Pedro Magalhães

Margens de Erro

Leituras

Posted January 2nd, 2007 at 5:54 pm4 Comments

Um número triplo extraordinário da Critical Review que não vai ser esquecido tão cedo por todos os que se interessam pelos temas da opinião pública. Estão lá muitos dos que contam nesta área: Althaus, Graber, Hardin, Lupia, Kinder, Popkin e até o velhinho Converse.

by Pedro Magalhães

Grande Rússia (e saudades da Pequena e da Branca)

Posted December 29th, 2006 at 11:41 am4 Comments

Public Opinion Foundation, Dez. 9-10, N=1500, Face-a-face
Leonid Brezhnev ruled the country for 18 years, from 1964 to 1982. Would you rate Brezhnev’s rule as good or bad for the country?
Good: 61%
Bad: 17%
Hard to answer: 22%

All-Russian Public Opinion Research, Dez.16-17, N=1600, Face-a-face
Who was Russia’s politician of the year?
Vladimir Putin: 76%
Vladimir Zhirinovsky: 13%
Dmitry Medvedev: 12%

by Pedro Magalhães

Merry As You Like It

Posted December 22nd, 2006 at 5:04 pm4 Comments

Estados Unidos, FOX News/Opinion Dynamics Poll, Nov. 29-30, 2005. N=900, Telefónica

Around this time of year, there is talk about whether holiday decorations on public property should include a nativity scene. Some say nativity scenes should not be on public property because this violates the separation of church and state. Others say it is acceptable for nativity scenes to be on public property because they are part of the historical celebration of Christmas. What is your view? Should nativity scenes be allowed on public property, or not?
Allowed: 83%
Not Allowed12%
Unsure:5%

Are you offended by stores that instruct employees not to say 'Merry Christmas' and make it a policy to specifically not use the words 'Merry Christmas' in advertising and promotions?
Yes:45%
No: 49%
Unsure: 6%

by Pedro Magalhães

Merry Christmas

Posted December 22nd, 2006 at 10:49 am4 Comments

Estados Unidos, Princeton Survey Research Associates, N= 1,009, Dez-2-4, 2004,Telefónica

Now, regardless of your own religious beliefs, we'd like your views on Jesus. Do you think Jesus Christ ever actually lived, or not?
Did: 93%
Did Not: 3%
Unsure: 4%

Now I have a few questions about the Bible. Do you believe that every word of the Bible is literally accurate -- that the events it describes actually happened, or not?
Yes, Believe: 55%
No, Do Not Believe: 38%
Unsure: 7%

Which of these two positions do you most agree with?
The entire story of Christmas—the Virgin Birth, the angelic proclamation to the shepherds, the Star of Bethlehem and the Wise Men from the East—is historically accurate: 67%
The story of Christmas is a theological invention written to affirm faith in Jesus Christ: 24%
DK/NA: 9%

by Pedro Magalhães

Chile e Pinochet

Posted December 20th, 2006 at 4:58 pm4 Comments

Observo, perplexo, esta espécie de polémica sobre se Pinochet foi ou não bom para a humanidade em geral e o Chile em particular. A maioria dos chilenos, provavelmente, também ficaria espantada:

Chile, Centro de Encuestas La Tercera, 14-15 de Dezembro, N=564, Telefónica.
Was Augusto Pinochet personally responsible for human rights violations?
Completely or mostly responsible: 69%
Somewhat or not responsible: 31%
Do you think Pinochet’s government was important for Chile to reach its current economic development?
Yes: 63%
No: 39%
Qual es el aspecto que tiene más importancia en la trayectoria de Pinochet, al hacer un juicio sobre él y su gobierno?
Las violaciones a los derechos humanos : 56%
El nuevo modelo económico que introdujo en Chile: 24%
El golpe de Estado que terminó con el gobierno de Allende: 20%
Centro de Estudios de la Realidade Contemporánea, 27-Jul-6 Ago., Face-a-face, N=1200
How do you think Augusto Pinochet will be remembered?
As a dictator:82%
As a good leader:18%

Simples, não? Se não, o Pedro Lomba no DN de Sábado passado explica.

by Pedro Magalhães

Sondagem referendo aborto

Posted December 20th, 2006 at 4:05 pm4 Comments

Esta, da Aximage, tinha-me passado despercebida. Actualizo agora o quadro. A anterior discrepância entre os resultados da Aximage e os da Marktest, Católica ou Intercampus desaparece.

by Pedro Magalhães

O estudo para a APF, 2

Posted December 17th, 2006 at 11:31 pm4 Comments

Os inquéritos por questionário visam por vezes medir atitudes e comportamentos que os inquiridos têm dificuldades em admitir, especialmente quando essas atitudes e comportamentos são potencialmente sujeitos a censura social ou moral. É o caso quando se colocam questões sobre a abstenção (vista por muitos como "dever cívico"), o consumo de drogas, a violência doméstica, práticas sexuais, evasão fiscal ou o aborto, só para dar alguns exemplos. William Foddy, no livro Constructing Questions for Interviews and Questionnaires (traduzido e editado em português pela Celta como Como Perguntar?) tem um capítulo inteiro dedicado ao assunto.

Era isto que, à partida, me interessava saber sobre o estudo feito para a APF. Lendo o relatório, verifica-se que foram tomadas duas principais medidas para lidar com o assunto. Por um lado, para inquirir presencialmente as 2000 mulheres entre os 18 e os 49 anos seleccionadas aleatoriamente para fazerem parte da amostra, foram apenas utilizadas entrevistadoras (e não entrevistadores). A pressuposição é que, num tema como este, mulheres se sentirão mais à vontade respondendo a mulheres. A segunda medida, segundo o relatório, foi a de aplicar todo o bloco de perguntas sobre "práticas de aborto" em sistema de auto-preenchimento, ou seja, preservando o anonimato também perante as próprias entrevistadoras.

Nunca se sabe se isto é suficiente, mas alguma coisa se fez, e quase tudo o resto que se pode fazer tem mais a ver com a formação dos entrevistadores e a confiança que conseguem transmitir aos entrevistados. Seja como for, há algo que é praticamente certo: a percentagem estimada neste estudo para as mulheres entre os 18 e os 49 anos que já fizeram um aborto não espontâneo (14,5%) deverá estar a subestimar os valores reais. Não é que não haja factores que também podem levar à sobrestimação: as mulheres mais dispostas a responder a estas perguntas poderão, eventualmente, tender a partilhar valores que, também eles, mais as predispõem a ter feito uma IVG. Mas os factores no sentido contrário - o da subestimação - tendem a ser muito mais fortes. Só para dar um exemplo, um estudo de 2001 realizado em New Jersey, onde se confrontaram os resultados de um inquérito por questionário com os registos médicos de mulheres cobertas pelo Medicaid, mostra que apenas 29% dos abortos efectivamente realizados foram reportados nas respostas aos inquéritos. Não estou a dizer que a subestimação, neste inquérito em Portugal, será da mesma ordem: as diferenças do contexto são tão grandes que essa inferência é impossível. Mas há muitas razões que nos fazem supor que a subestimação exista (cf. artigo e referências citadas). O que, por sua vez, obriga a alguma cautela quando se afirma que a maior parte das IVG's têm lugar até às 10 semanas: há razões para pensar que o "underreporting" seja maior quando o aborto acontece mais tarde...

Quanto ao resto, seria realmente bom que o estudo fosse disponibilizado de forma a que todos lhe pudessem ter acesso. Para além do interesse substantivo dos resultados, há várias coisas a discutir: a selecção da amostra (que tem apenas explicação sumária no relatório); a opção de restringir o universo a mulheres com 18 anos ou mais (por que não ter começado aos 15, como é prática comum em estudos semelhantes?), o facto de não se distinguir claramente as IVG's realizadas ao abrigo da lei vigente das restantes; etc.

by Pedro Magalhães

O estudo da APF (aditado)

Posted December 15th, 2006 at 11:00 am4 Comments

Era muito bom que o relatório do estudo encomendado pela Associação para o Planeamento da Família sobre o aborto em Portugal fosse colocado online. Fui ao site da APF e só encontro o programa da sessão onde foi apresentado (.pdf). Pelas notícias de jornal, para além de alguns dos resultados, sabemos que foi um inquérito por questionário, aplicado a 2000 mulheres, pela empresa Consulmark. Segundo o DN, o estudo também incide sobre as intenções de voto das mulheres no referendo de Fevereiro. Quer isto dizer que as 2.000 mulheres inquiridas no estudo eram todas eleitoras, ou seja, com 18 anos ou mais? Ou que as intenções de voto foram obtidas junto de uma sub-amostra? Estas e muitas outras questões. Em resumo, era bom saber mais.

P.S.- Entretanto, amavelmente, já mo fizeram chegar. Comento em breve, se houver comentários úteis a fazer.

by Pedro Magalhães

Jagshemash

Posted December 14th, 2006 at 3:52 pm4 Comments

Borat existe mesmo, mas não é no Cazaquistão:

Poll: One-third of Ukrainians don't want Jews

(via Fruits and Votes)

by Pedro Magalhães

Sondagem da Católica para "Não Obrigada"

Posted December 14th, 2006 at 10:58 am4 Comments

Paulo Pinto Mascarenhas menciona os dados de uma sondagem que a Universidade Católica conduziu no final de Setembro para a plataforma "Não Obrigada". Na verdade, os resultados não são surpreendentes. Basta comparar com outra sondagem, com semelhante metodologia de amostragem e inquirição, que foi feita também pela Católica, apenas 15 dias depois. Ao contrário do que sucedeu com a sondagem para a RTP/RDP e Público, não fui eu o técnico responsável pela coordenação do trabalho para a "Não Obrigada", apesar dos inquéritos terem, nalguns casos, questões muito semelhantes, o que se deve ao facto de ambos se terem parcialmente baseado num estudo anterior da Católica, por sua vez parcialmente inspirado em exemplos internacionais.

Os resultados divulgados pela "Não Obrigada", e a comparação com a sondagem realizada posteriormente:

Sondagem "Não Obrigada":
"O aborto devia ser permitido quando a mãe ou a família não têm meios para sustentar a criança". Sim: 33%
Sondagem RTP/RDP/Público:
"O aborto devia ser legal quando a mãe ou a família não têm meios para sustentar a criança". Sim: 34%

Sondagem "Não Obrigada":
"O aborto devia ser permitido quando a mulher não quer ter o filho". Sim: 32%
Sondagem RTP/RDP/Público:
"O aborto devia ser legal quando a mãe não deseja ter o filho" Sim: 29%

Os resultados apresentados pela "Não Obrigada" em relação a uma questão adicional já não são directamente comparáveis, dado que os menus de opções de resposta fornecidos eram ligeiramente diferentes: a sondagem para a "Não Obrigada" introduzia a opção "Desde o momento em que bate o coração", ao passo que a sondagem RTP/RDP/Público introduzia uma opção "Não tenho opinião formada sobre o assunto". Mas mesmo assim, aqui ficam os dados.

Sondagem "Não Obrigada":
"Em sua opinião, quando é que começa a vida humana?"
Desde o momento da concepção: 54%
Desde o momento em que há actividade cerebral no feto:7%
Desde o momento em que o feto tem possibilidade de sobreviver fora da barriga da mãe: 7%
Desde o momento do nascimento: 15%

Sondagem RTP/RDP/Público:
"Na sua opinião, quando é que se pode dizer que começa uma vida humana?"
A partir do momento da concepção: 48%
A partir do momento em que há actividade cerebral:15%
A partir do momento em que há possibilidade de sobreviver fora da barriga da mãe: 8%
A partir do momento do nascimento: 8%

Uma nota final: apesar das semelhanças nos resultados, leio e releio a formulação das perguntas e das opções de resposta e reforço uma conclusão a que já tinha chegado há muito tempo: nos inquéritos, não há perguntas "neutras". Nunca. Por muito que seja o esforço em evitar enviesamentos óbvios, todas introduzem estímulos diferentes, com potenciais efeitos nos resultados (efeitos esses, contudo, cuja existência real e dimensão são muito difíceis de apurar, devido a todas as outras fontes de erro associadas a uma sondagem). E obviamente, o mesmo sucede quanto à formulação das perguntas colocadas em referendos...

by Pedro Magalhães