Pedro Magalhães

Margens de Erro

As últimas sondagens

Posted February 9th, 2007 at 10:41 am4 Comments

(Aditado no que respeita à TNSEuroteste)


Cá vamos nós. Relembrando as regras básicas:

1. Coloco apenas a informação publicada nos jornais ou que se pode inferir directamente dessa informação;

2. Nas "intenções directas de voto", excluo a abstenção declarada ou estimada da base de cálculo, deixando apenas intenções "Sim", "Não", e "Indecisos/Não respostas". Isto sucede porque, nalguns casos, os institutos apresentam valores para a abstenção declarada, enquanto noutros parece evidente que os valores apresentados resultam de uma estimativa que não sei como é feita em cada caso.

3. No caso da sondagem Intercampus, não posso fazer o que descrevo no ponto anterior, porque a peça no Público não apresenta a percentagem daqueles que, entre todos os inquiridos, disseram tencionar votar mas não saber ainda como. É possível que a questão nem tenha sido colocada assim, tendo em conta que no Público se divulgam os resultados das respostas a uma escala sobre "clareza do voto". É possível que esta escala tenha sido usada para ponderar os votos. Mas não sei.

4. A minha informação sobre a sondagem TNS Euroteste foi retirada de um despacho da Lusa e com a ajuda de uma amável jornalista que lá trabalha. Mas vou ainda hoje comprar o Sol - uma estreia - para confirmar.

5. Há quatro casos - Católica, Intercampus, Eurosondagem e TNSEuroteste - em que, para além das intenções directas de voto, são dadas na imprensa estimativas de votos válidos, invariavelmente partindo da pressuposição da abstenção dos indecisos. Apresento essas estimativas. No caso da Aximage, sou eu quem aplica essa pressuposição, com o mero fim analítico de tornar todas as sondagens comparáveis entre si e com os resultados eleitorais.


by Pedro Magalhães

Últimas sondagens: Eurosondagem

Posted February 8th, 2007 at 10:10 pm4 Comments

Aqui.

by Pedro Magalhães

Últimas sondagens: Intercampus e Católica

Posted February 8th, 2007 at 10:02 pm4 Comments

Aqui e aqui. Amanhã com mais calma...

by Pedro Magalhães

Últimas sondagens: Aximage

Posted February 8th, 2007 at 11:00 am4 Comments

Está aqui. A divulgação da ficha técnica ficou adiada para amanhã.

Sim: 52,6%
Não: 41,5%
Indecisos: 5,9%

Se, apenas para o fim de tornar esta sondagem comparável com outras e com resultados eleitorais, redistribuirmos os indecisos proporcionalmente pelas opções válidas, ficamos com 56% para o Sim e 44% para o Não. Em relação à anterior sondagem da Aximage, isto representa uma estabilização das intenções de voto.

Hoje haverá mais duas, pelo menos.

by Pedro Magalhães

Heresthetics

Posted February 7th, 2007 at 11:56 am4 Comments

Por estes dias, já só consigo pensar no grande William Riker.

" 'Democratic political outcomes (...) are an amalgamation that often operates quite personally and unfairly, giving special advantages to smarter or bolder or more powerful or more creative ot simply luckier participants' (Riker 1982, p. 200). The outgrowth of the indeterminacy Riker sees in democratic regimes is a type of political entrepeneurship he labels heresthetic. This is the art of creating successful coalitions by reframing alternatives, so that people are induced or compelled to join without necessarily being persuaded to the leader's point of view."

Linda L. Fowler, recensão de The Art of Political Manipulation


"The classic heresthetic is reducing or increasing dimensionality. Thus, when 'a person expects to lose on some decision, the fundamental heresthetical device is to divide the majority with a new alternative, one that he prefers to the alternative previously expected to win. (...) A pure heresthetic does not shape preferences but structures a situation so that other participants must act in a way that suits the heresthetician's interests even though the former's preferences remain unchanged."

Andrew Taylor, Stanley Baldwin, heresthetics and the realignment of British politics


"Advocates attempt to manipulate preferences in several ways. (...) However, the most frequently attempted manipulation - and the one to which advocates devote most of their creative energy and time - is the formulation and presentation of 'interpretations' of various policy proposals. (...) An 'interpretation' consists on a set of arguments about the consequences of the policy proposal. (...) The aim of each interpretation is to emphasize a dimension of judgement what will lead people to prefer on policy proposal over competing, alternative proposals."

Richard Lau et al, Political Beliefs, Policy Interpretations, and Political Persuasion.

by Pedro Magalhães

Sobre a importância do "centro" num referendo…

Posted February 5th, 2007 at 3:39 pm4 Comments

"Asked for their views in an opinion poll prior to or at an early stage of the campaign, the pragmatists might well have shown sympathy for change. However, these views would not have been particularly strongly held and would have been likely to be susceptible to change. In short, the hypothesis would be that the centrists or pragmatists swung from YES to NO over the course of the campaign because they were open to persuasion. (...) It is essential to take the intensity and salience of voters' (and non-voters) opinions into account and (...) these two features are likely to vary systematically depending on voters' proximity to the centre of the distribution of opinion."

Richard Sinnott, in Cleavages, parties and referendums: Relationships between representative and direct democracy in the Republic of Ireland.


"Another explanation for the no-side's success is that they were able to set the agenda and claim the middle ground. In this light, the Danish referendum seems to fit the patterm know as "the opinion reversal referendum". Canadian psephologist Larry LeDuc has found that the yes-side in a referendum often loses if the no-side captures the centre ground. (...) Therefore, while the government is often ahead when the referendum is called, the no-side often closes the gap - if it succeeds in appealing to the median voter."

Mads H. Qvortrup, in How to Lose a Referendum: the Danish Plebiscite on the Euro.

by Pedro Magalhães

Trend a 5 de Fevereiro

Posted February 5th, 2007 at 2:22 pm4 Comments


Regressão local (smoothing) aplicada à percentagem de votos "Sim" em estimativas de resultados eleitorais.

by Pedro Magalhães

Sondagem Aximage

Posted February 5th, 2007 at 2:10 pm4 Comments

Com a sondagem divulgada ontem, o quadro completo até ao momento fica assim:

by Pedro Magalhães

Reflexões irlandesas para o fim de semana

Posted February 2nd, 2007 at 12:47 pm4 Comments

Ando para aqui a reler umas coisas antigas sobre referendos, e reencontro um artigo que teria valido muito a pena ler em 1998 e que volta a ser útil agora. Para quem tiver acesso à B-On ou ao JSTOR , chama-se Referendum Dynamics and the Irish Divorce Amendment.

Para quem não tiver acesso ao artigo, é sobre o referendo de 1986 na Irlanda, onde se votou sobre o levantamento de uma proibição constitucional do divórcio. Os factos descrevem-se rapidamente: em Fevereiro e Abril de 1986, havia maiorias claras nas sondagens a favor do "Sim"; em Junho, o "Não" ganhou. Onde é que eu já ouvi isto?

Darcy e Laver discutem várias hipóteses explicativas desta mudança maciça de opinião, à luz de outros exemplos de "opinion reversal" em referendos nos Estados Unidos: referendos sobre a fluorização da água e de ratificação da Equal Rights Amendment. E concluem duas coisas sobre aquilo que faz com que uma aparente maioria na opinião pública antes de uma campanha possa ser convertida numa derrota eleitoral:

1. A primeira, negando a ideia de que os eleitores estavam "confusos", e sugerindo, pelo contrário, que tomaram uma decisão "racional" (sem que isto seja um juízo de valor) na base da maneira como o assunto acabou por lhe ser apresentado:

"Voters favoring a limited form of divorce but voting no may not have been confused at all. Rather, they could well have adopted these superficially contradictory positions because they were not certain that only a limited form of divorce could be maintained once the constitution was amended. And we should note that the allegedly inexorable drift that would take place toward 'divorce on demand' was another key plank in the campaign of the antis. (...) This suggests the shift away from support for the divorce amendment was a shift away from the details of one specific proposal, not a shift away from support for divorce itself"


2. A segunda, sugerindo que um dos factores explicativos para a derrota do "Sim" foi o crescente afastamento das elites políticas da campanha e a transformação da campanha num "conflito comunitário":

"Wary both of internal splits and of finding themselves on the wrong side of an increasingly divisive issue, established elite organizations begin to develop strategies for avoiding participation. As a resulf of this, ad hoc groups outside the political elite carry on the struggle for both sides and 'finally, with the widening of the conflict, the tone of the debate shifts to one fo antagonism, personal slander, and overt hostility' (Boles, 1979, 18). Elite withdrawal from an increasingly ugly campaign, fought using techniques that often break the established rules of the game, appears to the public as elite doubt over the issue at stake. The proposed change thereby loses legitimacy and the result is defeat for the proposal. "

Dito isto, uma nota menos pessimista para o "Sim": em 1995, um novo referendo sobre o tema foi aprovado. Dessa vez, como se explica neste paper do Michael Gallagher, havia mais partidos a favor do "Sim" e os anteriores oposicionistas tiveram posições mais ambíguas (onde é que eu já ouvi isto?) Mas a verdade é que a nova proposta tomava em conta várias das preocupações sobre liberalização ilimitada (legítimas ou não, é indiferente) que tinham surgido em 1986. E que mesmo assim, ganhou por apenas 50,3% contra 49,7%...

Bom fim de semana.

by Pedro Magalhães

Papel e caneta

Posted February 2nd, 2007 at 10:31 am4 Comments

Enviada por um amigo, uma notícia que nos ajuda a perceber melhor o futuro radioso da "democracia electrónica":

Florida Moves to End Touch-Screen Voting
Gov. Charlie Crist today announced plans today to abandon the touch-screen voting machines that many of Florida's largest counties installed after the disputed 2000 presidential election, instead adopting a statewide system of casting paper ballots counted by scanning machines. (ler mais)

by Pedro Magalhães