Pedro Magalhães

Margens de Erro

Ségo-Sarko

Posted February 22nd, 2007 at 1:49 pm4 Comments

Dois entusiasmos na imprensa:

1. Com Bayrou. A ideia é interessante, mas é também sintoma de falta de assunto.


2. Com uma possível recuperação de Ségolène após a performance televisiva, mas até agora detectada numa única sondagem, a amarelo, em baixo.





A seguir com atenção.

by Pedro Magalhães

A popularidade de Sócrates

Posted February 22nd, 2007 at 11:12 am4 Comments

Não venho dar mais uma contribuição para decifrar os "mistérios" da popularidade do Primeiro-Ministro, tema em voga nos jornais por estes dias. Venho apenas mostrar os dados. O próximo gráfico mostra a evolução do "saldo de popularidade" de Sócrates, ou seja, a percentagem de inquiridos que fazem uma avaliação positiva da sua actuação subtraída da percentagem daqueles que fazem uma evolução negativa. Como vêem...



1. A discrepância em termos absolutos entre os resultados da Eurosondagem e os da Marktest é enorme. Nos primeiros, Sócrates anda próximo de um saldo de 40 pontos positivos, e está hoje (ou melhor, estava no fim de Janeiro, quando foi feita a última sondagem) perto do "estado de graça" com que iniciou o mandato. Nos segundos, o saldo positivo é de apenas 8 pontos percentuais, tendo assim quase tantas pessoas a fazerem uma avaliação positiva como aquelas que fazem uma avaliação negativa da sua actuação, e estando muito longe dos mais de 30 pontos positivos com que iniciou o mandato. É o dia e a noite. Qualquer análise da "popularidade" de Sócrates tem de fazer uma escolha sobre em que dados confia. Pelos vistos, a maioria dos comentadores confia nos primeiros.

2. Mas é possível que se trate menos de uma questão de escolha daquilo em que se quer acreditar do que uma mera comparação com o líder da oposição. Nesse caso, percebe-se a ideia:

Mas mesmo assim, continuar a falar de um "estado de graça" do Primeiro Ministro ou do Governo, e basear esse diagnóstico nas sondagens, parece-me deslocado. O PS continua à frente das intenções de voto? Em 2001 também estava.

3. Disto isto, as tendências de evolução são semelhantes para os dois institutos. Para Sócrates, descida até às autárquicas de 2005, seguida de recuperação desde então, mais ou menos acidentada dependendo do instituto. Para Mendes, descida também desde chegada à liderança do partido, seguida de relativa estabilidade. Na Marktest, contudo, os últimos meses têm sido de acentuada degradação para Marques Mendes, e os resultados das sondagens pós-referendo não lhe serão certamente propícios.

by Pedro Magalhães

TNSEuroteste

Posted February 21st, 2007 at 6:21 pm4 Comments

Dia de embirrar com jornalistas? Talvez, peço já desculpa. Mas dizer que a TNSEuroteste é uma "empresa que dá os primeiros passos no mercado português" é uma afirmação, no mínimo, extravagante. A Euroteste existe desde 1988. Quando dirigida por Vidal de Oliveira, fez muitas sondagens eleitorais para os meios de comunicação social. Fez os inquéritos por questionário para vários projectos académicos que eu conheço bem, incluindo um de 2004 que, na parte portuguesa, coordenei no ICS. Faz, de há uns anos para cá, a componente portuguesa do Eurobarómetro. Tem feito, segundo o próprio PSD, vários trabalhos para o partido (não sei se continua a fazer ou não). Talvez o pormenor esteja no facto de ser há menos tempo parte do império TNS. Mas mesmo assim já pertence ao grupo desde, que eu saiba, 2000. Primeiros passos? Que disparate.

by Pedro Magalhães

Religiosidade e voto

Posted February 21st, 2007 at 3:27 pm4 Comments

Sei, por experiência própria, que pôr académicos a falar com jornalistas é coisa que, por vezes, dá mau resultado. Nuns casos porque os primeiros procuram preservar a complexidade dos seus argumentos de uma forma que os jornalistas não conseguem (ou não podem mesmo) reconstituir nas suas peças. Noutros porque, antecipando esse desfecho, são os próprios académicos que simplificam os seus argumentos de forma a que, no final, o que é dito já não faz justiça àquilo que sabem e acaba depois numa versão "abastardada" que, de resto, é consumida acriticamente como sendo a "voz da verdade". Nada disto é fácil.

Mas às vezes os jornalistas não ajudam. Começo por dizer que gosto bastante do António Marujo como jornalista, mas como é possível fazer um título destes - "O voto católico não existiu no referendo sobre o aborto" - na edição do Público do dia 18? Uma coisa é dizer que o comportamento de voto no passado referendo não teve como causa única a religiosidade subjectiva dos inquiridos ou a sua prática religiosa, ou, por outras palavras, que "'é redutor' ler uma coincidência entre o catolicismo e a vitória do 'não' a norte do Mondego" (que é aquilo que Helena Vilaça, afinal, diz, antes de ser perder um pouco com alguns casos isolados que não aquecem nem arrefecem). Como alguém já escreveu, "o mundo é multivariado", e os comportamentos humanos não fogem à regra.

Mas dizer que não existiu "um voto católico" no referendo é esticar a corda para além daquilo que a corda aguenta. Qual é a hipótese que se está a tentar refutar com o título da peça? A de que todos os católicos teriam votado "Não" no referendo? A de que o único factor que explicou o voto foi a religião? Mas pela cabeça de quem passariam ideias dessas?

Na verdade, a religiosidade ou a prática religiosa são ainda, entre as variáveis estruturais ou socio-demográficas, e num país onde a ancoragem social do voto é muito ténue, dos poucos preditores do voto que nos ajudam a distinguir os eleitores entre si em eleições legislativas (em particular os do PCP e do BE dos do PS e os do PP dos do PSD). E como já referi aqui, nas sondagens sobre intenções de voto, a religiosidade era um dos principais preditores do voto "Não". E como não? E que mal tem assumi-lo? Porquê procurar contornar o incontornável? Não percebi.

by Pedro Magalhães

"Abstenção técnica"

Posted February 16th, 2007 at 3:12 pm4 Comments

O último número da revista "Eleições", editada pelo Stape (.pdf 3.65MB) tem vários artigos interessantes, entre eles um da autoria de Paulo Machado e Carla Gomes, intitulado "Mudança Social em Portugal: Contributos para uma Interpretação Sumária com Recurso à Base de dados do Recenseamento Eleitoral".

O objectivo do artigo é outro. Mas de passagem, os autores comparam o apuramento do recenseamento eleitoral em 2001 (Abril) e 2005 (Dezembro) com o recenseamento populacional do INE de 2001 (Março) e as estimativas, também do INE, em 31/12/2005, respeitante à população residente com 18 ou mais anos. Para 2001, encontram uma diferença de 4,9%, a favor do RE, valor que eu tinha em mente quando escrevi isto. Contudo, para finais de 2005, esta diferença é estimada em 2,1%. Tudo isto tem de ser encarado com mil cuidados, vários deles explicados no artigo. Mas é possível, afinal, que o problema da abstenção técnica não seja tão grave como se menciona aqui (nem tão grave como eu próprio tenderia a pensar que era).

by Pedro Magalhães

Fadiga eleitoral, 2

Posted February 16th, 2007 at 1:35 pm4 Comments

Os meus apelos, pelos vistos, não produzem efeitos.

by Pedro Magalhães

Sobre a participação eleitoral em referendos

Posted February 16th, 2007 at 1:28 pm4 Comments

Depois de ler o que se foi escrevendo, cito, pela quarta ou quinta vez, este útil texto (.pdf):

One of the first issues that arises in comparing referendum and election campaigns is that of voter turnout. Evidence suggests that turnout can vary much more widely in referendums than it does in elections. In Switzerland, where referendums are commonplace events, turnout is generally well below 50%, and can sometimes be much lower (Kobach, 1993). It can however rise to considerably higher levels when a particular issue engages wide voter interest or when a more intense campaign is waged by interested groups. In U. S. state referendums, turnout is notoriously low, and can be subject to even more extreme fluctuations. Butler and Ranney (1994) found that turnout over a large number of referendum cases in various nations averaged fifteen percentage points lower than that found in general elections in the same countries. Cronin (1989) found a comparable rate of "drop-off" -- i.e. the difference between voting the candidate and propositions sections of the ballot -- in American state referendums.

However, there is no reason to believe that turnout in referendums is necessarily lower than that found in elections. The turnout in some of the more important European referendums has generally been comparable to that found in national elections (table 3), and turnout in the 1995 Quebec sovereignty referendum registered an astonishing 94%, higher than in any provincial or federal election. Other important referendums in which turnout registered higher than that of a comparable election (table 3) are the 1992 Canadian constitutional referendum (+5), the 1994 Norwegian EU membership referendum (+13), the 1993 Danish referendum on the Edinburgh agreement (+3), and the 1993 Russian referendums (+12, +5). But clearly, a referendum held separately on a less salient issue runs the risk of lower voter participation. The 1992 New Zealand referendum on electoral reform (-28), the Puerto Rico statehood plebiscites (-9, -12), the 1980 Swedish nuclear power referendum (-15), and the 1986 Spanish referendum on NATO (-11) are all cases in which turnout fell significantly below that of the most nearly comparable election."

Em resumo: pode ser alta, especialmente quando diz respeito a questões de "regime", mas é, em geral, mais baixa do que em eleições de "primeira ordem", como não podia deixar de ser.

by Pedro Magalhães

Ségo-Sarko (ultimamente mais Sarko que Ségo)

Posted February 15th, 2007 at 6:46 pm4 Comments


Agora com resultados da pergunta sobre 2ª volta, que é, afinal, o que realmente interessa...

by Pedro Magalhães

O mapa da "mudança" (será o termo?)

Posted February 14th, 2007 at 12:43 pm4 Comments


Elaborado pela Marktest, via Canhoto, subscrevendo o texto do post.

by Pedro Magalhães

Wishful thinking

Posted February 13th, 2007 at 3:37 pm4 Comments

De um amigo:

"Fiquei um pouco intrigado com o teu optimismo sobre as boas práticas relativamente aos eleitores potenciais. Vou ter que reler os jornais para ver o que me escapou. Explicação alternativa que me passou pela cabeça:

- os votantes efectivos foram um retrato do “sentimento” subjacente da população - o que seria óptimo para o SIM, porque reforçaria a legitimidade para continuar apesar de o referendo não ser vinculativo;

- ter havido, no caso presente, uma correlação mais forte do que é normal entre disposição a responder aos inquéritos e disposição a votar."


Pois é. Só me baseio no facto de, conhecendo algums inquéritos feitos, ter notado a existência de baterias de perguntas destinadas a modelar a probabilidade do voto, coisa que sempre achei ter merecido pouca atenção no passado. E de nas eleições de grande abstenção - europeias e referendos - a precisão das sondagens ter vindo a aumentar e o grau de dispersão entre resultados ter vindo a diminuir. Mas a verdade é que este último aspecto se correlaciona também com o facto do trabalho de campo, a partir de 2000, poder ser conduzido até mais tarde. Logo, a verdade é que não tenho realmente elementos que me permitam dizer que, se os resultados da maior parte das sondagens foram o que foram, foi porque quem fez os inquéritos conseguiu distinguir bem entre os votantes prováveis e os outros. Wishful thinking, reconheço.

by Pedro Magalhães