Pedro Magalhães

Margens de Erro

Peritos

Posted June 20th, 2005 at 1:01 pm4 Comments

Vale a pena ler este post de Pacheco Pereira (PP). A linha é, de facto, muito fina - se é que existe - entre a contribuição do "politólogo" que pode adiantar qualquer coisa ao conhecimento de um determinado fenómeno político e a contribuição que é uma "opinião política como qualquer outra". E partilho da preocupação com o facto de essas contribuições, sejam elas meras "opiniões" ou não, aparecerem por vezes enquadradas com uma aura especial de "isenção e intangibilidade". Se um "politólogo" ou qualquer outro "cientista" (atenção às aspas) é criticado (por vezes com inusitada violência) pelos seus erros e omissões no interior da própria academia, como imaginar que pudesse estar isento de críticas quando se desloca à "praça pública"?

Contudo, será que tudo aquilo que os "politólogos" dizem na comunicação social se resume, como defende PP, a "truísmos" ou "opiniões políticas como quaisquer outras"? Será que toda e cada uma (ou até a maior parte) das intervenções públicas de académicos que estudam fenómenos políticos se encaixam nestas duas categorias? Eu gostaria de pensar que não, mas Pacheco Pereira lá terá a sua "opinião" sobre o assunto, se bem que ela própria esteja sujeita - porventura com tanta ou tão pouca justiça - a ser descrita também como meramente "política" (ver aqui).

Mas mesmo que Pacheco Pereira tenha razão em descrever todas as contribuições "não truísticas" dos académicos que estudam os fenómenos políticos como "opiniões políticas ", qual é exactamente o problema? O que o faz pensar que essas opiniões são "como quaisquer outras"? Não poderá o debate político eventualmente beneficiar da contribuição de pessoas cujas "opiniões políticas" são informadas, claro, pela sua ideologia e convicções políticas, mas também, claro, por uma formação académica específica que os faz prestar atenção a determinadas fenómenos e produzir sobre elas um determinado tipo de discurso? Ficamos a perder assim tanto com isso?

O discurso político sobre a economia e a política nos Estados Unidos fica a perder muito com as opiniões dos economistas e dos politólogos que "descem" da academia para dizer o que pensam informados por aquilo que sabem ou julgam saber ao longo de anos de actividade académica? Não será que o que nos falta é, precisamente, um maior número de public intellectuals, pessoas capazes de, sem abdicar de darem as suas opiniões e de explicarem "de onde vêm", sejam também capazes de as dar fazendo a ponte para aquilo que na academia se julga saber sobre os temas em discussão? (e não será um dos problemas do debate político nos Estados Unidos o declínio desses public intellectuals e sua crescente substituição por um exército de political pundits, pessoas cuja única e exclusiva actividade é a de...dar opiniões?).

Ou será que devemos concluir que o protagonismo no debate político em Portugal deve ser dado exclusivamente a pessoas cuja actividade fundamental é a de fazer política, mas que, apesar de nunca esconderem que estão a dar a sua "opinião", fazem-no manipulando o abundante capital simbólico que recolhem da sua suposta condição de "académicos", nunca se rebelando contra esse enquadramento que deles é dado nos media?

by Pedro Magalhães

13 dias e a "vontade do povo"

Posted June 20th, 2005 at 11:22 am4 Comments

1. Dinamarca, Vilstrup/Politiken, 3 de Junho, 1037 entrevistas, telefónica

Should the scheduled referendum on the European Constitution take place, or be called off?
Denmark should still hold the referendum as scheduled: 53%
The referendum should be called off in light of the recent rejections: 31%
Undecided: 16%

2. Dinamarca, Catinét Research, 16 Junho, 1020 entrevistas.

Should the government stand by its plan to hold a referendum to ratify the European Constitution?
Yes: 33%
No:50%
Unsure: 17%

by Pedro Magalhães

Contas galegas

Posted June 20th, 2005 at 10:18 am4 Comments

PP: 44,9% (37)
PSdeG: 32,5% (25)
BNG: 19,6% (13)

Mas...falta contar os votos da emigração galega. O que pode acontecer?

Ver aqui:
"a emigración galega responde de xeito case sistemático a un mesmo patrón de voto. Nas eleccións autonómicas como nas xerais, a diáspora galega tradicionalmente sempre lle daba o trunfo ao partido que goberna no Estado, quer o PP quer o PSOE, sen importar cal dos dous está a gobernar en Galiza (excepto nunha ocasión, nas autonómicas de 1993, onde o PP gañou ao PSOE por pouco), mentres que o BNG sempre obtivo porcentaxes moi reducidas de voto (non atinxiu nunca unha porcentaxe superior ao 7%)."

E aqui:
"Tal e como están as cousas, o PP necesitaría conseguir arredor de 10.000 votos dos emigrantes máis co PSOE en Pontevedra para poder conseguir o escano 38 que lle devolvería a maioría absoluta. Nas eleccións de 2001, o PP logrou en Pontevedra 13.292 votos procedentes do CERA; o PSOE, 4.559 e o BNG 1.186. Con estes resultados, o PP non renovaría a maioría absoluta, pero polo pelo dun carneiro. Haberá por tanto que agardar 8 días para coñecer o desenlace".

Quanto às sondagens, a mais recentes estiveram todas muito próximas- como podem confirmar aqui - à excepção da Opina de 12 de Junho (curiosamente, a que foi realizada mais perto das eleições. Já no referendo francês tivemos um fenómeno semelhante...).

by Pedro Magalhães

Autárquicas, Sintra

Posted June 18th, 2005 at 7:49 pm4 Comments

Eurosondagem, 13-15 Junho, N=1011, Telefónica.

PSD/CDS (?) - Fernando Seara: 33%
PS - João Soares: 33%
CDU: Batista Alves: 8,5%
BE - João Silva: 7%
Outros: 4,5%
Indecisos: 15%

by Pedro Magalhães

Autárquicas, Porto

Posted June 18th, 2005 at 7:45 pm4 Comments

Eurosondagem, 7-9 Junho, N=1025, Telefónica
PSD/CDS (Rui Rio): 39%
PS (Francisco Assis): 33%
CDU (Rui Sá): 9%
BE (Teixeira Lopes):3%
Outros:5%
Indecisos: 11%

by Pedro Magalhães

A opinião pública

Posted June 17th, 2005 at 3:59 pm4 Comments

Há dias, acabei de ler o Saturday do Ian McEwan. Não estou particularmente impressionado. Gosto muito de alguns livros anteriores. Atonement mais que todos, talvez, se bem que The Innocent menos que todos os outros, de certeza. Ponho este algures no meio.

Mas há no livro uma passagem daquelas que se pode pedir para "comentar" num teste de uma qualquer cadeira de "Estudos de Opinião Pública". A personagem principal é Henry Perowne, um neurocirurgião, meia-idade, vagamente progressista, se bem que no alto de uma apoteótica trajectória de ascenção social até à upper middle class, já pouco recordado dos tempos em que era estudante e vivia com a mulher e a filha num apartamento minúsculo e já nada envergonhado do seu Mercedes S500.

O Saturday do título é um dia concreto, o da manifestação em Londres contra a guerra no Iraque. A certa altura, Perowne comenta algo indignado que estranha que na manifestação não haja cartazes contra a tortura e a opressão no Iraque. E diz que nunca poderia juntar-se a esta manifestação. Apesar de não estar certo das razões da guerra, teve um paciente exilado iraquiano que lhe contou como foi torturado (e por isso, só as razões "humanitárias" da guerra o poderiam persuadir, the only case for the war worth making).

Mas num dispositivo típico do livro - que nunca nos deixa interpretá-lo como um panfleto sobre a guerra nem nos alivia incertezas sobre a posição de McEwan ou Perowne - logo após contar isto, Perowne distancia-se imediatamente da sua indignação inicial, e reflecte: se não lhe tivesse calhado aquele paciente iraquiano, se não tivesse conhecido em primeira mão as histórias de tortura, poderia perfeitamente estar ali com eles na manifestação. Da mesma maneira que, alguns deles, estão ali por outras e tão boas razões - "reais", vividas, outros "iraquianos". A vida é feita de acidentes de percurso. A opinião pública é uma coisa completamente aleatória.

by Pedro Magalhães

A teoria dos dominós

Posted June 16th, 2005 at 2:25 pm4 Comments

Irlanda, TNS, 8 Junho, N=1000, Telefónica:

Should the Irish government go ahead with a referendum on the European Constitution?
Should go ahead: 45%
Should not go ahead: 34%
Don’t know: 21%

How would you vote if a referendum takes place?
In favour :30%
Against: 35%
Not sure: 35%

by Pedro Magalhães

Mais "Minho Norte"

Posted June 16th, 2005 at 2:22 pm4 Comments

Com muito maior conhecimento de causa sobre as sondagens para as eleições de 19 na Galiza, ver aqui os artigos de Carlos Neira.

by Pedro Magalhães

Entretanto, no "Minho Norte"

Posted June 15th, 2005 at 1:13 pm4 Comments

Fui desafiado há uns tempos pelo dias estranhos, um blogue da Galiza ("Minho Norte", tendo em conta que, para eles, Portugal é "Minho Sul") a escrever qualquer coisa sobre as eleições autonómicas do próximo dia 19. Hesito, porque sei muito pouco - muito menos do que devia e gostaria - sobre a política galega. Mas não custa alinhar alguns resultados de sondagens e pensar um pouco sobre elas, rezando para que as minhas fontes estejam correctas. Por ordem cronológica crescente, as que detectei (redistribuo indecisos e arredondo casas decimais):

1. Universidade de Santiago de Compostela, Novembro-Dezembro 2004, N= 1200, face-a-face.
PP: 31% (34-35 deputados)
PSdeG: 28% (23-24 deputados)
BNG: 21% (17 deputados)
Outros: 20% (tantos?)

2. Instituto Opina, 2-4 Maio, N=1500, ?.
PP: 35% (36-37)
PSdeG: 34% (27)
BNG: 13% (11-12)
Não tem outros.

3. Sondaxe, 27 Abril-4 Maio, N=4000, ?.
PP: 45% (36)
PSdeG: 32% (24)
BNG: 21% (15)
Outros/brancos: 2%

4. CIS, 29 Abril-11 Maio, N=1600, face-a-face.
PP: 46% (36)
PSdeG: 33% (23)
BNG: 21% (16)

5. Instituto Opina, 5 Junho, N=1000, face-a-face.
PP: 45% (35-37)
PSdeG: 33% (25-27)
BNG: 20% (13)

6. Anova Multiconsulting, 31 Maio-7 Junho, N=2000, telefone:
PP: 47% (38)
PSdeG: 31% (22)
BNG: 19% (14)

7. Sigma Dos, 6-8 Junho, N=800, telefone.
PP: 47% (37-38)
PSdeG: 30% (23-24)
BNG: 20% (13-14)

8. Instituto Opina, 12 Junho, N=1000, face-a-face.
PP: 42% (34-36)
PSdeG: 35% (25-26)
BNG: 19% (15)

Há ainda outras duas de um instituto chamado Infotécnica, mas do qual apenas obtive distribuições de deputados. Ambas as sondagens, uma de Abril e outra de Maio, deixam tudo em aberto quanto à maioria absoluta, para a qual o PP precisa de 38 deputados. O sistema eleitoral galego tem, segundo a explicação do dias estranhos, uma cláusula-barreira de 5%, abaixo da qual o partido não obtém deputados, o que basicamente transforma a coisa num jogo PP-PSdeG-BNG.

O que posso dizer sobre estes resultados? Três coisas:

1. Dos vários institutos que fizeram sondagens, os mais conhecidos e reputados (e de dimensão nacional) são o Opina, a Sigma Dos e, claro o CIS. Mesmo que quiséssemos dar maior credibilidade aos resultados destes - e não estou seguro que assim seja - isto não nos levava longe. Enquanto a Sigma Dos dá um resultado mais lisonjeiro para o PP, o CIS e o Opina negam a maioria absoluta ao PP.

2. Agora, para mentes perversas. Em que meio de comunicação são divulgadas as sondagens Opina? El Pais e Cadena Ser (Grupo Prisa). Em que meio de comunicação são divulgadas as sondagens Sigma Dos? El Mundo. A quem pertence o CIS? À Presidência do Conselho de Ministros de Espanha. Tirem daqui as conclusões que entenderem. Eu, por mim, não queria tirar muitas, mas que é tentador, é.

3. Se há alguma conclusão que se possa, com muito cuidado, tirar, é esta: nenhuma das sondagens que sabemos ser conduzidas face-a-face dá maioria absoluta ao PP, e nenhuma passa dos 46% das intenções de voto. Ambas as sondagens que sabemos ter sido conduzidas pelo telefone dão 47% e abrem a possibilidade de maioria absoluta.
O que vou dizer de seguida baseia-se em muito poucas observações e muito palpite, mas eu confiaria mais nas sondagens face-a-face. Quando um partido está no poder desde que há poder, quando estamos num território com forte peso de eleitorado rural e uma economia pouco diversificada, muito dependente de decisões do poder autonómico a vários níveis, será que podemos confiar em sondagens que ligam para casa dos eleitores e lhes perguntam se, afinal, sempre vão votar em Fraga? As sondagens face-a-face, pelo menos, permitem a utilização de métodos que minimizam a ocultação do voto (simulação de voto em urnas) e diminuem as recusas. Não se as primeiras já foram utilizadas, mas seja como for, a experiência das eleições locais em Portugal confirmam a superioridade das sondagens face-a-face (ao contrário do que sucede nas eleições nacionais, onde não faz diferença).

É isto. Gostava de poder dizer mais, mas é tudo o que sei. Votem bem.

by Pedro Magalhães

Ainda vamos querendo, mas cada vez menos

Posted June 7th, 2005 at 9:49 am4 Comments

Luxemburgo, ILRes, fim de Maio
500 inquiridos, telefónico

Sim: 46% (-13% em relação a Abril)
Não:32% (+9%)
Não sabe:22% (+4%)

by Pedro Magalhães