Pedro Magalhães

Margens de Erro

Obrigado

Posted January 16th, 2006 at 11:20 am4 Comments

Ao Linha do Horizonte e ao Bi-Marketing pela lembrança (e ao A Origem das Espécies, à Loja de Ideias, e ao iuris).

by Pedro Magalhães

Pitagórica, Presidenciais, 16 de Janeiro

Posted January 16th, 2006 at 11:11 am4 Comments

Quadro actualizado com uma sondagem feita para o JN pela Pitagórica. Algumas notas:

- A ausência dos resultados brutos completos não é falta nem do JN nem da Pitagórica, mas sim minha, que não tenho o jornal comigo nem encontro os resultados completos na Net. Mas eles estavam lá. Actualizo amanhã;

- Como de costume, para tornar os resultados comparáveis entre si, redistribuo os indecisos proporcionalmente pelas opções válidas;

- A ordem de apresentação é crescente pela data de realização do trabalho de campo;

- Nada de novo, a não ser a confirmação de que amostragens aleatórias estão a dar piores resultados para Cavaco e para Alegre. Porquê? No tengo ni idea.

(Actualização: afinal, relendo o jornal, não está lá nada sobre percentagem de inquiridos que afirmaram não votar, votar em branco ou nulo. Há uns "resultados brutos" e depois um misterioso "tratamento de abstenção sem distribuição de indecisos". Fica assim como está).

by Pedro Magalhães

O crente e o céptico (2)

Posted January 13th, 2006 at 6:06 pm4 Comments

Contudo, o céptico gostaria de recordar algo ao crente: as diferenças entre sondagens ao longo do tempo reflectem não apenas mudanças reais de preferências ou o erro amostral (aleatório), mas também o erro não-amostral, fruto da interacção entre as opções e decisões técnicas dos institutos de sondagens e a realidade que encontram. E uma das maneiras como muitas vezes se encapsula esse erro não amostral é na ideia de um "house effect", ou seja, o facto de o conjunto de opções feitas por um determinado instituto o levar a enviesamentos próprios.

No seguimento disso, o céptico mostra o seguinte quadro ao crente, lembrando-lhe que, nalguns casos, as diferenças entre os resultados médios por institutos de sondagens são tão grandes que não se poderão certamente dever a erro aleatório, resultando apenas do facto de determinados institutos tenderem a "beneficiar" ou "prejudicar" (sem que isso corresponda propriamente a uma intencionalidade) este ou aquele candidato:






O crente responde com as mudanças nas preferências dos eleitores. Mas o céptico diz-lhe que, numa regressão linear que tenha a dimensão da amostra, o nº de dias desde a primeira sondagem e uma dummy para o ano de 2006 como variáveis de controlo, os institutos de sondagens como restantes variáveis independentes e os resultados de Cavaco Silva como variável dependente, quase todas (e apenas) as dummies para os institutos de sondagens são estatisticamente significativas.

Ou seja: que os resultados que as sondagens têm apontado para Cavaco Silva parece ser mais afectados pelo facto de ter sido este ou aquele instituto a fazê-la do que pela passagem do tempo, pela nova fase criada com a entrada do ano de 2006 ou pela dimensão da amostra. E que instituto está a captar melhor a realidade? Que teoria de comportamento político temos para o que está a acontecer? Não sabemos, não podemos ter, diz o céptico.

Sois crentes ou cépticos?

by Pedro Magalhães

O crente e o céptico (1)

Posted January 13th, 2006 at 6:01 pm4 Comments

Desde que aqui se escreveram dois posts intitulados "Tendências" e "Dispersão", este blogue ficou com um problema de dupla personalidade.

A primeira é a do crente (se bem que não necessariamente crédulo). O crente está convencido que, apesar do erro aleatório, as diferenças entre os resultados obtidos pelos candidatos ao longo do tempo reflectem mudanças reais nas preferências dos eleitores. O crente não vai ao ponto de achar que a relação entre o tempo e os resultados dos candidatos seja puramente linear, preferindo formas mais subtis de captar as mudanças causadas pelos eventos de campanha.

Mas quando olha para os gráficos seguintes, o crente formula uma teoria: para fim de determinação do vencedor, estas eleições acabaram. Cavaco flutua, em 19 das 19 sondagens, acima dos 50%, sem tendência aparente. Os eleitores, mesmo os do PS, estão maioritariamente persuadidos quer da sua vitória quer do facto de essa vitória não ter consequências de maior para a governação. Logo, estas eleições já não são sobre quem vai ganhar. E assim, Soares, o único visto como podendo derrotar Cavaco, perde o gás definitivamente na abertura do ano de 2006, no rescaldo dos debates e dos ataques à comunicação social. Os incentivos para o voto útil à esquerda desapareceram: Louçã, Jerónimo e até Alegre (cujas debilidades foram expostas ao longo da campanha e o tinham levado à descida), ficam com os despojos desta batalha perdida, e parecem crescer na recta final.




































by Pedro Magalhães

Interlúdio: o Friedman certo…

Posted January 13th, 2006 at 3:11 pm4 Comments

é este, e não este. A ler urgentemente:

by Pedro Magalhães

Marktest e Intercampus, 12 e 13 de Janeiro

Posted January 13th, 2006 at 12:34 pm4 Comments

Agora que a amostra da tracking poll da Marktest se renovou completamente (constituindo uma nova base amostral), podemos adicionar os resultados à nossa lista. E ontem, a TVI divulgou outra sondagem, da Intercampus. A não divulgação dos resultados brutos pela TVI (à excepção dos indecisos) faz com que tenha tido de os estimar eu próprio.



Análises e comentários de seguida.

by Pedro Magalhães

Críticas

Posted January 12th, 2006 at 7:08 pm4 Comments

Ao consultar o blogue Margens de erro, dinamizado por um especialista de sondagens da Universidade Católica, sou confrontada com a dificuldade de apreender todas as explicação dos termos técnicos. E continuo na ignorância sobre a explicação fundamental acerca dessas opções técnicas. Este blogue que, dizem, todos os políticos consultam avidamente, pois compara os resultados das diversas e sucessivas sondagens, é um site só para especialistas e fanáticos: mais interessados em discutir a margens de erro de uma técnica ou de outra, as suas vantagens relativas, as suas variações na estimativa, como num jogo de apostas e pontuações, ou numa corrida de aficcionados. Em suma, um exercício de adivinhação.

Ali não encontro qualquer esclarecimento capaz de satisfazer o eleitor comum. Nos sites dos candidatos, não vejo nenhuma versão contraditória dos factos das sondagens. Nos jornais, encontro sensacionalismo e preversão dos números. No DN esta semana, uma sondagem actualizada todos os dias pretende demonstrar a evolução dia-a-dia das tendências do voto, como se fosse um campeonato, ou uma volta a Portugal em bicicleta. Este empolamento não passa de uma falácia para criar suspense e vender jornais.

Mais porrada aqui.

by Pedro Magalhães

It ain’t necessarily so…(2)

Posted January 11th, 2006 at 4:12 pm4 Comments

No post anterior com o mesmo título, apresentei alguns aspectos do conjunto de sondagens realizadas desde finais de Outubro até hoje que geram incerteza sobre as medições descritivas que têm feito sobre a realidade. Neste, queria discutir outro tema: o que nos dizem as sondagens feitas até agora sobre o futuro, a votação do dia 22?

Para os mais ortodoxos e defensivos, a resposta é pouco ou nada. As sondagens são descrições e não previsões, etc e tal. Eu acho certamente que dizem alguma coisa. Existem alguns padrões regulares de relações entre os resultados de sondagens e os resultados de eleições. Mas há pelo menos duas coisas para as quais queria chamar a atenção e que impelem a alguma prudência:

1. É uma banalidade dizer-se que sondagens conduzidas mais perto das eleições produzem resultados mais próximos dos resultados eleitorais, o que sugere que as sondagens da próxima semana estarão mais perto desses resultados que as de hoje. Claro. Contudo, a questão não é apenas a de estarem mais perto. A questão é que, por vezes, as últimas sondagens antes das eleições são substancialmente diferentes das sondagens que as precedem. Parte do fenómeno tem a ver com o facto de, simultaneamente, se cristalizarem opções de voto de anteriores indecisos e de esses indecisos serem substancialmente diferentes do resto do universo. Já vimos, por exemplo, como os actuais indecisos são desproporcionalmente compostos por simpatizantes do PS, e isso pode ter consequências.

Mas a outra parte menos conhecida e, talvez, mais importante do fenómeno é que o investimento dos meios de comunicação social e dos institutos de sondagens tende a ser muito maior nas últimas sondagens, precisamente porque se entende que é à luz destas últimas que o seu desempenho vai ser julgado pelo público e pelos clientes. Logo, não surpreende que, na última semana, os resultados dos vários institutos tendam a convergir mais entre si (e com os que vêm a ser os resultados eleitorais) do que sucede nas semanas anteriores. Foi, aliás, o que aconteceu aqui, aqui e aqui, se bem se recordam. Por outras palavras: pela natureza das coisas (a maior proximidade do acto eleitoral) e pela natureza das sondagens (a sua melhor qualidade na recta final), as sondagens da próxima semana vão ser melhores elementos de previsão do que as feitas até agora. E podem (ou não) ser muito melhores. Veremos.

2. Um segundo aspecto a considerar na comparação entre as sondagens e os resultados eleitorais é a abstenção. Em si mesma, a abstenção não é fonte de erro, desde que os que disseram nas sondagens que votariam e depois se abstêm não sejam especialmente diferentes daqueles que acabaram por votar. Contudo, pode haver um candidato ou conjunto de candidatos que sejam particularmente afectados pela abstenção, tratando-se nesse caso daquilo a que normalmente se chama a abstenção diferencial.

Nas sondagens, e em diferentes graus, faz-se um esforço considerável para evitar as distorções resultantes da dificuldade em determinar quem vai votar. Nas sondagens da Católica, por exemplo, os inquiridos são questionados sobre a "probabilidade de irem votar", e para fim das estimativas, só são considerados aqueles que dizem "ter a certeza que vão votar" (é o método MORI, em versão ligeiramente mitigada). E estou convencido que outros farão um esforço semelhante.

Até agora, que eu saiba, a filtragem dos votantes menos prováveis tem produzido um único efeito: aumentar as intenções de voto em Cavaco Silva e Manuel Alegre, e diminuir as intenções de voto em Mário Soares. Isto é congruente com o que digo aqui há muito tempo, ou seja, o facto de eleições como estas gerarem maior desmobilização entre os potenciais apoiantes de candidatos dos partidos de governo.

Contudo, há uma outra desmobilização potencial: a dos apoiantes do candidato cuja vitória é vista como certa. 2001 foi um caso extremo. Nas últimas sondagens antes das eleições, Jorge Sampaio recolhia, em média, 65,3% dos votos. Teve, no dia das eleições, 55,8%. Bem sei que nada sugere que possamos ter, desta vez, uma abstenção próxima dos 50%. O que está em jogo, do ponto de vista político, é bem maior do que em 2001. O eleitorado de direita não parece, à partida, muito susceptível de se desmobilizar. Mas se querem algo mais comparável (e, mesmo assim, em eleições bem mais divididas e, logo, menos susceptíveis de gerar desmobilização), pensem em 1996. Aí, Jorge Sampaio tinha, nas últimas sondagens antes das eleições, 56,1%. Terminou com 53,8%.

E se, na próxima semana, as estimativas médias para Cavaco, resultantes de sondagens conduzidas, o mais tardar, até à próxima 3ª feira, forem, digamos, 54-55%? Poriam, nesse caso, todo o vosso dinheiro em que não há segunda volta? Sim? Eu não.

by Pedro Magalhães

Interlúdio 4

Posted January 11th, 2006 at 2:26 pm4 Comments

E já que estamos nesta, outros cientistas políticos com blogues, só para citar la crème de la créme: Barry Burden (meu colega em Ohio State em tempos que já lá vão) e Gary King; John Ikenberry, Anne-Marie Slaughter e Ivo Daalder, todos aqui; e Joseph Nye, aqui.

by Pedro Magalhães

Interlúdio 3

Posted January 11th, 2006 at 2:03 pm4 Comments

Para terem uma ideia da importância que isto tem para mim, meus colegas e alunos, é melhor explicar assim: isto está para os cientistas políticos mais ou menos como isto está para os economistas. Por outras palavras, Matthew Soberg Shugart tem um blogue, chamado Fruits and Votes. Shugart é professor de ciência política em San Diego e é autor de coisas como estas:




Isto anda cada vez mais bem frequentado.

by Pedro Magalhães