagens divulgam os resultados de maneira diferente - com e sem indecisos, aplicando filtros que diminuem a % de brancos e nulos, etc. - estes resultados representam a % de intenções de voto no PSD em relação ao total dos 5 maiores partidos, de modo a aumentar a comparabilidade entre as diferentes sondagens. Logo, o que interessa aqui não é tanto uma comparação com resultados eleitorais reais (que serão sempre menores), mas sim a comparação ao longo do tempo. Sinalizei alguns factos políticos relevantes para nos situarmos. A linha é um smoother LOESS a 5%. É melhor clicar na imagem para ver bem.


















 Julgo que não precisa de muitos comentários. Talvez dizer que o declínio do PSD desde 2011, depois de uma breve fase inicial de sustentação (que Barroso não teve), tornou-se logo de seguida mais acentuado e rápido que o que sofreu desde 2002 e que, hoje, o PSD está com intenções de voto nos mínimos dos últimos 12 anos, mas que esses mínimos já foram atingindos em várias circunstâncias (Santana Lopes, Menezes, Ferreira Leite). A dúvida, claro, é o que pode estar ainda para vir.

by Pedro Magalhães

Um inquérito, um pedido de ajuda, e prémios!

Posted June 25th, 2013 at 7:05 pm4 Comments

Uma investigadora da Nova SBE, Ana Cláudia Gouveia, no contexto da sua tese de doutoramento, desenvolveu um questionário online sobre pensões de reforma. Era muito importante que o questionário fosse respondido pelo número mais alargado possível de pessoas, pelo que venho pedir-vos ajuda no sentido lhe responderem e circularem o link. Responde-se AQUI. E pode dar um prémio! (a sério).


O link por extenso, para copiarem e enviarem  para outros, se puderem: https://novasbe.qualtrics.com/SE/?SID=SV_6lng3AfIhrmYiCV

by Pedro Magalhães

The polls in Portugal

Posted June 18th, 2013 at 10:13 am4 Comments

Vote intention polls since the last election in Portugal. In spite of the scarcity of polls here, there is little room for doubt on what the three largest parties might be in terms of current voter support. Of the 32 media polls conducted since September 2012, PS has led the PSD in every single one of them, with an average voting intention of 34%. PSD's average in those polls is 27%, giving a 7 points lead to the Socialists. But it may be more already. For the polls conducted in the last four months, that lead is slightly higher: 8 points. CDU is comfortably in 3rd place, with an average of 11% since September.

PSD's decline is steeper than PS's rise, since smaller parties - not the government partner CDS-PP, but rather BE and, especially, CDU - seem to be on the rise too. Not quite like Spain, where IU and UPyD are now worth something like 30% of vote intentions. However, these two Portuguese parties, both to the left of the Socialists, are clearly worth a combined 20% of vote intentions. BE's potential in an actual election is always a bit questionable, as it has a more fickle and volatile electorate. But CDU's performance deserves greater atention. Although the Communists typically have good polls in the middle of electoral cycles and always tend to decline as the election approaches and campaigns start mobilizing other sorts of voters, CDU hasn't had such a consistent string of good results in polls since at least 2005. And let's say they get 10% in the next election. This would be their best score since...1987.

by Pedro Magalhães

Marktest, 27-30 Maio, N=802, Tel.

Posted June 12th, 2013 at 10:42 pm4 Comments

PS: 34,6% (+2)
PSD: 25,0% (-2.9)
CDU: 13,1% (+0,7)
BE: 8.2% (-5,1)
CDS-PP: 5,6% (+0.4)
OBN: 13,6% (+5,0)

Aqui.

by Pedro Magalhães

Eurosondagem, 30 maio-4 junho, N=1028, Tel.

Posted June 7th, 2013 at 10:36 pm4 Comments

PS: 36,9 (+ 0,9)
PSD: 24,8 (- 1,1)
CDU: 13 (+ 0,9)
BE: 8 (- 0,8)
CDS-PP: 7,7 (- 0,7)

Aqui.

by Pedro Magalhães