Pedro Magalhães

Margens de Erro

Haja esperança

Posted November 8th, 2005 at 12:46 pm4 Comments

Escreve-se na Lâmpada Mágica:

Espero que alguém (alô Pedro) esteja a contar o tempo de antena que têm tido os vários candidatos à presidência, contando, como é óbvio, com o tempo de antena que é dado aos seus apoiantes quando eles falam dos candidatos. Tenho a certeza de que os resultados seriam extremamente interessantes e mostrariam com clareza cristalina quem é filho e quem é enteado nesta "democracia" mediática que temos.

Há razões para ter esperança. A imprensa tem divulgado (pelo menos o Público), salvo erro desde 2002, o resultado de análises feitas por uma empresa chamada Memorandum do conteúdo dos noticiários televisivos, incluindo nº de notícias por figuras políticas e seu tempo de exposição. Por outro lado, a Cyberlex, já aqui mencionada (e pouco depois, por coincidência, mencionada também pelo Abrupto), fez para as eleições de 2005 uma análise da imprensa onde, entre outras coisas, se analisa também a visibilidade dada a figuras políticas.

Sei isto melhor porque - perdoem a publicidade - ambas as empresas foram contratadas por um projecto de que sou um dos coordenadores no ICS para nos fornecerem análises detalhadas dos conteúdos da televisão e da imprensa durante a campanha das legislativas de 2005. Os resultados dessas análises - muito interessantes, creio - foram divulgados numa sessão que ocorreu aqui no ICS no dia 17 de Junho e relatados, nas suas linhas gerais, na imprensa.

Convém só dizer, contudo, o óbvio: nem toda a exposição mediática é boa. O candidato com maior exposição e tempo de antena nos jornais e na televisão durante a campanha para as legislativas de 2005 foi, de longe, Pedro Santana Lopes...

by Pedro Magalhães

Premonições

Posted November 7th, 2005 at 6:57 pm4 Comments

TNS/Sofres, 26-27 Outubro*, N=1000, Quotas, Telefónica

A votre avis, est-ce que dans les deux ou trois mois à venir, les principaux problèmes qui vont se poser en France...


*A morte dos dois jovens em Clichy-sous-Bois ocorreu na noite do dia 27.

by Pedro Magalhães

Le malaise français, em números (3)

Posted November 7th, 2005 at 3:21 pm4 Comments

Sondagem CSA/TMO, 2-3 Novembro 2005, N=1002, Quotas, Telefónica.

Avez-vous une très bonne image, une assez bonne image, une assez mauvaise image ou une très mauvaise image de Nicolas Sarkozy comme Ministre de l'intérieur ?



Apesar (ou por causa) da "racaille"...

Uma análise mais detalhada mostra que as opiniões maioritariamente negativas sobre Sarkozy estão concentradas entre os desempregados, trabalhadores por conta própria e indivíduos com elevada instrução (singular combinação).

by Pedro Magalhães

Le malaise français, em números (2)

Posted November 7th, 2005 at 1:36 pm4 Comments

Um estudo do IFOP com uma amostra de 38000 inquiridos (!!) revela alguns dados interessantes sobre as orientações políticas dos estrangeiros residentes em França.

1) Orientações de esquerda, particularmente PS, são hegemónicas entre os estrangeiros, particularmente os de religião muçulmana.


2) Relação entre religião muçulmana e identificação partidária ainda mais intensa entre os cidadãos de nacionalidade francesa do que entre os estrangeiros residentes. O fenómeno é explicado pela correlação entre idade e nacionalidade entre os muçulmanos: os estrangeiros são principalmente os mais velhos (1ª geração) e, logo, mais conservadores e tradicionalistas.


3) Um fenómeno fascinante, o da pertença de muçulmanos à FN em números consideráveis e comparáveis ao da população em geral, especialmente entre os estrangeiros. A explicação, bem plausível, do IFOP:

On constate que la proximité au FN (...) est comparable parmi les Français et les étrangers (un peu moins élevé parmi les musulmans), signe que le discours sécuritaire, la référence aux traditions, la dénonciation de l’establishment mais aussi le refus de toute (nouvelle) immigration peut séduire d’autres personnes que les seuls Français de souche.

by Pedro Magalhães

Le malaise français, em números

Posted November 4th, 2005 at 6:49 pm4 Comments

Confiança no Presidente da República:



Confiança no Primeiro-Ministro:


Expectativas sobre conflitos sociais no futuro próximo:


Tudo aqui.

P.S.- E este anglófilo impenitente foi avisado por francófila amiga que, ao contrário do que já aqui esteve escrito, "malaise" é substantivo masculino. Pensando bem, só podia.

by Pedro Magalhães

Sobre o Supreme Court, por quem sabe

Posted November 2nd, 2005 at 5:22 pm4 Comments

De como a nomeação de um juiz conservador para substituir outro conservador não terá grande impacto na jurisprudência do Tribunal (mas de como a próxima nomeação pode ter um impacto dramático). Ver aqui, no Political Arithmetik.

by Pedro Magalhães

Para quando as "push polls"?

Posted November 2nd, 2005 at 1:24 pm4 Comments

Este post do Abrupto faz-me pensar que não deverá faltar muito até que surja em Portugal o fenómeno das "push polls". Eis do que se trata:

A "Push Poll" is a telemarketing technique in which telephone calls are used to canvass vast numbers of potential voters, feeding them false and damaging "information" about a candidate under the guise of taking a poll to see how this "information" effects voter preferences. In fact, the intent is to "push" the voters away from one candidate and toward the opposing candidate. This is clearly political telemarketing, using innuendo and, in many cases, clearly false information to influence voters; there is no intent to conduct research.

Mais exemplos e definições aqui. Um caso muito falado foi o do alegado uso de "push polls" contra John McCain por parte da campanha Bush:

Voters in South Carolina were reportedly asked "Would you be more likely or less likely to vote for John McCain for president if you knew he had fathered an illegitimate black child?", an allegation that had no substance, but planted the idea of undisclosed allegations in the minds of thousands of primary voters. McCain and his wife had in fact adopted a Bangladeshi girl.

Já estivemos mais longe disto (se é que não começou já). Não imaginam o número de vezes que sou questionado sobre os resultados de alegadas "sondagens feitas pela Católica" em que a Católica nunca esteve realmente envolvida, ou que candidatos divulgam antes de nós próprios "resultados" das nossas sondagens que nada têm a ver com os resultados reais.

Muito perigoso...

by Pedro Magalhães

"Desenvolvimento" vs. "Portugal Social"

Posted November 2nd, 2005 at 10:55 am4 Comments

Num novíssimo blogue, destinado a recolher informação sobre as presidenciais, o autor dedica uma secção a análise de conteúdo dos manifestos de Cavaco e Soares. O que lá está ainda não passa de um"output" de um programa de computador, e espero que o autor tenha tempo e paciência para nos facultar análises mais detalhadas e complementares. Mas o que lá está já é sugestivo do eventual interesse do exercício:

Palavra com mais ocorrências no manifesto de Cavaco Silva: "Desenvolvimento". "Social" vem em 15º lugar e "Política" num distante 26º.

Palavras com mais ocorrências no manifesto de Mário Soares: logo depois de "Portugal" e "portugueses", vêm "Social" e "Política". "Desenvolvimento" vem em 9º lugar.

Isto assim posto nestes termos não quer dizer nada, claro. Mas é curioso, não?

Já que falamos em análise de conteúdo, houve uma empresa (Cyberlex) que colocou online um "barómetro de imprensa" nos meses que antecederam as eleições legislativas de 2005, mostrando como este (e outro tipo de análises bem mais complexas) podem ser feitas com muito proveito.

by Pedro Magalhães

Aximage, presidenciais, 28 Outubro (aditado)

Posted October 28th, 2005 at 11:02 am4 Comments

Esta sondagem, apesar de divulgada depois da sondagem Marktest, foi realizada uns dias antes. Contudo, quase nada diz de diferente da sondagem divulgada ontem.



Sobre a ideia de que há um eleitorado de esquerda "escondido", defendida ontem por Medeiros Ferreira em entrevista radiofónica (e aqui), ideia essa criticada aqui, quatro notas:

1. Ao contrário do que me pareceu que sugeria ontem Medeiros Ferreira, nunca foi detectada qualquer tendência para que as sondagens subrepresentem sistematicamente o "eleitorado de esquerda". Aliás, se houve subrepresentações sistemáticas no passado, foram sim quer do eleitorado do CDS-PP quer do eleitorado do PCP. E hoje não é claro se persiste algum enviesamento sistemático contra qualquer partido ou eleitorado ideologicamente definido. Uma ou outra eleição isoladas não servem para tirar conclusões.

2. Contudo, dando-lhe alguma razão, eu diria que é altamente presumível que, neste momento e para estas eleições concretas, muitos eleitores de "esquerda" não tenham ainda, pura e simplesmente, decidido o que vão fazer, em face da multiplicação de candidatos, dos sinais confusos e contraditórios emanados inicialmente pelo Partido Socialista, da insatisfação de algum eleitorado PS com a actuação do governo, etc. É possível, e provável, que muitos desses indecisos se venham a abster, mas certamente muitos deles irão também acabar por votar num dos candidatos de esquerda (não excluindo, claro, que alguns venham a votar em Cavaco Silva).

3. Mas quantos serão esses "indecisos de esquerda"? Não se sabe, mas a "indecisão real" será certamente superior aos 10% dos eleitores que se declaram "indecisos" em ambas as sondagens. Porque como é óbvio, estes 10% são calculados em relação aos inquiridos que aceitaram responder à sondagem. Como se vê na ficha técnica da Aximage, por exemplo, nada menos que um terço dos indivíduos que foram abordados para responder recusaram, pura e simplesmente, fazê-lo. Olhando para estes resultados e para o seu desfasamento em relação àquilo que sabemos ser a distribuição do eleitorado português em termos da sua identificação partidária e posicionamento ideológico, e mesmo tendo em conta a natureza mais "personalizada" das presidenciais, é difícil não concluir que a esquerda estará provavelmente sobrepresentada entre aqueles que se tentou inquirir mas recusaram fazer parte da amostra (e, logo, subrepresentada na amostra). Se é isto que Medeiros Ferreira quer dizer com "eleitorado escondido", acho que só posso concordar.

4. Isto não chega para mitigar, claro, o facto de as sondagens serem, para já, desastrosas para a esquerda em geral e para Mário Soares em particular.

by Pedro Magalhães

Marktest, presidenciais, 27 Outubro

Posted October 27th, 2005 at 2:17 pm4 Comments

Saiu hoje a primeira sondagem realizada após a confirmação de todas as que parecem ser as principais candidaturas às presidenciais. Começo com esta, então, o registo sistemático de todas as sondagens publicadas sobre intenção de voto na 1ª volta das presidenciais.

As percentagens são divulgadas pelos diferentes institutos de forma muito distinta. Há quem apresente apenas os resultados como se de resultados eleitorais oficiais se tratasse, excluindo ou redistribuindo de diferentes formas os abstencionistas, os indecisos, as não respostas, os declarados não votantes e (no caso das presidenciais) brancos e nulos. Há quem exclua ou redistribua apenas os abstencionistas. E há quem apresente todas as percentagens de todas as diferentes respostas possíveis às perguntas sobre intenção de voto e/ou intenção de votar.

Vou, neste caso, ser exaustivo, e apresentar todos os resultados que me forem possíveis, de forma a permitir todas as comparações possíveis. No caso da Marktest, que apresentou resultados ditos "brutos" (percentagens calculadas em relação ao total da amostra), mostro esses, seguidos dos resultados depois de redistribuídos abstencionistas e votos brancos/nulos, e resultados depois de redistribuídas também as opções "não sabe/não responde". As redistribuições são da minha autoria, e limitam-se a tratar todas as opções não válidas como abstencionistas. A redistribuição final (a negrito) apresenta os resultados como se de resultados de eleições se tratasse, e sem casas decimais (como, não me canso de repetir, sempre deveria ser numa sondagem). E perdoem-me se coloco Paulo Portas nos "outros", mas Paulo Portas não é candidato.

by Pedro Magalhães