Pedro Magalhães

Margens de Erro

Interlúdio

Posted May 4th, 2007 at 2:15 pm4 Comments

"Alberto João Jardim disse que as sondagens que lhe são maioria absoluta são um truque da oposição. O candidato afirmou, no último comício antes das eleições, que os adversários esperam que o povo da Madeira acredite que as eleições estão ganhas e que, assim, não vão votar.", aqui.

Déja vu all over again, como diria o inigualável Yogi Berra.

by Pedro Magalhães

Madeira

Posted May 3rd, 2007 at 11:21 pm4 Comments

As sondagens que conheço sobre as eleições na Madeira são as seguintes:


(clique para aumentar)

Creio que amanhã será divulgada outra.

Como se vê, algumas discrepâncias importantes. Não admira. Para além de sondagens serem sondagens e não serem previsões, etc. e tal, há duas coisas nestas eleições que me causam maior incerteza sobre a relação entre estas estimativas e os que possam vir a ser os resultados do dia 6.

Primeiro, a enorme vantagem do incumbent, factor que costuma gerar desmobilização por certeza de vitória e passagem de voto útil para voto sincero (a segunda potencialmente agravada pela mudança no sistema eleitoral).

A segunda é o próprio contexto social, mediático e político da Madeira. Nunca tivemos, na Católica, tantas recusas para responder a uma simples simulação de voto em urna como aqui na Madeira: 1/3 de todos os contactados. E há quem pergunte - garanto-vos - se depois de responderem à sondagem têm de ir votar na mesma no dia 6 ou se "já está", ou mesmo "o que é isso de uma sondagem?". Realmente, o hábito de responder a sondagens não existe, e há, por outro lado, uma opção política que é de tal forma dominante que quem a não partilha parece hesitar em declará-lo. Digo eu, porque uma recusa é uma recusa é uma recusa, sabe-se lá o que quer dizer. Mas não deve ser por acaso que a percentagem de recusas seja maior quanto menos "laranja" é a freguesia...

Em resumo, fazer sondagens aqui é outra coisa. Seja como for, as dificuldades são iguais para todos. Vamos ver no que isto dá...

by Pedro Magalhães

Sego-Sarko, a 30 de Abril

Posted April 30th, 2007 at 9:48 am4 Comments

Três novas sondagens: TNS, IFOP e IPSOS. As três convergem mais ou menos nos mesmos resultados: Sarkozy 52-52,5%; Royal 47,5-48%. Mas nenhuma ainda capta qualquer potencial efeito do debate Royal/Bayrou.


A evolução das intenções de voto em Sarko para a 2ª volta:



E os mesmos dados, agora por instituto.


Os dados disponíveis confirmam que tudo se joga na captação do eleitorado Bayrou. Segundo a IPSOS, à volta de 70% (as margens de erro para estas sub-amostras são elevadas e por isso não vale a pena ter grandes precisões) dos eleitores da esquerda do PS e de Le Pen votam, respectivamente, em Royal e Sarkozy. Mas os eleitores de Bayrou estão divididos, com ligeira vantagem para Royal. O Le Monde tem um gráfico divertido: o "bayroumètre", onde se mostram os esforços de cada candidato para atraír o eleitorado Bayrou.



by Pedro Magalhães

Ségo-Bayrou

Posted April 28th, 2007 at 7:11 pm4 Comments

Esteve para não haver debate, mas depois sempre houve. Está aqui.

by Pedro Magalhães

Sarko, 2ª volta, a 28 de Abril

Posted April 28th, 2007 at 6:11 pm4 Comments


by Pedro Magalhães

A 1ª volta e meia

Posted April 26th, 2007 at 2:08 pm4 Comments

2ª volta

Posted April 26th, 2007 at 10:43 am4 Comments

Nem sempre sucede, e quando sucede pode não ser pelas razões que pensamos. Mas a verdade é que, nestas eleições francesas, colocar os eleitores perante o cenário de Sarkozy vs. Royal na segunda volta e o facto de Sarkozy vs. Royal na segunda volta não parece fazer diferença. As sondagens antes e depois do dia 22 (à esquerda e à direita da linha de referência vertical no gráfico seguinte) não mostram mudanças.

by Pedro Magalhães

Sarkozy e Mitterrand

Posted April 24th, 2007 at 2:38 pm4 Comments

"Ce qui est remarquable concernant ce vote utile, c'est que Nicolas Sarkozy a composé avec l'électorat habituel du Front National à l'instar de ce que François Mitterrand avait réussi à faire avec le parti communiste en 1981. Nous sommes quasi dans le même contexte aujourd'hui qu'en 1981 - à l'exception des convictions politiques des deux hommes. Nicolas Sarkozy a réussi à régler le problème sur sa droite, reste désormais à se focaliser sur le centre. Le problème avait, en partie, été réglé avec la création de l'UMP en 2002 mais reste à l'actuel candidat de la droite parlementaire de terminer de le résoudre pour accéder à la présidence de la République." (Gérard Grunberg, Director de pesquisa no CEVIPOF)

Os analistas franceses adoram estes paralelismos históricos, e é bom quando, uma vez por outra, eles fazem sentido.

by Pedro Magalhães

Outlier (and shameless plug, in a way)

Posted April 24th, 2007 at 1:02 pm4 Comments

Os cientistas sociais que andem por aí não se devem esquecer de que o ICS, onde trabalho, vai atribuir um prémio "destinado a galardoar obras de excepcional qualidade que contribuam, de forma decisiva, para o conhecimento da realidade portuguesa, histórica ou contemporânea" publicadas entre 1 de Janeiro de 2002 e 31 de Dezembro de 2006, o Prémio Sedas Nunes.

O júri é constituído pelo Presidente do Conselho Científico do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (Jorge Vala) e por Carlos Fortuna (Coimbra), Diogo Lucena (Nova), Francisco Bethencourt (King’s College), José Ramón Montero (Autónoma de Madrid e Juan March), Maria Benedicta Monteiro (ISCTE), Robert Fishman (Notre Dame e Pompeu Fabra) e Robert Rowland (ISCTE).

Não se acanhem. Sempre são 20.000 euros.

Eu não posso concorrer, antes de mais porque ajudei a escolher o júri, mas também porque não tenho ideia de ter escrito "obra de excepcional qualidade" no período em questão. Maybe next time..

by Pedro Magalhães

"L’indécision est en partie une création des sondages"

Posted April 23rd, 2007 at 3:12 pm4 Comments

Um artigo interessante, já com duas semanas, no Le Monde, sobre a forma como a "indecisão" nas sondagens é "estimulada" nos inquéritos pelos próprios institutos, de forma a se protegerem dos erros e terem sempre justificação para o caso de as suas estimativas de afastarem na realidade.

Interessante, mas com dois erros um bocado a dar para o fatal. O primeiro vem quando o politólogo entrevistado diz que o que se passa na realidade é que os inquiridos ocultam o seu comportamento dos inquiridores, "e é por isso que as sondagens à boca das urnas falham também". Isso seria interessante se fosse verdade, mas não é, como se pode ver por aqui e muitos outros exemplos em posts neste mesmo blogue, em vários países.

O segundo vem quando o entrevistado afirma que está demonstrado que os inquiridos não se recordam "exactamente" de quanto tomaram uma decisão. Certo, mas a verdade é que nenhum inquérito pergunta a um eleitor "quando exactamente tomou" uma decisão. O que dá são intervalos de tempo relativamente amplos, e que funcionam, de resto, como uma escala ordinal entre "há muito" e "há pouco" tempo. E há carradas de artigos que mostram como os eleitores que se posicionam em diferentes pontos dessa escala são diferentes uns dos outros, e ainda por cima de maneiras previsíveis (mais ideologizados, com maior fidelidade partidária e mais sofisticados aqueles que tomam decisões antes).

O artigo também foi publicado na edição portuguesa do Courrier International.

by Pedro Magalhães