Pedro Magalhães

Margens de Erro

Os mistérios insondáveis da abstenção em Portugal

Posted January 25th, 2011 at 11:49 am4 Comments

"É difícil traçar um perfil do abstencionista. Falta em Portugal um instituto de estatística de opinião, uma entidade estatal que faça inquérito sistemáticos aprofundados - as empresas de sondagens são privadas e funcionam à velocidade que os media e os partidos precisam delas."

Eu concordo que falta sempre muita coisa para qualquer coisa. Mas também não é preciso exagerar (se me perdoarem os shameless plugs pelo meio):

1.  As eleições de 25 de Abril: geografia e imagem dos partidos.
2. Geografia Eleitoral.
3. L'abstention electorale au Portugal : 1975-1980.
4. Atitudes, opiniões e comportamentos políticos dos portugueses : 1973-1993 : cultura política e instituições políticas, evolução e tipologia do sistema partidário, afinidade partidária e perfil dos eleitores.
5. Desigualdade, desinteresse e desconfiança: a abstenção nas eleições legislativas de 1999.
6. Participação e abstenção nas eleições legislativas portuguesas, 1975-1995.
7. A abstenção eleitoral em Portugal.
8. Redes sociais e participação eleitoral em Portugal.
9. A abstenção nas eleições legislativas de 2002.
10. O exercício da cidadania política em Portugal.
12. Declining Portuguese voter turnout: political apathy or methodological artifact?
12. Second Order Elections and Electoral Cycles in Democratic Portugal, 1975-2002.
13. Portugal at the Polls.
14. Quem se abstém?

Para não falar das coisas ainda mais interessantes, as que comparam a abstenção em Portugal com as de outros países em diferentes eleições, e que são tantas, tantas, mas tantas que me limito a pôr isto. E também não vejo de onde vem a coisa da "entidade estatal". Que "instituto estatal" foi preciso nos Estados Unidos para produzir estas 90.000 referências?

by Pedro Magalhães

Marktest, 14-16 Jan, N=802, Tel.

Posted January 24th, 2011 at 11:21 am4 Comments

PSD: 46%
PS: 26%
CDU: 7,8%
CDS-PP: 7%
BE: 6%

Aqui.

by Pedro Magalhães

Intercampus, 16-19 Jan, N=1004, Presencial

Posted January 24th, 2011 at 11:19 am4 Comments

PSD: 36,8%
PS: 30,8%
BE: 7,3%
CDU: 7,1%
CDS-PP: 5,8%

Aqui.

by Pedro Magalhães

Eurosondagem, 19-21 Jan, N=1548, Tel.

Posted January 24th, 2011 at 11:16 am4 Comments

PSD: 37,4%
PS: 30,3%
CDS-PP: 9,6%
BE: 9,3%
CDU: 8,4%
OBN: 5,0%

Aqui.

by Pedro Magalhães

Rescaldo

Posted January 24th, 2011 at 11:04 am4 Comments

Sondagens pré-eleitorais. Se compararmos os resultados das sondagens com os resultados nacionais, ficamos assim:







Mas tendo em conta que as sondagens foram conduzidas no continente, e que houve diferenças consideráveis entre os resultados eleitorais no continente e os resultados nas regiões autónomas, uma comparação mais adequada será esta:






Sem surpresas, o desvio entre intenções de voto e resultados eleitorais diminui quando os resultados de referência são os do continente, ou seja, os do verdadeiro universo das sondagens em causa.

O mesmo género de fenómeno ocorre nas sondagens à boca das urnas:


Comparar com 2001 (aqui e aqui) e com 2006 (aqui e aqui).

O Luís aborda a nossa previsão aqui e aqui.

E dois prémios:

1. Prémio A nossa sondagem é a melhor exceptuando aquela outra.

2. Prémio Melhor peça jornalística sobre sondagens escrita com gerador de palavras aleatórias.

by Pedro Magalhães

Calamidades que por acaso não aconteceram

Posted January 24th, 2011 at 8:27 am4 Comments

Ontem, o MAI desvalorizou o impacto na abstenção das dificuldades sentidas pelos portadores do cartão do cidadão: "Este problema só se verificou a partir das 13h00 e ao meio-dia já tínhamos uma afluência menor do que a de 2006 e não havia nenhum problema".

Mas o verdadeiro problema, claro, não tem nada a ver com a abstenção. Tem a ver com a possibilidade de que tivessem ocorrido os seguintes resultados eleitorais:

Cavaco: 50,1%

Cavaco: 49,9%

Cavaco: menos de 50.
Alegre: 19,8%
Nobre: 19,7%

Imaginem o problema que teríamos em mãos neste momento se uma destas coisas tivesse acontecido...

by Pedro Magalhães

Sondagens à boca das urnas, 20:00h

Posted January 23rd, 2011 at 9:04 pm4 Comments

by Pedro Magalhães

Resumindo e concluindo

Posted January 21st, 2011 at 6:47 pm4 Comments

Como costuma suceder, há uma convergência (relativa) das sondagens nesta fase final. Quatro colocam Cavaco Silva abaixo dos 60%, depois de meses onde foi frequente encontrar resultados completamente discrepantes. Quatro colocam Alegre algures entre 20 e 25%. Todas colocam Nobre acima dos 10%. Quatro colocam Francisco Lopes acima dos 5%. Há casos onde as diferenças entre as últimas cinco sondagens são, tomando em conta a dimensão das amostras, estatisticamente significativas. Mas são raros. A Marktest, claro, está aqui um pouco como outlier. Mas também já estava nas Europeias e depois foi o que se viu. Cuidado com as precipitações.

Nos comentários perguntam-me muito se acho que estes resultados sugerem que Cavaco Silva se salvará de uma 2ª volta. É uma pergunta interessante, porque denuncia o que me parece ser uma boa tendência: uma abordagem mais informada e realista das sondagens. Ninguém colocou este tipo de pergunta nas últimas Europeias. Mas as pessoas vão percebendo que há eleições onde só se pode ficar muito surpreendido se os comportamentos das pessoas no dia das eleições acabarem por ser muito diferentes das intenções captadas através de as amostras  antes das eleições. É esse o caso das legislativas, ou das presidenciais onde o presidente em exercício não concorre, mais competitivas e com menor abstenção. E vão também percebendo que há outras eleições onde os comportamentos dos eleitores - votar ou não votar, votar em quem - podem acabar por ser relativamente diferentes das intenções captadas em sondagens. Desde que tenho este blogue - há seis anos - venho avisando que isso tende a acontecer mais em eleições com favoritos claros e elevada abstenção. É o caso destas presidenciais, assim como - pelo lado da abstenção sempre, e pelo lado dos favoritos claros algumas vezes - as europeias. É por isto que nos devemos tentar recordar das presidenciais de 2001. Em média, as estimativas de intenção de voto para Sampaio andavam pelos 65%, mas o resultado das eleições esteve 10 pontos abaixo. Muitas pessoas se lembraram disso nesta campanha, e é bom que nos preparemos para a possibilidade de um fenómeno semelhante.

Mas prepararmo-nos para um fenómeno semelhante não significa que ele vá acontecer. As empresas de sondagens sabem perfeitamente disto e têm teorias, mais ou menos desenvolvidas, sobre as razões por que estas coisas sucedem. Logo, é natural que introduzam alterações na maneira como fazem as coisas para evitarem discrepâncias entre intenções de voto e comportamentos. A alteração com maiores efeitos potenciais, creio, é tentar ter um bom "modelo" (mais ou menos complexo) do que é um votante provável. Sabemos que muitas pessoas que nos dizem que irão votar não o vão fazer, e isso é tanto mais verdade quanto menos competitiva e mobilizadora for a eleição. Se essas pessoas foram diferentes daqueles onde há consistência entre intenções e comportamentos, o resultado inevitável são desvios para além do que seria justificável à luz do erro amostral. Mas o que lhes fazer, como apurar o que é uma intenção que se realizará com elevada probabilidade, o que fazer aos que se declaram indecisos, são opções que não estão escritas na pedra: estudam-se, debatem-se, aprendem-se, adaptam-se e permanecem controversas. Para além disso, as empresas lutam contra uma tendência crescente: erros de não-contacto e erros de não-resposta, ou seja, a dificuldade cada vez maior em contactar aqueles que deveriam ser inquiridos e obter deles colaboração para a realização das sondagens. As últimas europeias sugerem que, sejam quais foram as soluções que tenham sido adoptadas, estão longe de serem infalíveis. E sugerem também que, em última análise, pode não haver nada a fazer, em determinadas circunstâncias, para vencer o incontornável: uma sondagem mede intenções e os resultados eleitorais resultam de comportamentos posteriores. Intenções comportamentais e comportamentos são coisas muito fortemente relacionadas, mas diferentes e não perfeitamente relacionadas, como de resto a investigação sobre o comportamento dos consumidores já aprendeu há muito tempo.

Tudo isto para dizer que devemos estar preparados para tudo. A minha impressão - mera impressão - é que o fenómeno de "sobrestimação" (vamos chamar-lhe assim) do vencedor não deverá ter o mesmo tipo de magnitude que teve em 2001, em parte porque acredito que as empresas estão a tomar medidas no sentido de melhorar a forma como lidam com a inconsistência dos eleitores e em parte também devido àquilo que expliquei logo de início: se os apoiantes do favorito tiverem desta vez a noção de que a vitória à 1ª volta não está garantida pelas sondagens, é natural que não se desmobilizem da mesma forma. Mas veremos se a minha impressão se confirma. E outra coisa que me deixa muito curioso é saber como se vai portar isto. Looking good.

E o resto é votar no Domingo e pronto.

by Pedro Magalhães

Tendências

Posted January 21st, 2011 at 5:16 pm4 Comments




















A ausência de José Manuel Coelho não é má vontade, mas apenas consequência de haver muito poucas observações e muito concentradas no tempo. Não faria sentido incluí-lo.

P.S. - A nova versão, com legenda, é dedicada ao @brunolucas.
P.P.S. - E a linha dos 50% ao @ssn. Mais pedidos?

by Pedro Magalhães

Quadro final

Posted January 21st, 2011 at 4:41 pm4 Comments

by Pedro Magalhães