Pedro Magalhães

Margens de Erro

Popularidade Sócrates e Cavaco

Posted December 7th, 2007 at 5:12 pm4 Comments




by Pedro Magalhães

Marktest, 20-23 de Novembro

Posted December 7th, 2007 at 4:53 pm4 Comments

Há dias, mencionei aqui que o DN não tinha publicado os resultados completos do Barómetro, nomeadamente em relação à avaliação dos líderes políticos. Mas a Marktest, como é hábito, põe tudo cá fora. Está aqui. E ainda tiveram a amabilidade de me cederem dados mais desagregados:

Cavaco Silva
Actuação positiva: 70%
Negativa: 12%
Ns/Nr: 18%

José Sócrates
Actuação positiva: 38%
Negativa: 45%
Ns/Nr: 17%

Luis Filipe Menezes
Actuação positiva: 27%
Negativa: 26%
Ns/Nr: 47%

Jerónimo de Sousa
Actuação positiva: 38%
Negativa: 31%
Ns/Nr: 31%

Paulo Portas
Actuação positiva: 28%
Negativa: 49%
Ns/Nr: 23%

Francisco Louçã
Actuação positiva: 42%
Negativa: 31%
Ns/Nr: 27%

Obrigado.

by Pedro Magalhães

Al Gathafi speaks…

Posted December 5th, 2007 at 4:11 pm4 Comments

Miguel Vale de Almeida chama a atenção para um anúncio de página inteira no Público que convida os eleitores a visitarem o site de Muammar Al Gathafi e onde se fazem umas considerações críticas à Convenção de Otava sobre Minas Terrestres ("Os países poderosos não precisam de minas para se protegerem. As minas são o meio de auto-defesa dos países fracos") e sobre a "ilegalidade do Tribunal Criminal Internacional".

Não quero estragar completamente o dia a Miguel Vale de Almeida, mas se ele soubesse que o Centro de História da Universidade de Lisboa, "em colaboração com a Reitoria e com o Instituto Luso-Árabe para a Cooperação", vai organizar depois de amanhã um "Seminário" com a presença de Muammar Al Gathafi (ou Al Khadafi) onde ele vai falar sobre "Problemas da Sociedade Contemporânea"... Ai não acreditam? Então confirmem.

by Pedro Magalhães

Iowa

Posted December 5th, 2007 at 11:06 am4 Comments

Em rigor, já não se pode dizer que Hillary Clinton lidera as sondagens no Iowa. A média das 13 sondagens conduzidas em Novembro é de 28% para Clinton e 25% para Obama. Mas quando olhamos apenas para as conduzidas na 2ª metade do mês, Clinton e Obama estão empatados com 27%.

Em New Hampshire, a mesma tendência. Clinton com 35% em média em Novembro, Obama com 23%. Mas na segunda metade do mês, 33% para Clinton e 24% para Obama. Aqui a margem ainda é confortável. Mas quem sabe o que se passará no Iowa, e as consequências disso?

Karl Rove, no Finantial Times (via Atlântico, onde ainda cheira um bocado a queimado), partilha pelos vistos da opinião (ah, ah!) que dei aqui em Outubro: Iowa é a única e derradeira chance que Obama tem para evitar o inevitável. Mas por que razão gostaria Rove de evitar este inevitável? Aposto tudo o que vocês quiserem que a campanha Clinton vai usar este artigo para mostrar que Rove e os Republicanos gostariam que Obama ganhasse. No meio da crise, um ponto para Hillary, portanto.

by Pedro Magalhães

Ainda a Venezuela e a "democracia", pós-referendo

Posted December 3rd, 2007 at 6:01 pm4 Comments

A principal razão por que me interessa discutir se a Venezuela é ou não uma democracia é talvez um pouco diferente daquela que move alguns dos que têm debatido esta questão na blogosfera e fora dela. É evidente que não simpatizo com os atropelos de Chávez e que , independentemente dos benefícios ou não que tenham decorrido da sua governação para os venezuelanos (um aspecto sobre o qual se presume muito e demonstra pouco), acho que viver em democracia é um bem em si mesmo, algo intrinsecamente positivo.

Mas para além desta motivação assumidamente política, tenho outra, que talvez até seja mais importante para mim. Quando quero perceber, na minha actividade profissional, o que causa a emergência ou a sobrevivência das democracias, quais as consequências de se ter ou viver num regime democrático, ou a explicação dos comportamentos políticos nas democracias, convém-me ter no bolso pelo menos uma definição qualquer de "democracia", para saber que casos devo incluir, que casos excluir ou como os classifico. Num sentido mais lato, esta discussão continua a ser "política". Mas num sentido mais estrito, é uma questão de medição. O que é e o que não é uma democracia? Questão complicada, mas que tenho de quotidianamente tentar resolver.

Vem tudo isto a propósito dos resultados do referendo e de algumas reacções que inspiraram. Particularmente simbólica é esta:

"Estranha ditadura que promove eleições e que aceita os resultados quando é derrotada nas urnas. (...) Estranha ditadura em que a pobreza diminui e em que os estudos internacionais mostram que a maioria esmagadora dos eleitores está contente com a qualidade da democracia",

escreve Nuno Ramos de Almeida no cinco dias.

Pois lamento, mas ainda não estou persuadido. Tenho visto aqui e ali referências ao Chile, e acho que podemos começar por aí. Por um conjunto de razões que ainda se discutem, o referendo acabou mesmo por ser convocado em 1988, permitiu uma votação sem fraudes e os seus resultados - inesperadamente desfavoráveis para Pinochet - foram aceites pelos militares. Foi o início da transição para a democracia no Chile. Mas daí até dizer-se que o Chile era uma democracia em 1988 ou até em 1987, 1986 ou antes vai alguma distância, que pelos vistos Nuno Ramos de Almeida tem alguma dificuldade em discernir. Esta ideia de "validação" à posteriori do carácter democrático de um regime, através da qual se classifica como democrático todo o regime no qual o detentor do poder acaba por perder eleições, não deixa de ter um bom pedigree. Este belo livrinho usa-a, precisamente, para distinguir democracias de regimes não-democráticos. Mas se queremos ir por aqui e seguir os critérios de Przeworski e seus colegas, então temos de esperar que Chávez perca eleições presidenciais. Não me consta que tenha sido isso que sucedeu no passado Domingo.

De resto, é curioso que se mencione o caso do Chile e ninguém se tenha lembrado do caso...português. Em 1975, com alguma surpresa, quem ganhou as eleições não foi quem controlava as rédeas do poder. As eleições de 1975 tiveram, aliás, o condão especial de revelarem que o PCP e os sectores mais à esquerda do aparelho militar que tutelavam na altura o regime tinham muito menos apoio popular do que se julgava. Mas a não ser que Nuno Ramos de Almeida esteja preparado para nos explicar como, em 1975, Portugal era um regime democrático- coisa que, manifestamente, (ainda) não era - a derrota eleitoral dos detentores do poder não chega para definir um regime.

Chamo a atenção para um conjunto de estudos de Steven Levitsky e Lucan Way (obrigado Andrés pela lembrança). Levitsky e Way vêm escrevendo sobre aquilo que chamam "autoritarismos competitivos". Vale a pena ler com atenção:

"In competitive authoritarian regimes, formal democratic institutions are widely viewed as the principal means of obtaining and exercising political authority. Incumbents violate those rules so often and to such an extent, however, that the regime fails to meet conventional minimum standards for democracy. (...) Competitive authoritarianism must be distinguished from democracy on the one hand and full-scale authoritarianism on the other. Modern democratic regimes all meet four minimum criteria: 1) Executives and legislatures are chosen through elections that are open, free, and fair; 2) virtually all adults possess the right to vote; 3) political rights and civil liberties, including freedom of the press, freedom of association, and freedom to criticize the government without reprisal, are broadly protected; and 4) elected authorities possess real authority to govern, in that they are not subject to the tutelary control of military or clerical leaders. Although even fully democratic regimes may at times violate one or more of these criteria, such violations are not broad or systematic enough to seriously impede democratic challenges to incumbent governments. In other words, they do not fundamentally alter the playing field between government and opposition. (...) In competitive authoritarian regimes, by contrast, violations of these criteria are both frequent enough and serious enough to create an uneven playing field between government and opposition. Although elections are regularly held and are generally free of massive fraud, incumbents routinely abuse state resources, deny the opposition adequate media coverage, harass opposition candidates and their supporters, and in some cases manipulate electoral results. Journalists, opposition politicians, and other government critics may be spied on, threatened, harassed, or arrested. Members of the opposition may be jailed, exiled, or—less frequently—even assaulted or murdered. Regimes characterized by such abuses cannot be called democratic."

E há um artigo interessante na Foreign Policy de Janeiro do ano passado que explora a aplicação do conceito ao caso da Venezuela.

Há muita gente que discorda de Levitsky e Way. Não quero com tudo isto desvalorizar os resultados do referendo de Domingo passado, nem aquilo que eles nos podem dizer sobre a natureza do regime ou as suas perspectivas de mudança e evolução. Nem sequer estou certo se consigo, para já, chegar a um veredicto sobre se a Venezuela é ou não é uma democracia. Mas não me parece que perder um referendo chegue, por si só, para esse veredicto.

by Pedro Magalhães

Dados em falta

Posted November 30th, 2007 at 2:11 pm4 Comments

Como sabem, não dou grande cobertura neste blogue a sondagens sobre intenções de voto em períodos fora das eleições. Uma percentagem muito elevada de eleitores não manifesta qualquer intenção e isso produz grande volatilidade e discrepâncias entre sondagens. Acho muito mais interessante, neste período, analisar as perguntas a que quase toda a gente responde, e que têm a ver com avaliação do desempenho do governo, da actuação dos líderes políticos ou da situação da economia. Como nem a primeira nem a última perguntas são regularmente colocadas, ficamos com a segunda.

Vem tudo isto a propósito do Barómetro Marktest divulgado hoje. Ao contrário do que é habitual, o DN não publica as avaliações de Sócrates, Cavaco e Menezes, limitando-se à intenção de voto e avaliações de ministros. Há alusões no texto às avaliações de Cavaco e Portas, mas os dados não foram colocados cá fora. Espero que ainda sejam.

by Pedro Magalhães

Rescaldo

Posted November 29th, 2007 at 11:13 am4 Comments

O rescaldo do debate CNN/You Tube entre os candidatos republicanos. Ou como "Mo" Udall disse uma vez do seu próprio partido: "When Democrats organize a firing squad, they form a circle."

by Pedro Magalhães

Iowa, New Hampshire, CNN e You Tube

Posted November 28th, 2007 at 4:12 pm4 Comments

Com as primárias no Iowa e em New Hampshire a pouco mais de um mês, o dramatismo aumenta. No Iowa, como se vê por aqui, Clinton e Obama destacam-se. Mais: nas duas últimas sondagens, Obama está a par ou até à frente de Clinton. Mas são apenas duas sondagens e, em New Hampshire, a vantagem de Clinton é mais confortável.

Com os Republicanos, o incrível prepara-se para acontecer. Mitt Romney lidera as sondagens no Iowa seguido de...Mike Huckabee. Nem Giuliani, nem Thompson, nem McCain. E em New Hampshire, é também Mitt Romney que lidera, com grande vantagem.

Hoje, a CNN repete o bem sucedido formato de debate com perguntas em video introduzidas no You Tube. O debate Democrata foi muito importante para confirmar a liderança de Clinton e Obama (e serviu para abrir as hostilidades entre ambos). O debate de hoje pode ser igualmente importante.

P.S.- 4927 perguntas introduzidas no You Tube para os candidatos republicanos. Será que, nas próximas eleições em Portugal um dos canais irá tentar copiar este formato?

by Pedro Magalhães

Sabemos quando a vemos?

Posted November 25th, 2007 at 10:41 am4 Comments

Tenho tido uma conversa com o Daniel Oliveira, do Arrastão, que entretanto ganhou ramificações noutros blogues: aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui. Sem contar com os e-mails que vou recebendo. Esta conversa alargada já se transformou num debate sobre o que é a democracia, a relação entre democracia e cultura política, a natureza dos direitos políticos, a qualidade das democracias e o liberalismo, ou seja, tudo temas leves. Em vez de responder aqui, respondo amanhã, no Público (e depois de amanhã aqui). O ponto, de resto, é muito simples: é cada vez mais difícil distinguir a democracia de outros regimes; é cada vez mais importante fazê-lo.

by Pedro Magalhães

No que eu me fui meter…

Posted November 22nd, 2007 at 8:20 pm4 Comments

Um debate sobre a ontologia democrática. Há os posts do Arrastão, mas também do Zero de Co

by Pedro Magalhães