Pedro Magalhães

Margens de Erro

A constituição europeia

Posted June 26th, 2007 at 6:23 pm4 Comments

Por estes dias, vale a pena dar uma vista de olhos pelos resultados do Eurobarómetro (.pdf) mais recente, realizado entre Abril e Maio passados. Alguns destaques:

1. Taking results for this wave only, it can be seen that there are no countries where those against a constitution outnumber those in the ‘for’ camp. In particular, we note that support in France and the Netherlands, the two countries rejecting the constitution via referenda, stands at 68% and 55% respectively.

2. However, those holding the ‘against’ view do form a very significant segment of opinion in Finland (43% ‘against’, 4 points lower than ‘for’) and the UK (36% ‘against’, 7 points lower than ‘for’).

Nos 27, este apoio cresceu de 2006 para cá. Mas atenção: a questão é colocada apenas "em abstracto", em termos de "uma constituição" e não "que constituição".

by Pedro Magalhães

Outlier: O resto é paisagem

Posted June 26th, 2007 at 11:35 am4 Comments

"Antes, o roteiro da arte contemporânea terminava em Madrid. A partir de hoje, começa aqui, em Lisboa". José Sócrates, ontem, na inauguração do Museu Colecção Berardo.

Não quero ser chato nem "polícia da linguagem". Mas isto deve querer dizer que o Museu de Arte Contemporânea de Serralves fica algures entre Barcelona, Valência e Madrid. E nem falo disto.

by Pedro Magalhães

Outlier: Mais um momento "so, what do you think about Portugal?"*

Posted June 25th, 2007 at 1:44 pm4 Comments

Parlamento Europeu acredita no sucesso da presidência portuguesa

*Pergunta regulamentar a fazer por jornalistas a celebridades estrangeiras que visitam o país, na esperança, sempre fundada, de que saia qualquer coisa simpática.

by Pedro Magalhães

Peso morto

Posted June 25th, 2007 at 11:41 am4 Comments

O anúncio do abandono de Blair deu-se no dia 10 de Maio. De seguida, por instituto, respectivamente:

- a vantagem a favor dos Conservadores, em pontos percentuais, nas intenções de voto na última sondagem realizada antes do dia 10 de Maio;
- a vantagem a favor dos Conservadores, em pontos percentuais, nas intenções de voto na primeira sondagem realizada depois do dia 10 de Maio;
- a vantagem dos Conservadores, em pontos percentuais, na sondagem mais recente.

YouGov:5/4/2
MORI: 7/2/-3
Populus: 8/4/3
ICM: 7/2/5
Communicate:9/4 (a primeira sondagem após 10 de Maio é também a mais recente).

Fonte: UK Polling Report.

by Pedro Magalhães

Sondagens de Lisboa

Posted June 22nd, 2007 at 6:21 pm4 Comments

Não se admirem com o facto de não ter feito grandes comentários à sondagem da Aximage para o Correio da Manhã. É porque não sei bem o que dizer. Quando há muitas sondagens disponíveis, é possível tentar, com os controlos apropriados, detectar tendências. Mas quando há poucas, e ainda por cima com a dispersão que estas têm, o melhor é estar calado (mas veja-se como sou suficientemente tonto para não resistir no final deste post). E basta olharmos para o que se passou em 2005 para percebermos que:

1. Não é de todo garantido que esta dispersão de resultados diminua à medida que nos aproximaremos do dia das eleições, como acontece noutras eleições e é normal que aconteça.

2. As discrepâncias entre as diferentes sondagens e aqueles que vêm a ser os resultados eleitorais não têm as explicações que muitas vezes lhes tendemos a atribuir.

3. As sondagens feitas em Lisboa são geralmente imprecisas, ponto.

Mas dito isto, se esta sucessão de resultados captasse "tendências" reais (e não uma miríade de outros factores causadores de variação), não me parece que esta sondagem venha assim em tanta contradição com as anteriores. Se olharmos com atenção, vemos:

1. Costa sobe (com Intercampus outlier);
2. Negrão sobe (com Aximage outlier);
3. Carmona e Roseta descem.
4. Ruben sobe.

Ficavam surpreendidos com o esmorecer do entusiasmo nos candidatos independentes e com o reforço do voto partidário à medida que a campanha avança? Mas porquê? (mas isto não fui eu que disse)

by Pedro Magalhães

O chavismo e as sondagens: uma troca de e-mails

Posted June 22nd, 2007 at 1:05 pm4 Comments

No artigo de hoje apresentas uma sondagem sobre o apoio da populacao a Chávez, e como costumas ser tão rigoroso há algo que tenho de perguntar, tendo em conta as grandes disparidades sociais que existem na Venezuela. Como foi feita tal sondagem? Telefonicamente? Nas zonas ricas? pobres? Misto? Sinceramente, e tendo em conta toda a problemática/dualidade da sociedade venezuelana, sinto que seja quase impossível ser feita uma sondagem imparcial. Não terá sido também esta encomendada pelos media, estando estes claramente alinhados a um tipo de resposta? No fim, rematas com "É em momentos como este que as minhas dúvidas existenciais sobre a contribuição das sondagens para a democracia se dissipam completamente. Depois voltam, mas o momento é de aproveitar."Achas que este tipo de sondagem contribui de que forma para a democracia? Ou, a que te referes quando falas de democracia?
Nota: não acho grande piada ao Chávez, embora ache interessante muito do que ele anda a fazer pela Venezuela, por isso não consideres isto um mail de apoio incondicional ao Chávez, mas apenas o que é, uma série de dúvidas.

Na verdade, concedo facilmente que o caso da Venezuela (e possivelmente o de muitas outras "semi-democracias" ou "semi-autoritarismos") é um bom exemplo de como as sondagens tendem a ser objecto de forte manipulação. Já relatei isso no caso da Venezuela há uns meses atrás, e confesso que não sei o suficiente sobre o panorama político da Venezuela para conseguir navegar com segurança por este mar de acusações mútuas.

Mas sei o seguinte: no referendo de 15 de Agosto 2004, o resultado final foi 59/41, favorável ao Não, ou seja, como saberás, favorável a Chávez. A Datos, em Junho, estava a dar 51/39, o que redistribuindo dá 57/43. É um resultado muito próximo do final, e favorável a Chávez. Tomei isto, conciliado agora com os resultados desfavoráveis a Chávez, como indicação de que estamos perante uma empresa minimamente séria. Isto pode não chegar, mas é a indicação que tenho, e não me parece má.

Agora, é certo que a sondagem - e deveria ter mencionado isso no post - não foi feita a uma amostra nacional mas sim a uma amostra da população residente nas 8 maiores cidades, representando apenas 1/3 da população do país. Mas a amostra, como verás, tem uma maioria de inquiridos dos estratos sociais mais baixos. Assim, mesmo com algumas precauções, e especialmente tendo em conta resultados tão expressivos, acho que se pode dizer com alguma segurança que as últimas medidas de Chávez estão a ser mal recebidas pela população.

Finalmente, por que é que contribui para a democracia? Se não conhecêssemos estes resultados, aquilo que saberíamos da vontade do povo seria apenas aquilo que Chávez e os seus opositores teriam para nos dizer. E tendo em conta que Chávez vem silenciando os opositores, seria provavelmente apenas a versão do primeiro. Mas com esta sondagem, sabemos algo mais, e melhor.


Eu dei uma vista de olhos no powerpoint da sondagem, mas, não conhecendo a realidade "socio-geografica" do país não consigo ter opinião sobre a justeza dos sítios escolhidos. Tenho algumas dificuldades em acreditar que consigamos saber o que se passa na Venezuela através de sondagens, e penso, ao contrário do que dizes, que muito do que nos chega, é pelo contrario, contrario a Chávez, e não oriundo deste ou do estado/máquina estatal venezuelana. Como podemos nós compreender um pais claramente do 3º mundo, com problemas gravíssimos de fome, miséria, degradação social em todos os aspectos? É-me muito difícil criticar Chávez a nível das medidas, quando o vejo (pode ser apenas aparente) a efectivar medidas que melhoram as condições de vida dos extractos mais baixos. É-me difícil criticar Chávez por fechar um canal de televisão que se dedicava 24/24 a criticas absolutamente destrutivas, e quantas vezes mentirosas contra o estado (inclusive dentro das telenovelas, com todo o controlo social que isso implica). Qual seria a reacção do estado português a uma SIC ou TVI que participasse activamente num golpe de estado, e em milhentas iniciativas para derrubar o estado? Penso que não seja a liberdade de expressão que esteja em causa, mas sim algo diferente.

by Pedro Magalhães

Lisboa, Aximage, 20 Junho

Posted June 22nd, 2007 at 10:58 am4 Comments

Mais uma sondagem, aqui. O quadro completo:

by Pedro Magalhães

O chavismo já teve melhores dias

Posted June 21st, 2007 at 5:41 pm4 Comments

Venezuela, Datos, 8-10 Junho, Telefónica e Presencial, N=600

¿En que grado está usted de acuerdo con la medida tomada por el gobierno nacional de no renovar la concesión a RCTV?
Muy de Acuerdo/De Acuerdo: 20,4%
Ni de Acuerdo ni en Desacuerdo: 12,2%
Muy en Desacuerdo/ En desacuerdo: 66,9%

¿Usted estaría de acuerdo con la salida del aire de Globovisión?
Si:17,2%
No: 75,2%
Nr: 7,7%

En vista de las manifestaciones estudiantiles que se han llevado a cabo en el país recientemente, ¿qué opinión le merece la actitud de los estudiantes?
Muy bien: 29,7%
Bien: 26,5%
Regular: 19,3%
Mal: 15,3%
Muy mal: 8,5%
No sabe/No responde: 0,7%

¿Piensa usted que el cierre de RCTV atenta contra la libertad de expresión en Venezuela?
Si: 56,5%
No: 36,3%
Ns/Nr: 7,2%

Resultados completos aqui. É em momentos como este que as minhas dúvidas existenciais sobre a contribuição das sondagens para a democracia se dissipam completamente. Depois voltam, mas o momento é de aproveitar.

by Pedro Magalhães

Reagan II?

Posted June 20th, 2007 at 12:06 pm4 Comments

Atentem neste gráfico retirado do Political Arithmetik:

O que este gráfico mostra, simplesmente, é que Fred Thompson, ex-senador do Tennessee e actor no Law and Order, ultrapassou McCain nas sondagens para as primárias do Partido Republicano. E Thompson não é sequer ainda (oficialmente) candidato. Reagan II à vista.

by Pedro Magalhães

Boa pergunta

Posted June 19th, 2007 at 3:57 pm4 Comments

A que é colocada aqui sobre a popularidade do Primeiro Ministro. Como sabem os leitores deste blogue, não tenho dados suficientes para dar resposta. A não ser para dizer:

1. Apesar dos valores absolutos serem diferentes, as sondagens Eurosondagem e Marktest parecem reflectir tendências semelhantes, como se vê aqui.

2. Das quatro sondagens que regularmente medem a apreciação do Primeiro-Ministro, apenas a Eurosondagem o coloca, em termos absolutos, num patamar claramente positivo. As restantes não o fazem: aqui, aqui e aqui. E isto independentemente das intenções de voto maioritárias no PS (expressas, de resto, por pouco mais de metade das amostras, o que não sucede com a avaliação do PM). E apesar das dúvidas sobre o impacto do caso Independente, apesar de a pouco e pouco, à medida que resultados sucessivos após Março inferiores à média anterior se vão sucedendo, esse impacto negativo me parecer cada vez mais inquestionável.

3. Continuo a suspeitar que algumas das diferenças radicam na heterogeneidade dos questionários, da formulação das perguntas e da opções de resposta.

by Pedro Magalhães