Pedro Magalhães

Margens de Erro

Sondagem IPOM

Posted February 1st, 2007 at 7:24 pm4 Comments

Noticiada aqui. Sugiro cautela com a interpretação dos "votos válidos". Primeiro, como sucede noutras ocasiões, são cálculo meu, não do órgão de informação ou do instituto. Segundo, porque 45,6+37,2+8,8+3,4=95, e não sei o que foi feito dos 5% que faltam. É possível que a notícia esteja incompleta de alguma forma ou que eu não a tenha intepretado correctamente, apesar de a ter relido várias vezes. Seja como for, imputo os 5% em falta aos Ns/Nr. Para quem não se recorda do que é o IPOM, fará melhor em ver aqui.

by Pedro Magalhães

Ségo-Sarko

Posted February 1st, 2007 at 3:15 pm4 Comments


Sarko continua em crescendo.

by Pedro Magalhães

Campanhas, 2

Posted February 1st, 2007 at 10:26 am4 Comments

Esta notícia é interessante e intrigante. Parto sempre do princípio que os actores políticos são racionais e conhecem muito melhor a estrutura de custos e benefícios de uma decisão do que os "analistas" e "comentadores". Logo, quando não percebo uma decisão, tendo a concluir imediatamente que não tenho informação ou argúcia suficiente para a perceber. É este o caso: não entendo a posição de António Costa, logo, haverá qualquer coisa que não estou a ver bem.

O que me parecia que o "Não" tinha de fazer nesta campanha, e tem feito muito bem, é com que os eleitores não se limitem a ver neste referendo apenas uma decisão sobre a "despenalização do aborto", reenquadrando o tema de forma a que ele apareça como um referendo sobre o respeito pela vida, sobre a ordem social e moral onde queremos viver e sobre onde vai parar o dinheiro dos nossos impostos, por exemplo. E o "Não" teria também de sugerir, como tem feito, a existência de uma incerteza fundamental sobre o "day after" de uma vitória do "Sim": aumento do número de abortos, desregulação, abortos a passarem à frente de intervenções cirurgicas, despenalização "na prática" de abortos depois das 10 semanas, etc, etc, etc.

Isto parece-me uma boa estratégia a dois níveis. Por um lado, joga bem com o facto dos eleitores serem avessos ao risco: o que existe pode ser mau, mas se o que vem tanto pode ser melhor como pode ser pior, é melhor ficar como estamos. Por outro lado, como o "day after" de uma vitória do "Sim" pode ter várias configurações diferentes, importa que o eleitor o conceba como trazendo aquela que é a configuração mais radical de todas: o modelo de "período" - escolha livre ilimitada da mulher dentro de um determinado período de tempo - em vez de um modelo de "distress", em que, apesar da decisão última ser da mulher dentro de um determinado período e dessa decisão não ser penalizada, o aborto continua a ser visto como excepção e alguma espécie de aconselhamento ou mesmo dissuasão são obrigatórios, solução, de resto, comum na Europa. Visto à luz da primeira alternativa, o "Sim" pode aparecer aos eleitores como sendo demasiado extremista e radical, desmobilizando os moderados e reduzindo os votantes - como sucedeu em 1998 - aos "núcleos duros" de cada opção.

Nestas circunstâncias, sabendo como praticamente metade dos portugueses acha que a "vida" começa na concepção - mesmo que não vejam necessariamente essa vida como detentora dos mesmos direitos de uma pessoa humana - ou que a maioria dos portugueses acha que a escolha da mulher não pode ser ilimitada, o "Sim" teria de fazer duas coisas. Uma seria abandonar o discurso da "barriga é minha". Isso foi feito, apesar de tudo, com consideráveis rigor e disciplina. A outra seria tentar persuadir os eleitores - partindo do princípio que tal coisa é possível - que o "day after" de uma vitória do "Sim" não traria necessariamente incerteza, desregulação e radicalismo, mas sim uma solução que, apesar de tudo, poderia aparecer como moderada, de compromisso, e logo de equilíbrio e estável para o futuro. Que, uma vez mais, o poder político não iria usar o referendo apenas para se desresponsabilizar, obtendo uma decisão dos eleitores mas deixando depois o "day after" ao acaso. No passado, o "Não" sempre tomou muita atenção a este aspecto, explicando que, apesar de defender a manutenção da penalização, haveria no "day after" de uma vitória do "Não" um esforço em matéria de planeamento familiar e de apoio social.

António Costa, contudo, quer silêncio absoluto sobre o "day after". Do ponto de vista estrito do resultado do referendo, a decisão parece, à primeira vista, péssima. Mas é possível que António Costa ache que vitória do "Sim" está "no papo", ou que, apesar das dúvidas, é sempre preferível não se comprometer com nada que não saiba se vai querer cumprir. Ele lá saberá.

by Pedro Magalhães

Amostras voluntárias

Posted January 31st, 2007 at 10:20 am4 Comments

Não me passava pela cabeça, inicialmente, escrever sobre este assunto, que é o tipo de coisas que me costumam passar por baixo do radar. Mas começa a ser evidente que muitas pessoas parecem estar persuadidas de que os resultados do "Big Brother Grandes Portugueses" são representativos de alguma coisa. De facto, de alguma coisa serão representativos, mas da opinião da população portuguesa não serão certamente. Vamos lá então à história clássica, já contada mil e uma vezes em aulas de cadeiras de metodologia das ciências sociais ou de estudos de opinião pública:

"The first rule of survey sampling is that respondents cannot select themselves. Self-selection introduces socioeconomic and demographic biases; "man-on-the-street" polls, straw polls, call-ins, and mail-ins all violate this rule. Most online polls are also not scientific in nature and should be taken as entertainment. One example of the impact of poor methodology on poll results is the 1936 Literary Digest poll. 10 million ballots were mailed to households listed in telephone directories or state auto registrations. This introduced significant biases since, in 1936, Republicans were more likely than working class Democrats or Southern farmers to have phones or cars. 2.4 million ballots were returned, but this type of mail-in return allows people to self-select as poll respondents. The problem with self-selection is that people who respond to mail surveys tend to be better educated, have higher incomes, and feel more strongly about the matters dealt with in the questionnaire than the general population. As a result of so many errors, the poll incorrectly predicted that Republican Gov. Alf Landon of Kansas would defeat Democrat Franklin Delano Roosevelt for President. "

Aliás, foi nestas eleições que um jovem chamado George Gallup começou a construir o seu império e mudou a face das sondagens e dos estudos de opinião pública.

Outra história que já nos poderá ser mais familiar é a "vitória" de Santana Lopes no debate com Sócrates na SIC Notícias em Fevereiro de 2005. Como ilustração das virtudes do método, basta.

E isto não é uma "crítica" aos "Grandes Portugueses". Criticar o quê? "Should be taken as entertainment". Nem mais, nem menos.

P.S.- Sobre o assunto, ler Rui Ramos, no Público.

P.P.S. - Certo, certo, mas já agora vale a pena explicar porquê: quando se trata de amostras de populações humanas, o facto de alguém de recusar a fornecer informação faz desde logo com que a informação recolhida provenha de uma amostra auto-seleccionada. Mas a diferença está em que o processo de selecção não é ele próprio enviesado, para além de que se pode recolher alguma informação sobre quem recusou e procurar com ela corrigir os enviesamentos causados pelas não-respostas. Numa amostra de um call-in, tudo, do princípio ao fim, está fora de controlo.

by Pedro Magalhães

Trends 1998/2007

Posted January 29th, 2007 at 11:06 am4 Comments


Regressões locais (smoothing) aplicadas à percentagem de votos "Sim" em estimativas de resultados eleitorais.

by Pedro Magalhães

Sondagem Markest

Posted January 29th, 2007 at 10:55 am4 Comments

Divulgada hoje no DN, mas realizada antes da sondagem da Católica divulgada na passada 6ª feira (na ficha técnica - .pdf. - publicada no DN vem 20 de Outubro de 2006, mas é evidentemente um lapso: deverá ser 19 de Janeiro, tal como vem na TSF). Lista actualizada:

by Pedro Magalhães

Trend

Posted January 26th, 2007 at 11:51 am4 Comments


Curva de regressão local (smoothing) aplicada a estimativas de votos válidos no "Sim".

by Pedro Magalhães

Sondagem Universidade Católica

Posted January 26th, 2007 at 10:34 am4 Comments

Resultados aqui e aqui. Lista desde Outubro:


by Pedro Magalhães

E para descontrair do referendo…

Posted January 25th, 2007 at 3:07 pm4 Comments

Sarkozy ganha vantagem nas presidenciais francesas.

by Pedro Magalhães

As sondagens em 1998

Posted January 23rd, 2007 at 4:24 pm4 Comments

As incertezas e contradições que resultam da leitura do quadro apresentado aqui fazem com que, desta vez, antecipe um exercício que costumo deixar para os últimos dias antes das eleições, a saber, a análise das sondagens pré-eleitorais em actos eleitorais anteriores. Fui pescar aos arquivos as sondagens divulgadas pelo Público, Diário de Notícias, Expresso, Independente e Visão nos três meses que antecederam o referendo de 1998 (é possível que me tenha falhado uma ou outra, mas procurei ser exaustivo).

Apresento-as da mesma forma que venho adoptando para as sondagens do referendo de 11 de Fevereiro: excluindo abstencionistas e apresentando apenas intenções directas de voto e estimativas de resultados (sem brancos e nulos). Sempre que um órgão de comunicação não apresentou estimativas, limitei-me a redistribuir indecisos proporcionalmente, para comparar resultados entre si e com resultados eleitorais. Quando essas estimativas foram divulgadas, apresento os resultados tal como foram apresentados na imprensa. As fichas técnicas costumavam ser mais incompletas do que são hoje, mas procurei interpretá-las o melhor que pude para dar a informação metodológica. Recordem-se, por fim, que até 2000 não era possível divulgar sondagens na última semana antes do acto eleitoral.



Lendo artigos recentes na imprensa sobre as sondagens de 1998 e alguns comentários nos blogues, até parece que os resultados do referendo apanharam toda a gente de surpresa. Na época, eu nem estava no país e não acompanhei isto, mas não pode ter sido bem assim.

É verdade que a Euroexpansão (não confundir com a Eurosondagem) dava, a um mês do referendo, nada menos que 86% de intenções de votos válidos para o "Sim". E é também verdade que, a duas semanas do referendo, o Centro de Sondagens da Universidade Moderna dava uma vantagem de 22 pontos para o "Sim" em votos válidos. Mas olhem para as sondagens da Metris em Abril e Maio, para já não falar das duas sondagens realizadas mais perto do dia (Metris e Católica, esta última sem divulgação dos resultados brutos na imprensa). Para quem olhava para isto com olhos de ver, não teria sido preciso muito para perceber que, com a dinâmica de descida do "Sim" evidente na comparação das várias sondagens Metris, SIC/Visão e Católica ao longo do tempo, e com uma mera vantagem de 4 a 5 pontos a mais de uma semana do referendo, o resultado final só podia ser incerto. Hindsight ajuda sempre, claro. Mas se, na altura, alguém tinha certezas sobre a vitória do "Sim", então era porque não tinha pensado muito sobre o assunto.

O que nos diz isto que possa servir para a situação actual? A verdade é que suscita mais dúvidas que certezas. Por um lado, parece evidente que as dificuldades que um referendo - e em particular um referendo num tema como este - coloca à capacidade de descrever e prever intenções de voto (descritas aqui ou aqui, por exemplo) não são inultrapassáveis. Mas por outro lado, diz-nos também que aquilo que a maioria das sondagens está a dizer não é necessariamente o que estará mais próximo da realidade. É possível que os actuais resultados da Eurosondagem vão suscitando algum cepticismo quando confrontados com os obtidos pelos outros institutos, e esse é, confesso, o meu primeiro e imediato instinto (mais sondagens a dizer uma coisa que outra). Mas quem nos diz que esse cepticismo não é igual àquele que foi certamente suscitado pelos resultados que a Metris ia obtendo nos meses de Abril e Maio de 1998?

by Pedro Magalhães