Pedro Magalhães

Margens de Erro

Sondagem aborto Intercampus

Posted January 11th, 2007 at 11:36 pm4 Comments

Nova sondagem sobre intenção de voto no referendo de despenalização do aborto, aqui, a primeira até ao momento com simulação de voto em urna.

Sim: 67%
Não 33%

Amanhã o Público deverá trazer mais detalhes e actualizarei o quadro habitual. Mas é fácil constatar, desde já, a consistência com a maioria das sondagens mais recentes, pelo menos no que respeita à distribuição daqueles que indicam uma intenção de voto.

by Pedro Magalhães

Campanhas

Posted January 10th, 2007 at 5:11 pm4 Comments

Só para chamar a atenção da argúcia dos movimentos que apoiam o "Não" quando introduzem a questão de "quem paga" neste complicado pacote de temas e dimensões que se formou em torno do referendo do dia 11. Ao fazerem-no, criam uma "no-win situation" para os lados do "Sim": se for o Estado, então "não com os meus impostos"; se for privado, então são "as clínicas espanholas que vêm enriquecer à custa dos abortos". Uma vez mais, vê-se como, em situações como estas, o enquadramento que é dado aos temas é absolutamente central, afectando a opinião pública directa ou, mesmo, indirectamente (levando os oponentes a cometerem erros e a dizerem o que não devem).

Dito isto, também não acho que a "campanha" do "Sim" seja assim tão má como se diz. Pelo menos, parece ter percebido que teria de enfatizar um determinado enquadramento da questão que tinha sido secundarizado em 1998: a do referendo como mera oportunidade para "despenalização". Para o bem ou para o mal, a ideia de "livre escolha das mulheres" (a "barriga é minha") ou as preocupações de saúde pública parecem comover pouca gente, mas o mesmo não sucede com a ideia de colocar mulheres na cadeia por fazerem um aborto. Isto é certo e sabido dos dados de opinião, e só se estranha que tenha demorado tanto tempo a perceber.

O problema do "Sim" talvez seja outro: não parece haver "uma campanha do Sim", mas sim "campanhas", pouco concertadas entre si, deixando uma vez mais aos partidos de esquerda, tal como em 98, a quase totalidade do trabalho e, especialmente, da coordenação, coisa que, precisamente, são incapazes de fazer. Em 98, a coisa terá sido tão difícil que, em vez de coordenação dos partidos existentes, se deu origem a um partido novo (o BE, claro).

Contudo, a principal diferença de 2007 reside nas posições do PS e do PSD, na prática simétricas em relação ao que se passou em 98. Não é diferença pequena. É provavelmente ela que explica a enorme vantagem do Sim em relação ao Não nas sondagens e o facto dessa diferença ter vindo a resistir ao longo do tempo. A posição do PS ligou o"Sim" a uma predisposição de longo-prazo dos eleitores (a identificação partidária), ligação essa que tinha sido diluída em 98. E a não posição do PSD facilita, por parte dos eleitores, a identificação do "Não" como uma posição exclusiva da "Direita", coisa que costuma ser fatal por estas bandas.

Mas isto não diminui a argúcia de quem vem conduzindo a campanha do "Não". E daqui até 11 de Fevereiro ainda corre muita água.

by Pedro Magalhães

Obrigado

Posted January 10th, 2007 at 5:03 pm4 Comments

Ao Insurgente e ao Kontratempos, dois dos poucos blogues que tenho tempo para pôr aqui, especialmente ao segundo por me fazer ver, mesmo que involuntariamente, que o título que tenho dado aos posts que fogem ao tema do blogue ("off topic") deveria ter sido desde o início, claro, "outlier". Burro.

by Pedro Magalhães

Ségo-Sarko 2

Posted January 10th, 2007 at 1:57 pm4 Comments

Nova sondagem CSA:

by Pedro Magalhães

Presidenciais 2008

Posted January 10th, 2007 at 1:36 pm4 Comments

A não perder, os vários posts do Political Arithmetik sobre as opiniões dos americanos sobre os possíveis candidatos para 2008 e a informação do The Fix sobre o que se vai passando nas "máquinas" das diferentes candidaturas. Os Democratas com o dilema habitual: os únicos candidatos viáveis com apoio junto das bases são os que geram opiniões mais polarizadas entre a população. Os Republicanos com um dilema simétrico: os candidatos com maiores chances a nível nacional - McCain e Giuliani - são os que geram mais urticária actual (McCain) e potencial (Giuliani) junto das bases mais conservadoras do partido.

by Pedro Magalhães

Off topic: a guerra da imaginação

Posted January 10th, 2007 at 11:03 am4 Comments

O que fazer quando todos os factos contrariam as nossas teorias? Capitular? Nunca. A solução é torná-las invulneráveis aos factos. Fazer com que sejam "infalsificáveis", formulando-as de tal modo que se tornem insusceptíveis de serem refutadas (ou confirmadas) pelos dados da realidade.

Rui Ramos, discutindo a invasão do Iraque, fornece-nos hoje no Público uma amostra deste tipo de estratégia argumentativa: "Um presidente Gore, acolitado por Lieberman (tão "falcão" como Cheney) teria feito o mesmo [que a administração Bush]". E eis-nos assim transportados para um mundo alternativo, visitável apenas com as asas da imaginação, invulnerável a qualquer confronto com o mundo real.

Contudo, essa invulnerabilidade é só aparente. Apesar de nunca podermos vir a observar se uma presidência Gore agiria da mesma forma que uma presidência Bush, sabemos qual é premissa na base da qual Rui Ramos chega a essa conclusão: a de que "os EUA tinham esgotado o saco de truques para contar Saddam", ou seja, a de que a invasão era inevitável. Rui Ramos vende-nos isto como um axioma (o "óbvio", suponho, quanto há uma semana nada o era). Mas era precisamente isto que merecia demonstração empírica, em vez de ser apresentado como uma "verdade auto-evidente". E não é, claro, como qualquer ser humano que tenha lido algum relato sobre o processo de inspecções ou sobre o processo de tomada de decisão no interior da administração Bush (mesmo as que não descrevem a invasão com antipatia) facilmente poderia constatar. E é aqui que um artigo erudito e elegante, como sempre, revela aquilo que o torna absolutamente inútil: o seu total - e aparentemente consentido ou mesmo deliberado - divórcio da realidade.

Inútil e, num certo sentido, nocivo: afinal, como se pode ler num artigo de Mark Danner publicado na penúltima NYRB e que dá o título a este post, foi este divórcio da realidade, antes, durante e depois da invasão, que produziu o desastre que já ninguém consegue evitar reconhecer.

by Pedro Magalhães

Jogo perigoso

Posted January 9th, 2007 at 2:44 pm4 Comments

É inevitável que o PP, em Espanha, critique o PSOE pela sua postura em relação à ETA, especialmente as hesitações entre "suspender" e "pôr fim" ao processo negocial, procurando assim, naturalmente, recolher benefícios políticos. Mas o jogo tem de ser jogado com muita cautela:

Metrocopia/ABC, 3 Jan. 2007, N=605, Telefónica

Devem o PSOE e o PP trabalhar em conjunto para alcançar a paz no País Basco?
Sim: 90%
No: 10%

Como avalia o desempenho de José Luis Rodríguez Zapatero e de Mariano Rajoy depois do ataque da ETA?

Zapatero:
Bom:22%
Médio: 38%
Mau: 30%

Rajoy:
Bom:13%
Médio: 32%
Mau: 42%

by Pedro Magalhães

Ano III

Posted January 8th, 2007 at 11:23 am4 Comments

Começa aqui.

by Pedro Magalhães

O estudo para a APF, 3

Posted January 8th, 2007 at 11:23 am4 Comments

Está em linha, finalmente, aqui.

by Pedro Magalhães

Ségo-Sarko

Posted January 5th, 2007 at 10:19 am4 Comments

Agora que muitas investiduras tiveram lugar e que Sarkozy apresentou a sua declaração de candidatura, Dezembro parece bom momento para começar a acompanhar as intenções de voto para as presidenciais francesas. Não que as sondagens realizadas ao longo de 2006 tenham dito coisas muito diferentes daquilo que as de Dezembro dizem: Ségo e Sarko estão lado a lado, com pequenas variações de instituto para instituto.



E este ano vamos salvar muitas árvores e poupar muita tinta a propósito de temas como a "subida da extrema-direita", o fenómeno "Frente Nacional" e o Angst habitual sobre tudo o que sucede em França: não haverá surpresa Le Pen. O que não impede, pelo contrário, análises interessantes sobre o eleitorado da Frente Nacional. Ver, por exemplo, esta entrevista com Nonna Mayer, do CEVIPOF, que desfaz alguns mitos sobre o assunto.

E a propósito desta entrevista, veja-se como os sites dos institutos de sondagens franceses são um manancial de informação onde os fanáticos destes temas se podem entreter ininterruptamente daqui até ao dia das eleições. Particularmente interessantes são os seguintes dossiês:

1. BVA: os temas chave da campanha;

2. A síntese de fim de ano de Pierre Giacometti, director da IPSOS;

3. Todo o site especial da TNS-Sofres dedicado às presidenciais;

4. O Barómetro Político Francês do CEVIPOF.


Voltarei com mais calma a alguns dos resultados destes estudos.

by Pedro Magalhães