Pedro Magalhães

Margens de Erro

Eurosondagem, 27-30 Março, N=1021, Tel.

Posted April 1st, 2011 at 10:55 am4 Comments

Intenções de voto após redistribuição proporcional de indecisos. Entre parêntesis, comparação com resultados de sondagem anterior:

PSD: 37,3% (+0,4)
PS: 30,4% (-0,2)
CDS-PP: 10,7% (+0,8)
CDU: 8,4% (-0,2)
BE: 7,7% (=)

Aqui.

by Pedro Magalhães

Intercampus, 24-26 Março, N=805, Tel

Posted March 27th, 2011 at 10:03 pm4 Comments

PSD: 42,2%
PS: 32,8%
CDS-PP: 8,7%
BE: 7,9%
CDU: 7,1%

Aqui.

P.S.- Um leitor estranha que a comparação na notícia seja feita não com a última sondagem da Intercampus, mas sim com uma sondagem anterior. Creio que isso decorre do facto de a última sondagem da Intercampus, de Janeiro, utilizar entrevistas presenciais em vez de inquérito telefónico. Mas façamos então a comparação com sondagem mais recente da Intercampus (Janeiro):

PSD: +5,4 (tinha 36,8%)
PS: +2,0 (tinha 30,8%)
CDS-PP: +2,9 (tinha 5,8%)
BE: +0,6 (tinha 7,3%)
CDU: = (tinha 7,1%)

Como é? Todos sobem (e um mantém)? Uma pista possível é que, na sondagem anterior, a Intercampus registou 9,1% de votos brancos e nulos e 3,1% para outros partidos.

by Pedro Magalhães

Dias 26 e 27 de Março de 2011, novos dias de glória para o desporto português

Posted March 27th, 2011 at 5:08 am4 Comments

by Pedro Magalhães

Posted March 26th, 2011 at 7:12 pm4 Comments

É difícil perceber qual a melhor maneira de lidar, numa dmeocracia, com as classes profissionais organizadas. Tipicamente, qualquer governo acaba por concluir que essas classes acabam, mais tarde ou mais cedo, por conseguir fazer instalar regras que lhes permitem obter compensações e privilégios superiores ao valor económico e social dos serviços que fornecem. Mas se esse governo for minoritário, está condenado ou a ceder a esses interesses ou a ser derrotado em qualquer confronto que inicie. Nada mais fácil para os partidos da oposição do que aliarem-se a essas classes profissionais no combate às medidas que os afectam: o tema não tem qualquer espécie de conteúdo ideológico, pelo que toda a oposição, da esquerda à direita, se pode aliar; e os custos da inacção são imperceptíveis para a maioria dos cidadãos mas altamente relevantes para os interesses afectados. Nada a perder, tudo a ganhar.

Governos maioritários, por seu lado, podem agir. Mas  devido ao tipo de oposição que encontram ou por eles próprios cairem na tentação populista,  acabam por adoptar o registo da mobilização da “opinião pública”, da “maioria dos cidadãos” e do “povo” contra os "interesses corporativos", esquecendo-se que essas corporações não são importantes por mero acaso: elas dispõem de saber especializado na sua área de actuação de que mais ninguém dispõe, os seus membros fizeram um grande investimento e desenvolveram enorme esforço para poderem dela fazer parte, e a sua colaboração é indispensável para que quaisquer reformas e melhorias possam ser aplicadas com verdadeiro sucesso.  Mas não se fazem reformas eficazes contra os professores, os juízes, ou os médicos. Não existe tal coisa: pode ser até aprovado formalmente mas falhará irremediavelmente no terreno. É a vida.

Tudo isto - e muito mais - é o resultado do facto de os nossos partidos






Numa democracia, a competição é fundamental e dela decorrem muitas vantagens. Mas sem algum grau de cooperação entre maiorias e oposições, a relação entre governos e classes profissionais organizadas será sempre perversa. Sem ela, governos maioritários não terão incentivos para tomar em conta os vários interesses em confronto e para encontrar soluções que, podendo não ser aquelas que um ditador iluminado acharia, conseguem apesar de tudo mudanças incrementais positivas e, acima de tudo, aplicáveis. E cooperação permitiria que governos minoritários


, hoje, e actuais oposições, amanhã, não se tornassem presas i de interesses puramente particularistas.






Para além disso, quase todas as decisões tem efeitos distributivos, afectando uns e beneficiando outros, e a competição é necessária para atribuir esses custos e benefícios. Mas também é verdade que quases todas as decisões tem efeito


O Wall Street Journal de ontem  abordava os défices da educação em Portugal. É pena que se tenha detido pouco sobre as suas causas. A causa principal, para mim – e tal como sucede em areas como a Saúde e a Justiça – é que o sucesso na reforma destes sectores exige cooperação entre os partidos politicos. É evidente que a democracia é feita de competição e que dela decorrem muitos benefícios. Mas a democracia também é feita de cooperação. Antes de mais, em torno das regras do jogo democrático: sem cooperação em torno deste patamar procedimental mínimo os benefícios da competição não podem ser obtidos. Mas cooperação também para garantir que governos maioritários têm incentivos para tomar em conta os vários interesses em confronto e encontrar soluções que, podendo não ser aquelas que um ditador iluminado acharia, conseguem apesar de tudo mudanças incrementais positivas e, acima de tudo, aplicáveis. E cooperação também para garantir que governos minoritários, hoje, e actuais oposições, amanhã, não se tornam presas involuntárias de interesses puramente particularistas.

O que se passou hoje com a avaliação dos professors é a prova, se é que precisávamos de alguma, essas condições de cooperação não existem em Portugal.so se possa conseguir num sistema político, é necessário haver cooperação.

by Pedro Magalhães

Sondagens e partidos

Posted March 25th, 2011 at 1:59 pm4 Comments

by Pedro Magalhães

25 de Março de 2011, dia de glória no desporto português.

Posted March 25th, 2011 at 12:25 pm4 Comments

Marktest, 18-23 Março, N=805, Tel.

Posted March 25th, 2011 at 11:14 am4 Comments

PSD: 46,7%
PS: 24,5%
BE: 8,9%
CDU: 6,7%
CDS-PP: 6,3%

Aqui.

A primeira sondagem feita e publicada após a divulgação do PEC 4 é divulgada depois da votação do PEC mas com o trabalho de campo terminado antes (para 82% das entrevistas) da votação.

by Pedro Magalhães

Incerteza (último)

Posted March 24th, 2011 at 2:02 pm4 Comments


















Finalmente, temos este gráfico, claro. Boas perspectivas para o PSD. Mas se fizermos aqui um zoom no ano de 2009 e aumentarmos a sensibilidade do smoother...


















As circunstâncias hoje são completamente diferentes, muito mais favoráveis ao PSD. Mas algures em 2009, muita gente - provavelmente no próprio governo - se terá convencido, por volta das europeias, que o desfecho das legislativas era a inevitável vitória do PSD. Em dois meses, a ilusão ficou desfeita.

Tudo isto para dizer que gostava de poder dar certezas, mas não posso. Gostaria que das próximas eleições resultasse uma solução de governo clara, e já cheguei ao ponto em que gostaria que fosse clara fosse ela qual fosse. Mas acho que temos boas razões para, pelo menos, pensar duas vezes.

by Pedro Magalhães

Incerteza 4: simpatias partidárias.

Posted March 24th, 2011 at 1:43 pm4 Comments

Outra predisposição relevante é a identificação com um partido. Identificar-me com um partido significa sentir-me próximo dele em comparação com outros, ter por ele uma simpatia especial, uma tradição de proximidade e empatia. Em Portugal, há pouco disto. Mas há algo. E a esmagadora maioria da pessoas que a têm acabam por votar nesse partido. Pode acontecer muita coisa. Mas se o nosso partido nos der uma boa versão dos acontecimentos e se nos activar contras as versões dos outros, a coisa, no fim, acaba por se reconduzir ao nosso "estado normal": essa simpatia. Em Portugal, como é?
















Isto já era sim em 2005, tal e qual. Pode ter mudado desde 2009? Pode. Mas o facto de não ter mudado de 2005 para 2009 sugere que, claro, também pode não ter mudado desde então. E se não mudou, o PSD parte para a eleição, deste ponto de vista, com uma segunda desvantagem estrutural (para além da explicada no post anterior).

by Pedro Magalhães

Incerteza 3: ideologia

Posted March 24th, 2011 at 1:27 pm4 Comments

As campanhas, as pessoas, os eventos e as campanhas contam. Mas os eleitores não partem "virgens" para as campanhas. Têm predisposições, à luz das quais avaliam tudo o resto . Uma dessas predisposições pode aferir-se à luz do seu posicionamento ideológico. E aqui as coisas complicam-se para o PSD.

Este gráfico mostra onde o eleitor mediano se posiciona numa escala de 0 a 10 (em que 0 significa a posição mais à esquerda e 10 mais à direita) e onde o eleitorado português posiciona os partidos (os dados são dos inquéritos pós-eleitorais do projecto Comportamento Eleitoral dos Portugueses):


















O PS é o partido do eleitor mediano. PSD é visto como estando longe do centro, e cada vez mais próximo do CDS. Isto é para todos os eleitores. O gráfico seguinte mostra os mesmos dados, desta vez apenas para os eleitores que se descrevem como estando no "centro" (pontos 4, 5 e 6):
















Apenas o PS é visto como estando dentro do campo ideológico dos eleitores centristas. PSD à direita, indistinguível do CDS. Boas notícias para o CDS, porventura. Menos boas para o PSD.

Se calcularmos a distância média entre a posição de cada eleitor e a posição que atribui a cada partido, o que vemos?
























Distância aumenta desde 2002 para PSD e PS, diminui para pequenos partidos, o que ajuda a explicar as últimas tendências eleitorais. Mas, em média, os eleitores colocam o PSD mais longe das suas posições ideológicas do que o PS.

"Ideologia" é uma coisa complicada que uma posição sumária numa escala de 0 a 10 pode captar mal. Um passo na direcção da especificação da coisa consiste em pedir opiniões sobre temas concretos:















Esquerda, esquerda, esquerda e, na maior parte dos casos, cada vez mais esquerda (se bem que algumas mudanças careçam de significância estatística). Eu sou daqueles que acham que as respostas às sondagens, assim como as respostas às propostas políticas concretas, dependem muito do enquadramento que lhes seja dado. Por outras palavras, eu acho que isto não é um retrato único, perfeito ou inamovível da realidade. Mas que é um retrato mau para um partido de centro-direita, lá isso é.

by Pedro Magalhães