Pedro Magalhães

Margens de Erro

O futuro

Posted April 23rd, 2007 at 9:54 am4 Comments

Há muita informação para digerir. Alguns resultados das sondagens à boca das urnas ou das telefónicas conduzidas ontem (muito mais interessantes e completas do que aquelas que se fazem em Portugal, que estão geralmente interessadas única e exclusivamente nas estimativas de voto) são animadores para Ségolène. Por exemplo, a CSA (agora dá para desconfiar um bocado, mas enfim) fez uma sondagem com amostra de1005 inquiridos, telefónica, conduzida na noite de ontem, em que mostra a intenção de voto futura de acordo com a passada:


Eleitores Bayrou: 45% Ségo, 19% Sarko, 16% abstenção.

Eleitores Le Pen: 60% Sarko, 19% Ségo, 21% abstenção.

A concentração de eleitores Le Pen em Sarkozy é muito menor do que se poderia esperar, ao passo que Ségolène domina entre os eleitores Bayrou.
Mas estes resultados não conferem com os de outros institutos. O IFOP sugere que os votos Bayrou se dividem, neste momento, entre 54% para Sarko e 46% para Ségo, com 83% dos votos Le Pen a irem para Sarko. Uma diferença enorme para os resultados da CSA. E mesmo com os resultados da CSA, Ségo continua abaixo de Sarko nas intenções de voto para a 2ª volta. Aliás, todas as sondagens de intenção de voto na 2ª volta conduzidas ontem (à direita da linha de referência vertical) dão-na abaixo de 50%:


Seja como for, há muito caminho para percorrer. Atente-se nisto: nas sondagens à boca das urnas conduzidas ontem, a percentagem de eleitores que disseram ter decidido em quem votar na última semana andou pelos 30% (BVA), 34% (CSA) e 36% (IPSOS). Cerca de um em cada três dos que votaram ontem terão tomado a sua decisão na última semana. É obra.

by Pedro Magalhães

2º rescaldo

Posted April 23rd, 2007 at 9:36 am4 Comments

Ora bem. Pegando na última sondagem divulgada de cada instituto de opinião, calculando o desvio absoluto entre cada estimativa para cada um dos quatro principais candidatos e aqueles que foram os resultados finais, e calculando a média desses desvios, chegamos à coluna a vermelho:



Todos subestimaram Sarkozy, todos sobrestimaram Le Pen, todos sobrestimaram o peso dos pequenos candidatos. A IPSOS, a TNS e a BVA foram as que andaram mais próximo. Houve algumas avarias na CSA, ao contrário do que se tinha passado em 2002. A IPSOS apostou muitíssimo nestas eleições, especialmente com a tracking poll, e está a compensar. E, se me permitem, queria chamar a atenção para o facto de que este desempenho das sondagens não ser superior ao verificado, por exemplo, nas presidenciais em Portugal em 2006.

Nas sondagens à boca das urnas, tudo normal:

by Pedro Magalhães

Primeiro rescaldo

Posted April 22nd, 2007 at 9:21 pm4 Comments

Amanhã veremos a coisa com calma, mas o essencial sobre como as sondagens se portaram está aqui.

O futuro? Um bom sítio para começar é o site da IPSOS, especialmente nos resultados completos de uma sondagem conduzida hoje pelo telefone. Muitas pistas interessantes, que analisaremos nos próximos dias.

by Pedro Magalhães

Photo finish

Posted April 20th, 2007 at 6:20 pm4 Comments

Bem, ao que parece a IPSOS, pelo menos, ainda vai lançar dar uns números adicionais cá para fora, mas seria estranho que variassem muito dos anteriores. Os gráficos finais com as tendências:



Sim, estão a ver bem. "Ele" é o único que sobe.


Actualização:
CSA, 20-4, N=1002:
Sarko: 26,5%
Ségo: 25,5%
Le Pen: 16,5%
Bayrou: 16%
IPSOS, 20-4, N=1598
Sarko: 30%
Ségo: 23,5%
Bayrou: 17%
Le Pen: 13,5%
Há uns sondageiros que vão ficar muito mal dispostos no dia 22. A questão é, quais?

by Pedro Magalhães

França: a recta final

Posted April 20th, 2007 at 9:53 am4 Comments

Não sei se haverá mais sondagens durante o dia de hoje, mas é provável que a coisa fique por aqui. O quadro que se segue mostra as quatro sondagens de intenção de voto cujo trabalho de campo é mais recente (terminado ontem):



A CSA está cheia de incertezas sobre a ordem dos candidatos do ponto de vista das intenções de voto actuais, ao contrário do que sucede com as outras. Mas convém notar que, em 2002, a CSA nem foi quem se saiu pior: sobrestimou Jospin, como toda a gente, e subestimou Le Pen, como toda a gente. Mas a TNS-Sofres subestimou ainda mais Le Pen e a IPSOS teve resultados muito parecidos com os da CSA. Dia 22 pode, afinal, trazer surpresas.

by Pedro Magalhães

França, 19 Abril

Posted April 19th, 2007 at 9:48 am4 Comments

As últimas sondagens, desta vez bem arrumadinhas: uma de cada instituto.

by Pedro Magalhães

Um blogue brasileiro

Posted April 18th, 2007 at 10:23 am4 Comments

O Margens de Erro recomenda o Margem de Erro. Há espaço para todos.

Um destaque possível: "No Sex Please: We're Japanese".

by Pedro Magalhães

França, 18 Abril

Posted April 18th, 2007 at 9:38 am4 Comments

As sondagens mais recentes:



A tendência Sarko:


A tendência Ségo:


A tendência Bayrou:


Tendência Sarko, 2ª volta:

by Pedro Magalhães

O outro divino Marquês

Posted April 16th, 2007 at 4:46 pm4 Comments

Segundo as sondagens, Bayrou ganharia quer a Sarkozy quer a Royal numa segunda volta. Isto sucede porque, para além de ser a primeira preferência de um em cada cinco eleitores, ele é também a segunda preferência de muitos eleitores de Sarkozy e muitos eleitores de Royal. Contudo, como há mais eleitores cujas primeiras preferências são Sarkozy ou Royal, Bayrou pode não passar à segunda volta. Logo, apesar de haver uma maioria de eleitores que prefere Bayrou a Sarkozy, e uma maioria de eleitores que prefere Bayrou a Royal, Bayrou não será - a acreditar nas sondagens - presidente. O problema, de resto, já tinha sido detectado há mais de 200 anos por outro francês, que inventou um método para resolvê-lo. Mas não é assim que vai ser.

by Pedro Magalhães

França

Posted April 16th, 2007 at 12:42 pm4 Comments

Estamos a menos de uma semana. Desde o dia 10, inclusivé, foram terminados os trabalhos de recolha de sete sondagens de intenções de voto nas presidenciais, de cinco institutos diferentes (todos os habituais menos a Louis-Harris, cujo último trabalho ainda é do dia 7).

Podemos começar por olhar para as médias das intenções de voto nas últimas sondagens conduzidas por esses institutos, assim como para o valor máximo e mínimo estimados para cada candidato:

Sarkozy: 28% (entre 26 e 30%)
Ségolène: 24% (entre 23 e 26%)
Bayrou: 18% (entre 17 e 21%)
Le Pen: 14% (entre 12 e 15%)

Nenhum instituto põe em causa esta ordenação dos candidatos . O valor mais alto para Ségolène em qualquer sondagem é igual ao valor mais baixo obtido por Sarkozy, e os valores mais altos para Bayrou e Le Pen, respectivamente, inferiores aos valores mais baixos para Ségolène e Bayrou.

Mas para Ségo e Bayrou há ainda muita incerteza. De resto, o voto à direita parece ser o mais seguro. A IPSOS fornece os dados se uma segunda questão, em que é pedido àqueles que declaram uma intenção de voto que digam se essa intenção é definitiva ou pode mudar. A percentagem dos que declaram ser essa a sua intenção definitiva, para cada candidato, são os seguintes:

Le Pen: 86%
Sarkozy: 74%
Ségolène: 67%
Bayrou: 50%

Logo, pelos vistos, e previsivelmente, é na opções Royal e Bayrou que parece poder haver maior instabilidade até ao dia das eleições, o que. presumivelmente, pode dar para tudo. Bayrou a subir à conta de Royal ou, pelo contrário, Royal a subir à conta de Bayrou.

Há ainda os que não indicam intenções de voto: 17% na IPSOS, 7% no IFOP, 21% na CSA, 23% na TNS. Aqui tudo se complica, porque não é evidente dos relatórios o que isto mede: pessoas que têm intenção de votar mas não sabem ou não dizem em quem, ou abstencionistas declarados, ou ambos. Mas há um factor que joga a favor de que as estimativas de intenção de voto feitas neste momento se aproximem relativamente dos resultados finais, e que é a comparativamente baixa abstenção que estas eleições deverão ter: todos os indicadores de interesse pela campanha revelam mobilização superior à de 2002. Em 2002, a abstenção na 1ª volta foi de 28,2%.

by Pedro Magalhães