Pedro Magalhães

Margens de Erro

Um e-mail

Posted October 7th, 2005 at 10:22 pm4 Comments

"Estas sondagens demonstram que algo está errado com as sondagens.As descrepancias são enormes, e não é só de agora.Há sondagens a nível nacional, em que os resultados são de PS 42 PSD 30 e outras com PSD 39 e PS 33! Será necessário passar para outros métodos de medição?Como está o descrédito é geral."

Acho que este sentimento é perfeitamente natural e legítimo. Quando sucede, como no Porto, que sondagens cujo trabalho de campo foi realizado no espaço de uma semana e apresentam discrepâncias que vão desde a vitória de um candidato por 19 pontos até à vitória do seu principal opositor, reacções como esta serão as mais normais.

O post anterior, contudo, tinha um objectivo: o de sugerir que estas diferenças poderão ter explicações lógicas na base daquilo que sabemos serem as fontes de erro amostral e não amostral, assim como os efeitos que diferentes métodos produzem na capacidade de obter boas inferências acerca de uma população.

Pode-se - e deve-se - inclusivamente, fazer algo mais do que sugerir: pode-se testar. Depois das eleições, será possível tentar perceber se as discrepâncias entre as sondagens, e entre elas e os resultados eleitorais, se devem a causas previsíveis e conhecidas. Foi o que fiz aqui em relação às sondagens para as legislativas e para o Parlamento Europeu, foi aquilo que dezenas de investigadores já fizeram noutros países nas suas eleições, e é o que tenciono fazer em relação a estas autárquicas, tarefa para a qual este site será de grande utilidade. Creio que antes de falarmos de "falta de credibilidade", "descrédito", ou mesmo, como se faz frequentemente, de "manipulação", devemos esgotar as hipóteses explicativas que decorrem daquilo que sabemos serem as virtualidades e limites das sondagens. Só assim aliás, será possível determinar que opções técnicas produzem resultados mais próximos da realidade e, logo, mais capazes de fornecer informação correcta ao público e de se tornarem mais "credíveis".

Dito isto, também não queria ser excessivamente defensivo. Parece-me que há institutos que, porventura, se terão "esticado" na realização de sondagens num excessivo número de concelhos. Já se tinha passado o mesmo em 2001, com os resultados conhecidos de todos. Os institutos de sondagens em Portugal são, em geral, de pequena dimensão, e os recursos que os media lhes fornecem são extremamente escassos em comparação com o que sucede noutros países. Isso tem como resultado, por exemplo, aquilo que creio ser um excessivo número de sondagens telefónicas com amostras extremamente reduzidas, que produzem resultados que só por mero acaso podem ser boas inferências das intenções de voto das populações. Dêem um passeio por aqui e verão. Nesses casos, pergunto-me o que de facto fica a opinião pública a ganhar com esta informação.

Para além disso, a tarefa de compreender as causas das diferenças entre sondagens e entre elas e os resultados só é possível se se dispuser de toda a informação acerca das metodologias utilizadas. E aqui, como de costume, as fichas técnicas divulgadas continuam a ser vagas, ambíguas e obscuras em muitos aspectos. Assim não vamos lá.

Mas repito: antes de levantar o dedinho acusador, convém testar se as diferenças entre os resultados das sondagens e as suas diferenças em relação aos resultados eleitorais têm explicações metodológicas previsíveis. Se não for esse o caso, então sim, fiquemos preocupados...

by Pedro Magalhães

Síntese

Posted October 7th, 2005 at 11:10 am4 Comments

Antes de mais, convém dizer que os quadros nos posts anteriores estão longe de esgotar o que foi feito nas últimas semanas em sondagens autárquicas. Mas a verdade é que Lisboa, Porto, Oeiras, Sintra e Faro são os casos que concentraram as atenções dos principais órgãos de comunicação social e nos quais, por isso mesmo, tendemos a encontrar mais sondagens (que, no entanto, são muito poucas em comparação com o que sucede noutros países). Já agora, importa também dizer que o facto de muitas destas sondagens indicarem "empates" resulta do facto de se ter decidido fazer mais sondagens, precisamente. nos concelhos onde se supunha maior indefinição. Ninguém fez sondagens em Gaia, apesar de ser um dos maiores concelhos do país...

O que temos, então?

1. Faro: apesar de haver uma sondagem que coloca PSD e PS par a par, essa sondagem foi conduzida há mais tempo que duas outras que convergem completamente numa vitória folgada do PS (Católica, primeiro, e Intercampus, uma semana depois). A não ser que a metodologia de inquirição usada por ambas esteja a produzir enviesamento (sendo que, para mim, o inverso é muito mais provável), Vitorino está de saída.

2. Sintra: aqui também se verifica um fenómeno semelhante a Faro. Fica a ideia de que, independentemente da data do trabalho de campo, os "incumbents" se saem pior em sondagens que utilizam simulação de voto em urna. Quanto ao que poderá vir a ser o resultado final, quem sabe? Por um lado, apesar de Seara e Soares estarem praticamente empatados em cada sondagem tomada individualmente, é improvável que a liderança de Seara nas três sondagens se possa dever a mera coincidência. Por outro lado, todas as sondagens terminaram o seu trabalho de campo pelo menos quatro (quando não quase 20) dias antes das eleições.

3. Oeiras: aqui as coisas complicam-se. A distinção telefónica/presencial não serve para nada, dado que a maior e menor vantagens de Isaltino são obtidas com sondagens muito semelhantes do ponto de vista da sua metodologia. O tempo? Talvez: mas o que terá feito com que, em pouco mais de uma semana, a vantagem de Isaltino se dilatasse em relação à sondagem feita pela Católica nos dias 24 e 25? Certo, certo é que, em rigor, a diferença entre 34 e 37% ou a diferença entre 33 e 26,5% se podem sempre dever a erro amostral. Aqui não tenho teorias nenhumas. Paciência.

4. Porto: em 2001, o Porto foi a némesis dos institutos de sondagens. Ninguém colocou Rui Rio à frente das intenções de voto. Desta vez, isso não vai acontecer, porque alguém se aproximará dos resultados. Mas quem? Há de tudo para quase todos os gostos: vitórias arrasadoras para Rui Rio (Marktest), vitórias modestas (Católica), empates com tendência Rio (Eurosondagem) e empates com tendência Assis (Intercampus). Precisamos só de uma sondagem que dê Assis a ganhar com 20 pontos de avanço para o menu ficar completo. À partida, diria que as diferenças parecem ser explicadas por dois factores (sem contar com o puro acaso):

- Mantendo constante o tempo, simulações de voto dão, tal como em Faro ou Sintra, piores resultados a quem está no poder. Por outras palavras, a coligação tem piores resultados na Católica do que na Marktest (dias 1 e 2), e piores resultados na Intercampus do que na Eurosondagem (dia 5).

- Mantendo constante o método de inquirição, quanto mais perto das eleições foi conduzido o trabalho de campo menor a vantagem de Rui Rio. O score da coligação é pior na Eurosondagem (dia 5) do que na Marktest (dia 1), e é também pior na Intercampus (dia 5) do que na Católica (dia 2).

5. Lisboa: lá aparece, novamente, o possível efeito do método de inquirição. Nas sondagens Católica e Marktest, quase contemporâneas, há piores resultados para o "incumbent" no caso em que se usaram simulações de voto. Nas sondagens Aximage, Intercampus e Eurosondagem, realizadas até mais tarde, a mesma coisa: telefónicas (Aximage e Eurosondagem) dão vantagem maior a Carmona.

Não quero fazer disto qualquer teoria geral, até porque a detecção de quaisquer efeitos da inquirição exigem que se utilizem outros controlos para além do tempo (dimensão da amostra, método de amostragem, etc.). Mas que parece haver aqui qualquer coisa, sistematicamente repetida em todos os concelhos (menos Oeiras), lá isso parece. Quanto ao tempo, a coisa é mais complicada, porque as sondagens de Lisboa estão a contar histórias diferentes: as que usam simulação de voto contam uma história em que Carrilho se aproxima de Carmona nos últimos dias; as que usam inquirição telefónica contam uma história em que nada muda ao longo dos últimos dias. Qual a história verdadeira? Domingo veremos.

Agora, votem bem.

by Pedro Magalhães

Sondagens Faro, quadro final

Posted October 7th, 2005 at 11:05 am4 Comments



Em sondagens que apresentaram percentagens de abstencionistas e indecisos, procedeu-se a redistribuição proporcional pelas opções válidas.

by Pedro Magalhães

Sondagens Sintra, quadro final

Posted October 7th, 2005 at 10:55 am4 Comments



Em sondagens que apresentaram percentagens de abstencionistas e indecisos, procedeu-se a redistribuição proporcional pelas opções válidas.

by Pedro Magalhães

Sondagens Oeiras, quadro final

Posted October 7th, 2005 at 10:48 am4 Comments



Em sondagens que apresentaram percentagens de abstencionistas e indecisos, procedeu-se a redistribuição proporcional pelas opções válidas.

by Pedro Magalhães

Sondagens, Porto, quadro final

Posted October 7th, 2005 at 10:41 am4 Comments



Em sondagens que apresentaram percentagens de abstencionistas e indecisos, procedeu-se a redistribuição proporcional pelas opções válidas.

by Pedro Magalhães

Sondagens Lisboa, quadro final

Posted October 7th, 2005 at 10:34 am4 Comments



Em sondagens que apresentaram percentagens de abstencionistas e indecisos, procedeu-se a redistribuição proporcional pelas opções válidas.

by Pedro Magalhães

Autárquicas, Lisboa, actualização 3

Posted October 7th, 2005 at 12:35 am4 Comments

Junta-se a sondagem Eurosondagem (para não confundir, mostram-se apenas as sondagens mais recentes de cada instituto):

by Pedro Magalhães

Autárquicas, Porto, actualização 2

Posted October 7th, 2005 at 12:26 am4 Comments

Adicionada sondagem Eurosondagem (e para não confundir, incluo apenas as mais recentes de cada instituto):

by Pedro Magalhães

Autárquicas, Porto, actualização

Posted October 6th, 2005 at 10:12 pm4 Comments

Com a sondagem Intercampus divulgada há duas horas:



O panorama é bastante confuso. Dois padrões (se é que de padrões se pode falar com apenas 4 sondagens):

1. Telefónicas beneficiam "incumbent", presenciais/simulação de voto beneficiam "challenger";

2. Quanto mais perto da data das eleições, pior para a coligação PSD/CDS-PP.

by Pedro Magalhães