Pedro Magalhães

Margens de Erro

Autárquicas, Oeiras, ponto de situação

Posted September 28th, 2005 at 9:56 am4 Comments

Com a divulgação da sondagem da Católica hoje, o ponto de situação em Oeiras é o seguinte (fonte: site Marktest):



Notas:
1. Na sondagem Eurosondagem de Junho e Católica de Setembro, as estimativas para o CDS-PP não aparecem discriminadas. No caso da Católica (e creio passar-se o mesmo com a da Eurosondagem), isso sucede porque as intenções de voto recolhidas para essa lista estão abaixo da margem de erro, sendo por isso adicionadas às dos restantes partidos na mesma situação.
2. Nas sondagens que apresentarem resultados de indecisos sem os redistribuir, foi feita a redistribuição proporcionalmente pelas restantes opções de voto válidas.

by Pedro Magalhães

Curiosidade histórica: a sondagem sobre a greve geral de 2002

Posted September 27th, 2005 at 4:18 pm4 Comments

Recebi de um leitor o seguinte e-mail (excerto):

Não vivo em Portugal, em Lisboa, há cerca de quatro anos, e os dados que lhe poderei dar serão sempre pouco exactos. Deste modo, se não vai contra a política do seu blog (ou se a questão, pura e simplesmente, não lhe interessa), gostaria muito de ver esclarecida (no seu blog ou através deste mail) uma questão a propósito de uma sondagem que foi realizada pelo jornal PUBLICO aquando da greve geral, durante o governo de Durão Barroso (ministro Bagão Félix), ou seja, julgo eu, nos finais de 2003.

Tentei procurar na net e nada encontrei a propósito desta sondagem ou mesmo da dita greve (apenas no site pt.indymedia.org, uma nota e uma discussão). A questão importante neste caso é que a sondagem falava de 5% de adesão à greve, no máximo 10%, e todas as organizações falaram a partir destes números. O ministro Bagão Félix (que tinha aliás falado ameaçadoramente de um acto de greve anti-patriótico, contra o desenvolvimento do país) sentiu-se vitorioso e os sindicatos pouco puderam dizer, apesar de os seus números serem muito diferentes (adesão baixa, mas não tanto).

A ideia com que eu fiquei - e daqui o pedido de possível esclarecimento sobre uma enorme e estranhamente clara fraude - foi que a dita sondagem tinha como universo cerca de 85% de trabalhadores por conta própria (que, obviamente, nunca fariam greve).Gostaria muito de ver esta minha questãos olucionada, nem que seja porque a sua memória seja melhor que a minha.

Ora bem. Não tenho, neste posto de trabalho onde estou agora os dados sobre essa sondagem de, salvo erro, Dezembro de 2002. Mas recordo-me de várias coisas:

1. A percentagem de adesão declarada na sondagem em relação ao total da população empregada foi de, salvo erro, 10%;

2. A sondagem não media "falta de comparência ao local de trabalho" (os dados dos sindicatos) mas sim "adesão à greve", o que torna as percentagens não comparáveis. Como é óbvio, eu posso não ir trabalhar se achar que não tenho transportes, mas isso não quer dizer que "adira à greve". O que é mais importante e significativo? Não sei. Sei é que a sondagem media o que lá estava escrito que procurava medir, e não outra coisa qualquer.

3. Mais importante, a sondagem apresentava várias percentagens de adesão em relação a várias bases: a população empregada, a população empregada por conta de outrem, a população empregada por conta de outrem no sector público, em função do vínculo contratual, etc. Como é óbvio, a percentagem subia à medida que íamos restringíamos o universo desta forma. Salvo erro, chegava aos 30%, na melhor das hipóteses.

4. O grande problema, segundo me lembro, foi outro: o facto de o Público ter destacado "Greve Geral teve adesão de 10%", sem distingir sectores, trabalhadores por conta de outrém e por conta própria, etc. Tudo o resto, que lá estava escrito e relatado no corpo da notícia, se perdeu à volta deste número mágico: 10%.

5. Mas se se perdeu, a responsabilidade foi também, em parte, dos dirigentes sindicais. Para o leitor, a impressão que lhe ficou foi de "enorme e estranhamente clara fraude". Bem, fui responsável pela sondagem, e não participo em "fraudes". Mas recordo-me claramente que a impressão que me ficou foi de enorme e estranhamente clara falta de sofisticação política dos dirigentes sindicais, que em vez de destacarem a percentagem de adesão entre os trabalhadores contratados por conta de outrem, com contrato e no sector público (que foi publicada e divulgada no Público, na RTP e na RDP), fixaram-se também eles nestes "10%", entretendo-se com acusações de "fraude" e queixas à AACS e, logo, contribuindo assim para aumentar a visibilidade do valor geral calculado em relação à totalidade da população empregada, para satisfação evidente do ex-ministro Bagão Félix.

by Pedro Magalhães

Mais presidenciais

Posted September 26th, 2005 at 12:46 pm4 Comments

Sobre as sondagens recentes e as suas interpretações políticas, importa ter em conta três pontos que não têm sido suficientes realçados nas análises recentes:

1. Como já tinha sugerido aqui e como o Quarta República recorda aqui, os dados da última sondagem sobre as presidenciais, em particular no que respeita ao cenário de candidatura de Manuel Alegre, não autorizam que se interprete que essa candidatura "retira a vitória de Cavaco Silva à primeira volta". Primeiro, porque a própria sondagem indica a vitória de Cavaco Silva à primeira volta mesmo no cenário Manuel Alegre, ao contrário do que sugerem as interpretações mais apressadas (esqueceram-se de redistribuir os indecisos). Segundo, porque o cenário inclui Paulo Portas como candidato, o que não é de todo garantido que não pertença apenas ao reino da fantasia.

2. O que a sondagem sugere, isso sim, é outra coisa (e muito importante): que a colocação de Manuel Alegre no "menu" de candidatos a par de outros candidatos de esquerda parece levar a que eleitores que, neste momento e noutro cenário, se declaram indecisos ou abstencionistas ( ou tencionando votar em Cavaco Silva), declarem uma intenção de voto em Manuel Alegre, o que tem como resultado um crescimento do voto nos candidatos de esquerda e, logo, uma diminuição da probabilidade de que Cavaco Silva consiga uma maioria absoluta à primeira volta. Eu sei que parece uma diferença meramente semântica em relação ao ponto 1, mas não é.

3. Contudo, queria só recordar que isto é apenas verdade na medida em que a mútua concorrência de candidaturas à esquerda não sirva para, futuramente, desmobilizar significativamente os actuais apoiantes dessas candidaturas. Por outras palavras: é possível que alguns desses eleitores, confrontados com mensagens negativas de e sobre candidatos da sua área política, perplexos com a multiplicação de candidaturas e baralhados com as pistas enviadas pelos partidos ("vota neste na 1ª volta para votares naquele na 2ª"; "quem é e quem devia ser o candidato do PS?", etc.), acabam por de refugiar na abstenção ou mesmo no voto em Cavaco Silva.

Logo, queria só dizer que a "matemática" das sondagens que sustenta a candidatura de Manuel Alegre é, porventura, demasiado simplista, e que não creio que haja certezas sobre a contribuição dessa candidatura para diminuir a probabilidade de vitória de Cavaco Silva à primeira volta.

by Pedro Magalhães

Liberalism against Populism

Posted September 24th, 2005 at 3:49 pm4 Comments

A propósito desta frase de um post meu anterior - "porque a percentagem mais elevada de concordância com a ideia de que o seu país é governado de acordo coma vontade do povo é atingida num regime...não democrático. Malásia, com 71%" - recebi esta mensagem do Jorge Candeias:

"A verdade é que não existe uma relação directa entre a democraticidade do sistema de selecção dos dirigentes e o respeito pela vontade do povo de que esses dirigentes dão mostras uma vez seleccionados. Não é essa a grande vantagem das democracias sobre sistemas totalitários: a grande vantagem da democracia é fornecer um mecanismo geralmente aceite e em geral pacífico para a substituição dos dirigentes que *não* governam segundo a vontade do povo."

O argumento é, claro, interessante, e encontra-se apresentado na sua forma mais acabada neste livro, um clássico absoluto da Ciência Política, escrito pelo homem que mais contribuiu - para gáudio de uns e desgosto de outros - para a penetração do estudo da política pelas teorias económicas, William Riker.



Aqui usam-se as teorias económicas da "escolha colectiva" (Arrow, outra vez) para mostrar que as expectativas "Rousseaunianas" em relação à democracia são irrealistas e que nos podemos e devemos contentar com uma visão mais "Madisoniana" (democracia como separação de poderes e, no máximo, "throw out the bad guys").

Pano para mangas, e não vai ser hoje...(de assuntos complicados, tenho ainda por cumprir uma análise do eleitorado do Bloco de Esquerda). Mas já agora, para um desancanço monumental nas ideias de Riker (e, talvez, do Jorge Candeias), ver isto (disponível, pelo menos, na biblioteca do ICS).









by Pedro Magalhães

Oeiras, Eurosondagem

Posted September 24th, 2005 at 3:21 pm4 Comments

Eurosondagem, 20-21 Setembro, Aleatória, Telefónica, N= 1020 (fonte)

Isaltino Morais - Oeiras mais à frente: 36,9%
Tereza Zambujo - PSD: 31,2%
Emanuel Martins - PS: 17,9%
Amílcar Campos - CDU: 5,7%
Miguel Pinto - BE : 3,6%
Isabel Sande e Castro - CDS/PP: 1,4%
Outro Candidato/O.Part./Branco/Nulo: 3,3%

by Pedro Magalhães

Sintra, Eurosondagem

Posted September 24th, 2005 at 3:17 pm4 Comments

Eurosondagem, 19-20 Setembro, Aleatória, Telefónica, N= 1025 (fonte)

Fernando Seara - PSD+CDS/PP+PPM+MPT: 42,1%
João Soares - PS: 38,1%
Baptista Alves - CDU: 10,2%
João Silva - BE: 5.1%
Outro Candidato/O.Part./Branco/Nulo: 4,5%

by Pedro Magalhães

Sondagem presidenciais, Aximage

Posted September 23rd, 2005 at 2:36 pm4 Comments

Aximage, 17-18 Setembro, Quotas, N=502, Telefónica.

Cenário 1, 1ª volta:
Cavaco Silva: 50,6%
Mário Soares: 21,7%
Jerónimo de Sousa: 4,7%
Francisco Louçã:4,3%
Indecisos:18,7%

Cenário 1, 1ª volta, com indecisos redistribuidos proporcionalmente:
Cavaco Silva: 62%
Mário Soares: 27%
Jerónimo de Sousa:6%
Francisco Louçã: 5%


Cenário 2, 1ª volta:
Cavaco Silva: 45,9%
Mário Soares: 18,4%
Manuel Alegre: 13,5%
Jerónimo de Sousa: 3,5%
Paulo Portas: 3,2%
Francisco Louçã: 2,8%
Indecisos: 12,7%

Cenário 2, 1ª volta, com indecisos redistribuidos proporcionalmente:
Cavaco Silva: 53%
Mário Soares: 21%
Manuel Alegre: 15%
Jerónimo de Sousa: 4%
Francisco Louçã:4%
Paulo Portas: 3%

Logo, este título do Correio da Manhã - "Entrada de Manuel Alegre na corrida retira vitória ao ex-chefe de Governo [Cavaco Silva] na primeira volta" - seria bem mais preciso se dissesse "Entrada de Manuel Alegre pode retirar vitória", dado que Cavaco também aparece com mais de 50% à primeira volta no cenário 2 com Manuel Alegre e Paulo Portas (se bem que a sua votação desça em relação ao cenário 1 e a margem de erro admita um resultado abaixo dos 50%).

2ª volta:
Cavaco Silva: 54,2%
Mário Soares: 29,4%
Indecisos: 16,4%

2ª volta, com indecisos redistribuidos proporcionalmente:
Cavaco Silva: 65%
Mário Soares: 35%

Comparando com estas e esta, naquilo que é comparável, temos que:

1. Cavaco Silva claramente vencedor à primeira volta no cenário 1 para Aximage e Intercampus, mas não para Católica;
2. Na segunda volta, convergência entre todas as sondagens: Cavaco Silva com mais de 60% .

by Pedro Magalhães

E no seguimento do post anterior…

Posted September 23rd, 2005 at 1:46 pm4 Comments

Candidatos contestam sondagem que dá vitoria a Fátima Felgueiras

Os candidatos do PS e PSD à Câmara de Felgueiras contestaram, esta sexta-feira, os resultados da sondagem realizada pela Intercampos para a TSF/DN/TVI, na qual a ex-autarca sai claramente vencedora.De acordo com a sondagem, se as eleições fossem hoje, Fátima Felgueiras e o movimento Sempre Presente sairiam vencedores, com uma diferença de 10 pontos em relação ao PS, segundo partido mais votado.Perante esta sondagem, o candidato do PS, José Campos, contrapõe com uma outra, que sai esta sexta-feira, e que dá 48,6 por cento dos votos ao PS, 21 por cento para o PSD e cerca de 20 por cento para o movimento Sempre Presente.

Já o candidato do PSD, Caldas Afonso, é mais crítico, apontando ao dedo ao modelo de inquérito utilizado.«Não se pode brincar com coisas sérias, em particular com esse tipo de informação. Validar uma informação, entrevistas feitas no dia em que a dra. Fátima chega e que estão à porta do tribunal os seus tradicionais apoiantes, baseado num número tão pequeno (...) Isso não é uma sondagem séria», disse.

Perante estas críticas, o director-geral da Intercampos, António Salvador, considera que as mesmas sãos injustas e diz que aquilo que foi feito - uma sondagem directa e pessoal usando a simulação de voto em urna. «mais sério que isto seria impossível», explicou.António Salvador desmentiu, também, que a sondagem tenha sido realizada à porta do tribunal.

by Pedro Magalhães

Felgueiras

Posted September 23rd, 2005 at 12:52 am4 Comments

Intercampus, 21 de Setembro, N=330, simulação em urna, método amostral ausente da ficha técnica divulgada no site da TSF.

Fátima Felgueiras: 37,6%
PS: 27,3%
PSD: 18,2%
CDU: 4,1%
CDS-PP: 1,8%
Branco/nulo: 7,0%
Indecisos: o que falta para 100%, talvez (4%).

Esta sondagem foi conduzida, presume-se, ao final da tarde e princípio da noite do dia 21, o próprio dia em que a foragida ex-Presidente de Câmara regressou ao país e viu a sua prisão preventiva anulada, e horas (senão mesmo minutos) depois da conferência de imprensa em que anunciou que irá ser candidata à Presidência da Câmara.

Para tornar possível a sua divulgação hoje, o trabalho de campo teve de terminar nesse dia, o que levou a que resultasse numa amostra de apenas 330 inquiridos. Isto significa que, só em margem de erro amostral e com 95% de confiança (sem contar com as outras fontes de erro), o valor real das intenções de voto em FF oscilarão pelo menos (e aproximadamente) entre os 32% e os 42%, enquanto as no PS oscilarão pelo menos entre entre os 22 e os 32%.

by Pedro Magalhães

Os grandes e os pequenos

Posted September 22nd, 2005 at 1:50 pm4 Comments

Agora que CDU/CSU e SPD somam uma das baixas votações de sempre para os "grandes partidos" na Alemanha - small is beautiful - vale a pena ler um artigo no mais recente número da American Political Science Review (só para assinantes, infelizmente).

Chama-se "Competition Between Unequals: The Role of Mainstream Party Strategy in Niche Party Success", e nele se explica como o sucesso dos "pequenos" "novos" partidos é determinado pelas diferentes estratégias que os partidos dominantes podem adoptar: "dismissive" (ignorar e não tomar posição sobre os temas - como, digamos, imigração, ambiente, aborto, integração europeia, etc. - introduzidos pelos pequenos partidos), "accomodative" (reconhecer a importância dos temas tomando posição convergente) ou "adversarial" (reconhecer a importância dos temas tomando posição divergente).

Tudo isso tem efeitos na saliência que esses temas acabam por adquirir na luta eleitoral e na percepção dos eleitores acerca dos partidos que se tornam "donos" desses temas em particular. E o sucesso ou insucesso desses novos partidos, assim como as suas consequências mais vastas para a perda de votos nos grandes partidos, dependem também, claro, da combinação de estratégias adoptadas pelos (normalmente, dois) partidos dominantes. Exemplos: o papel da estratégia "adversarial" do Partido Republicano face a Ralph Nader na perda de votos do Partido Democrata e na derrota de Al Gore em 2000; o papel que a estratégia adversarial do PS francês em relação à Frente Nacional desde os anos 80 teve na subida da própria FN e na descida do RPR; etc.

À atenção dos estudiosos do Bloco de Esquerda...

by Pedro Magalhães