Pedro Magalhães

Margens de Erro

Sondagens nas eleições britânicas de 2010

Posted May 25th, 2011 at 5:24 pm4 Comments

Um ano depois das eleições no Reino Unido, um número especial do Journal of Elections, Public Opinion and Parties sobre o assunto. E de acesso livre, ainda por cima. Com alguns dos melhores especialistas mundiais no estudo do comportamento eleitoral. Artigos sobre as lideranças, a decisão do voto e as consequências dos resultados. E dois sobre sondagens:

Why Did the Polls Overestimate Liberal Democrat Support? Sources of Polling Error in the 2010 British General Election.

Confounding the Commentators: How the 2010 Exit Poll Got it (More or Less) Right.

Um deles começa assim:

"Pollsters once again found themselves in the firing line in the aftermath of the 2010 British general election." Ah, como vos compreendo.

E conclui:

"During the 2010 British general election campaign the polling industry as a whole exhibited a bias: it overestimated Liberal Democrat support. Our analysis demonstrates that it is very unlikely this could have been the consequence of a late swing in public opinion. It was also not clearly the result of any of the polling methodological features we tested." Ora bolas. E ah, como vos compreendo.

by Pedro Magalhães

Alguns resultados interessantes da sondagem do CESOP

Posted May 25th, 2011 at 3:04 pm4 Comments

Tal como apresentados no DN de hoje:
1. 85% dos inquiridos afirma não ter lido sequer uma parte dos programas eleitorais de qualquer partido.
2. Os únicos líderes políticos cuja avaliação desce em relação à sondagem anterior são Cavaco Silva e José Sócrates.
3. PSD é visto por mais pessoas como tendo as melhores soluções para o relançamento económico do país do que o PS; na Saúde e na Educação a situação inverte-se.
4. 30% dos inquiridos acham que há um partido que faria melhor do que o actual se fosse governo. Parecendo eventualmente um valor baixo, é comparativamente elevado em relação a sondagens anteriores.

by Pedro Magalhães

Encontros na Universidade do Minho

Posted May 25th, 2011 at 2:46 pm4 Comments

Sondagens: a realidade e os mitos, com Marcelo Rebelo de Sousa, Henrique Monteiro, José Leite Pereira, Dinis Pestana e Estelita Vaz, moderado por Felisbela Lopes. Dia 26, 5ª feira, às 21.00h, na Reitoria.

by Pedro Magalhães

Twitosfera: desde 28 de Abril

Posted May 25th, 2011 at 2:29 pm4 Comments























Dados REACTION até às 19h de ontem.

by Pedro Magalhães

Indecisos

Posted May 25th, 2011 at 9:55 am4 Comments

1. Quantos são? 28%? 25,1%? 25,4%? Ou 8,3%? Ou 33,3%? Qualquer discussão sobre este assunto tem de começar por reconhecer que o conceito de "indecisos" captado por estas sondagens terá quase certamente de ser diferente. Indecisos sobre se vão votar mas decididos sobre o partido? Decididos que vão votar mas indecisos sobre como? As duas coisas? Isto mais não os que não querem responder à questão sobre se vão votar? Ou os que não querem responder à questão sobre em que partido votariam? Ambas? O quê?

2. Presumindo que as empresas medem isto de forma internamente consistente, há mais qualquer coisa que podemos dizer. A 10 de Setembro de 2009, a duas semanas das eleições, a Católica captava que 19% do eleitores manifestavam tencionar votar mas diziam não saber em quem. A uma semana das eleições, esse valor tinha baixado para 17%. Agora, a duas semanas das eleições, estamos com 28%. Mas notem como as coisas se complicam quando olhamos para a Marktest: em 2009, na última sondagem antes de eleições, a Marktest captava 37% de indecisos. Na mais recente, 33,3%. Mas na última sondagem de Setembro de 2009 apenas 2,6% de pessoas diziam que não iriam votar!  Vou ser franco: acho que na Marktest há muita abstenção misturada com indecisão e vou-me arriscar a dizer que nestas eleições parece haver uma percentagem superior de pessoas que se sente indecisa em comparação com 2009.

3. Porque estas coisas mudam mesmo de eleição para eleição. Segundo os dados dos inquéritos pós-eleitorais do projecto Comportamento Eleitoral dos Portugueses, eis as percentagens de eleitores em relação ao total (incluindo abstencionistas) que afirmam ter decidido em quem votar na última semana antes da eleição:

2002: 9%
2005: 17%
2009: 10%

4. Como tratar os indecisos numa sondagem de intenção de voto?
- Primeiro seria importante garantir que estamos a falar da mesma coisa. Tal como os dados iniciais sugerem, não estamos.
- Segundo, seria importante garantir que os dados brutos estão sempre disponíveis: distribuir os indecisos desta ou daquele forma é importante para que os resultados das sondagens sejam comparáveis entre si e comparáveis com os resultados de eleições, mas os leitores devem ter acesso aos dados antes de qualquer distribuição. Hoje em dia, pelo menos através dos depósitos na ERC, essa informação existe.
- Terceiro: não há consenso sobre a melhor maneira de lidar com a questão. Nos Estados Unidos, a grande discussão é a de saber se os indecisos devem ser distribuidos igualmente ou proporcionalmente pelos dois principais partidos, ou ainda se se deve usar uma pergunta de "inclinação de voto". Há estratégias mais complicadas, mas tendem a ser usadas mais por analistas dos resultados do que pelas empresas, precisamente por serem complicadas e difíceis de transmitir. E quando são usadas pelas empresas - "o challenger rule" da Gallup, por exemplo, que supõe que os indecisos se inclinam mais para o partido menos votado - isso baseia-se em conhecimento de um contexto completamente diferente do nosso. Em Portugal, naturalmente, ninguém redistribui indecisos igualmente pelos partidos: isso não faz sentido num sistema multipartidário. O que se faz é ou tratá-los como abstencionistas (o que significa distribui-los proporcionalmente pelas opções válidas) ou usar uma pergunta de inclinação de voto (Católica).

5. O que não se faz: nenhuma empresa redistribui na base de resultados eleitorais passados; nenhuma empresa pondera os seus resultados na base de recordações de voto em eleições anteriores. Digo isto porque vi a confusão surgir quer em comentários a este blogue quer num debate ontem na SIC Notícias.

by Pedro Magalhães

Do not panic

Posted May 24th, 2011 at 9:14 pm4 Comments

2005. No fim de Janeiro, dia 28, uma sondagem atribuía 45% de intenções de voto ao partido A, com 13 pontos de vantagem sobre o partido B. Mas logo no dia 1 de Fevereiro, outra dava 49% de intenções de voto ao A, 18 pontos sobre o B. Dia 11, era publicada outra sondagem que dava 48% para o A, mas no dia seguinte era divulgada uma que lhe dava 44,4%. Na última semana, as estimativas para o partido A oscilaram entre 43% e 46,8%, quase 4 pontos de diferença. E a margem do A sobre o B? Entre 12 e 19,2 pontos.


2009.  A 9 de Setembro, terminou o trabalho de campo de uma sondagem que obtinha 34% de intenções de voto para o partido A, com uma muito escassa vantagem de 0,9 pontos sobre o partido B. Mas quatro dias depois, terminava o trabalho de campo de outra sondagem que dava 38% ao partido A, 6 pontos de vantagem sobre o partido B. No dia seguinte, o partido A aparecia com 32,9%. Mas menos de uma semana depois todas as sondagens davam uma vantagem muito mais confortável ao partido A.


As histórias anteriores estão documentadas aqui e aqui. Elas servem para percebermos que o que então ia acontecendo nas semanas que antecederam essas eleições não é necessariamente diferente do que está a ocorrer agora. Como os dois principais partidos estão aparentemente mais próximos entre si do que em 2005 ou 2009, notamos mais a dispersão dos resultados de uma sondagem para outra. Mas é só isso. Do  not panic. As sondagens são isto mesmo, e os eleitores também. Só é preciso ter cuidado com as precipitações.

by Pedro Magalhães

Eurosondagem, N=525, 23 Maio, Tel.

Posted May 24th, 2011 at 8:06 pm4 Comments

PSD: 33,1% (-2,7)
PS: 32,6% (+0,1)
CDS-PP: 13,7% (+2,6)
CDU: 7,6% (-0,1)
BE: 6,6% (=)

Aqui. Comparação com última sondagem da mesma empresa, de 3 de Maio.

by Pedro Magalhães

CESOP/Católica, 21-22 Maio, N=1136, Presencial

Posted May 24th, 2011 at 8:05 pm4 Comments

PSD: 36% (+2)
PS: 36% (=)
CDS-PP: 10% (=)
CDU: 9% (=)
BE: 6% (+1)

Aqui. Comparação é com a última sondagem do CESOP, de 1 de Maio.

by Pedro Magalhães

O efeito dos debates

Posted May 24th, 2011 at 12:00 pm4 Comments

Com a sondagem de ontem, e dependendo do que se siga hoje e nos próximos dias, a ideia de que o debate Sócrates/Passos Coelho pode ter afectado as intenções de voto vai fazer o seu caminho. Mas algumas notas sobre o assunto:

1. O CESOP fez-me chegar o relatório síntese da sondagem feita após o debate. É exactamente a mesma informação, e nada mais, do que está depositado na ERC e será disponibilizado no seu site, pelo que não tenho acesso a informação privilegiada. E os resultados são muito interessantes: a "vitória" de Passos dá-se por duas razões. Primeiro, enquanto que 74% dos simpatizantes do PS acharam que Sócrates ganhou, 88% dos simpatizantes do PSD acharam que Passos ganhou. Entre os restantes, houve empate para 21%, 34% achou que Sócrates ganhou e 34% achou que Passos ganhou. Segundo, ao contrário do que sucede na população em geral, a amostra daqueles que assistiram ao debate tem mais simpatizantes do PSD que do PS. Por outras palavras:

- houve exposição selectiva: o debate atraiu desproporcionalmente os eleitores que se identificam com o PSD;
- entre os que assistiram, as prediposições dos eleitores fiéis ao PSD foram mais reforçadas pelo debate do que as dos eleitores fiéis ao PS;
- logo, o resultado final é que, das pessoas que assistiram, há mais gente que acha que PPC ganhou do que JS ganhou.

Entre os que simpatizam com outros partidos e os que não simpatizam com partido algum, 71% disseram que o debate não contribuiu para definir a sua intenção de voto.

2. A investigação sobre a matéria nos Estados Unidos é, como de costume, imensa. Um resumo possível das conclusões é que o efeito dos debates nas intenções de voto é real, mas a sua dimensão é muito heterogénea de estudo para estudo e de eleição para eleição. Mais interessante é a possibilidade de que os debates afectem indirectamente o voto, ao mudarem os temas de relevância para as pessoas e a sua percepção da personalidade dos candidatos (mas não a percepção da sua competência). Em geral, contudo, o cânone sobre isto - e a ideia que muitos tentam refutar, mas raramente com sucesso - é que os debates reforçam preferências pré-existentes e têm um efeito líquido de conversão de eleitores bastante pequeno.

3. Tom Holbrook, o autor do excelente Do Campaigns Matter?, mostrava há uns anos que "the norm is for very little swing in candidate support following debates. Across all thirteen presidential debates the average absolute change in candidate support was 1 percentage point."

4. Em Portugal, o que se sabe? Cito Eduardo Cintra Torres num estudo empírico neste livro:"os debates servem funções de reforço e de certeza de voto, não sendo possível confirmar estatisticamente com as fontes disponíveis uma ligação a um efeito de conversão do eleitorado" (p. 102). Mas ECT avisa também que "não só cada eleição é um caso, como cada candidato deve se tratado como um caso". Daqui a dias talvez tenhamos uma visão mais clara do que se pode estar a passar em 2011.

P.S.- A culpa é toda minha, porque usei neste post o termo "ganhar o debate". Peço desculpa. Na verdade, o que a sondagem pergunta é "quem é que lhe parece que esteve melhor no debate de hoje?", tal como tinha mostrado aqui. Importa também dizer que a sondagem colocou perguntas sobre quem tem melhores propostas para diferentes áreas. Não sei se isto muda muito estas reflexões, mas era só para clarificar.

by Pedro Magalhães

Sondagens e os "outros": uma sugestão

Posted May 24th, 2011 at 10:36 am4 Comments













O que está aqui em cima é uma parte de um quadro de relatório-síntese de uma das sondagens que fiz para a Católica há uns anos. Queria chamar a atenção para o asterisco referente a "outros": dá-se a informação do número de inquiridos na amostra que declara tencionar votar em partidos que não os cinco principais. Comecei a fazer isto inspirado pelas sondagens em França, onde esta informação é também facultada. Eu acho que isto devia ser sistematicamente mostrado. É perfeitamente compreensível e correcto que as sondagens não apresentem resultados percentuais para partidos que valem menos de 1% das intenções de voto. Mas os "pequenos partidos" já têm obstáculos suficientes para fazer passar as suas ideias para ainda por cima as sondagens fazerem de conta que eles não existem. Não custa nada dar esta informação, desta ou de outra maneira qualquer que se entenda mais apropriada. Mas dá-la.

by Pedro Magalhães