Pedro Magalhães

Margens de Erro

França, poll of polls (última sondagem: 2 Maio)

Posted May 3rd, 2005 at 12:49 pm4 Comments

Mais duas, e completámos o ciclo de todos os institutos de sondagens:

BVA, 30 Abril
Sim: 48%
Não: 52%

CSA, 2 de Maio.
Sim: 51%
Não: 49%

A poll of polls fica assim:

by Pedro Magalhães

Aborto II

Posted May 3rd, 2005 at 12:07 pm4 Comments

OK, o post anterior foi parcialmente ultrapassado pelos acontecimentos. Mas a questão de fundo permanece.

by Pedro Magalhães

Aborto

Posted May 3rd, 2005 at 9:46 am4 Comments

Sondagem Marktest:

De acordo com o Barómetro, 54,3 por cento dos portugueses votaria a favor da despenalização, contra 28,6 que optariam em sentido contrário. Outros 16 por cento disse não ter opinião ou então não querer responder.

Para além das questões da amostragem, as respostas a questões como esta são muito sensíveis à formulação da pergunta. Seja como for, numa sondagem da Católica de 14 de Janeiro de 2004, 69% diziam que votariam "Sim" à (cito) "despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado”. 25% votariam "Não" e 6% "Ns/Nr".

Assim, à partida, das duas uma:

1. Ou a formulação da pergunta foi determinante para a diferença (mas não sei como foi formulada a pergunta na sondagem Marktest);
2. Ou o apoio à despenalização diminuiu (ou pelo menos, aumentou a incerteza).

Mais certo é que não há razões para supor que os portugueses não querem o referendo. Em Janeiro de 2004, 56% achavam que a discussão sobre o tema era "muito oportuna". Agora, há mesmo 47% que acham que o referendo à despenalização deveria ocorrer antes do referendo europeu (contra 39% que pensam o oposto). No último artigo do Público, a Helena Matos confunde os seus próprios sentimentos com os da população. Um lapso comum.

Mas atenção: na sondagem da Católica de Janeiro de 2004, questionados sobre se "deveria ser só o parlamento a decidir se haveria uma alteração às leis do aborto ou se deveria haver um referendo", 73% optavam por referendo. Eu sei que a questão tal como formulada na sondagem é algo equívoca, dado que pode haver partes da lei alteradas por referendo e outras não. Mas o sentimento geral existe. E será ele compatível com um referendo que liberaliza o aborto por vontade da mulher até às 10 semanas ao mesmo tempo que, por via legislativa, se ampliam as causas médicas justificativas do aborto até às 16 semanas? Não estará aqui parte da explicação da diminuição de 69 para 54% de apoio à despenalização?

Não seria espantoso se os nossos políticos, por inépcia ou maximalismo, fizessem com que um novo referendo voltasse a resultar na inviabilização de uma alteração legislativa aparentemente desejada pela grande maioria da população (a despenalização do aborto por opção da mulher até às 10 semanas)? Vamos ver.

by Pedro Magalhães

Fifty-fifty two

Posted May 2nd, 2005 at 11:42 pm4 Comments

Fifty-fifty

Posted May 2nd, 2005 at 11:44 am4 Comments

Confirma-se a impressão já transmitida aqui: uma recuperação do Sim nas sondagens de intenção de voto no referendo em França. Nos estudos feitos no final de Abril, o Sim sobe nas sondagens IFOP (de 44 para 48%) e Sofres (de 45 para 52%), tal como já tinha subido em quase todas as restantes (excepto a BVA, mas a mais recente deles é de 19 de Abril). Porquê? Na sondagem IFOP, divulgada ontem, 54% dos simpatizantes Socialistas tencionavam votar Sim; na sondagem IFOP de 15 de Abril, 62% deles tencionavam votar Não.

by Pedro Magalhães

UK, recta final

Posted May 2nd, 2005 at 10:00 am4 Comments

A quatro dias das eleições, algumas das dúvidas começam a dissipar-se. Em particular, as intenções de voto nos Conservadores desceram em três das quatro sondagens divulgadas ontem (Domingo, dia 1 de Maio). Parece confirmar-se (de forma mitigada) a ideia de que "the Conservatives' aggressive campaign to impugn Mr Blair's personal integrity is in fact fuelling a sharp rise in his popularity".

Fica assim a poll of polls a quatro dias das eleições, incluindo as sondagens NOP, Yougov, ICM, Populus, Mori e Communicate Research, do dia 9 de Janeiro ao dia 1 de Maio. É certo que os valores médios são muito influenciados pela ICM e Yougov, que têm muitas sondagens. Mas isso não faz grande diferença, especialmente tendo em conta que, desde Abril, a dispersão entre os resultados das diferentes sondagens é relativamente reduzida em comparação com o período anterior.

by Pedro Magalhães

Marktest, 29 de Abril

Posted April 30th, 2005 at 2:25 pm4 Comments

Para que servem as sondagens sobre intenção de voto nos períodos entre-eleições?

Uma coisa para que de certeza não servem é para se dizer, como aqui, que "o Partido Socialista voltaria a ganhar com maioria absoluta as eleições caso estas se realizassem em Abril, se bem que com uma menor vantagem frente ao PSD, revela o Barómetro DN/TSF/Marktest". As versões online das notícias sobre o Barómetro Marktest, quer na TSF quer no DN, são omissas na ficha técnica quanto à percentagem daqueles que não responderam ou disseram não saber em quem votariam, mas é quase certo e sabido que essa percentagem é muito superior à verificada nas sondagens imediatamente antes das eleições. Nestas circunstâncias, dizer-se que "o PS voltaria a ganhar com maioria absoluta" (ou dizer-se o contrário) é pouco menos que absurdo.

Mas isso não quer dizer que estas sondagens sejam inúteis. Por um lado, a comparação ao longo do tempo das intenções de voto, se bem que nada nos diga sobre resultados eleitorais, diz-nos algo sobre tendências de aumento ou diminuição de apoio a estes ou aqueles partidos. Por outro lado, estes dados são relativamente interessantes: poucas semanas depois das eleições de 2002, o PSD já aparecia como derrotado nas sondagens de intenção de voto e a avaliação de Durão Barroso era já predominantemente negativa; contudo, o governo PS já tem "honeymoon period". Se isto significa que os portugueses adoram Sócrates ou se simplesmente significa que preferem que não os aborreçam com política, governos e oposições pelo menos até 2009 é que os números já não esclarecem cabalmente.

by Pedro Magalhães

As incógnitas do dia 5

Posted April 28th, 2005 at 3:56 pm4 Comments

David Cowling
Com um ponto muito importante que não desenvolvi no post anterior:

Labour's nightmare is that some of their 2001 voters will drift to third-placed Lib Dem candidates in key marginals with the result that a number of them will fall to the Conservatives.

E claro:

To avoid such a fate, Labour needs to motivate its supporters to turn out on polling day.


Alan Travis, no Guardian, com uma interpretação mais "optimista" dos trabalhos de Blair:

This difference underlies the central finding of this week's poll: the Conservatives' aggressive campaign to impugn Mr Blair's personal integrity is in fact fuelling a sharp rise in his popularity as the campaign goes into the final seven days.


Mas, no mesmo Guardian:

Labour is under mounting pressure in marginal seats in the face of strong voter scepticism and a disciplined Conservative attack which has reduced Labour's lead to 2% or less in key constituencies.









by Pedro Magalhães

UK update

Posted April 28th, 2005 at 2:08 pm4 Comments

Os meus comentários às sondagens para as eleições britânicas do próximo dia 5 têm sido um bocado voláteis . Aqui, as coisas estavam "mais abertas do que pensava", o o Partido Conservadores "subia". Aqui e aqui, já estava tudo resolvido.

Pois, era suposto ter qualquer coisa de mais definitivo para dizer. Mas a verdade é que:

1. Por um lado, é difícil acreditar que não esteja tudo resolvido. Por razões que expliquei aqui, e que têm a ver quer com o actual funcionamento do sistema eleitoral e quer com os padrões de comportamento eleitoral, a derrota dos Trabalhistas em número de deputados é uma enorme improbabilidade, mesmo que a derrota em percentagem de votos o seja menos.

2. Contudo, por outro lado, as sondagens têm apresentados oscilações estranhas. Parte da oscilação tem a ver com as dramáticas variações metodológicas entre os diferentes institutos: uso de entrevistas face-a-face, telefónicas ou pela internet; formas muito diferentes de filtrar os "votantes improváveis" (ou seja, de lidar com o problema da "abstenção diferencial"); e formas diferentes de ajustar os resultados aos efeitos da "espiral do silêncio" (ou seja, da diferente disponibilidade de diferentes votantes para assumirem a sua escolha eleitoral).

Tudo isto para dizer que, depois de muitos dias de boas notícias para Blair, a última sondagem Mori (26 de Abril) tem resultados perturbantes:

1. Apenas 2% de vantagem para os Trabalhistas;
2. Quanto mais exigente o "filtro" dos votantes prováveis, melhores os resultados dos Conservadores. Ou seja: eleitores trabalhistas mais hesitantes se irão votar ou não. Ou seja: quanto maior a abstenção, melhor o resultado dos Conservadores deverá ser. O voto Trabalhista revela-se, em parte, soft vote.
3. 57% dos eleitores não consideram Blair "digno de confiança". E as últimas notícias não deverão ajudar muito neste capítulo.

Uma derrota dos Trabalhistas continua a pertencer ao reino das grandes improbabilidades. E a desacreditação de Blair aos olhos dos ingleses, uma tendência inexorável desde a guerra do Iraque, deverá favorecer mais os Liberais Democratas do que os Conservadores, pelo menos em termos de percentagem de votos. Mas mesmo assim, o dia 5 merece atenção. O que sucede se, em face da mais que provável vitória de Blair e da sua erosão política, os eleitores Trabalhistas decidirem ficar massivamente em casa? Não seria a primeira vez que as sondagens se equivocam de forma catastrófica no Reino Unido...

by Pedro Magalhães

Poll of polls, referendo francês, 27 de Abril

Posted April 27th, 2005 at 10:46 am4 Comments

Cá está: a média móvel das últimas três sondagens sobre o referendo francês desde Junho de 2004, baseada nos resultados da Ipsos, CSA, BVA, Louis-Harris e Sofres. A sondagem mais recente é a da IPSOS, de 22 de Abril




1. Há um ponto de viragem claríssimo em meados de Março. A sondagem Sofres de 10 de Março é a última que dá "vitória" do Sim (tal como todas as anteriores). A sondagem CSA de 17 de Março é a primeira que dá "vitória" ao Não (tal como todas as seguintes). A dinâmica do Não só emerge, portanto, imediatamente após o anúncio da data do referendo, e corresponde, segundo os vários estudos, à mobilização do eleitorado de esquerda contra a Constituição Europeia.

2. Recuperação do sim? É ainda cedo para dizer, mas as sondagens mais recentes sugerem uma recuperação do "Sim" até um ponto em que se pode falar de "empate técnico". Aqui sugere-se algo que já tinha sugerido ontem: uma forte progressão do "Sim" entre o eleitorado UMF-UMP. Contudo, o "Sim" é já a opção de cerca de 80% do eleitorado da direita não-FN. Não há muito mais espaço para progressão.

3. No início de Março, dois em cada cinco simpatizantes do Partido Socialista francês tencionavam votar "Não". Hoje, são três em cada cinco. Jospin fala amanhã ao "povo socialista". É nas suas mãos - e dos líderes do PS - que está depositado o resultado do referendo de 29 de Maio.

by Pedro Magalhães