Pedro Magalhães

Margens de Erro

Controvérsia em Coimbra

Posted September 21st, 2005 at 11:58 am4 Comments

1. Sondagem publicada no Diário de Coimbra, aqui (ainda não está aqui)
2. Reacção do Partido Socialista, aqui.

Via Politicaehouse.

by Pedro Magalhães

Bush II

Posted September 21st, 2005 at 11:15 am4 Comments

Isto, só como confirmação de parte do que já tinha escrito aqui.

by Pedro Magalhães

O eleitorado

Posted September 20th, 2005 at 1:55 pm4 Comments

Eu sei que serve bem como muleta para a escrita e o raciocínio, e eu próprio já usei a palavra várias vezes. Mas eu teria cuidado com a ideia de que "o eleitorado alemão" "recusou", "rejeitou", "condenou", "aprovou", "escolheu", "receou", "desejou","sentiu", "desconfiou de" e "enviou uma mensagem a ". E nem pareceria necessário dizer porquê: o "eleitorado", como é óbvio, não existe.

Existem eleitores. E "recusam", "rejeitam", "condenam", "aprovam", "escolhem", "receiam", "desejam" e "sentem" coisas diferentes uns dos outros. Como a Sociologia não é uma batata, é natural que se formem grupos - umas vezes unidos por laços interpessoais e outras não - que sentem coisas semelhantes, por razões por vezes previsíveis. Mas um voto é só uma maneira de traduzir todos esses sentimentos, atitudes e preferências numa escolha altamente simplificada entre opções mutuamente exclusivas ou, pelo menos, ordenáveis. E uma distribuição de deputados obtida na base de uma qualquer regra de conversão de votos em mandatos é só uma maneira - entre muitas, todas insatisfatórias - de traduzir esses votos e todas as motivações que lhes subjazem num resultado agregado. Nem mais, nem menos.

by Pedro Magalhães

Genau

Posted September 20th, 2005 at 11:19 am4 Comments

"É cómica esta tendência dos portugueses para a dramatização extrema e para verem 'impasses' e 'bloqueios' por toda a parte. Por outras palavras: esta tendência para se carpirem em vez de fazerem algo para superar os problemas que ocorrem.

Mais cómico ainda é constatar-se que este método se aplica inclusive a temas de que estão muito arredados, de que pouco sabem e que, muito provavelmente, menos ainda lhes interessam, como é o caso dos resultados das recentes eleições alemãs."

In Blogo Existo.

by Pedro Magalhães

Maioria (relativa) quer "Bloco Central" (absoluto)

Posted September 19th, 2005 at 9:51 pm4 Comments

Forsa, 19 de Setembro, Telefónica

Preferências do eleitorado alemão por coligações:

CDU/CSU-SPD: 33%
CDU/CSU-FDP-Verdes: 27%
SPD-FDP-Verdes: 15%
SPD-Linke-Verdes: 12%

Preferência de chanceler:
Schröder: 47%
Merkel: 41%

A favor de novas eleições: 25%
Contra: 73%

by Pedro Magalhães

Reggae days (revisto)

Posted September 19th, 2005 at 4:23 pm4 Comments













A embaixada da Jamaica na Alemanha congratula-se com a designação "Coligação Jamaica" para uma possível solução governamental envolvendo a União, o FDP e os Verdes, e convida todos os envolvidos a visitar a ilha caso se confirme a formação desse governo. Acham que desta vez é que eu perdi a cabeça? Então vejam aqui.

Entretanto, o Sr. Fischer já mandou dizer que não lhe apraz a Sra. Merkel no elevado cargo de Chanceler da Jamaica:
"O ministro dos negócios estrangeiros, Joschka Fischer (Verdes), diz que não vê hipóteses de Angela Merkel ser chanceler. 'Ela não será chanceler', disse Fischer após consultas do conselho nacional dos Verdes em Berlim. Merkel irá falhar a maioria necessária no Bundestag. Fischer disse ainda que os Verdes, ao terem feito campanha contra o 'frio social' e o 'retrocesso ecológico', também lutaram contra Merkel. Esta será a posição do seu partido nas conversas que se avizinham."~

Tradução do alemão amavelmente enviada pelo leitor Tiago Klose.

by Pedro Magalhães

Sondagens sob fogo na Alemanha e primeiras conclusões na base das sondagens boca da urnas (revisto)

Posted September 19th, 2005 at 2:41 pm4 Comments

Para que servem as sondagens? (tradução à pressa):
Os prognósticos dos institutos de sondagens desviaram-se ainda mais dos resultados do que em 2002 - os resultados da FDP e da CDU tornaram inúteis os dados dos analistas de opinião pública. (não eram "prognósticos", mas a questão não desaparece completamente por causa disso)

Bang goes the reputation of all the German pollsters...

Referência também neste artigo ao modelo de prognóstico (este sim) de Helmut Norpoth e Thomas Gschwend, já mencionado aqui no Margens de Erro e que acertou em cheio nos resultados da SPD e dos Verdes (mas que não teria servido de nada para prever o resultado CDU/CSU ou do FDP).

E se não bastasse terem errado, os institutos de sondagem são indirectamente acusados de serem eles próprios responsáveis pelo resultado das eleições, ao revelarem a improbabilidade de uma maioria CDU/CSU-FDP:

"The main problem, the paper writes, was the discussions over a grand coalition in the days before the election. As a result, many CDU/CSU voters ended up selecting the FDP, because they assumed that Merkel would win anyway."

Assim sugerem as sondagens à boca das urnas, que indicam que aqueles que se opunham a uma "grande coligação" CDU/CSU-SPD votaram acima da média no FDP, e que cerca de 40% dos votantes no FDP se declaram mais próximos da...CDU! Toca a reescrever os manuais sobre o voto estratégico...

O senhor Kirschof não ajudou nada: apenas 23% daqueles que votaram CDU/CSU consideram que "Professor Flat Tax" era uma boa escolha para o governo.

Há também quem defenda que tudo resultou da tensão (que já aqui tinha mencionado) entre as preferências partidárias e as preferências por chanceler, como sugere o director da Forsa:
"O eleitorado da CDU não foi votar devido às suas dúvidas sobre Merkel" disse o chefe da Forsa [empresa de sondagens] Manfred Güllner em Berlim. Outros terão votado pela FDP com o voto secundário. Por outro lado, o chanceler Gerhard Schröder terá pontuado na fase final da campanha eleitoral graças ao tema da justiça social e ao frente-a-frente televisivo com Merkel. Num bloco central, a maioria dos eleitores deverá, assim e segundo Güllner, preferir um chanceler Schröder a Merkel."

Tradução do alemão amavelmente enviada pelo leitor Tiago Klose.

by Pedro Magalhães

Democracia e incerteza

Posted September 19th, 2005 at 2:14 pm4 Comments

Em Portugal, a propósito do referendo sobre a despenalização do aborto, tem-se discutido muito a questão de saber se existem quatro ou cinco sessões legislativas numa legislatura. Deixo a questão para os constitucionalistas. Mas é curioso verificar como, mesmo numa democracia plenamente consolidada, continua a haver margem para dúvidas nalgumas das regras fundamentais da luta política. Por exemplo:

"A politically reinvigorated and cocksure Schröder is insisting that individual parties rather than party groups lead coalition negotiations. According to this logic, the CDU and the CSU would be viewed as separate parties. Decoupling the two parties would, indeed, put the SPD into the pole position with 34.3 percent, since the CDU polled only 27.8 percent if you take out the Bavarian CSU's 7.4 percent. (...) Stoiber also took shots at Schröder for his obstinacy in refusing to concede defeat, saying it was a democratic practice to let the party group with the most votes determine what possibilities exist for creating a stable government."

Quem tem razão? A relutância de Schröder em conceder derrota parece mau perder à primeira vista. Mas atentem nos resultados oficiais, aqui... Qual o partido mais votado? Mais complicado do que parece à primeira vista.

by Pedro Magalhães

Boca das urnas

Posted September 19th, 2005 at 11:07 am4 Comments

Tal como já tinha sucedido no referendo francês, há já dados disponíveis de sondagens à boca da urnas, assim como dados agregados por circunscrição, cruzando, por exemplo, taxas de desemprego e de imigração com comportamento de voto. Vale a pena uma visita prolongada, para evitar as precipitações de quem olha para os resultados finais por partido a nível nacional e acha que já sabe tudo o que há para dizer sobre transferências de voto, motivações dos eleitores, composição política e social dos eleitorados, etc.

Aqui, a não perder.

by Pedro Magalhães

Rescaldo Alemanha

Posted September 19th, 2005 at 10:15 am4 Comments

O quadro dos resultados provisórios e sua comparação com as sondagens é o seguinte (a vermelho, o valor absoluto da diferença entre a estimativa da sondagem e o resultado real):



Como se pode ver, não é particularmente brilhante. As estimativas de todas as sondagens desviaram-se, em média, mais de 2% do que veio a ser o resultado real (pior do que as sondagens em Portugal em 1995, 1999, 2002 e, claro, 2005). E os mercados electrónicos (onde se trocaram "acções" até 5 minutos antes do fecho das urnas) não se portam muito melhor.

Os maiores erros estiveram, claro, na sobreestimação da CDU/CSU e na subestimação do FDP. A distância entre a data do trabalho de campo e a data das eleições não parece ter nada a ver com o problema. Pelo contrário: as sondagens FGW e Infratest são as que foram feitas mais longe das eleições e também as que mais se aproximam dos resultados finais. A dimensão da amostra é também irrelevante para explicar as diferenças entre as sondagens. E não se sabendo mais aspectos das metodologias utilizadas, é difícil explicar diferenças que de resto, são muito pequenas. Isto sugere que a diferença entre as estimativas e os resultados dever-se-á a algo que terá afectado todas as sondagens de forma mais ou menos semelhante: late deciders, abstenção diferencial, etc.

Não esquecer que Dresden ainda não votou e que a vantagem da CDU/CSU é de apenas três deputados, mas é duvidoso que isso mude alguma coisa.

by Pedro Magalhães