Pedro Magalhães

Margens de Erro

Itália, a menos de duas horas

Posted April 10th, 2006 at 12:14 pm4 Comments

Originais em tudo, os italianos encerram as urnas às 15.00h de segunda-feira, ou seja, 14.00h de Lisboa. As últimas sondagens, divulgadas a 15 dias das eleições, apontavam para um resultado que andaria entre os 52 e os 54% para a Unione de Prodi.

Contudo, muita atenção ao que se segue. Por um lado, sempre foram 15 dias. Por outro lado, há o sistema eleitoral. E o sistema eleitoral implica o seguinte:

1. Todos os partidos integrados numa coligação que obtenham menos de 2% dos votos (e todos os partidos foram de coligações que tenham menos de 3% dos votos) não elegem deputados, ou seja, ficam excluídos por uma cláusula-barreira.

2. Em princípio, isto não deverá afectar a Liga Norte ou os Democratas Cristãos membros da Casa de Berlusconi, que, em 2001, tiveram mais de 3% dos votos.

3. Contudo, isto pode afectar seriamente a eleição de deputados por parte de todos os partidos da Unione com excepção do Ulivo e da Refundação Comunista.

4. Acresce a isto que há um "bónus" para a coligação mais votada, garantindo-lhe pelo menos 340 assentos parlamentares em 630, ou seja, uma maioria absoluta.

5. Eu disse coligação "mais votada"? Não é bem "mais votada": é mais votada depois de redistribuidos os votos dos partidos que não passaram a cláusula-barreira de 2%, ou seja, com toda a probabilidade, vários partidos da Unione.

6. Logo, é perfeitamente possível que a Unione tenha mais votos que a Casa, mas fique com menos após a redistribuição e que, logo, seja a Casa de Berlusconi fique com o bónus e, logo, com uma maioria absoluta, apesar de ter, em absoluto, menos votos!

by Pedro Magalhães

Popularidade líderes Abril

Posted April 10th, 2006 at 12:00 pm4 Comments

Com a divulgação do estudo da Eurosondagem, é possível actualizar o gráfico apresentado antes aqui. O que se faz, recorde-se, é:

1. Recorrer aos Barómetros Marktest (TSF, DN) e Eurosondagem (Expresso, SIC, RR), nas questões de avaliação da actuação dos líderes políticos;
2. Calcular um índice (2*% "Positiva" + %"Assim-assim;Ns;Nr)/2, que varia entre 0 e 100;
3. Calcular valores para cada mês do ano, limpos de "house effects".
















Sampaio termina em Março com um score de 81 pontos em 100. Cavaco entra em Março com 64,4 pontos mas já subiu em Abril para 68,8. Sócrates prossegue recuperação de popularidade iniciada após as autárquicas, estando a menos de 10 pontos do score verificado no primeiro mês de governação. Mendes está estável, com menos 10 pontos do que tinha quando assumiu, há um ano, a liderança do PSD.

by Pedro Magalhães

Vietname e Iraque

Posted April 7th, 2006 at 1:22 pm4 Comments

Fonte: Gallup (dados disponíveis aqui e aqui)

Questão 1: "In view of the developments since we entered the fighting in Vietnam, do you think the U.S. made a mistake sending troops to fight in Vietnam?" Gráfico mostra % daqueles que respondem afirmativamente. No eixo x, dias desde operação Rolling Thunder.

Questão 2: "In view of the developments since we first sent our troops to Iraq, do you think the United States made a mistake in sending troops to Iraq, or not?" Gráfico mostra % daqueles que respondem afirmativamente. No eixo x, dias desde invasão do Iraque.
(Clicar na imagem para ver melhor)


Não creio que precise de comentários.

by Pedro Magalhães

Brasil

Posted April 6th, 2006 at 2:41 pm4 Comments

Saiu uma sondagem do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, no Jornal do Brasil. Vamos ter calma e, com a continuação, tentar perceber se as diferenças entre as sondagens estão a reflectir apenas erro amostral e diferenças entre métodos ou se, pelo contrário, reflectem mudança nas intenções de voto. Certo é que Lula tem menos 7 pontos do que na sondagem de 11 de Março, enquanto Alckmin subiu 9. A seguir com atenção.

by Pedro Magalhães

Popularidade dos líderes políticos

Posted April 3rd, 2006 at 12:25 pm4 Comments

No dia 31, o DN e a TSF divulgaram os dados de uma sondagem da Marktest, realizada entre os dias 21 e 24 de Março, telefónica, quotas, N= 813. No que respeita à popularidade dos líderes, há várias maneiras de se pegar nos dados:

1. Avaliações positivas (Marktest):


Com a primeira sondagem incidindo sobre a avaliação de Cavaco Silva como Presidente, há uma queda abrupta em relação à última sondagem que incidia sobre a avaliação de Jorge Sampaio. Para Sócrates, depois de uma subida contínua desde as autárquicas, há estabilização. E Marques Mendes parece ter estancado uma lenta descida desde as autárquicas.


2. Saldo %"actuação positiva" - % "actuação negativa" (Marktest): o gráfico anterior negligencia o facto de a percentagem de respostas "não sabe/não responde" variar muito consoante os diferentes objectos de avaliação, não tomando por isso em conta a possibilidade de a uma grande percentagem de opiniões positivas poder também corresponder uma grande percentagem de opiniões negativas (nem a possibilidade de a uma baixa percentagem de opiniões positivas poder corresponder também uma baixa percentagem de opiniões negativas). Logo, o gráfico seguinte apresenta o saldo de opiniões negativas-positivas:


Como se vê, Sócrates e Mendes geram muito mais polarização, para já, do que o Presidente, que apesar de ter poucas avaliações positivas tem também muito poucas avaliações negativas. Seja como for, as tendências ao longo do tempo são as mesmas.

3. Índice limpo de "house effects": uma maneira de procurar resolver os problemas anteriores consiste em calcular o índice que forma a que dê algum significado à percentagem de "não respostas". Para além disso, há um segundo problema, o facto de as sondagens Eurosondagem e Marktest não serem rigorosamente comparáveis, dado que as sondagens da Eurosondagem dão a opção de resposta "assim-assim". Assim, procedemos da seguinte forma:

a. Cálculo do índice:

I= (2*%positivo + %"assim-assim"+"ns"+"nr")/2.

Tudo o que estiver acima de 50 significa que há mais opiniões positivas que negativas. O valor 0 (zero) significa que todas as opiniões são negativas. O valor 100 significa que todas as opiniões são positivas. "Ns/nr" é tratado como indicador de indiferença, "nem bom nem mau".

b. Eliminação de "house effects": segui p procedimento descrito aqui. Março não aparece na Presidência porque uma sondagem incidiu sobre Sampaio e outra sobre Cavaco.


Estes resultados são os que posso fornecer que me parecem mais próximos de captarem reais tendências de mudança ao longo do tempo, por um lado, e permitir comparabilidade entre os líderes políticos e as diferentes empresas de sondagem, por outro.

Assim, é visível uma descida inicial dos três líderes políticos até ao Outono (mais mitigado no caso do PR) e uma posterior recuperação (igualmente mitigada no PR e também com Marques Mendes, mais acentuada com Sócrates).

by Pedro Magalhães

Blogues temáticos

Posted March 29th, 2006 at 12:14 pm4 Comments

Falar de Blogues Temáticos
30 de Março, 19:00 horas, Livraria Almedina

Doc Log , Leonor Areal
Educar para os Media ,Vitor Relvas
E o mordomo que trabalha nesta casa, vindo a correr de apresentar um paper sobre as sondagens autárquicas no Congresso da Associação Portuguesa de Ciência Política.

by Pedro Magalhães

Israel, sondagens e resultados

Posted March 29th, 2006 at 9:50 am4 Comments

Como de costume, remeto para quem sabe fazer mais e melhor. Um breve resumo:

- Kadima ganha, mas abaixo das sondagens, confirmando tendência de descida que vinha desde as eleições palestiniananas;
- catástrofe no Likud; Netanyahu castigado;
- Yisrael Beiteinu passa para terceiro partido, confirmando tendência de subida;
- surpresa: Gil, o partido dos pensionistas, consegue 7 lugares no Knesset;

O Kadima fica na posição privilegiada de partido pivot. Sem eles, não há governo, e podem "escolher", por assim dizer, com quem governar. Tudo se parece encaminhar para uma coligação de centro-esquerda: Kadima, Trabalhistas, Shas (partido sefardita, flexível na questão palestiniana e favorável a políticas sociais) e Gil.

O comentário do Haaretz:

"Those who mocked Labor and Peretz because of their social agenda - saying all that matters in Israel are security-diplomacy issues - will have to think again. It's not just Labor doing better than expected that proves this, but mainly the success of the senior citizens' party. Maybe it's because Israelis are already set on the right solution for the Palestinian issue (i.e. unilateral steps), that they figured that they can now vote on something else."

by Pedro Magalhães

Brasil, a seis meses

Posted March 28th, 2006 at 3:40 pm4 Comments

Não pensaram que estas escapavam? As eleições mais interessantes do ano. Agora que Alckmin e Garotinho estão confirmados e que as respostas já não são sobre meros cenários, é a altura de começar a coligir dados.

Conheço três institutos que divulgam dados de intenção de voto regularmente: IBOPE, Datafolha e Sensus. Se conhecerem mais, avisem. Para já, após a confirmação de Alckmin, só conheço duas sondagens: uma do IBOPE e outra da Datafolha. Em relação a sondagens anteriores, que lidavam apenas com cenários, Alckmin sobe e Garotinho mantem-se estável. Mas há muito caminho para percorrer.

Dois quadros apresentados abaixo: um com os resultados brutos e outro que os dados são apresentados como se fossem resultados eleitorais, excluindo brancos e nulos e tratando "não respostas" e indecisos como abstencionistas (ou seja, redistribuindo-os proporcionalmente pelas opções válidas). Para já, temos Lula à 1ª volta, e um surpreendentemente baixo número de indecisos.

Falta dizer que a reputação dos institutos de sondagens no Brasil é impecável: grande mercado, muito dinheiro, muita competência, voto obrigatório (o que limita os efeitos nefastos da abstenção sobre as estimativas de resultados eleitorais).

by Pedro Magalhães

Israel, véspera de eleições

Posted March 27th, 2006 at 5:49 pm4 Comments

A última actualização da análise das sondagens sobre as eleições israelitas no indispensável Political Arithmetik, mostra o Kadima a descer (tal como vem sucedendo desde as eleições na Palestina), mas ainda, e muito claramente, como vencedor. Trabalhistas e Likud parecem estáveis, mas o Yisrael Beiteinu, que tem forte implantação entre os judeus vindo da ex-União Soviética, prepara-se para se tornar o 4º partido (não sendo completamente de excluir que ultrapasse o Likud, o que seria um resultado espantoso).

Sobre o panorama de coligações pós-eleitorais, Matthew Shugart apontava há dias as várias possibilidades. Na base das estimativas mais recentes, os cenários de Shugart continuam a fazer sentido.

by Pedro Magalhães

Focus group

Posted March 24th, 2006 at 3:42 pm4 Comments



As coisas que se ficam a saber com um focus group...

Explicação aqui.

by Pedro Magalhães