Pedro Magalhães

Margens de Erro

Boca das urnas

Posted September 19th, 2005 at 11:07 am4 Comments

Tal como já tinha sucedido no referendo francês, há já dados disponíveis de sondagens à boca da urnas, assim como dados agregados por circunscrição, cruzando, por exemplo, taxas de desemprego e de imigração com comportamento de voto. Vale a pena uma visita prolongada, para evitar as precipitações de quem olha para os resultados finais por partido a nível nacional e acha que já sabe tudo o que há para dizer sobre transferências de voto, motivações dos eleitores, composição política e social dos eleitorados, etc.

Aqui, a não perder.

by Pedro Magalhães

Rescaldo Alemanha

Posted September 19th, 2005 at 10:15 am4 Comments

O quadro dos resultados provisórios e sua comparação com as sondagens é o seguinte (a vermelho, o valor absoluto da diferença entre a estimativa da sondagem e o resultado real):



Como se pode ver, não é particularmente brilhante. As estimativas de todas as sondagens desviaram-se, em média, mais de 2% do que veio a ser o resultado real (pior do que as sondagens em Portugal em 1995, 1999, 2002 e, claro, 2005). E os mercados electrónicos (onde se trocaram "acções" até 5 minutos antes do fecho das urnas) não se portam muito melhor.

Os maiores erros estiveram, claro, na sobreestimação da CDU/CSU e na subestimação do FDP. A distância entre a data do trabalho de campo e a data das eleições não parece ter nada a ver com o problema. Pelo contrário: as sondagens FGW e Infratest são as que foram feitas mais longe das eleições e também as que mais se aproximam dos resultados finais. A dimensão da amostra é também irrelevante para explicar as diferenças entre as sondagens. E não se sabendo mais aspectos das metodologias utilizadas, é difícil explicar diferenças que de resto, são muito pequenas. Isto sugere que a diferença entre as estimativas e os resultados dever-se-á a algo que terá afectado todas as sondagens de forma mais ou menos semelhante: late deciders, abstenção diferencial, etc.

Não esquecer que Dresden ainda não votou e que a vantagem da CDU/CSU é de apenas três deputados, mas é duvidoso que isso mude alguma coisa.

by Pedro Magalhães

Adenda a Alemanha: últimas sondagens

Posted September 16th, 2005 at 4:31 pm4 Comments

Afinal, os senhores do Instituto Allensbach dão-nos hoje uma derradeira sondagem, com quase tudo igual a não ser uma ligeira subida do FDP:

CDU/CSU: 41,5%
SPD: 32,5%
Linke: 8,5%
FDP: 8%
Grüne:7%~

A comunicação social destaca o facto de as duas sondagens de hoje (Forsa e Allensbach) darem mais de 49% à coligação CDU/CSU +FDP.

by Pedro Magalhães

Alemanha: últimas sondagens

Posted September 16th, 2005 at 3:05 pm4 Comments

Estas deverão ser as últimas sondagens publicadas na Alemanha, onde não existe uma tradição de publicar sondagens nos últimos dias da campanha (porquê? Não sei, tenho de investigar):



Chegámos aqui através de um caminho tortuoso: em Junho e Julho, lento declínio da intenção de voto CDU/CSU, e subida da Linke. Em Agosto e Setembro, estabilização CDU/CSU e subida SPD, aparentemente à custa da Linke:















O mesmo fenómeno é visível quando nos concentramos nas tendências individuais verificadas para CDU/CSU e SPD por cada instituto em Agosto e Setembro:















Por saber: quase tudo.

1. O que irão fazer os 20%-30% (depende das sondagens) daqueles que se dizem "indecisos"?
2. Terão CDU/CSU + FDP os 49% que, em média, as sondagens lhes atribuem, e chegará isso para uma maioria absoluta?
3. Qual a ordem relativa FDP, Linke e Verdes?

As sondagens alemãs têm uma magnífica reputação, coisa facilitada por um sistema de voto proporcional (o "misto" para aqui não interessa, dado que estas percentagens se reportam apenas ao voto em lista). No entanto, resta saber como irão os eleitores lidar com dois estímulos contraditórios: o forte repúdio da actuação do actual governo e a má imagem de Merkel em comparação com Schröder. Domingo se verá.

by Pedro Magalhães

Sondagem presidenciais Intercampus

Posted September 15th, 2005 at 4:47 pm4 Comments

Intercampus, 5-10 Setembro, N=529, não se diz se é telefónica ou face-a-face nem método de amostragem.

1ª volta:
Cavaco Silva: 43,8%
Mário Soares: 20,9%
Francisco Louçã:10,7%
Jerónimo de Sousa: 4,3%
Indecisos: 20,4%

1ª volta com indecisos redistribuidos proporcionalmente:
Cavaco Silva: 55%
Mário Soares: 26%
Francisco Louçã:13%
Jerónimo de Sousa: 5%

2ª volta
Cavaco Silva: 50,6%
Mário Soares: 26,5%
Ns/Nr: 22,9%

2ª volta com indecisos redistribuidos proporcionalmente:
Cavaco Silva: 66%
Mário Soares: 34%

Resultados têm semelhanças e diferenças com os das anteriores duas sondagens.

1. Semelhanças: na 1ª volta, tal como na sondagem da Católica, Cavaco segura melhor eleitorado PSD do que Soares o eleitorado PS. Na segunda volta, tal como sucedia com as anteriores sondagens, Cavaco Silva é atirado para 60% ou mais dos votos, enquanto metade ou menos dos eleitores BE e PCP admitem votar Soares.

2. Diferenças: Cavaco e Louçã consideravelmente acima na 1ª volta nesta sondagem em comparação com o que sucedia nasondagem da Católica, diferença que, no segundo caso, está acima da margem de erro. É possível que essa diferença se deva ao facto de a sondagem da Católica se concentrar, na estimativa de resultados eleitorais, apenas nos eleitores com maior probabilidade de votar (o que explicaria igualmente o facto de Jerónimo de Sousa aparecer bem melhor na sondagem da Católica do que na sondagem Intercampus). Mas estou a especular.

by Pedro Magalhães

Bush

Posted September 15th, 2005 at 3:30 pm4 Comments

Por cá, há quem se entretenha a apontar a calamidade que se seguiu ao furacão Katrina como uma espécie de castigo divino à "soberba imperial" da América e do seu presidente, ao passo que aqueles que a propósito da catástrofe criticam o modelo americano de organização política e social são invariavelmente acusados do pecado capital dos nossos tempos ("anti-americanismo", parece que é assim que se chama), entre outras igualmente sérias e incrivelmente acutilantes observações. Tudo isto está muito bem, apesar de raras vezes ter alguma espécie de interesse.

Seria bom, no entanto, que todo este frenesim intelectual não nos desviasse a atenção, como é costume, do óbvio. Por um lado, como os dados das várias sondagens revelam, os americanos não culpam Bush pela catástrofe (o que seria pura e simplesmente imbecil) e mesmo a avaliação que fazem da sua actuação durante a crise é previsivelmente colorida pelas suas predisposições iniciais. Ou seja: simpatizantes Democratas avaliam mal a sua actuação, enquanto os Republicanos a avaliam bem, o que resulta em algo que não se distancia muito de um fifty-fifty ("rating of Bush on 'the situation caused by Hurricane Katrina:" 44% approve, 54% disapprove). Mais importante: o impacto directo que a crise Katrina teve na avaliação que os americanos fazem de Bush parece ser praticamente nulo, como assinala Franklin: não mais do que -1%.

Contudo, isso não impede que Bush tenha vindo a perder apoio independentemente do Katrina, uma perda linear de 0,03% por dia desde Janeiro de 2005. Uma perda fundada na avaliação maioritariamente negativa (por vezes de forma esmagadora) que os americanos fazem da sua actuação no que respeita ao Iraque, à política energética e ambiental e à segurança social, assim como na manifesta contradição entre as posições que o seu governo defende em vários aspectos ético-morais e aqueles que predominam na sociedade americana. Ou seja, uma avaliação negativa em quase tudo aquilo que realmente conta.

Logo, o verdadeiro contributo destes posts é o de fazer com que não desviemos a atenção do essencial: independentemente do Katrina, Bush é hoje visto por uma clara maioria dos americanos como um mau presidente, incapaz de resolver quer os problemas que existiam quer aqueles que ele próprio se encarregou de criar. Um presidente below average. É simples, é claro e não é, creio, "anti-americano". E se querem uma discussão interessante, que tal a de saber por que razão terá demorado tanto tempo para que todos percebessem o óbvio? Com esta discussão, sim, já me parece útil perder bastante tempo.

by Pedro Magalhães

Big fish in huge pond

Posted September 15th, 2005 at 2:59 pm4 Comments

Um dos maiores especialistas americanos (ou seja, mundiais) no estudo da opinião pública e das metodologias quantitativas tem...um blogue. Chama-se Charles Franklin, está na Universidade do Wisconsin e o blogue chama-se Political Arithmetik (where numbers and politics meet).

by Pedro Magalhães

George e Richard

Posted September 15th, 2005 at 2:01 pm4 Comments

A percentagem de americanos que aprova a actuação de George Bush é a mais baixa desde Richard Nixon (2º mandato). Espantoso, especialmente tendo em conta que sabemos agora que estes resultados pouco ou nada têm a ver com a catástrofe do Katrina.

by Pedro Magalhães

George e Katrina

Posted September 15th, 2005 at 1:15 pm4 Comments

Os efeitos do Katrina na avaliação de Bush, por quem sabe.

by Pedro Magalhães

Ainda as sondagens presidenciais

Posted September 13th, 2005 at 10:56 am4 Comments

Ainda a propósito das sondagens da semana passada e das opções de voto colocadas perante os eleitores, permanece alguma confusão. Como já disse aqui, a sondagem da Aximage apresentava apenas resultados para Cavaco Silva e Mário Soares, pelo que a melhor intepretação possível seria a de que estávamos perante um cenário de 2ª volta. Não é assim, contudo, que a sondagem tem sido interpretada.

Mas eis que recebo um e-mail do leitor Abel Carvalho (vem identificado, porque o assunto é sério):

Bom dia. Leitor do seu blogue, e tendo sido contactado via telefone pela Aximage para a sondagem desta semana, deixo à consideração o seguinte: as perguntas no geral, não estão correctas, pois fui colocado perante um cenário de votos em que os candidatos seriam, Soares, Cavaco e Portas !!!!!!!!!!!

Será esta a sondagem divulgada na semana passada? Será que a Aximage andou a ler isto?

by Pedro Magalhães