Pedro Magalhães

Margens de Erro

Over by Tuesday?

Posted January 3rd, 2008 at 11:17 am4 Comments

No Insurgente, duvida-se que na Super Duper Tuesday, o dia 5 de Fevereiro de 2008, se fique a saber o nome dos candidatos dos partidos Democrata e Republicano.

Não há dúvida que é possível que permaneça alguma incerteza depois desse dia. Nessa altura, terão sido realizadas primárias em apenas (este "apenas" devia ter aspas) 30 estados para o candidato Democrata e 28 para o candidato Republicano. "Apenas" 60% dos delegados estarão eleitos por essa altura. E nem todos estão comprometidos com um candidato. E as convenções terão "superdelegados", não determinados pelos resultados das primárias. Matematicamente, é claro que é possível que os nomeados só se conheçam na última primária, a 3 de Junho.

Mas é, claro, altamente improvável. Na era "moderna" das primárias (e na era "pós-moderna" das Super Tuesdays, que começou em 1988), houve apenas um caso onde uma candidatura (de um partido onde o incumbent não seja o candidato) não ficou decidida na Super Tuesday. Foi em 1988, precisamente, com Dukakis a emergir após resultados inconclusivos nos estados do Sul. Mas em 1992 decidiu-se Clinton, em 1996 Dole, e em 2000 Bush e Gore. Acresce a isto que, este ano, com o crescente frontloading, a Super Tuesday vai bater o recorde de número de estados onde se realizam primárias e de número de delegados eleitos. Ao contrário das primeiras Super Tuesdays, o menu de estados é muito diverso, e vai desde o Arkansas à Califórnia. Eu ficaria muito, mas mesmo muito, surpreendido se tudo não ficasse decidido aí.

by Pedro Magalhães

Momento

Posted January 2nd, 2008 at 10:40 am4 Comments

Por estes dias, a leitura mais útil é o velhinho (1988) Presidential Primaries and the Dynamics of Public Choice, de Larry Bartels. Bartels mostrou pela primeira vez a importância do momento (o termo da Física, usado aqui num sentido figurativo) que os candidatos adquirem com os resultados das primeiras primárias. Segundo Bartels, os eleitores escolhem candidatos nas primárias na base da informação (em muitos casos reduzida) que têm sobre eles, das suas próprias predisposições e das suas expectativas sobre o desfecho do processo de nomeação. O primeiro e último pontos são cruciais. Os eleitores são estratégicos e, logo, escolhem entre candidatos próximos em relação às suas preferências mas também entre candidatos viáveis. E os eleitores sabem muito pouco sobre política (têm mais em que pensar) e, logo, usam os resultados das primárias como "heurística" para tomar decisões. Já na altura, Bartels criticava a possibilidade de que determinados candidatos insuficientemente conhecidos e testados ganhassem "momento" demasiado depressa (hoje, Obama, e ainda mais, Huckabee).

Jay Cost, no Real Clear Politics, tem um excelente artigo (em duas partes) sobre o assunto. Duas citações:

"The average voter pays little attention to politics, and so has little knowledge of it. This is how momentum can have such an effect. An electoral victory is big news to a voter who knows relatively little about the race. He undoubtedly hears about it, and so hears lots of positive information about the winner. As he did not know much to begin with, this information can be critical to his decision-making. Unsurprisingly, researchers have found that momentum can have its greatest effect on those who do not pay as much attention to the campaign."

"Clearly, the Republicans have no pre-election year frontrunner - like the Democrats in 1988. This means that momentum definitely could be a factor. As I said, we probably will not see the kind of successful slow-building momentum akin to what McCain almost had in 2000, though it is still possible. What is more likely is momentum that comes from a win in Iowa and/or New Hampshire - a candidate then uses those victories to launch himself beyond the rest of a lackluster field. "

O artigo de Jay Cost (que ainda há pouco tempo era um doutorando na Universidade de Chicago) é, de resto, um exemplo notável de como se pode trazer para o debate público e de forma compreensível mas rigorosa coisas bastante complicadas da bibliografia de Ciência Política.

by Pedro Magalhães

Iowa, a três dias

Posted December 31st, 2007 at 12:17 pm4 Comments

Estamos em pleno dark side of the moon. Mas é evidente que, nos estudos mais recentes, Clinton e Edwards sobem e Obama desce. Como sempre, o Pollster analisa tudo o que é importante:

- o desempenho passado das sondagens no Iowa;
- os efeitos do processo de caucus em fortalecer os dois candidatos da frente e prejudicar os afectados por quedas recentes. À luz dos dados mais recentes, isto é muito bom para Clinton e potencialmente mau para Obama.

by Pedro Magalhães

O ano eleitoral

Posted December 29th, 2007 at 5:32 pm4 Comments

2008 não será particularmente excitante. A excepção é o main event, nos Estados Unidos, que dura o ano todo. Começa já no dia 3 de Janeiro, no Iowa. Cinco dias depois é New Hampshire. Dia 5 de Fevereiro temos a Super Duper Tuesday. Por esta altura, já estará tudo decidido quanto aos candidatos à presidência de cada partido. Depois é gastar até ao dia 4 de Novembro. Em 2004, gastaram-se (oficialmente) mil e quatrocentos milhões de dólares, 0,7% do produto interno bruto português. Neste ciclo de 2008, para já, vamos em 426 milhões.

Salva-se também Espanha, em Março. A sondagem mais recente, do Instituto Opina, dá 45% ao PSOE, 8 pontos acima do PP, e a satisfação com Zapatero está acima dos 50 pontos. Mas as coisas podem não ser tão simples. O barómetro de Novembro do CIS dá apenas 2 pontos de vantagem ao PSOE e, mesmo se a vitória do PSOE parece provável, duvida-se de uma maioria absoluta.

Na Rússia, eleições presidenciais a 2 de Março. Dimitry Putin, desculpem, Vladimir Medvedev lidera as intenções de voto, com 40 pontos de vantagem sobre o segundo classificado, um senhor chamado Zhirinovsky. Vai ser emocionante. No Zimbabwe, também em Março, Mugabe concorre a um sexto mandato, e em Setembro (5 e 6), haverá legislativas em Angola. Vai ser tão emocionante como na Rússia.

by Pedro Magalhães

Iowa e New Hampshire update, a uma semana

Posted December 27th, 2007 at 11:41 am4 Comments

1. Nos Democratas, uma sondagem recente do American Research Group dá uns espectaculares 14 pontos de avanço a Hillary Clinton sobre Edwards em Iowa, com Obama em terceiro. A confirmar nos próximos dias. Mas no Pollster, uma nota importante: o ARG tem dado resultados para Clinton sempre acima da tendência. Seja como for, os mercados electrónicos de futuros parecem ter levado a sondagem a sério: Obama desce e Clinton sobe no Intrade.

2. Nos Republicanos, Huckabee parece imparável, quer nas sondagens quer nos mercados electrónicos: a estimativa Franklin e Blumenthal para Huckabee, neste momento, é de 34%, contra 23% para Romney. No Intrade, Huckabee é absolutamente favorito. Mas há uma tendência recente para a diminuição da vantagem de Huckabee, que os mercados parecem não ter detectado (ou não levar ainda a sério).

3. Dito isto, duas precauções gerais sobre Iowa:
- as sondagens mais recentes estão potencialmente afectadas pelo período festivo. Polling on the dark side of the Moon, chama-lhe Blumenthal;
- as sondagens para um caucus, com baixíssima participação, estão sempre potencialmente afectadas pela dificuldade em estimar os votantes prováveis.

4. Em New Hampshire, Clinton e Obama praticamente empatados, se não contarmos, mais uma vez, com a sondagem ARG (que dá grande vantagem para Clinton). Mas tudo vai ser afectado pelo resultado de Iowa. E a grande notícia vem dos Republicanos: a subida de McCain, que já aparece empatado com Romney numa das sondagens.

5. E há quem esteja farto de ver as primárias americanas tão poderosamente afectadas por eleições em dois estados pequenos e não representativos (G. Terry Madonna e Michael Young, "Iowa e New Hampshire: Same Old, Same Old"):

"The entire nominating apparatus is again fixated on Iowa and New Hampshire, resulting in more candidate visits than ever; more media coverage than ever; more TV commercials than ever; and more money spent than ever. Once again the outcome of a presidential race may depend on the results of two small unrepresentative states";

"When the early states vote, many voters in other states not have thought deeply about their choices. But the intense and concentrated coverage for Iowa and New Hampshire introduce candidates to a national electorate as de facto "winners" or "losers" before more than 90% of voters can cast ballots."

by Pedro Magalhães

Quando a lenda se torna facto, publique-se a lenda

Posted December 18th, 2007 at 2:38 pm4 Comments

14%

Posted December 14th, 2007 at 11:06 am4 Comments

Rússia, VCIOM, 5-6 Maio, N=1600

Recently, Russia was criticized for human rights violations by the US Department of State. Why do you think the US Department of State criticized Russia? (up to two responses):

Because the US are disatisfied with Russia being independent and are looking for excuses to discredit Russia: 40%
Because of the US traditional preconceived attitude to Russia and Russians: 27%
To support westernized opposition forces in Russia:16%
Because human rights are often violated: 14%
Other:1%
Hard to answer:14%

by Pedro Magalhães

Perguntas directas, respostas directas

Posted December 14th, 2007 at 11:01 am4 Comments

Rússia, Nov. 20-23, Yury Levada Analytical Center, N=1600.

Do you agree or disagree with this statement? - "Maintaining order is very important, even if democratic principles and personal freedoms are trampled."

Agree: 69%
Disagree: 18%
Hard to answer: 13%

by Pedro Magalhães

Referendos e ditaduras

Posted December 13th, 2007 at 1:49 pm4 Comments

E no meio da conversa que houve há uma semana sobre as "estranhas ditaduras" onde se perdem referendos, esqueci-me do melhor exemplo de todos.

Da Wikipedia:
The Zimbabwe constitution referendum of February 12-13, 2000 saw the defeat of a proposed new Constitution of Zimbabwe which had been drafted by a Constitutional Convention the previous year. The defeat was unexpected and was taken as a personal rebuff for President Robert Mugabe and a political triumph for the newly-formed opposition group, the Movement for Democratic Change. The new proposed constitution was notable for giving power to the government to seize farms owned by white farmers, without compensation, and transfer them to black farm owners as part of a scheme of land reform.

E a seguir:
DESPITE its humiliating defeat in last weekend's constitutional referendum, the Zimbabwe government said yesterday that it would push through an amendment that would allow the state to seize white-owned farms without compensation.

O resto já sabemos como foi.

by Pedro Magalhães

Eu sou muito mais conservador do que tu

Posted December 11th, 2007 at 4:52 pm4 Comments

Romney já percebeu de onde vem a ameaça.



Análise no indispensável The Fix.

by Pedro Magalhães