Pedro Magalhães

Margens de Erro

Eurosondagem, 12 de Fevereiro

Posted February 12th, 2005 at 6:42 pm4 Comments

Os visitantes deste blogue já me fazem o favor de enviarem os resultados das sondagens que vão saindo. Obrigado! A última foi esta: Eurosondagem, com trabalho de campo realizado entre 2 e 8 de Fevereiro (ou seja, em período mais longo e anterior ao da sondagem da Aximage ontem divulgada), e com os seguintes resultados:

PS:44,4% (a Aximage dava 48% após redistribuição de indecisos);
PSD: 31,3% (a Aximage dava 29%);
CDS-PP: 7,4% (Aximage, 7%)
CDU: 6,9% (Aximage, 8%)
BE: 6,4% (Aximage, 5%)
OBN: 3,6%

Tendências:

PS: a Aximage dá o PS a subir um ponto em relação à sua sondagem anterior; a Eurosondagem mostra o PS a descer 1,7%.
PSD: a Aximage dá o PSD a descer 3 pontos; a Eurosondagem dá o PSD a descer 0,8%.
CDS-PP: a Aximage dá o CDS-PP a descer 1 ponto; a Eurosondagem mostra o CDS-PP a subir 0,4%.
CDU: a Aximage dá a CDU a subir 2 pontos; a Eurosondagem dá a CDU a subir 0,3%.
BE: a Aximage dá o BE a subir 1 ponto; a Eurosondagem dá o BE a subir 1,8%.

Tirem daqui as conclusões que quiserem. Eu, pessoalmente, tiro praticamente as mesmas que tirava aqui, ou seja: estas séries de sondagens têm mostrado tendências relativamente congruentes para alguns partidos (BE; CDU; PSD), mas não para outros. Entre estes últimos, o PS é o caso mais notório.

E há várias questões cuja resposta, creio, não é dada por nenhuma destas sondagens com qualquer razoável margem de confiança:

1. Maioria absoluta ou não;
2. Margem de vitória;
3. Posição relativa CDS/CDU;
4. Dimensão da subida do BE em relação a 2002.

Para a semana:

- a poll of polls actualizada antes das últimas sondagens de 5ª e 6ª feiras;
- o confronto entre as sondagens e os resultados eleitorais em 1991, 1995, 1999 e 2002, a ver se aprendemos alguma coisa com o passado...

by Pedro Magalhães

Parêntesis

Posted February 11th, 2005 at 4:14 pm4 Comments

Perdoem uma curta nota não directamente relacionada com sondagens, mas não resisto. Estou profundamente intrigado com algumas opções tomadas pelo PSD nesta campanha eleitoral. O problema não são os cartazes da JSD, de que, por acaso, eu também gosto, neste sentido: a melhor arma que se pode ter contra este PS é a do regresso da chamada "tralha guterrista". Mas os problemas são outros, a saber:

1. Eu percebo que é desagradável ter sondagens que dão a derrota como "certa", e suspeito que isso tem custos importantes, como já disse. Mas desse ponto de vista, o mal está feito. Sendo assim, não percebo a insistência na ideia de que há sondagens que dizem que o PSD se está a "aproximar" do PS ou de que PSD e CDS podem ter tantos votos juntos como o PS. Será que quem lidera o PSD não percebe que a melhor arma que tem no momento é precisamente a percepção de que as eleições já estão resolvidas? Será que não entende que quanto mais clara for essa percepção menores são os incentivos para um voto estratégico no PS e para a mobilização contra a continuidade de um governo PSD-CDS? E será que não entende que quanto piores forem as sondagens menor vai ser a desilusão com o resultado do PSD no dia 20 e, logo, maior a possibilidade de que Santana Lopes continue a ser líder do partido? Ou será que o Primeiro-Ministro está iludido ao ponto de achar que a conversão destas eleições num puro referendo à sua continuidade no poder beneficia o PSD?

2. Também não entendo a relutância em relação às campanhas de rua. Uma das coisas que quem estuda campanhas eleitorais sabe é que hoje em dia, em países como o Japão ou os Estados Unidos, as campanhas já não são "modernas": são "pós-modernas". Isso significa que combinam elementos "modernos" (o apelo directo através dos meios de comunicação, direccionado ao eleitorado "flutuante" do centro) com elementos "pré-modernos" (a mobilização porta-a-porta, o contacto directo, não com o objectivo de atraír novos eleitores, mas sim garantir que as bases do partido vão às urnas no dia das eleições). E precisamente quando a maior fonte de perdas eleitorais para o PSD será, certamente, a abstenção do seu eleitorado tradicional, quando quase de certeza já não há "indecisos" entre o PS e o PSD, por que razão se julga ser dispensável o contacto directo e de rua?

Mas talvez seja eu quem esteja enganado. Afinal, há no PSD gente com muita experiência política que saberá muito melhor o que fazer do que eu, que tudo o que sei, sei de livros e ponto final. Ou não?

by Pedro Magalhães

Aximage, 11 de Fevereiro

Posted February 11th, 2005 at 11:55 am4 Comments

Nova sondagem da Aximage, realizada nos dias 7 e 8 de Fevereiro:

PS: 44,7%
PSD: 27,4%
CDU: 7,1%
CDS:6,4%
BE: 4,8%
"Indecisos":6,4%

O total dá 96,8%, depreendendo-se que o que falta (3,2%)corresponda a outros partidos, votos brancos e votos nulos.

Redistribuindo os indecisos proporcionalmente pelas opções válidas de voto, de forma a tornar os resultados comparáveis com resultados eleitorais e os das restantes sondagens, e retirando as casas decimais, ficamos com as seguintes estimativas:

PS: 48%
PSD: 29%
CDU: 8%
CDS-PP: 7%
BE:5%
OBN: 3%

Vamos aguardar um pouco para ver se há mais sondagens nos próximos dois dias, como aliás se prevê que suceda. Contudo, à luz do que foi explicado ontem sobre a evolução dos dados da Aximage, esta sondagem tem novidades: uma nova descida do PSD depois de relativa estabilidade desde meados de Dezembro; uma interrupção da subida contínua do CDS; e uma recuperação do BE. Erro aleatório ou outro? Logo se verá. Mas se a Eurosondagem mostrar as mesmas tendências...

Adenda: Está bem, certo. Mas repito: verificar se estas tendências também aparecem na série da Eurosondagem. Só assim podemos ter maior confiança na ideia de que as oscilações na Aximage estarão a medir reais mudanças nas intenções de voto...

by Pedro Magalhães

Sondagens "secretas"

Posted February 10th, 2005 at 12:57 pm4 Comments

Via Bloguítica, fico a saber que o Primeiro-Ministro mencionou os resultados de uma sondagem em que o PS terá descido oito pontos nas intenções de voto. O PS acusa Pedro Santana Lopes de ter "inventado"a sondagem. Entretanto, via e-mail, já me chegaram resultados de uma sondagem que apresenta uma forte descida do PS em comparação com aquelas que foram publicadas e depositadas na Alta Autoridade para a Comunicação Social até ao momento.

O que é importante neste caso não é a existência da sondagem ou os resultados que apresenta caso exista, coisas em que não acredito nem deixo de acreditar. O importante é que há uma deliberação da Alta Autoridade para a Comunicação Social sobre este assunto que seria bom que todos respeitassem.

by Pedro Magalhães

Antes do dilúvio, 2ª parte

Posted February 10th, 2005 at 12:00 pm4 Comments

Num post anterior, e por referência ao caso de 2002, sugeri que é muito difícil, na base de dados agregados, determinar se as evoluções verificadas ao longo do tempo nas diferentes sondagens se devem a reais mudanças nas intenções de voto dos portugueses ou a variações ditadas, pura e simplemente, pela diferente capacidade de diferentes sondagens em obter boas medições dessas intenções, seja devido a erros amostrais ou a erros de outra natureza.

Mas para terminar este "ponto de situação" antes do dilúvio da próxima semana, há algo que se pode fazer para mitigar o problema. Independentemente do que se possa achar da qualidade do trabalho que fazem - e eu já disse que acho que, de há uns anos para cá, a qualidade geral é boa - um dos bons serviços que a Aximage e a Eurosondagem (e aqueles que lhes pagam os trabalhos, o Correio da Manhã, o Expresso e a Rádio Renascença) têm prestado nesta campanha é a realização de várias sondagens a intervalos regulares. Façamos então o seguinte exercício:

1. Se temos dúvidas acerca da possibilidade de comprar diferentes sondagens feitas pelos diferentes institutos/empresas, esqueçamos o assunto e não as comparemos.

2. Comparem-se apenas sondagens feitas pelos mesmos institutos/empresas ao longo do tempo. Como utilizam metodologias mais ou menos constantes, quaisquer enviesamentos que essas metodologias introduzam nos resultados serão, em princípio estáveis.

3. Assim, quaisquer variações que encontremos entre sondagens feitas por um mesmo instituto/empresa em diferentes momentos no tempo deverá dever-se a dois factores: erro amostral ou mudança nas intenções de voto.

4. Contudo, se obtivermos evoluções semelhantes para os diferentes institutos/empresas ao longo do tempo, então a probabilidade de que essas semelhanças se devam a erros aleatórios diminui, e a probabilidade de que essas evoluções reflictam de facto mudanças nas intenções de voto aumenta.

Vejamos então, por exemplo, o PSD nas sondagens da Eurosondagem e da Aximage (esta última com redistribuição proporcional de indecisos):



É claro que, quando comparamos os resultados dentro de um mesmo instituto de sondagens, as diferenças ao longo do tempo estão dentro da margem de erro. Mas ambas dão uma descida do PSD do início para meados de Dezembro, e relativa estabilidade a partir daí? Coincidência?

Agora, o CDS-PP:



Tendência comum: subida. Outra coincidência?

Agora o BE:



Outra tendência comum: subida a partir do início de Janeiro, seguida de descida recente. Mais uma coincidência?

A CDU:



Os dados são menos coincidentes entre a Eurosondagem e a Aximage, mas creio não cometer grande erro se disser que uma e outra apontam para relativa estabilidade das intenções de voto na CDU.

Onde as coisas variam mais é no caso do PS:



A Eursondagem sinaliza uma descida do PS em meados de Dezembro, seguida de estabilidade. A Aximage adia essa descida para mais tarde, em meados de Janeiro, fazendo-a seguir de uma ligeira recuperação. Assim, no caso do PS, torna-se difícil saber se se estão a detectar evoluções nas intenções de voto ou meras flutuações devidas a erro amostral. Mas nos restantes casos, independentemente das estimativas concretas fornecidas por cada sondagem - que não interessam para este exercício - as evoluções partilhadas por ambas as séries de sondagens são as seguintes:

1. PSD desce em meados de Dezembro, ficando estável a partir daí;
2. CDS-PP em subida desde Dezembro;
3. CDU estável;
4. BE com subida inicial, seguida de descida recente.

Ficamos a saber rigorosamente como têm evoluído as intenções de voto nos últimos dois meses? Não. Mas a incerteza diminuiu um pouco, acho eu.

by Pedro Magalhães

Poll of polls ponderada

Posted February 9th, 2005 at 6:31 pm4 Comments

Um amável e-mail chama-me a atenção para o facto de a poll of polls, em bom rigor, dever dar mais peso às sondagens com amostras de maiores dimensões e, logo, com menor erro amostral. E sugere também que as sondagens com menor erro amostral estão a demonstrar maior estabilidade que as outras...

É verdade, e agradeço o reparo. Foi uma mistura entre não querer complicar ainda mais a compreensão do que estava a fazer, alguma preguiça, e a suposição de que não faria muita diferença. Mas aqui vai: a média móvel das últimas três sondagens em cada momento, a partir de 17 de Dezembro (data de publicação da 3ª sondagem) com ponderação inversa pelo erro amostral (mais erro amostral, menos ponderação).*


Não há alterações dramáticas mas, de facto, as curvas de crescimento e declínio das intenções de voto estão menos acentuadas, o que é em parte fruto da formatação gráfica distinta da figura (mais alongada), mas não só. Passa a ser menos evidente, por exemplo, a ideia de que o CDS terá crescido significativamente desde a pré-campanha.

Obrigado! Passa a ser assim a partir de agora.

*Introduzi uma sondagem adicional que antes não tinha detectado: Intercampus, 23 de Dezembro, Jornal de Notícias.

by Pedro Magalhães

Antes do dilúvio, 1ª parte

Posted February 9th, 2005 at 3:07 pm4 Comments

Antes do previsível dilúvio de sondagens a que assistiremos na próxima semana, façamos um ponto da situação. Vou ser relativamente superficial nesta análise e concentrar-me apenas nalguns pontos fundamentais das sondagens conduzidas desde o anúncio de dissolução da Assembleia e convocação de eleições, e principalmente nas dúvidas e perplexidades que elas levantam.

1. A "margem de vitória" do PS. Dê-se por adquirido que o PS vai ser o partido mais votado. Uma derrota do PS seria uma de duas coisas (ou ambas): a maior reviravolta nas intenções de voto alguma vez causada por uma campanha eleitoral na história da democracia portuguesa; ou o maior fracasso das sondagens na história da democracia portuguesa. É certo que, em política ou em sondagens, não há impossíveis. Há apenas probabilidades e improbabilidades. Que o PS acabe por não ser o partido mais votado é uma enorme improbabilidade.

Dito isto, vitória com que margem? Não se sabe. Há duas razões principais para isso. Por um lado, as diferentes "fotografias" das intenções de voto obtidas pelas sondagens realizadas ao longo dos últimos dois meses são discrepantes: a margem de vitória atribuída oscila entre os 8% (Euroteste) e 19% (Aximage, 10 Janeiro). E há possibilidade de algum "voto oculto" no PSD, como já se discutiu. Por outro lado, aquilo que se fotografou foi um alvo em movimento. Falta uma semana e meia, e várias coisas podem ainda mudar. Uma das coisas mais importantes que vai certamente mudar é a forma como aqueles que actualmente dizem tencionar votar num partido acabam por engrossar a abstenção, como sempre acontece. Se o fizessem de forma proporcional às actuais intenções de voto, não faria diferença. Mas pensa-se que existe sempre uma "abstenção diferencial", ou seja, há sempre partidos mais afectados pela abstenção do que outros. E esta abstenção é, sabemos pelo menos isso com alguma certeza, a maior e mais importante fonte de discrepância entre as sondagens e os resultados eleitorais.

Uma maneira de perceber o que poderá suceder é olhar para o passado e ver que partidos são mais "beneficiados" ou "afectados" por esse presumível efeito. O gráfico seguinte mostra os resultados das sondagens realizadas antes do início da campanha eleitoral de 2002. O último ponto na série é formado pelos resultados nas eleições legislativas de 2002.



Mas isto não chega. Este gráfico ilustra vários dos problemas que se enfrentam quando nos pomos a fazer teorias ad hoc acerca daquilo que as sondagens realizadas antes das eleições nos podem dizem sobre os resultados. Notem que, à excepção de duas sondagens, todas as restantes mostram uma vantagem do PSD bem superior àquela que se veio a verificar. Há algumas teorias que justificam este desfecho: a da "abstenção por certeza de vitória", ou seja, a uma maior desmobilização comparativa dos eleitores do partido que se "sabe" ir ganhar; ou a dos efeitos da campanha. Uma e outra seriam, potencialmente, boas notícias para o PSD em 2005.

Mas imaginem que as "boas fotografias" da intenção de voto no gráfico anterior foram precisamente as duas sondagens que, uma em Janeiro e outra em Fevereiro de 2002, já davam resultados muito próximos daqueles que se vieram a verificar no dia 17 de Março? Há uma outra teoria para isto: a de que no fundamental, as intenções de voto estão decididas bem antes da campanha, na base de factores de longo (ideologia; identificação partidária) e médio-prazos (avaliação do governo). Qual a teoria verdadeira? Exclusivamente na base destes dados, não é possível saber.

Deixem-me pegar no mesmo assunto, mas agora do avesso. Quando olhamos para as últimas eleições europeias de 2004, por exemplo, verificamos que, ao contrário do que sucedeu em 2002, quase todas as sondagens subestimaram (em vez de sobreestimarem) o vencedor. Mas quererá isso dizer que a teoria da "abstenção por certeza de vitória" não faz sentido? E se essa "anomalia" se deveu antes ao factor "Sousa Franco"? Ou será que o uso (comum e habitual) das eleições europeias como forma de punir o governo torna impossível a comparação com as legislativas? À partida, é impossível saber.

E mesmo o caso do CDS-PP é opaco: o facto de todas as sondagens realizadas antes da (e, já agora, durante a) campanha de 2002 subestimarem o CDS-PP ter-se-á devido a um late surge do partido nos últimos dias ou a um enviesamento geral partilhado por todas as sondagens? Na base de dados deste género, não é possível saber.


2. O CDS-PP. A propósito do CDS-PP, há outra fonte de perplexidade nestas sondagens. Há dias, avancei aqui uma hipótese explicativa para a subestimação do CDS nas sondagens, pelo menos de 1999: o voto no CDS como "voto oculto". Na altura, avisei que se tratava apenas de um palpite...

E ainda bem que avisei. Porque agora estou a ficar baralhado. Se o voto no CDS é "oculto" (ou pelo menos "mais oculto que os outros"), por que razão será a única sondagem conduzida até agora através de simulação de voto em urna (Intercampus, publicada a 3 de Janeiro) aquela que, entre as mais recentes, tem intenções de voto mais baixas no CDS? E porque estão todas as sondagens telefónicas (à excepção da Marktest) a dar intenções de voto mais altas ao CDS do que as sondagens presenciais, quando no passado tendia a acontecer precisamente o oposto? Será que alguns institutos andam a introduzir "factores de correcção" para compensar aquela que tem sido a subestimação do CDS-PP no passado? Será isto um efeito da utilização de resultados eleitorais anteriores para ponderar a amostra? E se as respostas às questões anteriores forem afirmativas, será que quem está a fazer uma ou outra coisas está a fazer bem ou mal?


3. O Bloco. Depois de um ponto alto no final de Janeiro com três ou quatro sondagens consecutivas, o Bloco começa a encostar, nas sondagens que se seguiram, a valores menos surpreendentes. Mudança real ou fotografias desfocadas? Uma vez mais, não se sabe. Mas aqui talvez valha a pena confrontar a frieza dos números com a apreciação mais qualitativa da campanha. Não sei se terão reparado, mas o fim da pré-campanha e o início oficial da campanha trouxe uma transição, quase perfeitamente orquestrada, da conflito governo/oposição para lutas separadas no interior de cada um dos blocos ideológicos. Assim, temos:

- À direita: o PSD a dar tudo por tudo a ver se não perde muito do seu eleitorado para a abstenção e consegue um resultado "honroso"; um PP "moderado" a ver se sobra qualquer coisa da previsível desmobilização do PSD. O resultado são pequenas escaramuças entre Portas e Santana, que tenderão inevitavelmente a aumentar.

- À esquerda: apesar do que se disse no início, temos agora o PS a ver se vai buscar votos ao Bloco; o Bloco a ver se os preserva e ao mesmo tempo, entra pelo quintal do PCP (desemprego, desemprego, e mais desemprego); e o PCP a ver se se aguenta no meio de tudo isto.

Sobre a luta à direita, pelo que se disse anteriormente, tudo inconclusivo. Sobre a luta à esquerda, as sondagens sugerem - sugerem, repito - que a corda está a começar a partir para o lado do Bloco, pelo menos em comparação com os resultados elevados de finais de Janeiro.

by Pedro Magalhães

Poll of polls VI

Posted February 8th, 2005 at 4:27 pm4 Comments

Desde o dia 3 de Fevereiro, foram publicadas três novas sondagens. Uma da Intercampus, já aqui relatada; outra da Aximage, para o Correio da Manhã, cujos resultados podem ser encontrados aqui; e outra ainda do IPOM, para o Independente, aqui. Há casos de informação incompleta, assinalados com pontos de interrogação. Vamos, no entanto, adicioná-las todas à lista:



Redistribuindo os indecisos proporcionalmente pelas opções válidas nos casos em que os autores das sondagens declinaram fazê-lo, ficamos com os seguintes resultados, comparáveis entre si e com resultados eleitorais:



Se pegássemos em todas as observações que temos desde o início de Dezembro de 2004 e calculássemos sucessivas polls of polls - a média das últimas três sondagens - ficaríamos com o seguinte gráfico evolutivo.


Nunca é demais enfatizar as limitações do exercício poll of polls, que foram descritas atrás. Contudo, se estas sondagens não contivessem erros amostrais ou não amostrais e se a sua evolução traduzisse exclusivamente a mudança nas intenções de voto (e são todos grandes "ses"), teríamos:

1. Estabilidade nas intenções de voto CDU;
2. Subida inicial do CDS-PP, seguida de estabilização;
3. Descida inicial do PSD, seguida de estabilização;
4. Descida longa do PS, seguida de recuperação recente;
5. Subida longa do BE, seguida de descida recente.

Não se esqueçam dos "ses" anteriores, e do facto destas médias ocultarem resultados que parecem ter algumas diferenças estruturais:

1. Grande variação nas percentagens do PSD atribuídas pelas diferentes sondagens, especialmente no confronto entre a sondagem da Euroteste e as restantes;
2. Instabilidade no posicionamento relativo CDS/CDU: as sondagens "presenciais" (Católica; Intercampus) colocam o CDS atrás; as sondagens telefónicas colocam o CDS a par ou acima da CDU.

Mas será que a evolução do gráfico anterior faz sentido do ponto de vista político? Que vos parece?


by Pedro Magalhães

Pausa

Posted February 4th, 2005 at 7:28 pm4 Comments

Para a semana, actualização da poll of polls com sondagens da Intercampus e IPOM (Independente). Mas para já, vou descansar uns dias...

by Pedro Magalhães

120

Posted February 4th, 2005 at 6:31 pm4 Comments

José Sócrates venceu o debate televisivo de ontem, segundo os resultados da sondagem Correio da Manhã/Aximage realizada após o debate televisivo. De acordo com o inquérito telefónico a 120 eleitores, 50,4% atribuem a vitória ao secretário-geral do PS, enquanto 20,2% dizem que o actual primeiro-ministro foi o vencedor. 29,6% consideram que se registou um empate.

Aleatória estratificada por região, sexo, idade, actividade, instrução e voto legislativo, polietápica e representativa do universo, com 120 entrevistas telefónicas.

Atenção:

- margem de erro máxima para uma amostra aleatória de 120 inquiridos (com 95% de confiança): 9%.

-Universo: Eleitores residentes em Portugal em lares com telefone fixo. Só pode ser lapso. Caso contrário, estaria a incluir os que não assistiram ao debate (que tendo em conta que a audiência foi de 16,5%, foram quase todos...)

Mas não quero ser destrutivo. Este tipo de estudos é muito difícil de fazer, e é uma primeira tentativa. Sempre será um bocadinho melhor que as "sondagens" mencionadas anteriormente, apesar de tudo. Mas é suficientemente melhor? A ânsia de saber "quem ganhou" justificará fazer estudos com estas insuficiências? Não sei...

by Pedro Magalhães