Pedro Magalhães

Margens de Erro

Sobre as sondagens

Posted June 9th, 2011 at 11:57 am4 Comments

Paulo Morais escreve sobre as sondagens no Blasfémias. Quatro comentários:

1. As empresas, pela voz dos seus responsáveis, já frequentemente assinalam que intenções de voto não são previsões. Lamentavelmente, essa argumentação é um bocado descredibilizada quando vêm depois a público reclamar sem mais que as suas sondagens foram as que mais se aproximaram dos resultados eleitorais como se isso tivesse um significado mais especial do que aquilo que tem.

2. Quando Paulo Morais diz que as intenções de voto no PSD foram subavaliadas e as do PS e do CDS inflacionadas, incorre, involuntariamente, no mesmo lapso. Como sabe Paulo Morais que elas terão sido inflacionadas e subavaliadas? Por comparação com os resultados eleitorais? Mas afinal...

3. De resto, mesmo que queiramos incorrer nesse primeiro lapso, há um segundo lapso no texto de Paulo Morais: as intenções de voto captadas no CDS estiveram completamente alinhadas com os que vieram a ser os seus resultados.

4. Não é para mim evidente a relação entre a pequena dimensão de alguns círculos e a estimação de intenções de voto a nível nacional, mas se calhar percebi mal.

Com tudo isto não quero dizer:

- que não faça sentido comparar intenções de voto com resultados. Faz sentido, desde que tenhamos em conta  e tentemos estimar tudo aquilo que pode fazer com que umas sejam diferentes das outras e que, como sucede em todos os estudos observacionais (ao contrário dos experimentais), compreendamos que nunca temos a certeza de conseguir "tomar em conta" todos esses factores.

- que tudo esteja bem no tratamento dos indecisos. Podia-se talvez fazer melhor.

- que tudo esteja bem - e este para mim é um dos pontos mais importantes  - na estimação do que é um "votante provável". Mas vai haver sempre limites. Nos Estados Unidos, ou em países como a Suécia, quem faz sondagens sabe se uma pessoa que declara uma intenção de voto e a intenção de votar votou realmente nas últimas eleições, pela consulta dos registos eleitorais. Em Portugal isso não é possível. E enquanto não for, vai ser difícil ter bons modelos.

- que grandes semelhanças entre as sondagens entre si, em cada momento e nos seus movimentos, não possam explicações menos benévolas. Já falei disso aqui muitas vezes.

E como isto é um país pequeno, e como muita gente olha para a realidade a preto e branco, e como discordâncias são frequentemente interpretadas em termos pessoais, acrescento que conheço bem Paulo Morais e tenho muita, mas mesmo muita, simpatia por ele.

by Pedro Magalhães

As eleições e o que se segue

Posted June 8th, 2011 at 6:02 pm4 Comments

Uma análise no The Monkey Cage, em inglês não muito técnico.

by Pedro Magalhães

Alegre/Bloco

Posted June 8th, 2011 at 2:34 pm4 Comments

Em complemento a este post do Aventar, um zoom sobre as intenções de voto dos três "pequenos partidos" a partir de Janeiro de 2010. A linha vertical é Novembro de 2010, início aproximado do declínio de Manuel Alegre nas sondagens para as presidenciais. Não estou a tentar vender teoria alguma. Fiquei intrigado com o post do Aventar e fui ver melhor, achei curioso, e é só isso.



P.S.- Claro que a descida de Alegre foi concomitante com a subida de Nobre. Aqui sim já estou a tentar passar uma teoriazita ou outra, assim ainda um bocadinho vaga.

by Pedro Magalhães

Rescaldo

Posted June 6th, 2011 at 11:42 am4 Comments

Vou fugir um pouco à prática de colocar aqui os dados em detalhe porque Fernando Pereira Bastos me enviou um ficheiro fantástico com tudo isso. Logo, disponibilizo-o aqui e limito-me a fazer alguns comentários. Desculpem esta descentralização, mas é simplesmente porque acho que não conseguiria fazer melhor.


1. Desvios entre intenções de voto registadas nas últimas sondagens e resultados eleitorais semelhantes aos verificados em 2009, mas com alguma diminuição global.
2. Boca das urnas, a mesma coisa, e aqui mais importante, porque estamos de facto a comparar comportamentos (não intenções) com resultados: desvios entre pontos centrais dos intervalos e resultados semelhantes aos de 2009, mas globalmente mais baixos.
3. Fenómeno de discrepância entre intenções de voto registadas para CDS-PP e resultados eleitorais desapareceu nesta eleição. Houve em 2002 e 2009, não houve em 2005 e 2011, e confesso que não tenho uma explicação que consiga apoiar com dados. Só especulações.

Para além daquilo que o Fernando fez, vou apenas actualizar um quadro que já tinha aqui apresentado. Vou considerar como sondagens da última semana apenas as que tinham amostras independentes:
- Aximage, 2 de Junho
- Marktest, 31 de Maio
- Católica, 29 de Maio
- Intercampus, 29 de Maio e 2 de Junho
- Eurosondagem, 29 de Maio de 2 de Junho

by Pedro Magalhães

First things first

Posted June 6th, 2011 at 10:25 am4 Comments

A nossa pool! Este post dava ligação para um ficheiro com todas as apostas registadas. Adicionei posteriormente umas apostas que estavam num comentário em que não tinha reparado.

Resultados às 10h de hoje:
PSD: 38,6%
PS: 28,1%
CDS-PP: 11,7%
CDU: 7,9%
BE: 5,2%

No dia 3 de Maio, às 17:16, recebi este comentário:
"PSD = 38
PS = 30
CDS-PP = 12
CDU = 8
BE = 5
OBN = 7"

Foi do Koimbra, grande vencedor, com um desvio absoluto médio de 0,62. Parabéns! As cinco primeiras classificações:

1º Koimbra (0,62)
2º Carlos Loureiro (0,78)
3º Hugo (0,94)
4º mcorreia, Nuno e, bem, eu próprio (1,34)
5º João Saro (1,38).

Koimbra: mande a sua morada para o e-mail do Margens de Erro, sff.

P.S. - O ficheiro está aqui para consulta.

by Pedro Magalhães

Recta final

Posted June 3rd, 2011 at 5:05 pm4 Comments

Na verdade estou sem tempo. Mas também acho que não há muito mais para dizer. Não me recordo de eleições com sondagens tão convergentes na última semana. O que não quer dizer:

1. Que estejam certas. Podem ser afectadas por enviesamentos comuns.
2. Que sirvam de previsão para os resultados de Domingo. Mesmo que estejam a medir com precisão as intenções de votar e de voto, intenções são intenções, e podem ser afectadas por movimentos entre a sua manifestação e o dia das eleições, especialmente de abstenção e mobilização diferenciais. O passado não sugere grandes surpresas, mas o passado nunca sugere surpresas até as surpresas acontecerem.

O melhor é votar. 2ª feira falamos.

by Pedro Magalhães

A evolução desde Janeiro de 2010

Posted June 3rd, 2011 at 1:28 am4 Comments

by Pedro Magalhães

Os resultados desde meados de Abril

Posted June 3rd, 2011 at 1:14 am4 Comments














Já agora, deixem-me fazer uma experiência:

by Pedro Magalhães

Aximage, 29 Maio-1 Junho, N=1200, Tel.

Posted June 3rd, 2011 at 12:58 am4 Comments

PSD: 36,3%
PS: 30,1%
CDS-PP: 12,4%
CDU: 8,1%
BE: 6,6%

Aqui.

by Pedro Magalhães

Intercampus, 28 Maio-1 Junho, N=1026, Presencial

Posted June 3rd, 2011 at 12:54 am4 Comments

PSD: 36,5%
PS: 31,1%
CDS-PP: 11,6%
CDU: 7,4%
BE: 6%

Aqui.

by Pedro Magalhães