Pedro Magalhães

Margens de Erro

Obrigado

Posted January 10th, 2007 at 5:03 pm4 Comments

Ao Insurgente e ao Kontratempos, dois dos poucos blogues que tenho tempo para pôr aqui, especialmente ao segundo por me fazer ver, mesmo que involuntariamente, que o título que tenho dado aos posts que fogem ao tema do blogue ("off topic") deveria ter sido desde o início, claro, "outlier". Burro.

by Pedro Magalhães

Ségo-Sarko 2

Posted January 10th, 2007 at 1:57 pm4 Comments

Nova sondagem CSA:

by Pedro Magalhães

Presidenciais 2008

Posted January 10th, 2007 at 1:36 pm4 Comments

A não perder, os vários posts do Political Arithmetik sobre as opiniões dos americanos sobre os possíveis candidatos para 2008 e a informação do The Fix sobre o que se vai passando nas "máquinas" das diferentes candidaturas. Os Democratas com o dilema habitual: os únicos candidatos viáveis com apoio junto das bases são os que geram opiniões mais polarizadas entre a população. Os Republicanos com um dilema simétrico: os candidatos com maiores chances a nível nacional - McCain e Giuliani - são os que geram mais urticária actual (McCain) e potencial (Giuliani) junto das bases mais conservadoras do partido.

by Pedro Magalhães

Off topic: a guerra da imaginação

Posted January 10th, 2007 at 11:03 am4 Comments

O que fazer quando todos os factos contrariam as nossas teorias? Capitular? Nunca. A solução é torná-las invulneráveis aos factos. Fazer com que sejam "infalsificáveis", formulando-as de tal modo que se tornem insusceptíveis de serem refutadas (ou confirmadas) pelos dados da realidade.

Rui Ramos, discutindo a invasão do Iraque, fornece-nos hoje no Público uma amostra deste tipo de estratégia argumentativa: "Um presidente Gore, acolitado por Lieberman (tão "falcão" como Cheney) teria feito o mesmo [que a administração Bush]". E eis-nos assim transportados para um mundo alternativo, visitável apenas com as asas da imaginação, invulnerável a qualquer confronto com o mundo real.

Contudo, essa invulnerabilidade é só aparente. Apesar de nunca podermos vir a observar se uma presidência Gore agiria da mesma forma que uma presidência Bush, sabemos qual é premissa na base da qual Rui Ramos chega a essa conclusão: a de que "os EUA tinham esgotado o saco de truques para contar Saddam", ou seja, a de que a invasão era inevitável. Rui Ramos vende-nos isto como um axioma (o "óbvio", suponho, quanto há uma semana nada o era). Mas era precisamente isto que merecia demonstração empírica, em vez de ser apresentado como uma "verdade auto-evidente". E não é, claro, como qualquer ser humano que tenha lido algum relato sobre o processo de inspecções ou sobre o processo de tomada de decisão no interior da administração Bush (mesmo as que não descrevem a invasão com antipatia) facilmente poderia constatar. E é aqui que um artigo erudito e elegante, como sempre, revela aquilo que o torna absolutamente inútil: o seu total - e aparentemente consentido ou mesmo deliberado - divórcio da realidade.

Inútil e, num certo sentido, nocivo: afinal, como se pode ler num artigo de Mark Danner publicado na penúltima NYRB e que dá o título a este post, foi este divórcio da realidade, antes, durante e depois da invasão, que produziu o desastre que já ninguém consegue evitar reconhecer.

by Pedro Magalhães

Jogo perigoso

Posted January 9th, 2007 at 2:44 pm4 Comments

É inevitável que o PP, em Espanha, critique o PSOE pela sua postura em relação à ETA, especialmente as hesitações entre "suspender" e "pôr fim" ao processo negocial, procurando assim, naturalmente, recolher benefícios políticos. Mas o jogo tem de ser jogado com muita cautela:

Metrocopia/ABC, 3 Jan. 2007, N=605, Telefónica

Devem o PSOE e o PP trabalhar em conjunto para alcançar a paz no País Basco?
Sim: 90%
No: 10%

Como avalia o desempenho de José Luis Rodríguez Zapatero e de Mariano Rajoy depois do ataque da ETA?

Zapatero:
Bom:22%
Médio: 38%
Mau: 30%

Rajoy:
Bom:13%
Médio: 32%
Mau: 42%

by Pedro Magalhães

Ano III

Posted January 8th, 2007 at 11:23 am4 Comments

Começa aqui.

by Pedro Magalhães

O estudo para a APF, 3

Posted January 8th, 2007 at 11:23 am4 Comments

Está em linha, finalmente, aqui.

by Pedro Magalhães

Ségo-Sarko

Posted January 5th, 2007 at 10:19 am4 Comments

Agora que muitas investiduras tiveram lugar e que Sarkozy apresentou a sua declaração de candidatura, Dezembro parece bom momento para começar a acompanhar as intenções de voto para as presidenciais francesas. Não que as sondagens realizadas ao longo de 2006 tenham dito coisas muito diferentes daquilo que as de Dezembro dizem: Ségo e Sarko estão lado a lado, com pequenas variações de instituto para instituto.



E este ano vamos salvar muitas árvores e poupar muita tinta a propósito de temas como a "subida da extrema-direita", o fenómeno "Frente Nacional" e o Angst habitual sobre tudo o que sucede em França: não haverá surpresa Le Pen. O que não impede, pelo contrário, análises interessantes sobre o eleitorado da Frente Nacional. Ver, por exemplo, esta entrevista com Nonna Mayer, do CEVIPOF, que desfaz alguns mitos sobre o assunto.

E a propósito desta entrevista, veja-se como os sites dos institutos de sondagens franceses são um manancial de informação onde os fanáticos destes temas se podem entreter ininterruptamente daqui até ao dia das eleições. Particularmente interessantes são os seguintes dossiês:

1. BVA: os temas chave da campanha;

2. A síntese de fim de ano de Pierre Giacometti, director da IPSOS;

3. Todo o site especial da TNS-Sofres dedicado às presidenciais;

4. O Barómetro Político Francês do CEVIPOF.


Voltarei com mais calma a alguns dos resultados destes estudos.

by Pedro Magalhães

Referendo: mais uma

Posted January 4th, 2007 at 11:31 am4 Comments

Da Aximage, hoje, no Correio da Manhã:

Sem mudanças significativas.
Duas notas para fanáticos:
1. A ficha técnica de hoje explica que a amostragem foi aleatória e estratificada por região, habitat, sexo, idade, instrução e voto legislativo. Normalmente, sem outra explicação, isso significaria que, na verdade, foi aleatória na selecção de domicílios e por quotas na selecção de inquiridos. Mas depois explica-se na ficha publicada no jornal que houve "reequilibragem" da amostra para garantir proporcionalidade pelas variáveis de estratificação. Isso já deve significar que foi de facto aleatória na selecção de inquiridos e que, na base de informação obtida dos inquiridos e de informação conhecida acerca do universo, os resultados foram ponderados, corrigindo distorções na amostra em termos de sexo, idade, instrução e comportamento de voto passado. Mudo, portanto, de "quotas" para "aleatória" na coluna "amostragem". É até possível que tenha sido sempre assim, mas não detectei esse ponto em fichas anteriores.
2. A notícia do Correio da Manhã incide muito sobre o tema da abstenção: 43,2% nesta sondagem. "Abstenção ameaça 'sim', escreve-se. Mas, esperando que os responsáveis da Aximage não se aborreçam outra vez comigo, o leitor interessado gostaria de ter, mesmo sem grandes detalhes, uma explicação genérica sobre como se chega a este valor. Resultará ele das respostas de inquiridos que dizem abertamente tencionar não votar, mesmo após ponderação? Duvidoso: valores desta ordem não surgem nem em sondagens pós-eleitorais, quanto mais em sondagens de intenção de voto. Logo, deverá resultar de uma inferência, de uma extrapolação. Mas qual, como, e na base de quê? Eu tenho os meus palpites, mas isso não serve de nada.

by Pedro Magalhães

Iraque

Posted January 4th, 2007 at 10:33 am4 Comments

Iraq Centre for Research and Strategic Studies/Gulf Research Center, N=2000v (apenas Bagdade, Anbar e Najaf), Novembro 2006, Face-a-face.

Do you feel the situation in the country is better today or better before the U.S.-led invasion?
Better today: 5%
Better before: 90%
Not sure: 5%

Notar que o universo não é a população iraquiana, mas sim das três cidades assinaladas. Ver aqui uma breve discussão sobre as dificuldades em fazer sondagens em locais como o Iraque. Mas notar também, por outro lado, que o ICRSS é dirigido por Saadoun al Duleimi, nem mais nem menos que o Ministro da Defesa no actual governo iraquiano.

by Pedro Magalhães