Pedro Magalhães

Margens de Erro

Líderes

Posted August 25th, 2006 at 5:47 pm4 Comments

Segue-se a minha melhor estimativa da evolução real dos níveis de popularidade de Sócrates, Cavaco e Mendes, com Sampaio introduzido para servir de ponto de comparação. Há duas empresas a fazerem sondagens regulares, pelo menos uma vez por mês cada. Cada uma delas pergunta aos inquiridos se têm uma opinião positiva ou negativa da actuação dos vários líderes políticos. Mas como a pergunta tem formulações ligeiramente diferentes e, ao que me parece, diferentes opções de resposta (para já não falar de metodologias de amostragem e inquirição diferentes), o que faço é o seguinte:

1. Elaboro um índice de popularidade, calculado da seguinte forma: (2* "% de opiniões favoráveis" + "% de indiferentes")/2. Resulta daqui um valor que oscila entre 0 e 100, com 0 a significar 100% de opiniões negativas, 100 a significar 100% de opiniões positivas, e 50 a significar que há tantas positivas como negativas.

2. Usando dummies para a Eurosondagem e a Marktest e para cada um dos meses onde foram conduzidos inquéritos, corro uma regressão em que a variável dependente é o índice de popularidade para cada líder político e excluindo a constante da equação. Aquilo que obtenho para cada mês é a estimativa do índice de popularidade limpo de "house effects". Tudo isto funcionaria muito melhor se houvesse mais sondagens e mais institutos, mas é o que se pode fazer.



Nas próximas semanas deverão aparecer as sondagens realizadas em Agosto e logo se verá se isso traz novidades especiais. Mas entretanto, é impossível não notar:

1. A estagnação de Marques Mendes a níveis perto do "fifty/fifty" (tantas opiniões positivas como negativas);

2. A subida de Sócrates, lenta mas imperturbável, desde que ultrapassadas as confusões das autárquicas. Não é muito frequente ver um padrão deste género. A curva "clássica" do ciclo de popularidade é um ligeiro aumento logo após as eleições, seguida de uma descida até a meio do mandato, seguida de uma subida até ao final. Mas o que este conseguiu foi perder gás nos primeiros oito meses (se bem que de forma muito menos abrupta do que tinha sucedido com Durão Barroso em 2002) para de seguida começar logo a subir. Macacos me mordam se o apoio de Sócrates a Cavaco nas presidenciais (não erro muito se colocar a coisa nesses termos, pois não?) não tem qualquer coisa a ver com isto...

3. Cavaco sobe ainda mais depressa e já ultrapassou os valores que Sampaio exibia, por exemplo, em Outubro. Sobre isto, há um artigo (para subscritores) de Constança Cunha e Sá no Público, onde a única coisa que não percebo é por que razão a autora parece julgar que a coisa poderia ser diferente.

by Pedro Magalhães

Brasil

Posted August 22nd, 2006 at 6:43 pm4 Comments

Um mês depois, a aparente subida de Alckmin em meados de Julho revela-se pouco consistente. Nas sondagens de Agosto, Lula volta aos níveis anteriores de intenções válidas de voto, mesmo com Helena vindo disparada por aí acima. O melhor mesmo é ir acompanhando a coisa.

by Pedro Magalhães

Failing to be smart

Posted August 22nd, 2006 at 5:07 pm4 Comments

De volta.

Uma semana depois do cessar-fogo no Líbano, os israelitas não estão felizes. 70% acham que Israel não devia ter acedido ao cessar-fogo sem o regresso dos soldados raptados. 66% acham ou que nem Israel nem o Hezbollah ganharam a guerra ou mesmo que foi o Hezbollah o vencedor. 67% querem ver Hassan Nasrallah morto, mesmo que isso implique o recomeço da guerra. 63% gostavam de ver um ataque "preventivo" de Israel contra instalações nucleares no Irão. Aqui, aqui e aqui.

No Líbano, o apoio ao Hezbollah aumentou, pelo menos a julgar por sondagens realizadas durante o conflito. 87% apoiavam a reacção do Hezbollah à "agressão israelita". O apoio era maioritário em todos os grupos religiosos, incluindo Drusos e Cristãos. Aqui. Isto mesmo tendo em conta que, na mesma sondagem, a maioria dos Drusos se manifestou contra o rapto de soldados israelitas. No Egipto, o apoio ao Hamas também subiu exponencialmente. Aqui.

Na Palestina, há cada vez menos palestinianos a desejarem um acordo de paz com Israel. Eram 76% em Junho. São 51% agora. Aqui. 97% apoiam o Hezbollah contra Israel. A confiança em Ismael Hanieh, do Hamas, já ultrapassou a confiança em Mahmoud Abbas. Aqui (.pdf).

"Sadly, the struggle over soft power did not have to turn out this way. (...) Israel had to use force in response to Hezbollah's attack to reestablish the credibility of its deterrence, but it misjudged the scale and duration of its hard-power response. (...) And with dead Lebanese children continually displayed on television day after day, public outrage was bound to limit the leeway of moderate Arab leaders and enhance Hezbollah's narrative. (...) By failing to be smart about how we combine our hard and soft power in the struggle against jihadist terrorism, we fall into the trap set by Al Qaeda's Osama bin Laden and Hezbollah's Hassan Nasrallah, who want to cast the conflict as a clash of civilizations." (Joseph Nye, aqui, via Bloguítica).

by Pedro Magalhães

Brasil: temos eleição

Posted July 21st, 2006 at 4:28 pm4 Comments


As duas sondagens mais recentes confirmam a tendência de descida de Lula. Essa descida faz-se não por diminuição do número de pessoas que nele tencionam votar, mas sim por:

1. Diminuição do número de indecisos e a concomitante...
2. Subida das intenções de voto em Alckmin a partir de Junho, assim como a ...
3. Subida das intenções de voto em Heloísa Helena desde o início de Julho.

A partir de hoje entro em serviços mínimos até meados de Agosto. Quem se interesse pela política brasileira não perde nada em ir, por exemplo, aqui (aproveitando também a lista de ligações a cientistas políticos que estudam o Brasil), aqui ou aqui.

by Pedro Magalhães

Os americanos e a guerra no Médio Oriente

Posted July 21st, 2006 at 1:11 pm4 Comments

Survey USA, 16 de Julho, N=1200, Telefónica

Should the United States military get involved? Or should the United States military stay out of it?
Get involved: 12%
Stay out of it: 84%
Not sure: 4%

Should United States diplomats attempt to negotiate a ceasefire between Israel and its neighbours? Or should the United States stay out of it?
Stay out of it: 52%
Attempt to negotiate a ceasefire: 44%
Not sure: 4%

Does Israel have the right to attack Lebanon?
Yes:54%
No: 34%
Not sure: 12%

About the Middle East. Is the kidnapping of Israeli soldiers an act of war against Israel? Or not?
Yes: 60%
No: 25%
Not sure: 15%


Opinion Research Corporation, 19 Julho, N=633, Telefónica

Do you think Israel's military reaction to the situation in the Middle East has gone too far, not gone far enough, or been about right?
Too Far: 31%
Not Far Enough: 14%
About Right: 35%
Unsure: 20%

Which of the following statements comes closer to your view of what Israel should do? Israel should continue taking military action until Hezbollah can no longer launch attacks against Israel. OR, Israel should agree to a cease-fire as soon as possible.
Continue: 39%
Cease-fire: 43%
Unsure: 17%

Tendências maioritárias: apoio a Israel e ao direito de retaliar, resposta tende a ser mais vista como adequada ou até insuficiente, divisão sobre cessar-fogo ou continuação de ataques, desejo de não envolvimento americano (especialmente militar).

by Pedro Magalhães

O BE e os seus militantes

Posted July 20th, 2006 at 2:31 pm4 Comments

Este artigo de Ruben de Carvalho (via Abrupto) é muito divertido.

Para a próxima vez, sugiro que se use uma metodologia menos conspícua mas ainda simples (daí chamar-se "regra de três simples"). Por exemplo:

BE/Portalegre: 3216 votos; 61 militantes.
BE/Lisboa: 103944 votos; logo, 103944*61/3216 militantes, ou seja, 1972 militantes.

Assim, a coisa ficava menos óbvia, ao passo que os matematicamente inclinados não deixariam de apreciar uma proporcionalidade esteticamente atraente entre votos e militantes em todos os distritos. Mais: se se fizer a coisa no Excel, pode actualizar-se automaticamente a base de dados de militantes com a mera introdução de novos resultados eleitorais em cada distrito, solução simples para um problema que vem afectando outros partidos. E na medida em que tudo nesta equação passa a depender de Portalegre, talvez valesse a pena um esforço maior de mobilização nesse distrito, de forma a automaticamente aumentar o número de militantes em todos o país. Vão por mim que é só vantagens.

Haverá, fora de brincadeiras, uma explicação plausível para o sucedido? Difícil imaginar.

by Pedro Magalhães

Hezbollah e opinião pública libanesa

Posted July 19th, 2006 at 1:31 pm4 Comments

Não sei onde Edward Luttwak foi buscar a ideia, expressa hoje em artigo no Público (aqui, para subscritores) de que o desarmamento do Hezbollah era visto como condição para a sua aceitação pelos libaneses. Pelo menos, o que sabe da opinião pública libanesa lança sérias dúvidas sobre o diagnóstico. Em Abril de 2004, foi feita a seguinte sondagem no Líbano:

Zogby International, N=600, 2ª semana de Abril de 2004

Do you agree or disagree with the following statement? - "Hezbollah should be disarmed".
Agree: 6%
Agree, if peace exists: 18%
Only if Hezbollah Agrees: 31%
Disagree:41%

Decompondo os resultados por filiação religiosa, nem entre os Maronitas havia uma maioria a favor do desarmamento incondicional, enquanto que, entre os Xiitas, 79% eram contra esse desarmamento em quaisquer circunstâncias. Na mesma sondagem, questionados sobre se estavam ou não de acordo que os Estados Unidos colocassem maior pressão sobre a Síria para o desarmamento do Hezbollah, 61% eram contra (e só entre os Maronitas havia uma maioria a favor).

As perspectivas noutros países não são especialmente diferentes. Na Jordânia, numa sondagem bem mais recente (23 de Junho passado, Centre for Strategic Studies at the University of Jordan), 63% classificavam o Hezbollah como uma "organização de resistência legítima" (e não como uma organização terrorista).

É possível que "o objectivo político de Israel" seja "destruir a posição do Hezbollah enquanto partido político legítimo do Líbano". E é muito possível que os líderes árabes vejam o Hezebollah como um "irritante" ou mesmo um "inimigo mais perigoso que Israel", como também se diz numa notícia do Público. Mas o sentimento das populações não condiz nem com o putativo objectivo de Israel nem com as alegadas posições das lideranças políticas árabes, o que, em última análise, vai condicionar quer o sucesso do primeiro quer a manutenção das segundas. Esse sentimento, aquilo que o produz e o ressentimento brutal quer contra Israel quer contra os Estados Unidos, não deviam - pela milionésima vez - ser sub-estimados na análise da questão.

by Pedro Magalhães

Mais sondagens Médio Oriente

Posted July 18th, 2006 at 4:00 pm4 Comments

Uma mensagem convida-me a adoptar uma definição mais lata do "conflito" e a incluir sondagens anteriores aos ataques do Hezbollah, incluindo também o período que se seguiu ao rapto de Gilad Shalit e os ataques de Israel em Gaza. O que encontro é isto:

Na Palestina [Jerusalem Media Communications Center, 21-22 Junho, N=1197, face-a-face, aleatória (aqui, .pdf)]
* 77.2% expressed its support for the military operation that included the abduction of the Israeli soldier Gilad Shalit while only 21.7% said they opposed it;
* 66.8% supported the continuation of such operations that aim at the abduction of Israeli soldiers as a suitable response within the current political conditions compared with 30.7% who reject them and find them harmful to the Palestinian national interests;
* 60.4% supported the continuation of firing rockets against Israeli targets as a suitable response within the current political conditions whereas only 36% said they reject them and find them harmful to the Palestinian national interests;
Em Israel (30 Junho, sondagem publicada no Yedioth Ahronoth, não tenho elementos metodológicos):

* 53 percent of Israelis polled said the country should hold negotiations to secure his [Gilad Shalit] release, while 43 percent backed a military operation;
*58 percent of those polled would back a prisoner release if it was clear militants would otherwise kill the soldier, while 35 percent opposed it.

E já agora, aprovação da actuação de Olmert (são sondagens de institutos diferentes e formulações da pergunta ligeiramente distintas, mas as diferenças são tão grandes que certamente não se devem a isso):

* 7 Junho: 35%;
* 5 de Julho: 43%.
* 17 de Julho: 78%.

Logo:

1. Na Palestina, apoio forte ao rapto de Shalit e aos ataques a Israel;

2. Em Israel, fica a ideia que as atitudes mudaram substancialmente quando o Hezbollah e o Líbano entraram na equação;

3. Se a ideia era testar Olmert e se a ideia de Olmert é dar uma imagem de força neste teste, então a coisa não lhe está a correr mal para já. Resta saber as consequências a médio e longo prazo disto tudo...

by Pedro Magalhães

Israel, Líbano, Hezbollah: sondagem

Posted July 18th, 2006 at 1:27 pm4 Comments

A primeira sondagem feita em Israel desde o início do conflito foi feita pelo Dahaf Institute e os resultados aparecem publicados no Yedioth Ahronoth.

Dahaf Institute, N=513, Telefónica, 17 Julho:

"Fighting should continue until Hizbullah is completely eradicated": 58%
"Fighting should go on only until Hizbullah pulls back from the border": 23%
"We should stop fighting and start negotiating": 17%

"Military operation is justified": 86%
"Military action is a mistake": 14%

Performance of Israeli military forces:
"Very good": 62%
"Fairly good": 25%
"Fairly bad": 5%
"Very bad": 4%

O apoio à acção militar e ao desempenho das IDF é ainda mais elevado entre a população que vive no norte de Israel.

Vou tentar acompanhar a publicação doutras sondagens quer em Israel quer noutros países, mas para já julgo poder dizer com segurança que esta é a única publicada até agora sobre o tema.

by Pedro Magalhães

Cá está

Posted July 11th, 2006 at 5:45 pm4 Comments

Sondagem Sensus confirma indicações anteriores da Datafolha e da Vox Populi: Alckmin sobe, Lula desce.

by Pedro Magalhães