Pedro Magalhães

Margens de Erro

O povo é quem mais ordena

Posted June 19th, 2007 at 9:57 am4 Comments

Católica, 13 de Maio de 2007, N= 1337, Aleatória, Face-a-face

Acha que já há condições para tomar uma decisão definitiva ou que se devia fazer mais estudos sobre a localização do novo aeroporto?

Já há condições para uma decisão: 19%
Devia-se fazer mais estudos: 47%
Não sabe: 32%
Não responde: 1%

by Pedro Magalhães

Outlier: A frase do ano (pelo menos)

Posted June 15th, 2007 at 5:33 pm4 Comments

Lisboa, Intercampus

Posted June 15th, 2007 at 10:51 am4 Comments

A sondagem divulgada hoje no Público é interessante porque usa inquirição presencial e simulação de voto em urna, permitindo confrontar resultados obtidos com essa metodologia com os anteriores (onde se fizeram sondagens telefónicas). Há alguns elementos de informação que a notícia não faculta, tais como os resultados brutos ou as opções de amostragem. O que temos é o seguinte:




Confirma-se Costa na frente (mas dúvida sobre com que vantagem) e Carmona abaixo de Negrão. Roseta bastante abaixo de valores anteriores e Ruben e Sá Fernandes bastante acima.

by Pedro Magalhães

A mão no bolso

Posted June 15th, 2007 at 10:23 am4 Comments

O melhor resumo da minha comunicação na Gulbenkian, no ciclo Estado do Mundo, aqui.

by Pedro Magalhães

O Presidente, o Congresso as Primárias

Posted June 15th, 2007 at 9:43 am4 Comments

Ponto de situação, no indispensável Political Arithmetik. Destaques:

1. Bush no ponto mais baixo de popularidade de sempre;

2. Declínio no apoio ao Congresso, especialmente para Republicanos mas também para os Democratas;

3. Pessimismo generalizado e crescente sobre a direcção do país;

4. Surpresa nas primárias Republicanas: McCain e Giuliani em declínio, Fred Thompson - ex-senador do Tennessee - a subir. Para quem não esteja bem a ver de quem se trata, pode clicar aqui e garanto que ficará surpreendido.

5. Menos surpresas nas primárias do Partido Democrata: Obama e Clinton estabilizam (depois de subida do primeiro e descida da segunda), mas Gore sobe nas sondagens...

by Pedro Magalhães

Um aeroporto em sítio nenhum

Posted June 14th, 2007 at 6:01 pm4 Comments

Correio da Manhã, "início do mês", N=?, provavelmente telefónica

Não é necessário novo aeroporto: 49,6%
É necessário novo aeroporto: 40,1%

Onde?
Margem Sul: 36,7%
Ota: 23,5%

by Pedro Magalhães

Um aeroporto no deserto

Posted June 12th, 2007 at 6:09 pm4 Comments

TVI, Intercampus, 11 Junho, N=605, Telefónica, nacional

Preferência por localização do novo aeroporto
"Margem Sul": 48,4%
Ota: 16,9%
Outros: 3,1%
Ns/Nr: 31,6%

O que vale a quem, como eu, trabalha nesta actividade, é que há sempre mais de metade dos inquiridos que em qualquer sondagem e em qualquer pergunta têm sempre opinião sobre seja o que for. Que Deus os guarde.

Mais a sério, este é um dos grandes temas do estudo da opinião pública: como as pessoas exprimem opiniões na base de reduzidíssima informação e sem qualquer (aparente) base racional. E até que ponto decisões como essas podem, de facto, ser "racionais". Um número inteiro de uma revista dedicado ao assunto: aqui.

by Pedro Magalhães

4,7%, 0 deputados

Posted June 12th, 2007 at 11:47 am4 Comments

Procuro não me repetir, mas tenho desta vez o pretexto de estar a repetir o que outros disseram:

"Ce qui est remarquable concernant ce vote utile, c'est que Nicolas Sarkozy a composé avec l'électorat habituel du Front National à l'instar de ce que François Mitterrand avait réussi à faire avec le parti communiste en 1981. Nous sommes quasi dans le même contexte aujourd'hui qu'en 1981 - à l'exception des convictions politiques des deux hommes." (Gérard Grunberg, Director de pesquisa no CEVIPOF)

by Pedro Magalhães

França, legislativas

Posted June 11th, 2007 at 11:00 am4 Comments

Com o andar da carruagem, confesso que me fui desinteressando das legislativas francesas, pela aparente previsibilidade da coisa. Pelos vistos, não fui o único: a abstenção ontem terá andado pelos 39,5%. Em 2002, aliás, o valor foi parecido, o que faz das duas últimas legislativas as eleições com maior abstenção na história da democracia francesa. Se nos recordarmos da elevada participação nas presidenciais, ficamos com a confirmação daquilo que já se sabe há muito tempo: o papel fundamental das instituições e dos contextos políticos na explicação da participação eleitoral.

O quadro seguinte mostra as últimas sondagens e os resultados com 98% dos inscritos. Correram razoavelmente bem, com alguma sobrestimação do partido de Bayrou.





by Pedro Magalhães

Controvérsia sobre a sondagem Data Crítica, 2

Posted June 6th, 2007 at 3:25 pm4 Comments

Num post anterior, mencionei uma queixa que o PND tinha feito sobre uma sondagem da Data Crítica, alegando que, nessa sondagem, os inquiridos tinham sido confrontados com uma lista de candidatos mas que, no caso do PND, o nome do candidato tinha sido omitido, e alegando esse facto revela "falta de precisão rigor e objectividade, constituindo uma violação do princípio da igualdade de tratamento das várias candidaturas."

No comentário que fiz, assinalei que:

1. A ser verdade o que está na queixa do PND e a não ser um mero lapso na aplicação do guião, mencionar todos os cabeças de lista menos os de um partido não me parecia boa ideia;

2. E que, a ser verdade o que está na queixa do PND e a não ser um mero lapso na aplicação do guião, não mencionar os partidos dos cabeças de lista também não me parecia boa ideia.

Recebi um e-mail da Data Crítica, do qual transcrevo o excerto relevante. Permito-me apenas sublinhar os pontos que têm relação directa quer com a queixa do PND quer com os meus comentários anteriores. Farei alguns comentários adicionais no final.

"1) As perguntas relacionadas com as intenções de voto não foram inicialmente colocadas pelo entrevistador de forma assistida. Isto é, a pergunta foi inicialmente apresentada ao inquirido com a formulação da pergunta, não sendo sugerida ou proposta qualquer opção de resposta. Caso o inquirido indicasse espontaneamente um candidato, ou força partidária, a sua opção era assinalada pelo inquiridor. Caso o inquirido não soubesse, ou hesitasse, na resposta sobre o candidato, era lida a lista de candidatos que consta do questionário. Alguns dos comentários efectuados baseiam-se no pressuposto de que a lista de candidatos foi inicialmente lida, na sondagem realizada pela Data Crítica, a todos inquiridos – o que não é correcto.

Não foi identificado qualquer caso, no decurso da supervisão realizada, em que a lista de candidatos tenha sido lida inicialmente pelo inquiridor, no momento da primeira formulação da pergunta. Não foi obviamente objecto de supervisão post hoc a chamada específica em que a queixa se baseia, devido aos princípios e normas de anonimato e confidencialidade estabelecidos. Consideramos, contudo, que o cenário mais provável corresponderá a uma resposta equívoca ou hesitante, por parte do inquirido, sobre a sua intenção de voto, no momento da primeira formulação da pergunta – cujas eventuais motivações não nos compete procurar interpretar;

2) A lista de candidatos incluída no questionário identifica, para além do nome do cabeça de lista, as forças partidárias através das quais os candidatos apresentam as listas, ou a situação de candidatura independente. Não consideramos, por esse motivo, que seja de todo aplicável à sondagem realizada pela Data Crítica o comentário segundo o qual terão sido identificadas “as opções com o nome do cabeça de lista sem mencionar o partido”;

3) No caso do Partido da Nova Democracia (PND) foi, efectivamente, incluída no questionário a força política, não sendo mencionado o primeiro candidato da lista. Esta opção foi tomada devido ao facto de a entrega da candidatura no Tribunal e a apresentação da candidatura terem sido efectuadas no dia 28 de Maio – dia em que teve início a recolha de informação – e de não ter sido localizada informação que permitisse estabelecer de forma inequívoca que a lista do PND seria encabeçada pelo Dr. Manuel Monteiro – inclusivamente no jornal online do PND. Uma vez que o questionário é preparado e finalizado com antecedência, a entrega da candidatura do PND e a sua apresentação pública surgiram depois de a preparação da recolha de informação se encontrar concluída. Foi, na altura, avaliada a possibilidade de incluir a referência ao candidato, mas tal operação só poderia ser efectuada a meio do processo de recolha. Considerámos, por um conjunto de motivos que poderemos vir a detalhar, caso esta questão venha a merecer debate adicional, mais adequado manter a formulação original. Esta opção é baseada em critérios metodológicos e não tem evidentemente por objectivo introduzir qualquer distorção no princípio da igualdade de tratamento de candidaturas."


Em síntese, temos que:

1. Segundo a Data Crítica, "caso o inquirido não soubesse, ou hesitasse, na resposta sobre o candidato, era lida a lista de candidatos que consta do questionário, e "a lista de candidatos incluída no questionário identifica, para além do nome do cabeça de lista, as forças partidárias através das quais os candidatos apresentam as listas, ou a situação de candidatura independente." Segundo o PND, naquele inquérito concreto, "em seguida foram-lhe apresentados os nomes dos candidatos independentes Carmona Rodrigues e Helena Roseta e os nomes dos candidatos apresentados pelo PS, PSD, CDS, BE, CDU e PCTP/MRPP", ou seja, depreende-se, a lista fornecida continha apenas os nomes dos candidatos. Logo, houve um erro: ou errou o PND na descrição do sucedido, ou errou o inquiridor da Data Crítica que aplicou o questionário àquele inquirido em concreto.

2. Confirma-se que, no caso do PND, apenas o partido foi usado para descrever a opção, e não o nome do candidato. A Data Crítica dá a sua explicação do sucedido.

3. Último ponto, o que para mim é relevante: toda a gente parece ter a noção da enorme importância da formulação das perguntas e da potencial sensibilidade dos resultados a essa formulação.

by Pedro Magalhães