Pedro Magalhães

Margens de Erro

Sócrates, Eurosondagem, Julho 2007

Posted July 9th, 2007 at 1:04 pm4 Comments

Nova sondagem da Eurosondagem relevante para a questão da popularidade de Sócrates. Adicionando esta, a evolução desde 2005 pode ser acompanhada assim:


A diferença entre os resultados obtidos pela Marktest e pela Eurosondagem é enorme, apesar da semelhança das tendências. Não sei que razões explicam isto.

by Pedro Magalhães

Outlier: Materiais fundamentais para o estudo do PCP no século XXI

Posted July 6th, 2007 at 2:45 pm4 Comments

"No outro dia, vi que tinha os dois últimos números da New York Review of Books por ler. Então dei-me conta de há quanto tempo estou em campanha".

Ruben de Carvalho, citado no Público.

by Pedro Magalhães

Lisboa, Intercampus e Marktest, 4 de Julho

Posted July 6th, 2007 at 12:09 pm4 Comments

A lista completa, com os resultados das sondagens divulgadas hoje:


Mostro também a média das estimativas de resultados e uma medida de dispersão (a mais simples, a diferença entre as estimativas máxima e mínima). Note-se como, proporcionalmente, os resultados atribuídos a Helena Roseta e a Ruben de Carvalho são os mais díspares. Isto pode resultar de mudança ao longo do tempo, mas pode significar também pura incerteza.

Mas há indicações de que há reais mudanças desde Maio. Quando há mais sondagens, faz sentido examinar tendências utilizando toda a informação. Mas neste caso, só com nove, concordo que o melhor é comparar sondagens feitas pelo mesmo instituto entre si. Costa aparece com tendência de subida porque sobe na Marktest, na Intercampus e na Eurosondagem. O mesmo sucede com Ruben de Carvalho. E Roseta desce nas três. Quando aos outros, nuns casos sobem, noutros descem.

Uma breve nota: o gráfico de hoje no Público troca, no que respeita à sondagem anterior da Intercampus, os resultados atribuídos a Ruben de Carvalho e a Sá Fernandes, como se pode ver se consultarmos isto.

by Pedro Magalhães

Lisboa

Posted July 6th, 2007 at 9:24 am4 Comments

Duas sondagens hoje, uma no Diário de Notícias e outra no Público (e TVI). Ao fim da manhã vamos olhar para elas com mais calma.

by Pedro Magalhães

As sondagens e a CDU em Lisboa

Posted July 3rd, 2007 at 3:59 pm4 Comments

Neste blogue, José Carlos Mendes tem repetido a afirmação de que, "em 2005 todas (todas) as sondagens publicadas desde Junho até 7 de Outubro apostaram em votações da CDU entre os 5 e os 7%". Fá-lo aqui, como já tinha feito aqui.

Esta informação é incorrecta. Como se pode ver por este quadro, onde se vêem as últimas sondagens divulgadas por cada instituto antes das eleições de 2005, nenhuma sondagem dá menos que 8,5% à CDU. Uma delas, inclusivamente, dá-lhe 12%.

Aliás, o mesmo pode ser verificado num conjunto de resultados de sondagens contidos num post do mesmo blogue. Esse post é de leitura algo difícil e talvez resulte daí o equívoco. Nada disto impede, claro, a constatação de uma subestimação da CDU por parte da maioria das sondagens. Mas a magnitude dessa subestimação não deve ser...sobrestimada.

by Pedro Magalhães

As autárquicas de 2001 em Lisboa

Posted July 3rd, 2007 at 11:39 am4 Comments

Este livro - Eleições viciadas? O frágil destino dos votos, de João Ramos de Almeida, também já mencionado aqui e aqui - merece ser lido com muita atenção. O autor já me permitiu que o lesse. Ele assume que o livro não responde à pergunta que coloca no título, ou seja, não prova, sem margem para dúvidas, se as autárquicas de 2001 foram viciadas ou não. Mas mostra, com detalhe e paciência, como as fragilidades do processo eleitoral em Portugal são mais sérias do que se possa pensar e como há discrepâncias nos resultados obtidos nas diversas fases do processo para as quais os responsáveis não têm, pura e simplesmente, explicação.

Depois de ler o livro, é muito difícil ficar seguro sobre quem ganhou, de facto, as eleições de 2001 em Lisboa. Isto é, por um lado, grave. Sem provar que houve fraude, o livro prova como a fraude é possível, mostra as brechas por onde, em Portugal, ela pode entrar. Mas o mais interessante é a forma como mostra que a democracia repousa em bases mais movediças do que possa parecer à primeira vista, mas que precisam, para se revelarem, de situações-limite, como as que se passaram nos Estados Unidos em 2000, na Alemanha em 2005, em Itália em 2006, ou em Portugal em 2001.

Como há margem de erro nos próprios resultados eleitorais - e não apenas nas sondagens - há momentos em que a aplicação das regras não chega para produzir soluções inequívocas, e tudo passa a depender do consentimento de uma das partes em abdicar de disputar o poder por outros meios. Gore acabou por abdicar, Schröder e Berlusconi também, e uma das coisas mais interessantes do livro é mostrar como João Soares também o fez. Mas passamos a estranhar menos que haja outros contextos, onde os jogadores têm porventura mais a perder, onde não se aceitem resultados eleitorais. Nem é preciso ir a democracias recentes: basta ver como, num certo sentido, o PP em Espanha nunca chegou a aceitar os resultados de 2004. A democracia está presa por arames muito finos.

by Pedro Magalhães

Outlier: Rastejantes

Posted July 3rd, 2007 at 9:40 am4 Comments

Pelos vistos, a degradação política, ética e moral desta administração americana não tem limites.

WASHINGTON (Reuters) - President George W. Bush on Monday spared former White House aide Lewis "Scooter" Libby a prison term, enraging Democrats who accused Bush of abusing power in a case that has fueled debate over the Iraq war. Stalwart conservatives in Bush's Republican party had pressured him to pardon Libby - Vice President Dick Cheney's former chief of staff - and saw him as the victim of an overly zealous prosecutor when he was sentenced last month to 2-1/2 years in prison for obstructing a CIA leak probe. Bush stopped short of an outright pardon, leaving intact a $250,000 fine and Libby's two-years' probation. A senior White House official said Bush felt it was important to respect the jury process that convicted Libby of perjury. "I respect the jury's verdict. But I have concluded that the prison sentence given to Mr. Libby is excessive," Bush said in a statement. "Therefore, I am commuting the portion of Mr. Libby's sentence that required him to spend 30 months in prison."

Uma sondagem da Survey USA mostra que, dos americanos que dizem conhecer o caso, 60% estão contra a decisão do Presidente.

by Pedro Magalhães

Lisboa, Eurosondagem, 27 Junho

Posted July 2nd, 2007 at 9:48 am4 Comments

Sondagem da Eurosondagem para a SIC e o Expresso.




De um leitor:

Gostaria de saber a sua opinião sobre o facto de a maioria (todas?) as sondagens relativas às eleições à CML terem como alvo uma amostra representativa do território nacional. Ou seja, apenas uns 5% serão realmente residentes em Lisboa. Mais curioso é o facto de os jornais usarem frases e títulos como"Lisboetas acham que...", "Lisboetas dão maioria a ..."


Não creio que isto seja assim. De facto, há algum tempo, a Eurosondagem divulgou intenções de voto numa eventual eleição autárquica em Lisboa tendo por base uma amostra nacional. Isto deu origem a uma deliberação da ERC (aqui, .pdf) e textos de rectificação do Expresso. Mas o que dizem as fichas técnicas das sondagens listadas acima? Alguns exemplos:

"O Universo é a população com 18 anos ou mais, residente no Concelho de Lisboa e habitando em lares com telefone da rede fixa."

"UNIVERSO: Indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais do concelho de Lisboa em lares com telefone fixo."

"O Universo é constituído pela população portuguesa com 18 ou mais anos, recenseada no concelho de Lisboa"

"O universo alvo é a população com 18 ou mais anos recenseada e residente no concelho de Lisboa em alojamentos com telefone fixo"

Aqui escreve-se:

Tenho observado que nas fichas técnicas se indica que o universo consultado se refere a recenseados no concelho de Lisboa, mas desconfio que nunca terão sido exigidos os comprovativos dessa condição.

A desconfiança deverá ser plenamente justificada. Pelo telefone, não se pode pedir "comprovativos". E presencialmente, duvido que se peça o cartão de eleitor. Não creio que haja alguma sondagem que o faça, seja quando o universo é o dos eleitores lisboetas seja quando é o dos eleitores nacionais. Faz-se a pergunta, e confia-se na palavra dos eleitores. Pedir "comprovativos" seria introduzir um elemento de perturbação na relação entre inquiridor e inquirido cujos benefícios seriam, provavelmente, bem menores que os custos.

Note-se, contudo, como numa das fichas técnicas anteriores a condição de "recenseado no concelho de Lisboa" não é condição para fazer parte da amostra, mas sim apenas o facto de ter 18 ou mais anos e residir no concelho. Isto já não me parece grande ideia.

by Pedro Magalhães

Apertem os cintos de segurança

Posted June 29th, 2007 at 4:16 pm4 Comments

E a propósito do post anterior, este gráfico é retirado de um paper de Francisco José Veiga e Linda Veiga sobre a popularidade do PM e outros orgãos políticos. As linhas a vermelho marcam - um bocado a olhómetro, dado que não tenho os dados - o início e o fim dos semestres das presidências portuguesas da UE.

Estão a ver o mesmo que eu? Não tenho uma teoria sobre o assunto. Mas é giro, não é?

by Pedro Magalhães

Popularidade líderes políticos, Junho

Posted June 29th, 2007 at 12:36 pm4 Comments

Sondagem Marktest para o Diário de Notícias e a TSF.

Sócrates prossegue a sua descida, no seguimento do caso "Independente". Chegou ao segundo valor mais baixo desde que é PM, só superado (pela negativa) pelos valores de Setembro de 2005.

Com a descida de Sócrates, isto arrisca-se a passar despercebido, mas o líder do principal partido da oposição tem uma avaliação ainda mais negativa que o PM e também tem vindo a descer. Essa descida, contudo, já vem de mais longe. Marques Mendes nunca foi tão impopular como é hoje.

Cavaco pelas alturas.








by Pedro Magalhães