Pedro Magalhães

Margens de Erro

Redistribuindo indecisos na Aximage e outros assuntos

Posted September 24th, 2015 at 10:03 am4 Comments

A Aximage apresenta a distribuição das intenções de voto por partido excluindo os presumíveis ou declarados abstencionistas mas deixando no denominador os que não sabem em que partido votariam (os "indecisos"). No Popstar, temos até agora introduzido os resultados tal como a Aximage os divulga. Fizemos isso porque, do ponto dinâmico, para as nossas estimativas, isso não faz diferença, e também porque nos custa impor pressuposições que os autores das sondagens não partilham. Mas de um ponto de vista estático isto faz diferença: os resultados da Aximage, por incluírem indecisos, não são directamente comparáveis aos das outras empresas desse ponto de vista e, no geral, contribuem para baixar as estimativas de todos os partidos em cada momento.

Assim, decidimos fazer essa redistribuição desde que há sondagens para a coligação, e calcular a partir de hoje o filtro com os novos dados. O efeito em relação às estimativas anteriores é muito simples: todos sobem proporcionalmente à sua dimensão, como seria de esperar quando se redistribuem indecisos pelas opções de voto proporcionalmente (o que é equivalente a pressupor que não votam, uma pressuposição heróica, mas a única que podemos adoptar com a informação que temos). Nada muda de fundamental, mas passamos a lidar com dados comparáveis para todas as empresas. Assim, as nossas novas estimativas, com os novos intervalos de confiança:

PSD/CDS: 37,8% [32,1%, 43,5%]

PS: 36,1% [32,2%, 40%]

CDU: 9.1% [7,3%, 10,8%]

BE: 5.6% [3,7%, 7,5%]

PDR: 2.5% [1,1%, 4%]

Livre: 1,9% [0,4%, 3,3%]

Recordem que há bastante tempo que não temos informação nova sobre o PDR ou o Livre.

Outra coisa: reparem nos intervalos de confiança. São amplos, mais amplos do que se justificaria se fossem calculados apenas tendo em conta o erro amostral, especialmente aquele que decorre da agregação de várias amostras (mesmo que pequenas). E não são igualmente amplos para todos os partidos (isso seria sempre assim, mesmo que o intervalo de confiança fosse calculado apenas na base do erro amostral, mas neste caso há uma razão adicional). Na estimação usando o filtro de Kalman, não presumimos que a única fonte de erro é o erro amostral, mas estimamos também uma constante adicional para cada partido que procura captar o erro não-amostral (causado por enviesamentos na construção da amostra, erros de medição, etc). Sucede que, à excepção da CDU, como explicado ontem, este valor é estatisticamente significativo, aumentando os intervalos de confiança em relação ao que seria de esperar se estivéssemos apenas a lidar com erro aleatório.

by Pedro Magalhães

Filtrar o ruído das sondagens – republicação

Posted September 23rd, 2015 at 4:36 pm4 Comments

Republico um post antigo, de Agosto de 2013, que explica o método que usamos para estimar intenções de voto na base das sondagens que vão sendo publicadas, para esclarecer dúvidas, actualizando apenas os gráficos:

Escrito conjuntamente com Luís Aguiar-Conraria.

Analistas políticos encontram muitas vezes dificuldades em lidar com a imensa variabilidade nas sondagens. A principal dificuldade é mesmo compreender o motivo de tal variabilidade. Se hoje observarmos uma sondagem com resultados radicalmente diferentes da maioria das anteriores, deveremos interpretar essa diferença como sendo o resultado de uma forte alteração da opinião pública ou, pelo contrário, olhar para esse resultado como um mero resultado estatístico de uma sondagem que, pela sua própria natureza é sempre incerta?

Intuitivamente a resposta é simples. Se presumirmos que a opinião pública é estável ao longo do tempo, então a melhor abordagem é, simplesmente, calcular uma média das várias sondagens (eventualmente, ponderada pelo tamanho da amostra de cada uma). Se, pelo contrário, admitirmos que a opinião pública é extremamente volátil ao longo do tempo, então o melhor será olhar para os resultados da última sondagem e praticamente esquecer as anteriores.

A dificuldade em avaliar o que está descrito no parágrafo anterior é óbvia. Como separar a variabilidade da opinião pública da variabilidade das sondagens quando a única forma de medir a opinião pública é recorrendo a sondagens? Haverá forma de interpretar de forma sistemática estatisticamente rigorosa as novas informações que nos chegam diariamente? Felizmente, a resposta é sim.

No Público de hoje apresentamos a ideia geral, mas aqui damos uma explicação mais detalhada. A técnica que vamos usar, o filtro de Kalman, nasceu em 1960 na engenharia e é actualmente usada em todos os domínios científicos. O filtro de Kalman original já foi generalizado em várias direcções. Nas ciências sociais, o filtro de Kalman é bastante usado em modelos de estimação do estado latente (state-space models) — lamentamos o jargão, mas não sabemos como evitá-lo.

A ideia principal destes modelos, aplicados ao nosso caso, é considerar que há dois tipos de variáveis. Um tipo de variáveis, a que chamamos variáveis latentes, que não observamos directamente — no nosso caso a opinião pública — e um tipo de variáveis que observamos e que são uma medida imperfeita das variáveis não observadas — no nosso caso, as sondagens. O modelo a estimar reduz-se então a um sistema de duas equações. Uma equação — a que chamamos equação de transição — descreve a evolução do estado latente, ou seja da opinião pública. A outra descreve a relação entre o estado latente e a variável observada, ou seja entre a opinião pública e as sondagens.

No nosso modelo, vamos considerar que, se nada de especial acontecer, então a opinião pública não muda. Ou seja, a percentagem que apoia um dado partido hoje é igual à de ontem. Se houver algum choque externo, então a percentagem de apoiantes pode mudar. Matematicamente:

%Partidot = %Partidot-1+ ut

Em que ut representa os choques externos ou inovações, que presumimos serem gaussianos com média zero e variância σu2. Para já presuma que sabemos o valor de σu2.

A segunda equação capta relação entre as sondagens e a realidade. Aqui vamos presumir que cada sondagem é uma estimativa não enviesada da realidade que, no entanto, está sujeita a um termo de erro:

%Sondagemt= %Partidot + εt

em que εt representa o termo de erro que, mais uma vez, presumimos ser gaussiano de média zero. Neste caso, em princípio, saberíamos exactamente a variância do termo de erro: uma sondagem feita no dia t com Nt entrevistados que atribuísse ao partido uma percentagem de votos π teria variância de σ2ε,t = πt (1 – πt) / Nt.

Com excepção de σu2, todos estes dados estão disponíveis e já poderíamos processar de forma bastante eficiente a informação oferecida por cada nova sondagem. Mas, na verdade, podemos fazer um pouco melhor. Infelizmente, para explicar exactamente o que fazemos, teremos de recorrer a uma linguagem mais técnica.

Em primeiro lugar, podemos aproveitar o facto de podermos facilmente generalizar o modelo para analisar várias variáveis em simultâneo. Pelo que podemos considerar um vector com as intenções de voto de todos os partidos, bem como considerar simultaneamente as sondagens para os cinco partidos com representação parlamentar, podendo ainda considerar um sexto “partido” chamado OBN (Outros, Brancos e Nulos).

Tudo se resume ao seguinte modelo a estimar por máxima verosimilhança:

yt = zt + νt , νt ~ N(0,Σν,t)

zt = zt-1 ωt , ωt ~ N(0,Σω)

em que Yt é um vector com as sondagens para os seis partidos sob análise (PS, PSD, BE, CDS, CDU e OBN), Zt é um vector com o valor latente de cada um dos partidos, νt é o vector com os termos de erro associados às sondagens e ωt o vector com as inovações que afectam cada um dos partidos.

Note-se que as únicas variáveis observáveis são as sondagens (Yt). Todas as outras são estimadas. A matriz de variâncias e covariâncias associadas aos erros das sondagens é dada por Σν,t e, como o subscrito indica, varia de sondagem para sondagem. Na diagonal principal, temos as variâncias, cujo valor teórico será yi,t (1 – yi,t) / Nt, para i = PS, PSD, BE, CDS-PP, CDU e OBN. As covariâncias teóricas também são conhecidas: (–yi,t yj,t ) / Nt.

Infelizmente, a variância do erro amostral será maior do que yi,t (1 – yi,t) / Nt. Este valor para a variância é um valor teórico mínimo que só seria possível se as sondagens fossem feitas com um rigor impossível de garantir, não sofrendo de nenhum dos problemas de que as sondagens tipicamente padecem (erros de cobertura da amostra, erros de medição, etc.). Assim, ao estimarmos o modelo consideraremos que a variância dos termos de erro será igual a σ2ν,t= yi,t(1 – yi,t)/Nt + αi , em que αi será uma constante não negativa a estimar. Vale a pena referir que os vários αi’s estimados são estatisticamente bastante significativos, com excepção do associado à CDU. Tal indica que o erro não-amostral é muito importante e que poderá ainda haver margem para as empresas de sondagem melhorarem nos seus métodos de amostragem e de inquirição, mesmo tendo em conta as limitações de tempo e de recursos que este tipo de trabalho impõe.

O mesmo exercício foi feito para as covariâncias. No entanto, as constantes acrescentadas às 15 diferentes covariâncias teóricas deram quase todas estatisticamente não significativas, pelo que por uma questão de parcimónia, resolvemos excluí-las do modelo. Também não incluímos no modelo variáveis que permitissem considerar os chamados house effects, o que implica que todas as casas de sondagens são tratadas da mesma forma. É algo que poderemos mudar no futuro, mas para já consideramos ser a melhor opção, especialmente à luz de trabalhos anteriores. O pressuposto de que as variáveis latentes seguem um passeio aleatório também poderia ser relaxado para, por exemplo, um processo auto-regressivo mais geral, mas a verdade é que a literatura demonstra que os ganhos com tal modelização são mínimos.

A nossa modelização é diária. Isto quer dizer que sempre que sai uma nova sondagem, actualizamos as nossas previsões relativamente ao estado de cada um dos partidos. Consideramos que o dia da sondagem corresponde ao último dia de trabalho de campo da mesma. Naturalmente, em dias em que não se revelam novas sondagens, não há novas informações pelo que a estimativa não se altera. No entanto, o intervalo de confiança em torno da estimativa aumenta dado que com o decorrer do tempo aumenta a incerteza a ela associada. Desta forma, em cada momento do tempo apresentamos a melhor estimativa possível (bem como o seu intervalo de confiança) dada a informação disponível até ao momento.

Os gráficos abaixo resultam da estimação do modelo referido com base em todas as sondagens publicadas desde as últimas eleições legislativas:

Screen Shot 2015-09-23 at 16.30.08 Screen Shot 2015-09-23 at 16.31.00 Nunca é demais realçar que o que estamos a fazer mais não é do que um método tecnicamente sofisticado de agregação de sondagens. Tal como uma refeição não pode ser melhor do que os ingredientes que a compõem, as nossas previsões só podem ser exactas na exacta medida em que as sondagens nos dêem uma fotografia não enviesada da realidade. Contudo, esperamos contribuir para que, de cada vez que sai uma sondagem, possamos olhar para ela não como um ilusório retrato definitivo da opinião pública, mas sim como uma (importante) fonte de informação que ajuda a compor um retrato mais geral e mais completo da opinião pública num determinado momento.

by Pedro Magalhães

Actualização

Posted September 23rd, 2015 at 12:28 am4 Comments

Mais duas sondagens divulgadas ontem à noite, dia 22: Intercampus e Católica. Tomamo-las em conta no Popstar, apesar de serem parte de tracking polls, porque:

1. A da Intercampus é um boost em relação à sondagem divulgada anteriormente. O que fizemos foi retirar a sondagem divulgada anteriormente e substituí-la pela divulgada ontem à noite.

2. A da Católica, se não erramos, completou agora um ciclo de renovação da amostra. Por outras palavras, a amostra na base de qual se apresentam os resultados divulgados ontem à noite é completamente diferente daquela que foi utilizada na 1º sondagem da tracking da Católica.

Estimativas actualizadas do POPSTAR:

PSD/CDS: 37,3%

PS: 35,6%

CDU: 9%

BE: 5,5%

Coligação sobe, PS desce, CDU com a mesma estimativa que tinha em Janeiro (mas abaixo dos resultados que teve durante quase dois anos, 2012 e 2013) e BE com 5,5% (contra os 3,5% que tinha em Janeiro). As sondagens mais recentes não têm apresentado estimativas para Livre ou PDR. A consequência é que a nossas estimativas se mantém intactas, mas não há nova informação a entrar.

Finalmente, as sondagens da Aximage divulgadas no Correio da Manhã são parte da tracking poll deles, em que se substituem 100 por dia de uma amostra de 700. A sondagem que for divulgada no dia 25, em princípio, terá uma amostra independente da anterior, e será adicionada nessa altura.

PS: Para quem está especialmente atento: por razões que têm a ver com o funcionamento dos gráficos e nada têm a ver com as estimativas apresentadas, há uma sondagem da Eurosondagem que está a aparecer duas vezes em dois dias diferentes nos gráficos, ao passo que as da Intercampus de que falava no ponto 1 aparecem ambas. Estamos a tentar resolver. Mas isto não tem impacto nos resultados.

by Pedro Magalhães

“Empates técnicos”

Posted September 21st, 2015 at 10:16 am4 Comments

Muita gente a dizer que as sondagens gregas anunciavam um empate técnico e que, afinal, o Syriza ganha com mais de 7 pontos de vantagem. Ui, as horríveis sondagens, e em Portugal vai ser o mesmo, e etc e tal.

Não faço ideia se "vai ser o mesmo", mas convém notar que, apesar da vantagem média do Syriza nas últimas 16 sondagens pré-eleitorais realizadas na Grécia - aquelas cujo trabalho de campo terminou, o mais tardar, dia 17 - ser de 1.1 pontos percentuais, nada menos que 12 delas estimavam as intenções de voto como sendo superiores para o Syriza, uma um empate, e 3 intenções de voto superiores para a ND. Naquelas cujo trabalho de campo terminou mais tarde (dia 18), a vantagem média foi de 2 pontos percentuais e o Syriza liderava em 6 dessas 7.

A partir do momento em que isto acontece, convém começar a pensar no seguinte: o facto de uma sondagem em particular produzir estimativas de intenções de voto onde, tendo em conta os resultados e a amostra utilizada, a vantagem estimada para um partido não é estatisticamente significativa, não significa que, no conjunto das sondagens, essa vantagem não o seja. Como obviamente não sei grego não consigo analisar os relatórios de cada sondagem e perceber qual a amostra de cada uma e, especialmente, qual a sub-amostra na base da qual se calculam as intenções de voto retirando declarados abstencionistas, indecisos e não respostas. Mas noto que aquelas das quais consigo pelo menos perceber a amostra total usada, as amostras são relativamente grandes (1200, 1083, 1003, etc). Seria preciso fazer cálculos para os quais não tenho elementos suficientes, mas não é de excluir que, agregadas estas sondagens e tomada em conta a base amostral de cada uma e a do conjunto das sondagens, esta sucessão de "empates técnicos" mas quase todos a favor do Syriza não seja "empate técnico" nenhum. Ou seja, que a vantagem do Syriza no conjunto das sondagens fosse estatisticamente significativa.

É fácil de ver que em Portugal não temos isto (ainda?). Das últimas cinco sondagens divulgadas (as mais recentes), 3 colocam a coligação à frente mas 2 colocam o PS à frente. É certo que duas delas dão vantagens à coligação na ordem dos 6-7 pontos (Aximage no início de Setembro e Católica mais recentemente), e isso está a reflectir-se nas estimativas do Popstar (que passaram a colocar, precisamente, a coligação à frente). Mas já vimos que, por enquanto, as amostras usadas em várias destas sondagens são relativamente pequenas, especialmente na comparação com o que vimos na Grécia nas sondagens realizadas na recta final da campanha (e em Portugal veremos certamente algo semelhante). E por tudo isto, as estimativas do Popstar, que calculam o intervalo de confiança das estimativas, mostram que esses intervalos estão (ainda?) sobrepostos.

O Syriza acabou por ter uma vantagem maior do que o conjunto das sondagens realizadas até dia 18 lhe davam? Sim. Porque houve eleitores que se decidiram à última hora no seu sentido? Porque houve eleitores ND que declararam uma intenção mas tenderam a abster-se mais do que os outros? Porque houve eleitores que ocultaram o seu sentido de voto quando inquiridos? Porque houve um enviesamento comum na construção das amostras que levou a subestimar o eleitorado do Syriza e sobrestimar o eleitorado da ND? Tudo isso é possível, mas o que perturba nas eleições gregas não é tanto as sondagens pré-eleitorais: é a sondagem à boca das urnas, a exit poll. Porque aí podemos excluir as explicações ligadas a "intenções" e, mesmo assim, estas subestimação do Syriza e sobrestimação da ND verificaram-se na mesma: a vantagem estimada foi de 4.1 mas acabou por ser maior, e os resultados ficaram fora dos intervalos anunciados para cada um dos partidos.

Em suma: cuidado com o conceito de "empate técnico".

by Pedro Magalhães

A duas semanas

Posted September 19th, 2015 at 10:15 am4 Comments

1. PS e coligação PSD/CDS estão empatados nas sondagens. Já sei, já sei, a Católica dá 7 pontos de vantagem à coligação. Mas recordem-se que na semana passada a Aximage dava quase seis, ficou tudo doido, e depois na sondagem de ontem essa vantagem ficou reduzida a pouco mais de 1 ponto. Calma. Não vale a pena andarmos a discutir sondagem a sondagem, especialmente se tiverem amostras pequenas de inquiridos a dar a sua inclinação de voto, como algumas das mais recentes. O retrato de conjunto é que conta, e esse está num agregador como o Popstar: PSD/CDS, 36,2%; PS, 35,8%. A diferença, mesmo agregando várias sondagens (e assim aumentando a base amostral implícita), não é significativa.

Screen Shot 2015-09-19 at 09.42.53 2. A outra parte da história que estas estimativas do Popstar nos contam é que o PS tem estado a descer desde o início de Julho. Nessa altura, as intenções de voto no PS podiam ser estimadas em 37,5%. Foi o máximo histórico na legislatura. Nunca mais voltou a esse nível.

3. Que a coligação esteja a subir é menos evidente. Ao contrário do que sucede com o PS, os resultados da coligação estão muito dispersos, mais altos para a Aximage e a Católica, mais baixos para a Eurosondagem e para a Intercampus.

Screen Shot 2015-09-19 at 09.57.27 4. Se o PS está a descer e a coligação está estável, quem está a subir? Desde meados de Junho, é o Bloco de Esquerda, de mínimos históricos na legislatura de 4% para os actuais 5,4% na estimativa do Popstar. É verdade que isto é pouco mais do que os 5,2% que o BE teve em 2011, mas é sem dúvida um sinal positivo para o partido. A CDU está estável. Sobre PDR e Livre, começa a ser difícil falar, dado que não aparecem individualizados nas em duas das sondagens mais recentes. Não é bom sinal para eles.

Screen Shot 2015-09-19 at 10.03.35 .

by Pedro Magalhães

Negatividade no Twitter sobre Costa, Passos e Catarina Martins

Posted September 17th, 2015 at 4:26 pm4 Comments

No gráfico abaixo, vemos a evolução (amaciada) do rácio entre o número de menções diárias no Twitter que o Popstar classificou como positivas feitas a Costa, Passos e Catarina Martins e aquelas que classificou como negativas. Convém notar que isto é o logaritmo do rácio, tendo em conta que as menções negativas são muito (mas mesmo muito) mais prevalecentes que as positivas. Mas digamos que valores superiores correspondem a "menos negatividade", valores inferiores a "mais negatividade".

Screen Shot 2015-09-17 at 16.24.29 Se olharmos para as últimas semanas, vemos que, até ao início de Agosto, Costa objecto de menor negatividade que Passos. Mas no início de Agosto, isso muda. Surpreendidos? E só muito recentemente a tendência se inverte. Entretanto, Catarina Martins em subida desde meados de Agosto. Infelizmente, não temos sondagens suficientes para medir a opinião pública com esta granularidade, e não convêm tirar excessivas conclusões. Mas parece-me pelo menos curiosa a coincidência entre estas tendências e, creio, o senso comum. Talvez o teste do algodão seja ver o que sucede depois do debate de hoje...

by Pedro Magalhães

Costa v. Jerónimo

Posted September 17th, 2015 at 12:28 pm4 Comments

António Costa e Jerónimo de Sousa debateram ontem. Em consequência, no Twitter, no dia de ontem, um pico para Jerónimo, identificado pelo Popstar como target de tweets 131 vezes. Costa 358 vezes. Recordo que estas são as menções durante todo o dia, nem todas terão a ver com o debate, mas mesmo assim notam-se as consequências para o "buzz" em torno do dirigente comunista.

Screen Shot 2015-09-17 at 12.19.31 96 menções classificadas como negativas para Jerónimo, 73% do total. 235 negativas para Costa, 65% do total. A minha hipótese é que os apoiantes dos partidos da coligação não terão prestado muita atenção a Costa ontem. Caso contrário, seria de esperar uma negatividade bem maior e próxima do habitual.

by Pedro Magalhães

Passos v. Costa no Twitter

Posted September 15th, 2015 at 6:15 pm4 Comments

O debate entre Passos Coelho e António Costa rebentou com o Twitter. No dia 9 de Setembro, o Popstar captou um total de 9821 menções a um ou a outro na twittosfera portuguesa. No dia seguinte, o número de menções foi muito inferior (1677 no total): Screen Shot 2015-09-15 at 17.20.56 Nas notícias online e nos blogues há picos semelhantes, se bem que com valores absolutos obviamente muito inferiores: Screen Shot 2015-09-15 at 17.24.22 Screen Shot 2015-09-15 at 17.25.17 Qual o sentimento expresso na twittosfera sobre os dois líderes políticos nesses dias? O Popstar treinou uma ferramenta de análise de sentimento no Twitter para medir a polaridade das menções no Twitter, distinguindo entre negativas, neutras e positivas. O gráfico seguinte mostra, para os dias 9 e 10, a proporção de menções codificadas como negativas para cada líder partidário: Tweets negativos Conclusões? A primeira é que a esmagadora maioria das menções são classificadas como negativas pela nossa ferramenta, seja porque as menções aos líderes nos tweets co-ocorrem com palavras (na base deste léxico), expressões, emoticons, ou linguagem informal com polaridade negativa, seja porque o vocabulário utilizado tem alta probabilidade de estar associado a mensagens que codificadores humanos anteriormente classificaram como negativas. A segunda é que, apesar disso, essa proporção diminuiu fora "do calor da batalha", com um aumento de menções neutras. A terceira é que as diferenças entre os dois líderes partidários são muito pequenas, com ligeira (des)vantagem para Passos Coelho em termos de proporção de menções negativas. Não me parece avisado retirar daqui qualquer conclusão para além desta pura descrição dos dados. São o que são, com as suas limitações. O retrato geral, contudo, é de uma twittosfera política usada predominante como arma de crítica política, especialmente em cima do acontecimento. Nada de muito surpreendente, mas é interessante vê-lo quantificado.

Já agora, se formos ver o que se passou com Catarina Martins e os seus interlocutores nos dias em que debateu, vemos um fenómeno interessante. Catarina Martins é sempre "target" de menos tweets nesses dias do que aqueles com quem debateu (uma desproporção que se torna brutal no caso do debate com Portas, 290 v. 1229), mas também de menos tweets negativos e até de bastantes menções que a ferramenta classifica como positivas. catarina

by Pedro Magalhães

De Maio a Setembro

Posted September 9th, 2015 at 12:33 am4 Comments

Eurosondagem Aximage Maio Setembro Coisas muito simples e evidentes (bem, algumas talvez não tanto):

1. A direcção geral das coisas para o PS e para a coligação é semelhante para as duas empresas: PS a descer, coligação a subir.

2. Empates técnicos entre os dois primeiros nas duas empresas. "Como?", dirão. Na Eurosondagem, PS está à frente por um ponto, mas na Aximage a coligação lidera por 5.6 pontos. Vejamos: na Eurosondagem, a diferença entre PS e coligação não é, evidentemente, estatisticamente significativa. Na Aximage, apesar de ser uma vantagem de quase 6 pontos para a coligação PSD/CDS, a amostra tem 602, 36% aparentemente abstêm-se, a estimativa baseia-se portanto em 384 pessoas, pelo que consigo retirar daqui. Logo a margem de erro da diferença entre as proporções .389 e .333 é de .085 e a diferença (.056) está dentro dela. Em suma, na Aximage também temos um "empate técnico", embora não pareça, bem sei.

3. Livre, CDU, BE e PDR relativamente estáveis nas duas empresas. A subida de 0.8 pontos na CDU e a descida igual do PDR na Aximage podem excitar-vos, mas não devem, porque as amostras são pequenas e estas diferenças não são significativas.

A principal diferença entre Eurosondagem e Aximage é que a descida do PS e a subida da coligação são graduais na primeira desde Maio, enquanto que, na segunda, a maior parte da mudança, especialmente a descida do PS, dá-se de Julho para Setembro.

Em suma: pegando na informação em conjunto, hoje não é possível dizer que uma lista tem vantagem sobre outra. Já do ponto de vista das tendências, ambas as empresas indicam uma subida da coligação e uma descida do PS. Só os timings dessa mudança variam.

by Pedro Magalhães

The Portuguese missing link

Posted August 5th, 2015 at 11:12 am4 Comments

This piece about Portugal being the "missing link" in a wave of party system transformation in Southern Europe had me quickly thinking about another way of visualising Portugal's specificity, if any. So here it is. I show the electoral scores of the member parties of the European Popular Party and the Party of European Socialists in the three countries since their first democratic elections. For 2015, while Greece is measured using the 2015 election results, for Spain and Portugal I use the latest poll estimates (here and here).

seurope So you can see Spain moving towards a basic 2/2.5 party system with the demise of UCD and its successor CDS, Greece's consolidation of a pure two-party system with the collapse of EDIK, and Portugal's brief stint with fragmentation with PRD in the mid 1980s. By the late 2000s, they had basically converged. Then, well...

by Pedro Magalhães