Pedro Magalhães

Margens de Erro

Os resultados

Posted January 20th, 2006 at 11:28 am4 Comments

Algumas notas:

1. As sondagens estão colocadas por ordem crescente do último dia de trabalho de campo;

2. As últimas sondagens de cada instituto estão assinaladas no final, a azul.

3. A última sondagem Marktest tem um dia de trabalho de campo comum com a anterior que estava no quadro. Logo, retirei a anterior e deixei apenas a última.

4. A sondagem Aximage anterior foi também retirada do quadro e colocada apenas a divulgada hoje, já que as sondagens divulgadas nos últimos dias no CM resultam da acumulação de novos inquiridos à amostra inicial. Os pontos de interrogação dizem respeito aos elementos que a Aximage ou o Correio da Manhã decidiram não querer partilhar com os leitores, nomeadamente, os resultados brutos, para além do próprio método de redistribuição dos indecisos.

5. Deverá faltar aqui, pelo menos, a sondagem Intercampus para a TVI. Se existir - só deverá ser divulgada hoje à noite.


by Pedro Magalhães

Últimas arrumações

Posted January 19th, 2006 at 3:44 pm4 Comments

Um amável e-mail de Alexandre Picoito, responsável da Pitagórica, ajuda-me a acabar de preencher o quadro das sondagens. Para não sobrecarregar o blogue, limito-me a substituir a imagem que estava aqui.

Alexandre Picoito esclarece também que o tratamento de abstenção a que se aludia no JN "resulta de várias questões incluídas no questionário e cujas respostas ponderadas entre si, identificam uma 'projecção provável' de abstencionistas que são retirados das análises de voto". É, de facto, uma prática comum a outras sondagens, especialmente em países de abstenção elevada (a que nós, em bom rigor, começamos a pertencer).

O curioso destas coisas gostaria de saber exactamente como se constrói esse modelo. Mas aqui, admito, a curiosidade tem limites. Por um lado, não é fácil a qualquer órgão de comunicação explicar exactamente todos os pormenores destas coisas. E por outro, mais importante, os responsáveis dos institutos de sondagens não são obrigados a fazê-lo, e podem, se assim o entenderem, encarar estes modelos como uma propriedade intelectual que não desejam partilhar.

Muito diferente é a questão da redistribuição dos indecisos: ao contrário do que alguns ainda parecem julgar, é a própria legislação que obriga a que, "sempre que seja efectuada a redistribuição dos indecisos" se faça na ficha técnica "a descrição das hipóteses em que a mesma se baseia". Aqui não pode haver "segredo industrial". Mas isso nada tem a ver com a sondagem da Pitagórica: o jornal nem publicou os resultados após redistribuição dos indecisos e que as hipóteses que a empresa faz na sua análise, cujos resultados coloco agora no quadro, são claras, simples e evidentes: redistribuição proporcional.

by Pedro Magalhães

Aditamento

Posted January 18th, 2006 at 6:47 pm4 Comments

Com a ajuda dos responsáveis da Aximage, lá cheguei (compreensão lenta) aos resultados após redistribuição por indecisos. Já estão corrigidos abaixo. Mantenho tudo o resto que lá está escrito.

by Pedro Magalhães

Carta da Aximage, correcção e resposta minhas

Posted January 18th, 2006 at 3:55 pm4 Comments

Este blogue recebeu hoje um e-mail de João Queiroz, responsável da Aximage. Nele reproduz-se um e-mail que, segundo o autor, me foi enviado dia 14 de Setembro, e que não recebi. Diz-se nele o seguinte:

Boa tarde,
Como responsável da Aximage gostaria de clarificar que:
1. Fazemos os questionários de acordo com a nossa percepção da actualidade.Ou seja, estudamos com humildade exaustiva os fenómenos que nos rodeiam, sem andarmos a ler (ou ouvir “recados”) “aqui” ou “ali”; 2. Nem tudo o que é perguntado é publicado. Por razões para mim óbvias do ponto de vista da investigação e da actualidade editorial.O leitor também sabe que essa era uma última pergunta, efectuada fora docontexto lógico das que permitiram publicar os resultados;
3 - As leituras feitas às nossas sondagens só vinculam quem faz as leituras,não as sondagens. Por motivos deontológicos também não comentamos a validade da forma como,noutras, estão formuladas as questões que conduzem à "passagem" da 1ª para a 2ª volta.

Melhores cumprimentos.

Suponho que se refere a este post.

Mas há uma mensagem data de hoje, que exige mais atenção (sublinhados meus):

E.mo Senhor,

Verifico que não deve ter recebido o meu mail de 14 de Setembro, sobre matéria em que a Aximage era citada. Encontrá-lo-á abaixo. Quanto aos comentários de hoje e ao tratamento dos nossos resultados tenho a dizer-lhe que considero cientificamente criticável, para dizer o mínimo, a distribuição que faz dos indecisos em trabalhos que não conduz/supervisiona. Contudo, atendendo ao carácter do media em que publica as suas conclusões, vamos "vivendo" com isso. Já me custa a aceitar, porque revela falta de seriedade intelectual, que o faça quando os responsáveis do trabalho, utilizando métodos que não o da simples máquina de calcular, publicaram esse dado. Que não dá, como é óbvio, 8%!
Cumprimentos,
João Queiroz
Aximage

Ora bem. Em parte, culpa minha. Numa sondagem anterior, já tinha sucedido que a Aximage tinha feito uma redistribuição de indecisos que não correspondia à distribuição proporcional pelas opções válidas. Parece-me perfeitamente legítimo que se tomem, para esse efeito - caso se queira fazer essa operação de redistribuição - as opções que se quiser. E foi por isso mesmo que, no quadro que aqui publico, segui os dados fornecidos pela Aximage. Basta ver o que se passou neste post. Logo, desta vez, o erro foi meu: não vi que, no corpo do texto da notícia do Correio da Manhã, são dados os resultados que decorrem das opções da Aximage de redistribuição de indecisos. São agora apresentados, com as minhas desculpas pelo lapso.



A questão com que fico, e creio com que alguns dos leitores do Correio da Manhã ficam, é esta: como, então, redistribui a Aximage os indecisos? Se não é com a "simples máquina da calcular", então como é? Teremos nós, os leitores do Correio da Manhã de hoje, o direito de saber? E terei eu algum impedimento deontológico que me impeça de fazer a pergunta?

E há um último aspecto para resolver: por que razão neste blogue se apresentam quer os resultados brutos quer os resultados após redistribuição de indecisos (da forma como os próprios institutos os redistribuem ou, na ausência dessa redistribuição, de forma proporcional pelos candidatos)? As razões são as seguintes:

1. Porque os diferentes resultados brutos dados pelas diferentes empresas não são comparáveis entre si, por razões já explicadas várias vezes neste blogue, por exemplo aqui.

2. Porque é a boa prática internacional, sancionada e confirmada dezenas de vezes em muitos estudos académicos, tais como este ou este, e sancionada em estudos da American Association for Public Opinion Research, como este.

3. Porque se assim não se fizer, se gera ainda maior confusão entre a opinião pública do que necessário, como sucedeu neste caso.

4. Porque essa confusão pode ser manipulada por responsáveis de institutos de sondagens com o objectivo de validarem injustificadamente o seu próprio trabalho, comparando, por exemplo, os resultados brutos (ou seja, ainda com indecisos ou abstencionistas) das suas sondagens com resultados eleitorais finais. Se querem um exemplo deste tipo de actuação, podem ir à Hemeroteca ler um artigo publicado na Visão, em 21 de Dezembro de 2001, intitulado "Não Matem o Mensageiro". As ironias do destino a que se sujeitam os que não têm memória...

by Pedro Magalhães

Aximage, Presidenciais, 18 de Janeiro

Posted January 18th, 2006 at 11:14 am4 Comments

Quadro com a sondagem divulgada hoje pelo Correio da Manhã. Com a redistribuição dos indecisos, a "tangente" de que se fala da 1ª página é uma tangente de...8%. Actualizo também informação sobre a Intercampus: a escolha dos inquiridos é feita na base de quotas de sexo e idade, após selecção aleatória de localidades e domicílios. Fiquei a saber isto devido à amabilidade do António Salvador, director da Intercampus. mas não fiquei nem ficámos a saber disto pela TVI...

by Pedro Magalhães

Questões sobre a tracking poll da Marktest

Posted January 17th, 2006 at 6:00 pm4 Comments

No Martinho da Arcada levantam-se duas questões sobre a composição das amostras na tracking poll Marktest, e tenho recebido vários e-mails pedindo-me uma opinião. Fiquei curioso, e fui ver os resultados.

Uma das questões levantadas, de resposta simples, tem a ver com aparentes mudanças na composição etária da amostra. Ora parece-me aqui que pode haver confusão. Lendo as fichas técnicas de dia para dia, disponíveis aqui, verifica-se que a composição das amostras pelos três escalões etários usados se tem mantido estável. Só começa a mudar recentemente devido ao aumento progressivo da dimensão da amostra, mas apenas em termos absolutos, já que as diferenças em termos relativos (distribuição da amostra por estratos etários) são muito reduzidas. Nem podia ser de outra forma, dado ser uma amostragem por quotas e a idade entrar para a construção dessas quotas. Talvez tenha sucedido uma confusão na análise entre a composição das amostras e as das sub-amostras, tal como se assinala nos comentários ao post acima mencionado...

O segundo problema assinalado pelo David Santos é o facto de o PSD aparecer com intenção de voto maioritária nas legislativas em todas as sondagens. Aqui, creio que o autor do post se refere aos totais que aparecem em linha no ficheiro de resultados. Mas aqui deve haver outra confusão: estou a olhar, este momento, para os resultados da sondagem divulgada dia 16, onde o Martinho da Arcada vê 153 votos para o PSD e 150 para o PS. Mas eu vejo, com estes que a terra há-de comer, 179 para o PS e e 165 para o PSD. O que o David Santos está a ver são as intenções de voto nas legislativas daqueles que têm uma intenção de voto nas presidenciais. Pois, mas isso já todos sabíamos: o eleitorado do PS está mais desmobilizado e mais indeciso que os dos restantes partidos, logo está subrepresentado no interior da sub-amostra daqueles que têm uma intenção de voto nas presidenciais.

Estou a ver a coisa bem? Creio que sim. E assinalo, uma vez mais, que esta saudável conversa só existe porque a Marktest põe tudo cá para fora.

by Pedro Magalhães

De gustibus non est disputandum

Posted January 17th, 2006 at 3:59 pm4 Comments

Este post teve várias interpretações na blogosfera. Aqui foi citado a propósito de possíveis efeitos das sondagens sobre os resultados eleitorais. Aqui já mereceu uma discordância explícita, sugerindo-se que "há aspectos bem mais determinantes e sólidos do que a interacção do sentido das escolhas das pessoas com os resultados das várias sondagens" e criticando-se, por interposta citação, o meu fantasismo sobre a minha própria importância. Já aqui sugere-se que estou a "pôr as barbas de molho" (a precaver-me contra possíveis discrepâncias entre as sondagens e os que vierem a ser os resultados, suponho).

Tudo bem. Mas eu julgava que a citação do Patterson não tinha a ver quer com os efeitos das sondagens no comportamento eleitoral quer com as eventuais "falhanços" das sondagens como instrumentos de descrição da opinião pública ou previsão do comportamento de voto. Pensava sim que falava do efeito negativo que a colocação das sondagens no centro da cobertura jornalística da vida política pode ter para a qualidade do funcionamento da democracia.

Mas se calhar tenho de ler outra vez: vou aproveitar para ler uma versão amavelmente traduzida (obrigado!).

by Pedro Magalhães

Marktest, Presidenciais, 17 Janeiro

Posted January 17th, 2006 at 12:16 pm4 Comments

A amostra da tracking poll da Marktest foi novamente renovada em completo. Começa também, tal como previsto, a aumentar de dimensão. Os resultados estão na última linha do quadro seguinte. Vou reservar a minha análise de resultados e tendências para após a divulgação de todas as sondagens.

by Pedro Magalhães

Talvez o post mais importante deste blogue nos últimos meses

Posted January 16th, 2006 at 12:30 pm4 Comments

À vossa e minha atenção, um excerto de um artigo no último e magnífico número especial da Public Opinion Quarterly dedicado às sondagens eleitorais:

The use of polls can extend beyond reason. U.S. elections have reached that point. As reported by the American press, a campaign is a spectacular struggle: rapid followers, do-or-die encounters, strategy, tactics, winners, and losers. A campaign, to be sure, is all of these things, but it is more than these things. It is an opportunity to choose the nation's leadership. (...) America's poll-driven election coverage squeezes out content that would inform voter's judgment.

Poll-driven stories also distort the public's perceptions of the candidates. (...) Candidates are strategists, of course. But the fact that they dramatize their appeals and tailor their messages is nothing new. Such maneuvers are as old as politics itself. What is new is the penetrating intensity with which candidates' activities are exposed, dissected, and criticized. And it should occasion no surprise that as candidates have increasingly been portrayed as master of strategy and manipulation, Americans would think less highly of them.

Nor should it occasion surprise that American have soured on campaigns. Elections have become negative affairs filled with horse-race commentary and analysis. (...) Polling cannot be blamed for all or even most of the ills of American campaigns. But this powerful technique has taken its place alongside big money, negative advertising, attack journalism, and other developments that in combination have diminished American elections.

In Thomas E. Patterson, "Of Polls, Mountains: U.S. Journalists and their Use of Election Surveys", Public Opinion Quarterly, Vol. 69, nº 5, pp. 716-724.

by Pedro Magalhães

Mais comentários e dúvidas

Posted January 16th, 2006 at 11:28 am4 Comments

1. De um e-mail:

Há um apontamento seu, recente, que merece um pequeno comentário meu – de leigo. É em relação à comparação entre as últimas sondagens de 1996 e o resultado de Sampaio. Também já tinha analisado o assunto, mas encontrei uma explicação diferente. O diferencial terá resultado do facto de as sondagens retratarem apenas o comportamento dos eleitores no Continente. Por regra, a esquerda (neste caso, Sampaio) “perde” 1 ponto ou 1 ponto e ½ quando se consideram os eleitores das regiões autónomas e da emigração. Se for assim, o episódio não se repetirá com Cavaco... Enfim, no dia 22, saberemos.

Parece-me correcto. Não creio que isso chegue para explicar diferenças de tão grande magnitude, mas na medida em que o universo das sondagens seja - e é-o, invariavelmente - o dos eleitores do Continente, o comportamento diferencial dos eleitores das regiões autónomas e da emigração fará sempre alguma diferença. O que significa uma coisa: ceteris paribus, Cavaco estará, provavelmente, a ser ligeiramente subestimado nas sondagens em relação aos resultados totais finais.


2. De outro e-mail:

A chamada tracking poll, ao somar os resultados dos últimos 4 dias acaba por "mascarar" subidas ou descidas abruptas num dado dia porquanto se tem sempre em conta os três dias anteriores. Certo? E como se mede esse efeito?

Subidas ou descidas abruptas num dia são de facto "amortecidas" ao se juntarem os resultados dessa sub-amostra diária aos das sub-amostras anteriores. Isso, contudo, é uma coisa boa: nada nos garante que "subidas" ou "descidas" medidas através de uma amostra de 150 inquiridos sejam "subidas" ou "descidas" reais. Quando as sucessivas sub-amostras começam a mostrar sistematicamente as mesmas tendências, então sim, é provável que estejamos a ver mudanças reais. E isso será visível quer na comparação com os dias anteriores quer comparando as duas sondagens mais próximas com bases amostrais completamente diferentes, como faço nos quadros que aqui apresento.


3. De outro e-mail:

Porque é que as percentagens de Cavaco são inversamente proporcionais ao número de inquiridos, sendo estes directamente proporcionais com as de Soares?

Até certa altura, também me pareceu que, quanto maior a dimensão da amostra, melhores os resultados para Soares (e piores os de Cavaco). Contudo, assim que introduzimos a dicotomia quotas vs. aleatória como variável de controlo, o efeito da dimensão da amostra desaparece. Por outras palavras: o facto de amostras maiores estarem a dar melhores resultados para Soares parece resultar apenas do facto de sondagens com a amostragem aleatória terem sido, até certa altura, e tendencialmente, as sondagens com maiores amostras. Mas essa relação é espúria.


4. E o último:

Os resultados alternados de Jerónimo e Louçã - quer entre sondagens, quer nas mesmas sondagens - não demonstrarão, mais do que a dúvida entre Soares e Alegre, uma confusão generalizada entre o eleitorado de esquerda? É que se assim for, o que me parece, pode estar a existir um equívoco generalizado na distribuição de indecisos, uma vez que os mesmos podem conviver nesse "drama" da escolha, optando, por ora, por se mostrarem indecisos.

Como já aqui escrevi várias vezes, eu partilho do palpite (que é mais do que um palpite, quando analisamos a composição partidária da sub-amostra "indecisos"). Mas a minha conclusão continua a ser esta.

by Pedro Magalhães