Pedro Magalhães

Margens de Erro

França, legislativas

Posted June 11th, 2007 at 11:00 am4 Comments

Com o andar da carruagem, confesso que me fui desinteressando das legislativas francesas, pela aparente previsibilidade da coisa. Pelos vistos, não fui o único: a abstenção ontem terá andado pelos 39,5%. Em 2002, aliás, o valor foi parecido, o que faz das duas últimas legislativas as eleições com maior abstenção na história da democracia francesa. Se nos recordarmos da elevada participação nas presidenciais, ficamos com a confirmação daquilo que já se sabe há muito tempo: o papel fundamental das instituições e dos contextos políticos na explicação da participação eleitoral.

O quadro seguinte mostra as últimas sondagens e os resultados com 98% dos inscritos. Correram razoavelmente bem, com alguma sobrestimação do partido de Bayrou.





by Pedro Magalhães

Controvérsia sobre a sondagem Data Crítica, 2

Posted June 6th, 2007 at 3:25 pm4 Comments

Num post anterior, mencionei uma queixa que o PND tinha feito sobre uma sondagem da Data Crítica, alegando que, nessa sondagem, os inquiridos tinham sido confrontados com uma lista de candidatos mas que, no caso do PND, o nome do candidato tinha sido omitido, e alegando esse facto revela "falta de precisão rigor e objectividade, constituindo uma violação do princípio da igualdade de tratamento das várias candidaturas."

No comentário que fiz, assinalei que:

1. A ser verdade o que está na queixa do PND e a não ser um mero lapso na aplicação do guião, mencionar todos os cabeças de lista menos os de um partido não me parecia boa ideia;

2. E que, a ser verdade o que está na queixa do PND e a não ser um mero lapso na aplicação do guião, não mencionar os partidos dos cabeças de lista também não me parecia boa ideia.

Recebi um e-mail da Data Crítica, do qual transcrevo o excerto relevante. Permito-me apenas sublinhar os pontos que têm relação directa quer com a queixa do PND quer com os meus comentários anteriores. Farei alguns comentários adicionais no final.

"1) As perguntas relacionadas com as intenções de voto não foram inicialmente colocadas pelo entrevistador de forma assistida. Isto é, a pergunta foi inicialmente apresentada ao inquirido com a formulação da pergunta, não sendo sugerida ou proposta qualquer opção de resposta. Caso o inquirido indicasse espontaneamente um candidato, ou força partidária, a sua opção era assinalada pelo inquiridor. Caso o inquirido não soubesse, ou hesitasse, na resposta sobre o candidato, era lida a lista de candidatos que consta do questionário. Alguns dos comentários efectuados baseiam-se no pressuposto de que a lista de candidatos foi inicialmente lida, na sondagem realizada pela Data Crítica, a todos inquiridos – o que não é correcto.

Não foi identificado qualquer caso, no decurso da supervisão realizada, em que a lista de candidatos tenha sido lida inicialmente pelo inquiridor, no momento da primeira formulação da pergunta. Não foi obviamente objecto de supervisão post hoc a chamada específica em que a queixa se baseia, devido aos princípios e normas de anonimato e confidencialidade estabelecidos. Consideramos, contudo, que o cenário mais provável corresponderá a uma resposta equívoca ou hesitante, por parte do inquirido, sobre a sua intenção de voto, no momento da primeira formulação da pergunta – cujas eventuais motivações não nos compete procurar interpretar;

2) A lista de candidatos incluída no questionário identifica, para além do nome do cabeça de lista, as forças partidárias através das quais os candidatos apresentam as listas, ou a situação de candidatura independente. Não consideramos, por esse motivo, que seja de todo aplicável à sondagem realizada pela Data Crítica o comentário segundo o qual terão sido identificadas “as opções com o nome do cabeça de lista sem mencionar o partido”;

3) No caso do Partido da Nova Democracia (PND) foi, efectivamente, incluída no questionário a força política, não sendo mencionado o primeiro candidato da lista. Esta opção foi tomada devido ao facto de a entrega da candidatura no Tribunal e a apresentação da candidatura terem sido efectuadas no dia 28 de Maio – dia em que teve início a recolha de informação – e de não ter sido localizada informação que permitisse estabelecer de forma inequívoca que a lista do PND seria encabeçada pelo Dr. Manuel Monteiro – inclusivamente no jornal online do PND. Uma vez que o questionário é preparado e finalizado com antecedência, a entrega da candidatura do PND e a sua apresentação pública surgiram depois de a preparação da recolha de informação se encontrar concluída. Foi, na altura, avaliada a possibilidade de incluir a referência ao candidato, mas tal operação só poderia ser efectuada a meio do processo de recolha. Considerámos, por um conjunto de motivos que poderemos vir a detalhar, caso esta questão venha a merecer debate adicional, mais adequado manter a formulação original. Esta opção é baseada em critérios metodológicos e não tem evidentemente por objectivo introduzir qualquer distorção no princípio da igualdade de tratamento de candidaturas."


Em síntese, temos que:

1. Segundo a Data Crítica, "caso o inquirido não soubesse, ou hesitasse, na resposta sobre o candidato, era lida a lista de candidatos que consta do questionário, e "a lista de candidatos incluída no questionário identifica, para além do nome do cabeça de lista, as forças partidárias através das quais os candidatos apresentam as listas, ou a situação de candidatura independente." Segundo o PND, naquele inquérito concreto, "em seguida foram-lhe apresentados os nomes dos candidatos independentes Carmona Rodrigues e Helena Roseta e os nomes dos candidatos apresentados pelo PS, PSD, CDS, BE, CDU e PCTP/MRPP", ou seja, depreende-se, a lista fornecida continha apenas os nomes dos candidatos. Logo, houve um erro: ou errou o PND na descrição do sucedido, ou errou o inquiridor da Data Crítica que aplicou o questionário àquele inquirido em concreto.

2. Confirma-se que, no caso do PND, apenas o partido foi usado para descrever a opção, e não o nome do candidato. A Data Crítica dá a sua explicação do sucedido.

3. Último ponto, o que para mim é relevante: toda a gente parece ter a noção da enorme importância da formulação das perguntas e da potencial sensibilidade dos resultados a essa formulação.

by Pedro Magalhães

Popularidade Sócrates

Posted June 5th, 2007 at 6:27 pm4 Comments

Sondagens Marktest e Eurosondagem; no eixo y, percentagem de opiniões positivas subtraída de opiniões negativas; linha de referência vertical indica antes e depois do caso Independente.

by Pedro Magalhães

Um problema sem solução (simples), 2

Posted June 5th, 2007 at 9:36 am4 Comments

Nuno Guedes enviou-me (obrigado) três artigos seus publicados no Expresso que falam deste mesmo assunto. Alguns excertos:

"Recenseamento: 1,5 milhões de votos trocados
Os portugueses devem votar no local da sua residência habitual. Um milhão e meio de eleitores estão em situação irregular face à actual lei do recenseamento eleitoral, garante o Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE), responsável pela organização de eleições e referendos. Há sete anos, quando a legislação mudou e passou a exigir que a residência habitual do eleitor fosse a que está no bilhete de identidade, o número, resultante do cruzamento do recenseamento com o registo civil, chegava aos três milhões, recorda Jorge Miguéis, director-geral do STAPE.

Os eleitores mal recenseados tinham cinco anos para fazer a mudança, mas o prazo caducou em 2004 e a lei não deixou qualquer meio ou sanção para regularizar estes casos. ‘‘Alertámos o Ministério da Administração Interna para a situação, que na altura considerou a legislação irrealista’’, conta o responsável, que explica: ‘‘Não houve meios para fazer cumprir a lei. Seriam necessárias milhões de notificações’’.

Em 2005, ano de autárquicas e legislativas, um terço dos 308 concelhos do país tinha dez ou mais por cento de eleitores quando comparado com a população residente segundo o Instituto Nacional de Estatística. Sobretudo, no interior centro e norte do continente (distritos de Bragança, Castelo Branco, Guarda, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu) e Madeira. Votos que em cerca de 80 municípios eram suficientes para alterar o vencedor das eleições autárquicas.

Na capital, a situação é semelhante, mas por perda de população para a periferia. Lisboa tem mais 90 mil eleitores do que pessoas a viver na cidade - Carmona Rodrigues ganhou a autarquia por 45 mil votos. No Porto, a situação é igual - 37 mil recenseados a mais. Nos concelhos à volta, a situação inverte-se e a população com mais de 18 anos é quase sempre bastante superior aos inscritos para votar. ‘‘Lisboa perdeu mais de um habitante por hora nos últimos 10 anos’’, recorda Fernando Seara, presidente da Câmara de Sintra, que tem um défice de 65 mil eleitores no concelho."


"Sócrates vive em Lisboa mas vota na Covilhã
Há duas décadas que José Sócrates vive em Lisboa, desde que foi eleito deputado, pela primeira vez, em 1987. Na declaração de rendimentos entregue no Tribunal Constitucional, desde 1999 que a única morada apresentada pelo primeiro-ministro fica na capital, rua Castilho.
Sem respostas, o Expresso perguntou aos colaboradores mais directos de José Sócrates por que continua a votar na Covilhã e que residência tem no bilhete de identidade, que deveria corresponder à sua morada habitual. Em São Bento a ausência de resposta foi justificada pela falta de tempo do primeiro-ministro."

by Pedro Magalhães

Um problema sem solução (simples)

Posted June 4th, 2007 at 10:30 am4 Comments

Já repararam como, entre os concelhos da Grande Lisboa, as diferenças entre o nº de eleitores inscritos no recenseamento eleitoral e as estimativas da população com 18 ou mais anos são, elas próprias, muito diferentes entre si?

Por exemplo: a 31 de Dezembro de 2006, havia 266.655 eleitores inscritos no concelho de Sintra, incluindo cidadãos da União Europeia e outros estrangeiros residentes com capacidade eleitoral. Contudo, em finais de 2005, a estimativa provisória intercensitária de residentes no concelho de Sintra com 18 ou mais anos andava pelos 330.000. Muito mais residentes que inscritos.

E no concelho de Lisboa? Os mesmos dados apontam para 525.043 inscritos. Mas ao contrário de Sintra, onde há mais residentes que inscritos, em Lisboa é o inverso: a estimativa de residentes aponta para 440.000.

Esqueçamos a discrepância de um ano entre estimativa e recenseamento, dado que ela é comum aos dois concelhos. Se repetiram esta operação consistentemente para todos os concelhos da Grande Lisboa, vão verificar que, com a excepção de Cascais e Lisboa, há mais residentes que inscritos em todos os concelhos. Isto é curioso, dado que contraria o padrão que se julga existir no resto do país (mais inscritos que residentes). E Cascais é muito menos excepção que Lisboa, dado que o nº de inscritos e residentes é quase o mesmo. Só em Lisboa há uma enorme discrepância entre inscritos e residentes e a favor dos inscritos.

Já perceberam onde isto nos leva, não já? Há muita gente inscrita em Lisboa que já não reside em Lisboa. E se não perceberam bem a implicação disto, eu digo: quando uma sondagem escolhe nºs de telefone de domicílios no concelho de Lisboa, ou quando se faz uma sondagem presencial pelas ruas das freguesias de Lisboa, há muitos inscritos cuja probabibilidade de serem seleccionados para responder à sondagem é nula, porque eles não residem no concelho.

E se eles vierem votar na mesma? E se os que vêm votar forem tendencialmente diferentes dos votantes que residem em Lisboa? Bonito serviço.

by Pedro Magalhães

Controvérsia sobre a sondagem Data Crítica

Posted June 4th, 2007 at 9:38 am4 Comments

Mini-controvérsia instalada por causa da sondagem da Data Crítica que menciono no post anterior. O PND enviou uma queixa à CNE e à ERC:

No passado dia 29 de Maio, a Dra. Maria Augusta Montes, por coincidência membro da Direcção do Partido da Nova Democracia foi inquirida no âmbito da realização de uma sondagem telefónica pela empresa Datacrítica, com vista às próximas eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa. A pergunta relativa à intenção de voto foi-lhe formulada nos seguintes termos: “Se as eleições fossem hoje em qual destes candidatos votaria?”. Em seguida foram-lhe apresentados os nomes dos candidatos independentes Carmona Rodrigues e Helena Roseta e os nomes dos candidatos apresentados pelo PS, PSD, CDS, BE, CDU e PCTP/MRPP e em seguida foi-lhe apresentada a opção “representante da Nova Democracia”, omitindo o nome do candidato à Presidência da CML apresentado pelo Partido da Nova Democracia, o Dr. Manuel Monteiro.

Começo já por dizer - full disclosure - que tenho um amigo na Data Crítica. Mas também que não falei com ele sobre isto. Quatro comentários:

1. Pode ter sido um problema de aplicação deficiente, por um inquiridor concreto, do guião da entrevista.

2. Se não foi esse o caso, não parece boa ideia que, na listagem da série de opções de voto, sejam identificadas algumas pelo nome do cabeça de lista e outra sem esse nome.

3. Independentemente disso, também não me parece boa ideia - pelo menos neste fase - identificar as opções com o nome do cabeça de lista sem mencionar o partido. Os partidos são uma pista fundamental para que os eleitores tomem decisões, e nesta fase inicial omitir o partido parece-me dar um estímulo deficiente e demasiado irrealista ao eleitor, pressupondo que ele sabe mais do que aquilo que realmente sabe. Mais tarde, quando os candidatos forem conhecidos e a sua ligação a partidos também, poderá já não fazer diferença.

4. E independentemente de tudo isto, por aqui se vêem as limitações das sondagens: com muitas opções, é preciso reduzir a lista de alguma forma, ou a pergunta deixa de ser compreensível. Quem se lembra de uma lista lida oralmente com 12 ou mais opções? Os "pequenos partidos" é que sofrem. Talvez por isto também os resultados das sondagens só tendam a convergir uns com os outros no final de uma campanha: neste momento, as sondagens captam apenas as opções daqueles que já as tomaram e que, quando se lhes lê a lista, estão só à espera de ouvir a opção que corresponde à decisão já tomada. Para os outros, o pressuposto de que, numa sondagem, se está a colocar as pessoas perante um contexto "realista" de tomada de decisão e que através dele se capta de forma fiável essa decisão, é dificilmente sustentável.

by Pedro Magalhães

Lisboa, Data Crítica, 29 de Maio

Posted June 1st, 2007 at 1:58 pm4 Comments

Foi divulgada mais uma sondagem sobre as intercalares de Lisboa, pela Data Crítica para o Diário Económico. Quem quiser saber as intenções de voto escusa de ir ler a notícia publicada no Diário Económico - pelo menos a da versão online - porque elas não estão lá. Mas a Data Crítica fez a amabilidade de me enviar esses resultados, que também terão sido enviados para a ERC. Aqui estão eles:



É cedo para detectar tendências consistentes e muito menos para presumir que estaremos próximo do que sucederá dia 15. Mas não há dúvidas sobre a liderança de Costa, e começam a sedimentar-se três ideias adicionais:

- Nas sondagens mais recentes, Carmona está, afinal, atrás de Negrão;

- Ruben de Carvalho e Sá Fernandes sofrem a bem sofrer com a presença de Roseta;

- Telmo Correia vai ter de fazer um esforço muito grande para que alguém se aperceba da sua existência.

by Pedro Magalhães

Shameless, shameless plugs (mas um não)

Posted May 31st, 2007 at 12:31 pm4 Comments


1. Lançamento de um livro intitulado Eleições e Cultura Política, editado pela Imprensa de Ciências Sociais, e organizado por André Freire, Marina Costa Lobo e este vosso criado. Vão apresentar o livro Pedro Tavares de Almeida, do Departamento de Estudos Políticos da Nova, e Manuel Meirinho Martins, do ISCSP. É no dia 4 de Junho, às 17.45h, no ICS.

2. Ainda mais "shameless": passei a ser o coordenador do Curso de Mestrado em Política Comparada do ICS, agora na sua 5ª edição. Suspeito que alguns dos visitantes deste blogue são potenciais candidatos e não queria que a informação lhes passasse ao lado. É um mestrado "científico", ou seja, não pretende ser uma mera repetição ou extensão das coisas que andaram a ouvir no 1º ciclo em Ciência Política (e muito menos se o curso tiver sido outro). É muito voltado para a investigação, com tutores individuais e acompanhamento directo de concepção e execução de projectos. O Rui Ramos deu-me há dias uma boa definição. Este Mestrado está para os Estudos Políticos como os cursos de "creative writing" estão para a Literatura: "hands on".
O plano de estudos está aqui, o corpo docente aqui, e há ainda a somar a estes mais vinte investigadores portugueses e estrangeiros que vêm leccionar seminários especializados e módulos de cadeiras, quase todos já confirmados. Escrevam se quiserem saber mais coisas.

3. Um plug que não é para mim: Jorge Camões tem um dos blogues temáticos mais interessantes da blogosfera portuguesa, BizViz, sobre visualização de informação. O Jorge está a pensar promover um curso sobre análise gráfica de informação. Eu tenciono inscrever-me. Há muita gente que, se não tenciona, devia.

4. E logo ao fim da tarde, na Gulbenkian, integrado no Estado do Mundo, algumas considerações sobre o que significa fazer "ciência" na Ciência Política.

E já chega.

by Pedro Magalhães

"Conseguir o Impossível"

Posted May 30th, 2007 at 3:59 pm4 Comments

Vale a pena ler o livro sobre a campanha de Manuel Alegre às presidenciais, tal como também valia a pena ler o livro de Filipe Santos Costa sobre a campanha de Soares (e não é por este blogue ser mencionado em ambos).

São dois produtos muito diferentes. O livro sobre Soares é uma reportagem jornalística, o livro sobre Alegre é uma obra colectiva, escrita por pessoas ligadas à campanha. Mas o capítulo de Helena Roseta ("Uma candidatura pioneira"), apesar dos enviesamentos compreensíveis, serve como reportagem da pré-campanha e campanha tal como vista pelo lado da candidatura de Alegre, tem muita informação factual e está uma coisa que me parece realmente bem feita. Os capítulos de António Pina Ferreira - sobre o financiamento - e de Nuno David - sobre a campanha na Net - são também muito informativos. E há o capítulo de Luis Moita sobre "A estratégia de campanha eleitoral de Manuel Alegre", que é de especial interesse para apreciar semelhanças e diferenças com que se vai passar por aqui. O resto do livro é mais soft e interessa mais aos fiéis da crença.

Temas "quentes" não há muitos, a não ser alguns elementos adicionais da intriga em torno da escolha de candidato por parte do PS, acusações bastante explícitas de manipulação dos resultados de sondagens feitas à Eurosondagem e um alegado acordo "implícito" entre Soares e o PCP e o BE. Mas há também uma janela, nos vários textos, para a mundividência e para o tipo de discurso político que está por detrás deste tema do "poder dos cidadãos", de que havemos ouvir falar mais vezes . E há outra coisa que me interessa pessoalmente: a enorme importância que as sondagens divulgadas publicamente parecem ter, não tanto (directamente) para o comportamento do eleitorado, mas sim para o interior das próprias campanhas, aumentando o ânimo ou o desânimo, dando a percepção de objectivos atingidos ou por atingir, afectando estratégias e, logo, afectando a capacidade de mobilização dessas campanhas e a sua eficácia. Uma sondagem em particular, feita pela Católica e divulgada no dia 7 de Janeiro, parece ter sido um momento charneira nas candidaturas Soares e Alegre, para além, claro, do impacto da "tracking poll" da Marktest. Feita a constatação, não sei bem o que deva ficar a pensar sobre o assunto.

Em resumo, independentemente do que achemos disto tudo, publicar livros destes após eleições é um bom hábito, que seria bom que não se perdesse.

by Pedro Magalhães

Outlier: Resistance is Futile

Posted May 30th, 2007 at 2:34 pm4 Comments

Paul Wolfowitz demitiu-se da presidência do Banco Mundial. George W. Bush nomeou Robert Zoellick. O Público faz uma breve resenha biográfica. Mas esqueceu-se do fundamental: a participação de Zoellick num grupo auto-designado "Os Vulcanos", que desenhou a política externa de Bush enquanto candidato nas eleições de 2000 e preservou a sua influência nos anos que se seguiram.

Composição dos Vulcanos: Condoleezza Rice, Richard Armitage, Robert Blackwill, Stephen Hadley, Richard Perle, Dov Zakheim e Paul Wolfowitz, para além do próprio Zoellick. Há um livro sobre eles, e um artigo recente do Chicago Tribune.

by Pedro Magalhães