Pedro Magalhães

Margens de Erro

Lisboa

Posted May 26th, 2007 at 2:36 pm4 Comments

Três sondagens divulgadas publicamente - Marktest, Eurosondagem e Católica - as três presumindo cenário com candidatura de Carmona. Os resultados são estes:



Confirma-se, por um lado, que de nada serve comparar resultados brutos de diferentes sondagens. Reparem na diferença entre a abstenção declarada na sondagem da Católica (23%) com a declarada na Marktest (3.2%), ao passo que a Eurosondagem nem a reporta. Diferentes normas de divulgação de resultados e, provavelmente, diferentes questionários - com a Marktest provavelmente a colocar o "não voto" como opção residual numa pergunta de intenção de voto e a Católica a fazer uma pergunta-filtro sobre probabilidade de votar - fazem com que esses resultados nem sejam comparáveis.

Olhando para as "estimativas" - ou seja, os resultados das sondagens expressos de forma a serem comparáveis entre si e com resultados eleitorais - há diferenças importantes. António Costa aparece com mais de 30% das intenções de voto válidas nas três, mas no que se segue há uma grande confusão. Carmona com 20% na Marktest, 17% na Eurosondagem e 14% na Católica; Negrão a ir na direcção oposta (12, 15 e 18%, respectivamente), e Roseta com 17, 16 e 13%.

É muito cedo para tirar grandes conclusões. As sondagens foram feitas em momentos em que não havia ainda confirmação de Carmona e, mesmo depois dessa confirmação, duvido que os eleitores tenham ainda bem arrumado na sua cabeça quem são estas pessoas, a que partido (não) pertencem e, afinal, a que vêm.

by Pedro Magalhães

Outlier: Inimigo Público

Posted May 25th, 2007 at 12:31 pm4 Comments

Uma pessoa sabe que atingiu um ponto particular na sua carreira e percurso de vida quando lhe acontece uma coisa destas. Se é o zénite ou o nadir é que é mais difícil saber.

by Pedro Magalhães

Portugal é Lisboa e o resto é paisagem

Posted May 25th, 2007 at 10:16 am4 Comments

Alertado por um leitor e blogger, gostaria de chamar a vossa atenção para esta notícia da edição online do jornal Sol, onde se relatam os resultados de uma sondagem realizada a uma amostra representativa dos eleitores residentes em Portugal Continental, e onde o PS surge com 46,8% das intenções de voto válidas. O título da notícia resume "Sondagens dão maioria ao PS na Câmara de Lisboa". Errar é humano. Mas se há ministros que não deviam fazer discursos depois do almoço, há jornalistas que não deviam escrever notícias antes do pequeno-almoço.

P.S.- 12.03h. No Sol já se corrigiu o título.

by Pedro Magalhães

Posted May 22nd, 2007 at 6:04 pm4 Comments

Um comentário muito pouco "científico": há uma frase muito citada, atribuída a Getúlio Vargas: "para os amigos, tudo; para os inimigos, a lei". Penso sempre nisso quando vejo os portugueses assim destacados em estudos de opinião

by Pedro Magalhães

Legislativas, França, 22 Maio

Posted May 22nd, 2007 at 2:00 pm4 Comments

by Pedro Magalhães

Prémio

Posted May 22nd, 2007 at 11:38 am4 Comments

Um blogue ganhou um prémio de uma associação académica, mais concretamente o prémio Warren J. Mitofsky de Inovação concedido pela Associação Americana para a Pesquisa de Opinião Pública. É o www.pollster.com, que junta os esforços de Mark Blumenthal (do antigo Mystery Pollster) e de Charles Franklin (do Political Artithmetik). Poucos prémios são tão merecidos. Congratulations.

by Pedro Magalhães

Lisboa: legislativas e autárquicas

Posted May 21st, 2007 at 12:20 pm4 Comments

Só para irmos pensando: a comparação entre o resultado do partido de governo nas eleições legislativas e na eleição subsequente para a câmara municipal, sempre no concelho de Lisboa. Quando há coligações num lado (governo) ou noutro (câmara), comparam-se os resultados das somas dos partidos que as compõem. O que importa é que o partido de governo esteja sempre de um lado e do outro.



Partidos de governo ou coligações contendo partidos de governo têm sempre, no concelho de Lisboa, piores resultados nas autárquicas do que nas legislativas precedentes, com duas excepções: as eleições separadas por dias ou poucos meses: 1979 e 1985. As "punições" maiores sofridas pelo governo, se quisermos chamar-lhes assim - 1991/1993 e 2005 - foram sofridas por partidos que governavam sozinhos e concorreram sozinhos à câmara de Lisboa.

Isto encaixa muito bem com a ideia de que as autárquicas são eleições de "segunda-ordem":

- por serem vistas como menos importantes do que as legislativas, dão incentivos a que potenciais apoiantes do governo as usem para exprimir a sua insatisfação;

- insatisfação a exprimir é menor em períodos de "lua de mel" governamental: autárquicas realizadas pouco depois das legislativas têm menor ou nula punição. 2005 parece excepção, e é. Mas a "lua de mel" deste governo socialista durou pouco ou, se quisermos, o resultado excepcionalmente baixo de 2005 em Lisboa dá a medida de quão mal correu a campanha ao PS;

- também por serem vistas como menos importantes, autrárquicas retiram incentivos para voto estratégico nos maiores partidos. Daí, dir-se-ia, a razão pela qual as punições do governo são "mitigada" com coligações.

Mas cuidado com a extracção de implicações para 15 de Julho:

1. Estas eleições estão rodeadas de maior dramatização do que é habitual: candidato do PS é ex-membro destacado do governo;
2. Eleições atípicas em comparação com as outras autárquicas.

Mas é só para irmos pensando.

by Pedro Magalhães

Lisboa

Posted May 21st, 2007 at 11:42 am4 Comments

Só para se ir pensando:


1.

Legislativas de 1999 (Outubro), soma de votos válidos PS/CDU no concelho de Lisboa: 50,3%

Autárquicas de 2001 (Dezembro), soma de votos válidos PS/CDU em Lisboa: 41,5%


2.

Legislativas de 2005 (Fevereiro), votos válidos PS no concelho de Lisboa: 42,5%

Autárquicas de 2005 (Outubro), votos válidos PS em Lisboa: 26,6%

by Pedro Magalhães

Legislativas, França, 21 Maio

Posted May 21st, 2007 at 10:56 am4 Comments


by Pedro Magalhães

It’s not what you say, it’s what people hear

Posted May 18th, 2007 at 11:08 am4 Comments

"LPM trabalha campanha do PS à Câmara de Lisboa" (Jornal de Negócios)

"Agora, em Lisboa, estaremos perante um caso de "renovar o sonho" ou algo de parecido? Não. Andamos à procura do rigor, da ambição, da exigência. Somos vizinhos dos espanhóis, mas vivemos em estados de espírito diferentes." (Luis Paixão Martins, ontem, no seu blogue).


Do Público (Nuno Ferreira Santos)

Por mero acaso, ontem estava a ler uma recensão na New York Review of Books de um livro de Frank Luntz, o ex-"spinmeister" do Partido Republicano (que esteve em Portugal há uns anos, no ICS, quando o ICS ficava num corredor do ISCTE) e, agora, dos Conservadores no Reino Unido. Só o título do livro, Words That Work: It's Not What You Say, It's What People Hear, é todo um programa.

by Pedro Magalhães