Pedro Magalhães

Margens de Erro

Não há três sem quatro

Posted May 6th, 2011 at 11:44 pm4 Comments

Intercampus, 2-5 Maio, N=1009, Telefónica
PSD: 37,0% (-1,7)
PS: 34,8% (+1,7)
CDS-PP: 10,5% (+1,1)
CDU: 7,9% (-0,2)
BE: 7,0% (-0,6)

Aqui. Mais do mesmo.

by Pedro Magalhães

Deputados

Posted May 6th, 2011 at 12:33 pm4 Comments

Estou curioso para saber o que estimam algumas das pessoas que aqui fazem comentários e que têm os seus  próprios modelos, mas o meu proportional swing põe o PSD+CDS com maioria absoluta em duas das sondagens anteriores, e quase quase noutra. De resto, o cenário de PS com mais votos e PSD com mais deputados, já aqui levantado várias vezes por comentadores, começa a sair do reino da completa implausibilidade. Isto, mais uma confusão nas mesas de voto do género da que tivemos nas presidenciais, era mesmo a única coisa que nos faltava para irmos parar durante uns tempos às primeiras páginas da imprensa mundial.

by Pedro Magalhães

Aqui vamos nós

Posted May 6th, 2011 at 12:07 pm4 Comments

Aí vem o chato, ou seja, eu. Não sei, na base disto, quantas pessoas dizem na sondagem da Eurosondagem que não tencionam votar. Mas vamos presumir - é uma possibilidade - que havia uma pergunta-filtro que deixava fora da amostra os que não tencionavam votar e que todas as percentagens relevantes se calculam em relação ao total de 2048. Então temos que 21% (430 pessoas) dizem que não sabem ou não respondem à questão de intenção de voto. Sobram 1618. É esta a amostra na base da qual as percentagens de intenções de voto válidas são calculadas. Na Católica, a amostra relevante é de 1033 pessoas.

E agora a pergunta: tendo em conta a dimensão das amostras, as diferenças entre os diferentes resultados obtidos pelas duas sondagens é estatisticamente significativa? A resposta é NÃO.

Margens de erro das diferenças entre proporções para as duas amostras independentes CESOP e Eurosondagem:
PSD: 3,7
PS: 3,7
CDS-PP: 2,4
CDU: 2,2
BE: 1,8

Em todos os casos, estas margens de erro são superior à diferenças entre as duas sondagens para os cinco partidos.

Já agora: o que passa em relação à vantagem PS sobre PSD ou PSD sobre PS? É simples: as margens de erros das diferenças, nos dois casos, são também superiores às diferenças detectadas na amostra (2 pontos a favor do PS na Católica, 3,3 pontos a favor do PSD na Eurosondagem).

Tudo o que está antes aplica-se também à Aximage, especialmente tendo em conta que estamos a falar de uma amostra bem menor. Em resumo: as três sondagens de hoje são compatíveis com a ideia de que estão a captar uma mesma realidade. Eu sei que o que interessa é o "quem vai à frente na sondagem" e etc. Mas as coisas são o que são.


Já agora, vantagens significativas:

1. PSD sobre CDS-PP, naturalmente, em todas.
2. CDS-PP sobre CDU, na Eurosondagem.
3. CDU sobre BE, na Católica.


Tudo isto explicado aqui.

by Pedro Magalhães

Gráfico actualizado

Posted May 6th, 2011 at 11:13 am4 Comments

by Pedro Magalhães

Óbvio, mas importante

Posted May 6th, 2011 at 10:54 am4 Comments

As três sondagens divulgadas hoje têm por base trabalho de campo que terminou antes da divulgação do pacote CE/BCE/FMI. Não esquecer.

by Pedro Magalhães

Três sondagens três

Posted May 6th, 2011 at 10:49 am4 Comments

1. Aximage, 29 Abril - 2 Maio, N=600, Tel.

Antes de distribuir indecisos:
PSD: 31,5%
PS: 28,3%
CDS-PP: 11,2%
CDU: 9,3%
BE: 7,7%
OBN: 4,9%
Indecisos: 7,1%

Resultados comparáveis com resultados eleitorais (e comparação com resultado anterior da Aximage):
PSD: 33,9% (-2,9)
PS: 30,5% (+0,4)
CDS-PP: 12,1% (+0,7)
CDU: 10,0% (+1,0)
BE: 8,3% (+1,4)
OBN: 5,3% (-0,5)

2. CESOP/Católica, 30 Abril - 1 Maio, N=1370, Presencial
PS: 36% (+3)
PSD: 34% (-5)
CDS-PP: 10% (+3)
CDU: 9% (+1)
BE: 5% (-1)
OBN: 6% (-1)

3. Eurosondagem, 28 Abril - 3 Maio, N=2048, Presencial
PSD: 35,8% (-0,6)
PS: 32,5% (-0,2)
CDS-PP: 11,1% (-0,2)
CDU: 7,7% (-0,1)
BE: 6,6% (-0,3)
OBN: 6,3% (+1,3)

by Pedro Magalhães

Pool

Posted May 5th, 2011 at 11:47 pm4 Comments

Está aqui um ficheiro com todas as apostas registadas (são 101, incluindo a minha). Verifiquem, para o caso de haver lapsos. Não considerei apostas que somassem mais de 100% ou que apostassem em menos de 5 partidos. Arrendondei tudo a números inteiros.

Média e desvio-padrão:
PSD: 34,1 (2,6)
PS: 32,2 (2,8)
CDS-PP: 11,9 (2,1)
CDU: 8,4 (1,0)
BE: 7,1 (1,3)

Estava curioso para saber se haveria diferenças significativas entre estimativas antes e depois do anúncio do pacote EU/FMI na 3ª feira.  A resposta é não, a não ser num caso: o PSD. Pré-pacote: 34,5. Pós-pacote: 33,4. A diferença é estatisticamente significativa com p<0,07. Restantes médias pré- e pós-pacote:

PS: 32,1 / 32,4
CDS-PP: 11,7 /12,2
CDU: 8,3 / 8,6
BE: 7,0 / 7,3

by Pedro Magalhães

Um livro

Posted May 5th, 2011 at 11:05 am4 Comments























Não é o livro que ando a querer escrever há uns anos sobre sondagens, eleições e opinião pública. Esse seria um livro mais técnico, destinado a uma audiência especializada. Mas ainda não tive tempo para esse. Tenho-o antes "escrito" a pouco e pouco, em fragmentos, com a ajuda de outras pessoas, em artigos com este, este ou este. Um dia aparecerá.

Este, pelo contrário, é um livro breve (100 páginas), pouco técnico (na medida do possível) e destinado a uma audiência interessada mas não especializada. Discute coisas como o conceito de erro amostral, as outras fontes de erro em sondagens, as implicações de se colocarem perguntas desta ou daquela forma, e os usos das sondagens e dos seus resultados. E fá-lo recorrendo a exemplos simples e concretos, retirados de sondagens feitas em Portugal e, noutros casos, nos Estados Unidos. Assim, em certo sentido, o livro é uma extensão deste blogue, nos temas e até no estilo. Esteve, de resto, para se chamar Margens de Erro, e só não se chama assim porque, obviamente, a maior parte das pessoas não teria a mínima ideia do que isso quereria dizer.

Há dois tipos de atitude que encontramos frequentemente em relação às sondagens em Portugal. A primeira é a aceitação crítica dos números como se eles reflectissem uma qualquer "verdade" absoluta e inalterável. Mas basta perceber o que é uma sondagem, olhar para os detalhes sobre como são feitas e as limitações que eles implicam e ter alguma noção do que significa "opinião pública" para perceber como essa aceitação acrítica é deslocada. A segunda é a rejeição total das sondagens, frequentemente acompanhada de acusações muito graves mas nunca fundamentadas de adulteração e manipulação dos resultados. Mas basta olhar para a forma como essas acusações são feitas e olhar para os resultados das sondagens com mínima sofisticação para perceber que o objectivo dessas acusações é, aí sim, manipular e condicionar os eleitores na sua leitura dos dados disponíveis, por muito frágeis e precários que esses dados possam ser. Uma e outra atitudes, um e outro tipos de discurso, são muito nocivos para a qualidade do debate público sobre as sondagens, mas só acabam por ser eficazes se contarem com o desconhecimento dos cidadãos. Logo, a motivação básica para escrever o livro foi simples, e é a mesma que me leva a manter este blogue: contribuir, modestamente, para diminuir esse desconhecimento e, logo, contrariar esse tipo de atitudes e discursos.

O livro vai ser lançado no próximo dia 18, 4ª feira, às 17h,  no Instituto de Ciências Sociais (a final da Liga Europa é só às 19.30h :-)). Estão todos convidados. Dia 19 estará nas livrarias e no dia 26 de Maio será vendido com a revista Visão, à qual desde já agradeço. E aproveito também para repetir um outro agradecimento que já faço no livro: a todos aqueles que têm comentado, directamente ou por e-mail, as coisas que foram sendo escritas neste blogue. Aprendi muito com esses comentários, críticos ou não.

P.S. - Sei que é difícil, mas procurem resistir à tentação de fazer comentários sobre a cor da capa.

by Pedro Magalhães

Sobre as eleições de 5 de Junho, em inglês

Posted May 5th, 2011 at 12:42 am4 Comments

A minha interpretação dos acontecimentos - so far - no The Monkey Cage.

by Pedro Magalhães

Ainda mais pool

Posted May 4th, 2011 at 6:24 pm4 Comments

É interessante como à medida que aumentam as apostas os valores médios praticamente não mexem. Neste momento estamos com 71 apostas e com os seguintes resultados (média e desvio-padrão):

PSD: 34,3 (2,5)
PS: 32,2 (2,7)
CDS-PP: 11,8 (2,2)
CDU: 8,3 (1,0)
BE:7,0 (1,3)

Depois de dia 5 vamos tentar olhar para isto de uma maneira ligeiramente mais sofisticada. E estou para ver se as que forem enviadas depois do pacote são significativamente diferentes...

by Pedro Magalhães