Pedro Magalhães

Margens de Erro

Alemanha: ponto da situação

Posted August 26th, 2005 at 2:16 pm4 Comments

Arrumo a casa, antes de uma pausa de uma semana.

Poll of polls, média móvel dos resultados das últimas 3 sondagens, com 51 sondagens desde 14 de Junho, sendo a última sondagem a do Forschungsgruppe Wahle, divulgada hoje pela ZDF:


CDU/CSU estável, SPD em (lentíssima) subida desde início de Agosto, subida concomitante com igualmente lenta descida Linke. Resto estável desde o início.








Para confirmar essas tendências detectadas desde o início de Agosto, isolo os resultados dos institutos que têm publicado mais sondagens e analiso as tendências de cada um:



Forsa é o único que identifica descida da CDU em Agosto, mas era também, desde o início, o "outlier" em termos da (alta) intenção de voto para a CDU. Infratest e Enmid mostram estabilidade. Ao mesmo tempo, todos mostram SPD a subir.





Mas tenho algumas desconfianças sobre sondagens conduzidas em meses de férias escolares... Voltamos a falar na primeira semana de Setembro.

by Pedro Magalhães

Presidenciais

Posted August 26th, 2005 at 11:15 am4 Comments

Mais algumas curiosidades para adicionar a esta, e já passo à análise:

Presidenciais 1986
Soma dos votos de candidatos apoiados por partidos de esquerda, 1ª volta (Soares-PS, Zenha-PRD, PCP): 45,8%
Soma dos votos desses partidos nas eleições de 1985: 52,2%
Saldo a favor do candidato: -6,4%

Soma dos votos de candidatos apoiados por partidos de direita, 1ª volta (Freitas-PSD, CDS): 45,8%
Soma dos votos desses partidos nas eleições de 1985: 39,9%
Saldo a favor do candidato: +5,9%


Presidenciais 1996
Soma dos votos de candidatos apoiados por partidos de esquerda (Sampaio-PS,PCP): 52,7%
Soma dos votos desses partidos nas eleições de 1995: 52,4%
Saldo a favor do candidato: +0,3%

Soma dos votos de candidatos apoiados por partidos de direita (Cavaco: PSD, CDS): 45%
Soma dos votos desses partidos nas eleições de 1995: 43,2%
Saldo a favor do candidato: +1,8%


Ora bem. Espero não me ter enganado nas contas, que isto foi feito um bocado à pressa. E não quero levar isto demasiado longe. Dois casos são só dois casos. São os únicos comparáveis às eleições de 2006 (sem o incumbent a concorrer e com esquerda e direita divididas) e não há teorias que que possam ser testadas com tão poucas observações. Mas permito-me assinalar três coisas :

1. Quer Freitas quer Cavaco adicionaram, como candidatos presidenciais, mais à sua "base partidária de apoio" do que os candidatos de esquerda.
2. Cavaco adicionou algo ao resultado dos partidos que o apoiaram em 1996 mesmo em período de "lua de mel" do governo PS e em circunstâncias políticas gerais que lhe eram altamente desfavoráveis. Pelo contrário, Sampaio quase não somou nada ao voto PS+PCP, nas mesmas circunstâncias, mesmo tendo que conta que, presumivelmente, deveria ter recolhido apoio do eleitorado marginal dos restantes pequenos partidos. E convém lembrar que, para Cavaco, ou melhor, para a imagem que dele faz o eleitorado, 2006 não é 1996.
3. Em 1986, diferentes candidatos para diferentes partidos de esquerda significaram menos votos para a soma desses candidatos do que para a soma dos partidos que os apoiaram. Logo, não sei se aquilo que Vital Moreira presume aqui - que "as três candidaturas à esquerda somarão, em conjunto, mais votos concorrendo separadas do que concentradas em Mário Soares logo à primeira volta" - é de todo previsível.
Mas não há certezas. Por um lado, há isto, e isto é muito forte:
Soma dos votos PS, PCP e BE nas eleições de 2005: 58,9%
Soma dos votos PSD e CDS nas eleições de 2005: 36.2%


Mas por outro lado, não se pode ignorar que o PS começa a sofrer o desgaste previsível da governação, sendo presumível que um seu candidato, seja ele quem for, não consiga reter todo o eleitorado de Fevereiro. Isso é facilitado pelo facto de as eleições presidenciais não terem para os eleitores a mesma importância do que as legislativas. Isto leva a que eleitores que votaram "útil" no PS tenham menos incentivos para voltar a fazer o mesmo num seu candidato, ao passo que eleitores "sinceros" do PS agora descontentes tenham maiores incentivos para usar as presidenciais para expressar o seu descontentamento. E a mobilização diferencial da direita será certamente maior que a mobilização da esquerda, ou pelo menos que a do eleitorado PS: está muito mais em jogo para a direita do que para a esquerda nestas eleições (ou pelo menos assim se julga).

Logo, não estou nada seguro que a vitória de Soares seja melhor assegurada por uma 1ª volta onde se apresentem 3 candidatos. Unir a esquerda num único candidato significa ajudar o eleitorado a "esquecer" que Soares é "apenas" o candidato do PS, coisa que de todo não lhe convém ser. E seria um passo para a necessária "dramatização" das eleições, sem a qual não há hipóteses de concorrer com a "dramatização" à direita ("o Estado nas mãos nas mãos do socialismo", "salvação nacional", etc.).

Voltarei, claro, ao assunto, quando houver sondagens.

by Pedro Magalhães

Uma curiosidade (prólogo a futuras conversas)

Posted August 25th, 2005 at 11:49 am4 Comments

Universidade Católica, Janeiro de 2004, Aleatória estratificada, N=1206, face-a-face

Se pudesse decidir por si, quem gostaria que fosse o próximo Presidente da República? (pergunta aberta, resposta espontânea, codificada à posteriori)
Cavaco Silva: 19%
Jorge Sampaio:18%
Santana Lopes:7%
António Guterres:6%
Marcelo Rebelo de Sousa:2%
Mário Soares: 1%
21 outras personalidades, incluindo esta, todos com menos de 1% cada um:7%

Não sabe:20%
Não responde:20%

Se numa 2ª volta das eleições presidenciais concorressem Cavaco Silva e Mário Soares, em qual deles votaria?
Cavaco Silva: 44%
Mário Soares: 32%
Votava branco/nulo:5%
Não votava: 8%
Ns/Nr:11%

Isto foi, repito, em Janeiro de 2004. Volto em breve a este assunto...

by Pedro Magalhães

Não mata mas mói

Posted August 24th, 2005 at 12:12 pm4 Comments

Brasil, Ibope, 13-17 Agosto 2005, N=2002, Face-a-face

Na sua avaliação, o Governo do Presidente Lula está sendo:

Bom/Ótimo: 29% (-7%)
Regular: 38% (-2%)
Ruim/Péssimo:31% (+7%)
Ns/Nr: 2%

by Pedro Magalhães

Dos arquivos do genial Professor Pollkatz

Posted August 23rd, 2005 at 5:39 pm4 Comments

Wishfull thinking? Nixon vs. Bush.
















Uma opinião pública movida a gasolina:

















Isto e muito mais aqui.

by Pedro Magalhães

Eleições e mercados electrónicos

Posted August 23rd, 2005 at 12:16 pm4 Comments

(à atenção da Lei da Espada)

Há uma tendência para que os mercados electrónicos, como o IEM, consigam prever os resultados de eleições tão bem como algumas sondagens, e quase sempre melhor que a média das sondagens. Na verdade, as sondagens visam descrever o estado da opinião, não prever, mas o certo é que muita gente as procura como modo de previsão, pelo que vale a pena comparar o que se passa nos mercados com o que se passa nas sondagens.

Por estes dias, a poll of polls das sondagens alemãs dá o seguinte:
CDU/CSU: 43%
SPD: 29%
Linke: 9%
Verdes:8%
FDP: 8%

Mas no Wahlstreet, a história é ligeiramente diferente:
CDU/CSU: 40%
SPD: 31%
Linke: 10%
Verdes:8%
FDP: 7%

O "mercado" aposta que a CDU vai ter menos do que na sondagens e o SPD algo mais. E é plausível, especialmente tendo em conta a impopularidade de Merkel e a "espiral do silêncio" que deve estar a funcionar contra o SPD. Importa também dizer, contudo, que o mercado é, ele, próprio, muito sensível às sondagens: comparem a evolução das sondagens aqui com a evolução do mercado aqui e verão, especialmente no que respeita ao "arrefecimento" das expectativas em relação à coligação PDS-WASG...

by Pedro Magalhães

Diminui apoio à retirada dos colonatos

Posted August 23rd, 2005 at 10:38 am4 Comments

Israel, Maagar Mochot, 18 Agosto, N=511, Telefónica.

Do you support or oppose the disengagement plan?
Support: 46% (-7%)
Oppose: 42% (+12%)
Outros:12% (-5%)

by Pedro Magalhães

CDU/CSU + FDP

Posted August 22nd, 2005 at 11:20 am4 Comments

Apesar de sondagens em Agosto me levantarem algumas dúvidas - num recente Eurobarómetro, 80% dos alemães declararam passar pelo menos duas semanas fora de casa durante as férias, com as consequências para a amostragem durante o mês de Agosto que se imaginam - não parece haver grandes dúvidas sobre qual vai ser o partido mais votado nas eleições na Alemanha. A dúvida é se CDU/CSU e FDP conseguem, em conjunto, chegar à maioria absoluta.

Na base dos dados das sondagens feitas até agora, creio que as coisas se inclinam para que sim. Vejamos: o valor mínimo da soma das intenções de voto obtidas pelos dois partidos até agora foi 48%. Em 1994, CDU/CSU e FDP obtiveram em conjunto 48,4% dos votos e, em conjunto, 341 deputados, 4 mais do que aqueles que necessitavam para a maioria absoluta. E há outros exemplos de situações em que menos de 50% de votos para as somas CDU/CSU+FDP ou SPD+FDP seriam suficientes para mais de 50% dos assentos parlamentares. Assim foi em 1961, 1965, 1969 e 1998, por exemplo. E importa recordar que 48% foi o mínimo que CDU/CSU e FDP obtiveram em conjunto nas últimas sondagens, já que, na poll of polls, têm andado sempre pelos 49-50%. Em resumo, apesar do sistema eleitoral alemão ser bastante proporcional na conversão de votos em mandatos - mais do que o nosso, por exemplo - continua a ser possível ter maiorias absolutas de deputados com maiorias relativas de votos.

Contudo, isto é um pouco mais complicado do que parece. Por exemplo, o sistema alemão tem uma cláusula barreira que exclui da representação parlamentar todos os partidos que tenham menos de 5% de voto a nível nacional ou não consigam ganhar pelo menos três assentos nos círculos uninominais, sendo os assentos que teoricamente caberiam a esses partidos redistribuidos pelos restantes. Logo, esta exclusão (ou falta dela) pode ser crucial para determinar o que se passa com os partidos não excluídos. E desta vez, os maiores partidos não vão ter a vida facilitada, dado que a coligação PDS/WASG foi feita precisamente para garantir a ultrapassagem da cláusula-barreira por parte destes partidos.

Mas talvez se possa dizer que tudo o que seja abaixo dos 48% em votos para CDU/CSU+FDP significa elevado risco de não dispor de uma maioria absoluta. Tendo em conta a enorme vantagem da CDU/CSU sobre o SPD, o vencedor não está em dúvida. A dúvida é, precisamente, quanto somam, em votos e assentos, CDU/CSU e FDP. Por enquanto, as coisas inclinam-se para que haja maioria centro-direita. Mas estou curioso para ver as primeiras sondagens de Setembro...

by Pedro Magalhães

Suportar o terrorismo IV

Posted August 22nd, 2005 at 11:07 am4 Comments

Do UK Polling Report:

Following the details of the IPCC investigation into the shooting of Jean Charles de Menezes which were leaked earlier this week, there is a new BPIX poll in today’s Mail on Sunday. When it first emerged that Mr de Menezes was not a terrorist public support for the “shoot to kill” policy remained pretty much unchanged. A YouGov survey for the Mirror immediately after the shooting when it was thought Mr de Menezes was a terrorist showed 71% support for the policy; a YouGov poll a few days later for the Economist when it was clear that Mr de Menezes was innocent showed an almost identical 70% support.

The revelations earlier this week that Mr de Menezes was, in fact, not wearing a bulky jacket, nor did he run from the police, or leap over a ticket barrier and he may not even have been warned have finally started to change public opinion: only 58% of people told BPIX they supported the shoot to kill policy, with 28% thinking it wrong. While this is still obviously an overall majority, it is a significant fall from earlier levels of support.

There was also a fall in support for Metropolitan Police Commissioner Sir Ian Blair. In the days immediately following the London bombings BPIX found that 68% of people had confidence in Sir Ian Blair; following this week’s disclosures, confidence has fallen to only 54%. In July 23% said they had little or no confidence in Blair, that figure has now risen to 40%. BPIX also asked people directly whether or not Sir Ian Blair should resign over the police’s handling of the shooting - almost a quarter said he should, with 60% saying he should stay on.

by Pedro Magalhães

Teoria dos dominós

Posted August 19th, 2005 at 5:08 pm4 Comments

De entre os catorze blogues que aqui, há oito meses, confessei fazerem parte das minhas leituras regulares - Aviz, O País Relativo, A Praia, Barnabé, Bloguítica, Causa Nossa, O Acidental, Fora do Mundo, Blasfémias, Indústrias Culturais, Cartas de Londres, Intermitente, Portugal dos Pequeninos e Homem a Dias - seis já fecharam portas (apesar de um deles se ter passado para outro lado). Dois deles nesta semana.

by Pedro Magalhães