Pedro Magalhães

Margens de Erro

Sego-Sarko, a 30 de Abril

Posted April 30th, 2007 at 9:48 am4 Comments

Três novas sondagens: TNS, IFOP e IPSOS. As três convergem mais ou menos nos mesmos resultados: Sarkozy 52-52,5%; Royal 47,5-48%. Mas nenhuma ainda capta qualquer potencial efeito do debate Royal/Bayrou.


A evolução das intenções de voto em Sarko para a 2ª volta:



E os mesmos dados, agora por instituto.


Os dados disponíveis confirmam que tudo se joga na captação do eleitorado Bayrou. Segundo a IPSOS, à volta de 70% (as margens de erro para estas sub-amostras são elevadas e por isso não vale a pena ter grandes precisões) dos eleitores da esquerda do PS e de Le Pen votam, respectivamente, em Royal e Sarkozy. Mas os eleitores de Bayrou estão divididos, com ligeira vantagem para Royal. O Le Monde tem um gráfico divertido: o "bayroumètre", onde se mostram os esforços de cada candidato para atraír o eleitorado Bayrou.



by Pedro Magalhães

Ségo-Bayrou

Posted April 28th, 2007 at 7:11 pm4 Comments

Esteve para não haver debate, mas depois sempre houve. Está aqui.

by Pedro Magalhães

Sarko, 2ª volta, a 28 de Abril

Posted April 28th, 2007 at 6:11 pm4 Comments


by Pedro Magalhães

A 1ª volta e meia

Posted April 26th, 2007 at 2:08 pm4 Comments

2ª volta

Posted April 26th, 2007 at 10:43 am4 Comments

Nem sempre sucede, e quando sucede pode não ser pelas razões que pensamos. Mas a verdade é que, nestas eleições francesas, colocar os eleitores perante o cenário de Sarkozy vs. Royal na segunda volta e o facto de Sarkozy vs. Royal na segunda volta não parece fazer diferença. As sondagens antes e depois do dia 22 (à esquerda e à direita da linha de referência vertical no gráfico seguinte) não mostram mudanças.

by Pedro Magalhães

Sarkozy e Mitterrand

Posted April 24th, 2007 at 2:38 pm4 Comments

"Ce qui est remarquable concernant ce vote utile, c'est que Nicolas Sarkozy a composé avec l'électorat habituel du Front National à l'instar de ce que François Mitterrand avait réussi à faire avec le parti communiste en 1981. Nous sommes quasi dans le même contexte aujourd'hui qu'en 1981 - à l'exception des convictions politiques des deux hommes. Nicolas Sarkozy a réussi à régler le problème sur sa droite, reste désormais à se focaliser sur le centre. Le problème avait, en partie, été réglé avec la création de l'UMP en 2002 mais reste à l'actuel candidat de la droite parlementaire de terminer de le résoudre pour accéder à la présidence de la République." (Gérard Grunberg, Director de pesquisa no CEVIPOF)

Os analistas franceses adoram estes paralelismos históricos, e é bom quando, uma vez por outra, eles fazem sentido.

by Pedro Magalhães

Outlier (and shameless plug, in a way)

Posted April 24th, 2007 at 1:02 pm4 Comments

Os cientistas sociais que andem por aí não se devem esquecer de que o ICS, onde trabalho, vai atribuir um prémio "destinado a galardoar obras de excepcional qualidade que contribuam, de forma decisiva, para o conhecimento da realidade portuguesa, histórica ou contemporânea" publicadas entre 1 de Janeiro de 2002 e 31 de Dezembro de 2006, o Prémio Sedas Nunes.

O júri é constituído pelo Presidente do Conselho Científico do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (Jorge Vala) e por Carlos Fortuna (Coimbra), Diogo Lucena (Nova), Francisco Bethencourt (King’s College), José Ramón Montero (Autónoma de Madrid e Juan March), Maria Benedicta Monteiro (ISCTE), Robert Fishman (Notre Dame e Pompeu Fabra) e Robert Rowland (ISCTE).

Não se acanhem. Sempre são 20.000 euros.

Eu não posso concorrer, antes de mais porque ajudei a escolher o júri, mas também porque não tenho ideia de ter escrito "obra de excepcional qualidade" no período em questão. Maybe next time..

by Pedro Magalhães

"L’indécision est en partie une création des sondages"

Posted April 23rd, 2007 at 3:12 pm4 Comments

Um artigo interessante, já com duas semanas, no Le Monde, sobre a forma como a "indecisão" nas sondagens é "estimulada" nos inquéritos pelos próprios institutos, de forma a se protegerem dos erros e terem sempre justificação para o caso de as suas estimativas de afastarem na realidade.

Interessante, mas com dois erros um bocado a dar para o fatal. O primeiro vem quando o politólogo entrevistado diz que o que se passa na realidade é que os inquiridos ocultam o seu comportamento dos inquiridores, "e é por isso que as sondagens à boca das urnas falham também". Isso seria interessante se fosse verdade, mas não é, como se pode ver por aqui e muitos outros exemplos em posts neste mesmo blogue, em vários países.

O segundo vem quando o entrevistado afirma que está demonstrado que os inquiridos não se recordam "exactamente" de quanto tomaram uma decisão. Certo, mas a verdade é que nenhum inquérito pergunta a um eleitor "quando exactamente tomou" uma decisão. O que dá são intervalos de tempo relativamente amplos, e que funcionam, de resto, como uma escala ordinal entre "há muito" e "há pouco" tempo. E há carradas de artigos que mostram como os eleitores que se posicionam em diferentes pontos dessa escala são diferentes uns dos outros, e ainda por cima de maneiras previsíveis (mais ideologizados, com maior fidelidade partidária e mais sofisticados aqueles que tomam decisões antes).

O artigo também foi publicado na edição portuguesa do Courrier International.

by Pedro Magalhães

O futuro

Posted April 23rd, 2007 at 9:54 am4 Comments

Há muita informação para digerir. Alguns resultados das sondagens à boca das urnas ou das telefónicas conduzidas ontem (muito mais interessantes e completas do que aquelas que se fazem em Portugal, que estão geralmente interessadas única e exclusivamente nas estimativas de voto) são animadores para Ségolène. Por exemplo, a CSA (agora dá para desconfiar um bocado, mas enfim) fez uma sondagem com amostra de1005 inquiridos, telefónica, conduzida na noite de ontem, em que mostra a intenção de voto futura de acordo com a passada:


Eleitores Bayrou: 45% Ségo, 19% Sarko, 16% abstenção.

Eleitores Le Pen: 60% Sarko, 19% Ségo, 21% abstenção.

A concentração de eleitores Le Pen em Sarkozy é muito menor do que se poderia esperar, ao passo que Ségolène domina entre os eleitores Bayrou.
Mas estes resultados não conferem com os de outros institutos. O IFOP sugere que os votos Bayrou se dividem, neste momento, entre 54% para Sarko e 46% para Ségo, com 83% dos votos Le Pen a irem para Sarko. Uma diferença enorme para os resultados da CSA. E mesmo com os resultados da CSA, Ségo continua abaixo de Sarko nas intenções de voto para a 2ª volta. Aliás, todas as sondagens de intenção de voto na 2ª volta conduzidas ontem (à direita da linha de referência vertical) dão-na abaixo de 50%:


Seja como for, há muito caminho para percorrer. Atente-se nisto: nas sondagens à boca das urnas conduzidas ontem, a percentagem de eleitores que disseram ter decidido em quem votar na última semana andou pelos 30% (BVA), 34% (CSA) e 36% (IPSOS). Cerca de um em cada três dos que votaram ontem terão tomado a sua decisão na última semana. É obra.

by Pedro Magalhães

2º rescaldo

Posted April 23rd, 2007 at 9:36 am4 Comments

Ora bem. Pegando na última sondagem divulgada de cada instituto de opinião, calculando o desvio absoluto entre cada estimativa para cada um dos quatro principais candidatos e aqueles que foram os resultados finais, e calculando a média desses desvios, chegamos à coluna a vermelho:



Todos subestimaram Sarkozy, todos sobrestimaram Le Pen, todos sobrestimaram o peso dos pequenos candidatos. A IPSOS, a TNS e a BVA foram as que andaram mais próximo. Houve algumas avarias na CSA, ao contrário do que se tinha passado em 2002. A IPSOS apostou muitíssimo nestas eleições, especialmente com a tracking poll, e está a compensar. E, se me permitem, queria chamar a atenção para o facto de que este desempenho das sondagens não ser superior ao verificado, por exemplo, nas presidenciais em Portugal em 2006.

Nas sondagens à boca das urnas, tudo normal:

by Pedro Magalhães