Pedro Magalhães

Margens de Erro

Sarkozy e Condorcet

Posted September 19th, 2007 at 2:53 pm4 Comments

Lembram-se deste post? Claro que não. Mas já há um artigo sobre o assunto na última French Politics:

"The French Presidential Election of 2007: Was Sarkozy the Condorcet Winner?"
Paul R Abramson

Nicolas Sarkozy was elected in the runoff election held against Ségolène Royal on 6 May 2007. Over 100 public preelection polls were conducted between 18 October 2006 and 21 April 2007. These polls strongly suggest that Sarkozy would not have won a series of head-to-head contests against all 11 of his opponents; that is to say, he would not have met the criterion for fairness in elections advanced by the Marquis de Condorcet in the 18th century. These polls suggest that François Bayrou met this criterion and that he would have defeated Sarkozy had he advanced to the second round of the elections.

by Pedro Magalhães

Polónia, 2: incerteza

Posted September 19th, 2007 at 2:47 pm4 Comments

The Law & Justice (PiS) and liberal Civic Platform (PO) both received support from 26% voters in a poll commissioned by the TV news programme Wiadomosci broadcast by public television TVP1, conducted by researchers from TNS OBOP. The centre-left coalition LiD would make it into Parliament with backing from 9% of voters. Other parties would not exceed the 5% threshold guaranteeing presence in Poland's Parliament.The poll was conducted among 675 out of 1,000 people who were at least "rather positive" about taking part in the general vote.

Another poll, conducted by PBS DGA, shows PO with 30% and PiS 29%. The election will hinge on voter turnout. PiS' voters are generally older and located in rural areas. These voters tend to vote in greater numbers, while city dwellers and younger people - the PO's core supporters - tend to have other things to do and do not turn out at the polls as frequently. Additionally, there are anywhere from one to two million Poles living and working abroad in another EU country (UK, Ireland, Germany, etc.). A lot will depend on whether these people arrive at Polish consulates to cast their votes.

Fonte: Warsaw Voice

by Pedro Magalhães

Não costumo usar o blogue para estas coisas…

Posted September 19th, 2007 at 2:11 pm4 Comments

...mas é só para avisar que o disco do ano sai no dia 9.

by Pedro Magalhães

Polónia

Posted September 17th, 2007 at 10:06 am4 Comments

Como já toda a gente sabe, há eleições na Polónia no dia 21 de Outubro, dois dias depois da conferência que é suposta levar à aprovação do "Tratado de Lisboa". Um bocado como tentar montar um puzzle de 1500 peças ao ar livre no meio do furacão Katrina.

Para quem não sabe polaco, tentar reconstituir as sondagens existentes de fontes secundárias noutras línguas é bastante difícil. É seguro dizer-se que "Plataforma Cívica", que ficou em segundo lugar nas eleições de 2005, lidera as sondagens neste momento. Mas a vantagem não é grande em relação ao "Lei e Justiça" dos gémeos Kaczynski e, de resto, em 2005 também ocorria o mesmo.

Mais interessante é que, na base das sondagens mais recentes, nem a "Liga das Famílias Polacas" nem a "Auto-Defesa da República da Polónia", dois partidos que têm feito parte da coligação de governo, têm garantida a representação parlamentar, que exige a superação de uma cláusula-barreira de 5% dos votos.

by Pedro Magalhães

Grécia

Posted September 17th, 2007 at 9:39 am4 Comments

Com as últimas sondagens a terem sido conduzidas há mais de duas semanas, e com uma aparente aproximação entre PASOK e ND desde Julho, a incerteza era grande. Mas o sobrinho de Constantine Karamanlis voltou, tal como em 2004, a ganhar ao neto de George Papandreou e ao filho de Andreas Papandreou. Por outras palavras, apesar dos resultados serem ainda provisórios, ganhou a ND, liderada por Costas Karamanlis, com 42% dos votos, contra o PASOK, com 38%. A ND preserva à maioria absoluta, por uma unha negra.



Falou-se muito sobre os incêndios e sobre o castigo ao governo que eles trariam. Mas a ter havido castigo, foi para o "bloco central". ND e PASOK perdem, em comparação com 2004, quer em percentagem de votos quer em deputados. O Partido Comunista passa de 6 para 8% e ganha 10 deputados, o SYRIZA (para simplificar, uma espécie de BE lá do sítio, mas com mais conflitos internos) passa de 3 para 5% e ganha 10 deputados, e o LAOS (é difícil explicar do que se trata, mas imaginem uma espécie de Partido da Nova Democracia com esteróides) ganha 10 deputados.

by Pedro Magalhães

Austrália

Posted September 4th, 2007 at 2:22 pm4 Comments

Finalmente - partindo do princípio que as eleições para o parlamento de Trinidad e Tobago não vos excitam particularmente - segue-se a Austrália, algures antes do fim do ano (a data definitiva não está marcada). John Howard, primeiro-ministro desde 1996 -quando pôs fim a 13 anos de governo de centro-esquerda do Australian Labor Party - prepara-se para perder as eleições, como se pode depreender da análise dos dados das sondagens feitas no Oz Politics, um excelente site mantido por Bryan Palmer.

by Pedro Magalhães

Argentina

Posted September 4th, 2007 at 1:48 pm4 Comments

Continuando a ronda pelas eleições mais importantes que se aproximam, temos as presidenciais argentinas a 28 de Outubro. Como é sabido, a mulher de Néstor Kirchner, Cristina Fernández de Kirchner, é a candidata da Frente para a Vitória, o partido que controla actualmente a presidência e o que tem maior representação parlamentar. Um bom site para seguir os resultados das sondagens - e as eleições argentinas em geral - é este. Para os resultados eleitorais passados, a melhor fonte que conheço é o atlas eleitoral de Andy Tow. Segundo as sondagens mais recentes, Cristina Kirchner aparece como vencedora à primeira volta. Recorde-se que, para ganhar à primeira volta, Kirchner necessita apenas de mais de 45% dos votos, ou mais de 40% desde que tenha mais de 10 pontos de vantagem em relação ao segundo classificado.

A Sra. Kirchner explicava tudo isto há mais de um ano: "el peronismo es lo más parecido que hay a los argentinos (...) "Somos capaces los peronistas como los argentinos de generar las acciones más generosas y los personajes mas sublimes, como las acciones más horribles. Así de contradictorios somos". Pois.

by Pedro Magalhães

Grécia

Posted September 3rd, 2007 at 3:15 pm4 Comments

As eleições na Grécia começam a aquecer (não, não tenciona ser uma piadinha parva). São no dia 16, mas a divulgação de sondagens públicas terminou anteontem. Não é fácil - para quem não saiba grego - coligir informação completa e fidedigna sobre resultados de sondagens. O melhor a que cheguei foi o que se segue. No caso das últimas sondagens, na ausência de estimativas sobre "Outros, brancos e nulos", faço, para fins de redistribuição, duas pressuposições: a primeira, comum, é a de redistribuição proporcional dos indecisos; a segundo é a de que as estimativas dos OBN's para as últimas sondagens são iguais às do instituto respectivo em cada sondagem mais recente.




A diferença entre ND e PASOK tem sido sempre reduzida, mas sempre com vantagem para a ND. Claro que se a ND perder não faltará quem atribua isso ao factor dos fogos florestais, mas é ainda cedo para saber. O certo é que a diferença entre ND e PASOK apertou nas sondagens a partir do início de Junho, e não agora. Em 2004, as sondagens andaram todas muito, muito perto dos resultados finais (ND: 45,4%, PASOK: 40,5%), depois de redistribuidos os indecisos.

by Pedro Magalhães

Satisfação com funcionamento da democracia

Posted August 30th, 2007 at 1:17 pm4 Comments

Um gráfico de um paper que ando a escrever sobre a cultura política no Sul da Europa. Parece-me que está tudo dito.

by Pedro Magalhães

"Silly" é eufemismo

Posted August 30th, 2007 at 11:22 am4 Comments

Tenho andado por fora nas últimas semanas, mas com a ajuda do Google Reader, onde recupero os blogues de leitura habitual, descubro o que andei a perder. Desde as manifestações de solidariedade, incluindo de Belém (onde não se é, pelos vistos, imune à "sillyness") em relação a uma directora de um museu que não viu a comissão de serviço renovada por fazer críticas públicas à tutela, passando por assembleias gerais de um banco que serviram unicamente para gastar um milhão de euros de dinheiro dos accionistas (10 minutos do salário médio de um administrador do dito banco), mostrar os novos Mercedes classe S à população e ajudar o Comendador Berardo a bater o recorde mundial de horas de presença em noticiários televisivos, até ao comprazimento estético com a destruição de um hectare de milho e à transformação dos meninos numa ameaça comparável à Al-Qaeda (com críticas aos Serviços de Informação e Segurança e tudo), sem esquecer um candidato a líder do maior partido da oposição que tem um "blogue pessoal" escrito por um assessor que copia entradas da Wikipedia para escrever posts, tivemos tudo o que é preciso para uma perfeita "silly season".

E agora, já podemos regressar à normalidade? Ou a normalidade é isto?

by Pedro Magalhães