Pedro Magalhães

Margens de Erro

Professor Karamba

Posted October 27th, 2006 at 9:47 am4 Comments

Tem alguma graça quando começa a ser possível prever certas coisas. Mais análise dos resultados ainda hoje.

by Pedro Magalhães

Mais uma sondagem sobre o referendo

Posted October 27th, 2006 at 9:36 am4 Comments

Uma sondagem feita pela Intercampus e divulgada ontem pela TVI, a juntar às três mais recentes:


Muito intrigante. É preciso deixar assentar a poeira.

by Pedro Magalhães

Só dá Lula

Posted October 27th, 2006 at 9:12 am4 Comments

by Pedro Magalhães

E para não pensarem que não aceito críticas

Posted October 25th, 2006 at 10:44 am4 Comments

Acho que a Lâmpada Mágica tem razão em relação a uma das perguntas sobre a eutanásia.

by Pedro Magalhães

Já podia ter dito

Posted October 24th, 2006 at 3:41 pm4 Comments

O Renas e Veados faz alguns comentários adicionais:

No entanto continua sem responder àquela que me parece ser a principal, porquê é que a questão do casamento foi a única nesta sondagem a merecer mais hipóteses de resposta que o "sim ou não" de todas as outras?

É simples: se a questão fosse colocada apenas em termos de uma dicotomia "a favor" ou "contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo", todas as pessoas que consideram que pessoas do mesmo sexo devem poder formar uniões com os mesmos ou alguns direitos de um casamento, mas discordam que o instituto legal se chame "casamento", não saberiam como responder. Provavelmente uns responderiam "contra", outros responderiam "a favor" e muitos refugiar-se-iam na não-resposta.

Se estivessemos perante um referendo em que as coisas fossem colocadas nesses termos, ou uma medida política sobre a qual se quisesse conhecer aprovação ou reprovação (como aqui), então era precisamente isso que se quereria saber. Mas como não é o caso, dar várias hipóteses plausíveis de resposta permitiu obter mais nuances de opinião, em vez de se sobrestimar o grau de polarização social sobre o tema. Foi só isto. E é isto, aliás, que se faz na maior parte das sondagens sobre este tema concreto quando não está em causa um referendo ou uma medida política concreta (ver aqui muitos exemplos): fornecer mais hipóteses do que mera dicotomia a favor/contra o casamento, para poder captar variância nos resultados. Procurei apenas seguir o que me pareceu boa prática.

E veja como poder fazer uma enorme diferença fornecer várias alternativas, seja em diferentes perguntas ou como diferentes opções de resposta a uma mesma pergunta: a maioria dos americanos é contra o casamento de pessoas do mesmo sexo; a maioria dos americanos é favor de uniões que dêem muitos dos mesmos direitos. Voilá. Se a coisa ficasse só em "Sim"/Não" ao casamento, ficaríamos a saber menos do que aquilo que sabemos agora.

Quanto aos temas onde a Universidade Católica é suposta fazer ou não estudos, e distorções e assuntos semelhantes, já debati isso aqui e já me chega.

by Pedro Magalhães

O país e o que ele é

Posted October 24th, 2006 at 2:32 pm4 Comments

Só uma última nota, para já, sobre este assunto, em diálogo com o Portugal dos Pequeninos e outros sobre o tema das atitudes dos portugueses em relação a temas como os direitos dos homossexuais. Queria dizer, um pouco em conjunção com o que já disse aqui em relação à despenalização do aborto, que me parece que "aquilo que o país é" consiste não apenas nos valores, crenças e atitudes das "massas", mas também a nível da actuação (e condições dessa actuação) das elites políticas.

Há muita gente que se pergunta por que razão em Portugal as respostas a estes inquéritos são as que são e as que se encontram em Espanha são muito diferentes. Um mero exemplo: em Março, 61% dos espanhóis declararam-se a favor da proposta do PSOE de legalização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Em Portugal, como vimos, o apoio resume-se a 29%, se adicionarmos aqueles que não se importam que seja "casamento" àqueles que se incomodam apenas com a designação da coisa.

A explicação a que se recorre mais frequentemente é "sociológica": a sociedade espanhola e os espanhóis são mais "progressistas", "modernos", "secularizados", etc. Talvez, talvez. Mas importa não esquecer uma coisa importante: em Espanha, há uma clivagem religiosa que se encontra claramente politizada e é politizável. O PSOE tem um eleitorado secularizado, em contraposição ao eleitorado do PP. Um partido nestas condições não tem de ter medo de "activar" esta clivagem quando acha que não divide o seu eleitorado natural e pode até, entre os "não alinhados", captar apoio adicional e apresentar o PP como um partido do "passado".

Em Portugal, como saberão, a coisa é muito diferente. O PS nasceu alinhado com o PSD e o CDS na luta contra o PCP pela "democracia liberal", e isso marcou a sua ancoragem social: deste ponto de vista, o PS é em vários aspectos mais parecido com o PSD do que com o PCP. Ora isto levanta, para qualquer líder do PS, um problema muito sério: até que ponto avançar com uma agenda dita "progressista" ou "libertária" sem correr o risco de alienar uma parte importante do seu eleitorado? É por estas e por outras que, como já escreveu Wolfgang Merkel, o PS português é "o mais conservador partido social-democrata da Europa". E é por isso também que uma agenda política baseada neste tipo de temas tem dificuldades acrescidas em Portugal, porque não tem vozes político-partidárias que lhes dêem apoio inequívoco.

Aliás, até o BE tem tentado mitigar a sua associação com temas como os direitos dos homossexuais, a legalização das drogas e outros. Têm de lhes dar alguma atenção, para ir buscar um eleitorado mais jovem que acha que o PS é "mais do mesmo". Mas estes temas não podem presidir à agenda do partido: como atraír o eleitorado comunista - também ele moralmente conservador em muitos domínios - se se fica preso a estes temas?

O que acabo de escrever é um bocado simplista, admito, e gostava de um dia de tratar isto com mais calma e seriedade. Mas para concluir como comecei, só queria dizer que o país também é isto, ou seja, o nosso sistema de partidos, a maneira como ele se encaixa (ou não) em clivagens sociais, a maneira como isso condiciona a capacidade dos partidos articularem determinadas propostas e a maneira como, por sua vez, isso impede que se verifiquem mudanças nas opiniões e atitudes dos eleitores.

by Pedro Magalhães

Brasil, 2º turno

Posted October 24th, 2006 at 2:15 pm4 Comments

É já no dia 29. A indicação de "descolagem" de Lula, que vinha da última sondagem Datafolha, vê-se confirmada por dois outros estudos:

by Pedro Magalhães

A sondagem da Católica

Posted October 23rd, 2006 at 11:15 am4 Comments

Tenho lido na blogosfera alguns comentários aos resultados da sondagem da Católica. Antes de mais, acedo à sugestão do João Gonçalves, mas por intermédio de outrem: se quiserem ver a melhor apresentação dos resultados desta sondagem, farão melhor em ir aqui, onde o Jorge Camões arranjou uma maneira de os transformar em "beautiful evidence". Os dados estão apresentados de forma a facilitar muitíssimo a sua compreensão. Este link vai já para os meus favoritos.

A apresentação mais imaginativa dos dados permite inclusivamente de deles possam emergir mais facilmente explicações para os padrões encontrados. Para o Jorge Camões, eles mostram:

"Que temas associados a minorias visíveis são aqueles que têm maior percentagem de rejeição. Que a eutanásia a pedido da família e a pena de morte estão estranhamente próximas. Que há um grupo de temas (quotas na política, células estaminais, sacerdócio, prostituição), todos curiosamente mais próximas do universo feminino, com níveis elevados de desconhecimento ou indiferença que se traduzem na incapacidade de opinar. Que a educação sexual nas escolas é o único tema consensual."

O que, aliás, não será muito diferente disto, se bem entendo:

"Tudo visto e ponderado, constituímos uma sociedade "aética" em que a "norma" vale muito dentro de casa e para os outros, e começa a valer menos assim que se desce as escadas ou se apanha o elevador para a rua."

Li também, no blogue de Miguel Vale de Almeida, meu antigo professor no ISCTE - de resto, um dos melhores - alguns comentários à sondagem. MVA critica o facto de nela se incluirem, ao mesmo tempo, perguntas sobre os direitos dos homossexuais e sobre outros temas:

"Colocar a igualdade de direitos no mesmo plano que o consumo das drogas ou o sacerdócio feminino numa confissão religiosa é mais do que enviesamento: é partilhar da premissa (e oferecê-la aos inquiridos) de que há um problema moral (para não dizer pior) com a homossexualidade. E se a pergunta tivesse sido a única da sondagem? Ou junto com outras perguntas relacionadas com a igualdade perante a lei?"

Eu percebo o argumento. Não excluo que a convivência destas várias perguntas num mesmo inquérito influencie as respostas e também preferia fazer uma sondagem para cada tema.

Mas dito isto, acho que Miguel Vale de Almeida está a ser "disingenous". Primeiro, ele sabe perfeitamente que há um traço comum a todas estas perguntas: o modo, limites e natureza da regulação dos comportamentos individuais por parte do Estado. Têm a ver com políticas de regulação, e não políticas extractivas e redistributivas, onde o que está em jogo são interesses específicos e recursos materiais. E no caso do sacerdócio feminino, tem a ver com a regulação dos comportamentos imposta pelo agente social que, antes do Estado ter assumido o monopólio legal, exercia essa função: a Igreja. É isso que une todas estas perguntas, e não outra coisa qualquer.

Para além disso, se se levasse a de MVA avante, então tínhamos de deitar fora o General Social Survey, o British Social Attitudes Survey, o European Values Study ou o World Values Survey, todos eles estudos onde, num mesmo questionário, são colocadas estas e outros perguntas sobre estes e outros temas. Foi destes questionários, aliás, que muitas das perguntas colocadas na sondagem da Católica foram textualmente retiradas. E já agora: donde vem a insólita ideia de MVA - insólita especialmente para um cientista social e, muito especialmente, um antropólogo - de que a questão da igualdade de direitos cívicos e políticos não tem a ver com valores?

Depois há a sugestão - "São Dagem" - retomada aqui, de que os resultados foram o que foram porque a sondagem foi feita pela Universidade Católica. Será isso? Mas então por que razão a sondagem haveria de dar resultados claramente desfavoráveis, nuns casos, em relação às posições defendidas na doutrina oficial da igreja, e favoráveis noutros? Embirração especial com os homossexuais?

A verdade é outra. Releio agora os resultados de um inquérito realizado em 1998 em parceria pelo ICS e pelo ISCTE, a instituição onde MVA trabalha, no âmbito do International Social Survey Programme. Questionados sobre as relações sexuais entre adultos do mesmo sexo (e, note-se, nem sequer se está a falar em "direitos"), 73% dizem que a sua mera existência "é sempre errada". MVA pode não gostar de viver num país onde as pessoas respondem desta maneira a estas perguntas. Agora, se o quiser mudar, fazer de conta que o país não é o que é, ou que tudo não passa de uma mera construção da Universidade Católica, não me parece bom ponto de partida.

by Pedro Magalhães

Sondagens sobre despenalização do aborto

Posted October 23rd, 2006 at 9:35 am4 Comments

Em poucos dias, três sondagens sobre o tema. Resultados:

1. Aximage, Correio da Manhã, 2-4 Outubro 2006, Quotas, Telefónica, N=550:

"Concorda com a despenalização da interrupção oluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"
Sim: 47,9%
Não: 39,9%
Sem opinião: 12,2%

2. Católica, Público, 14-15 Outubro 2006, Aleatória, Presencial, N=1282:

"Concorda com a despenalização da interrupção oluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"
Sim: 53%
Não: 21%
Não tenciona votar: 16%
Sem opinião: 10%

3. Eurosondagem, Expresso/SIC/RR, Aleatória, Telefónica, N=1033:

"Se houver um referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, como tenciona votar? (só quem respondeu "vai votar")
"Sim à descriminalização": 45,4%
"Não à descriminalização": 42,4%
Ns/Nr: 12,1%

Não é preciso fazer muitas contas para perceber que há grandes discrepâncias. Na sondagem da Católica, a percentagem de apoiantes da despenalização é 2,5 vezes maior que a de opositores. Na sondagem Aximage, 1,2 vezes. Na sondagem Eurosondagem é quase 1 para 1.

Estas discrepâncias não são novidade e não podem ser exclusivamente fruto do erro amostral nem parecem estar exclusivamente ligadas às diferentes opções genéricas de amostragem ou inquirição que costumam ser seguidas pelos diferentes institutos. Basta comparar os actuais resultados da Eurosondagem com este seu estudo de Fevereiro de 2004:

Eurosondagem, Expresso, 3 de Fevereiro de 2004, Aleatória, Telefónica, N=1025

Como votaria no referendo? (apenas aqueles que disseram que votariam)
"Pela legalização do aborto": 79%
"Contra a legalização": 14%

Não é fácil fazer sentido de tudo isto. No quadro seguinte, apresento, da forma mais comparável possível, os resultados das várias sondagens que conheço desde o início de 2004 sobre o tema. Nos casos em que as sondagens colocavam a pergunta em termos de "voto num referendo", há percentagens para aqueles que dizem que não iriam votar (no caso da Eurosondagem recalculei os resultados de forma a que esses fizessem parte do total).



Ajuda um bocadinho, mas não muito. Os resultados parecem ser brutalmente sensíveis a forma como a pergunta é formulada e às opções de resposta fornecidas, para além de serem certamente sensíveis a tudo o resto (amostragem, inquirição, etc). Hoje, no Público (amanhã, aqui) procurei explicar por que razão isto sucede e o que isto nos diz sobre as atitudes dos portugueses sobre o tema.

by Pedro Magalhães

655.000 (5)

Posted October 19th, 2006 at 7:04 pm4 Comments

A não perder, Anthony Wells, do UK Polling Report, sobre o estudo da Lancet.

by Pedro Magalhães