Pedro Magalhães

Margens de Erro

Um comentário sobre a questão das escalas

Posted November 2nd, 2010 at 5:48 pm4 Comments

Recebido por e-mail:

"Creio que não será difícil dizer que qualquer analista já se deparou com o facto de as escalas serem pares ou impares enviesa os resultados obtidos. Também é evidente que se a pergunta tiver um ponto central, as respostas tenderão a ir para esse ponto - por uma questão de preguiça do entrevistado ou por qualquer outro fenómeno.

Porém, ter uma escala par também não resolve o problema: estamos nesse caso a impor ao inquirido que tome uma opção (positiva ou negativa), quando na verdade ele é indiferente.

A questão está em que um estudo de opinião/mercado deve reflectir as opções dos inquiridos e seu processo de tomada de decisão. Assim, a inclusão de um ponto central pode facilitar e esconder a verdadeira intenção dos indivíduos, ao mesmo tempo que sua exclusão inflaciona respostas extremadas, que habitualmente não acontecem.

A solução que adopto, mais em produtos de consumo e menos em ciências sociais, é colocar um ponto neutro sempre que se trata de uma escolha recorrente por parte do inquirido. Por exemplo, numa pergunta de hábitos de compra de comida para cães: é perfeitamente normal que o consumidor seja indiferente. Nesses casos ele muda (ou pode mudar) de opção todas as semanas.

Já numa pergunta associada a bens duradouros - como a compra de casa, casamento(!), intenção de voto - prefiro não colocar um ponto central. Nesses casos o inquirido tem mesmo de tomar uma decisão e não há espaço para meias respostas/neutralidade.

Em qualquer dos casos, não conheço muitos resultados públicos sobre a importância dos pontos centrais para o público português. Excepção feita a esta apresentação: http://www.apodemo.pt/05%20-%20Luis%20Rosa%20-%20METRIS.pps"

by Pedro Magalhães

Presidenciais

Posted November 2nd, 2010 at 11:09 am4 Comments

É ainda um pouco cedo para falar de tendências. Mas o gráfico abaixo mostra os resultados das sondagens que conheço e que explicitamente solicitavam uma intenção de voto (e não perguntas sobre qual dos candidatos seria o melhor Presidente, etc.). Notem que, especialmente nas mais antigas, estávamos perante cenários, não apenas no que dizia respeito ao próprio Cavaco Silva mas também em relação a outros candidatos. Preservei apenas os resultados daqueles que, hoje, afirmam a sua candidatura.



















As linhas são rectas de regressão linear. A haver uma tendência, é a previsível: a descida de Fernando Nobre. Mas é muito cedo para tirar grandes conclusões. Fica como mera informação, a analisar de forma mais detalhada quando houver mais resultados.

by Pedro Magalhães

Pontos centrais em escalas

Posted November 2nd, 2010 at 12:44 am4 Comments

No Cachimbo de Magritte, Tiago Mendes escreve:

"Outro ponto, técnico, e que seria importante esclarecer, é saber porque é que a sondagem da Católica, ao que tudo indica, não inclui uma opção entre "Bom" e "Mau" - razoável, médio, satisfatório, indiferente, o que seja."

Duas coisas:

1. Este post tinha uma ligação para aqui, para o Margens de Erro. Mas a verdade é que desde Janeiro que trabalho em exclusividade no ICS-UL, tendo deixado a colaboração com o CESOP e a Católica. Se escrevo isto de novo é porque pensava que era um facto conhecido mas, nos últimos dias, por e-mails recebidos e comentários vários, notei que não.

2. Dito isto, a ausência de um ponto central na escala de avaliação de governo foi uma decisão minha, e posso responder por ela. Quando esse ponto central está presente ("nem bom nem mau", etc) ele tende a ser usado para mero fim de redução de esforço por parte do inquirido ou para evitar declarar posição perante o inquiridor. A investigação que conheço sobre o assunto mostra que os dados obtidos com escalas que usam este tipo de pontos centrais são menos válidos e menos fiáveis. Sobre o assunto, ver isto ou isto. Tendo a encarar tudo aquilo que Willem Saris escreve sobre questionários com alguma reverência. Logo, sempre que posso - e especialmente quando isso não prejudica gravemente comparações com inquéritos anteriores - proponho a eliminação destes pontos centrais. Acho até que isso é especialmente importante num país com as características do nosso (por razões educacionais e culturais várias).

by Pedro Magalhães

Marktest,19-24 Outubro, N=807, Tel.

Posted October 29th, 2010 at 3:22 pm4 Comments

Agora as presidenciais:

Cavaco Silva: 71,3%
Manuel Alegre: 20,2%
Fernando Nobre: 5%
Francisco Lopes: 1,1%
Defensor de Moura: 0,9%

Fonte.

by Pedro Magalhães

CESOP, 23-25 Outubro, N=1140, Presencial

Posted October 28th, 2010 at 11:34 pm4 Comments

Intenções de voto após redistribuição de indecisos (e apenas entre quem tem a certeza que votaria em legislativas):

PSD: 40%
PS: 26%
BE: 12%
CDU: 8%
CDS-PP: 7%
OBN: 7%

Em relação ao total da amostra, a distribuição é a seguinte:
PSD: 17%
PS:13%
BE: 5%
CDU:4%
CDS-PP: 3%
OBN:7%
Não votava:22%
Não sabe: 24%
Recusa responder: 6%

Para que a vantagem do PSD seja tão expressiva nas estimativas de resultados eleitorais em comparação com os resultados brutos, isso quer dizer que há um "enthusiasm gap" à portuguesa: quando restringimos aos eleitores que dizem que "têm a certeza que vão votar", o PS afunda.

Também se obtiveram intenções de voto para as presidenciais:
Cavaco Silva: 63%
Manuel Alegre: 20%
Fernando Nobre: 7%
Francisco Lopes: 3%
Defensor de Moura: 1%

Aqui.

by Pedro Magalhães

Marktest, 19-24 Out., N=807, Tel.

Posted October 28th, 2010 at 9:39 am4 Comments

Após redistribuição proporcional de indecisos:

PSD: 42%
PS: 25%
BE: 10%
CDU: 8,3%
CDS-PP: 8%

Fonte aqui. Comparar com sondagem anterior: PSD sobe quatro pontos, PS desce quase 11, vantagem de PSD sobre PS passa de pouco mais de 2 pontos para 17.

Sobre isto, acho que vale a pena fazer um comentário. É certo que Portugal é um país onde há muita volatilidade de eleição para eleição, onde o voto se encontra pouco ancorado socialmente, e onde
muitos eleitores declaram não se sentirem próximos de qualquer partido e respondem "5"  ("centro") quando convidados a posicionarem-se ideologicamente numa escala de 0 (esquerda) a 10 (direita). Logo, flutuações importantes de sondagem para sondagem não são coisa que nos deva espantar demasiado, porque o voto se encontra comparativamente pouco ancorado em factores sociais, psicológicos ou ideológicos que que lhe dêem estabilidade. Dito isto, a diferença entre esta sondagem e a anterior é muito grande. Uma ideia, nada original, seria fazer nessas sondagens algumas perguntas que nos permitissem algum controlo sobre a "representatividade política" da amostra.

Em tempos, a Marktest (e outras empresas) perguntavam aos inquiridos como tinham votado na eleição anterior e usavam esses resultados para ponderar as intenções de voto. Por exemplo, se na amostra a percentagem daqueles que dizem ter votado em 2009, digamos, na CDU, fossem metade daqueles que realmente votaram, o resultado ponderado duplicaria as intenções de voto nesse partido para a sondagem em concreto. Sempre me pareceu má ideia fazer isso, pela simples razão de que a memória da pessoas é muito selectiva. Uma alternativa preferível seria perguntar às pessoas de que partido se sentem mais próximas ou o seu posicionamento ideológico. Há inquéritos - como o European Social Survey, realizado de 2 em 2 anos - onde essas questões são colocadas a amostras de qualidade necessariamente muito superior às de uma qualquer sondagem eleitoral e onde a distribuição obtida poderia servir de "gold standard" para uma comparação. É evidente que identificação partidária ou posicionamento ideológico não são imutáveis, mas são bastante mais estáveis e fiáveis que a recordação de voto numa eleição ocorrida há meses ou anos. Conhecendo esses resultados para a sondagem eleitoral, ficaríamos com uma ideia sobre o que poderia estar por detrás de mudanças tão grandes como as detectadas nas duas últimas sondagens da Marktest, e se essas mudanças reflectem - como até é plausível que tenha sucedido - reais mudanças nas preferências das pessoas.

Nada disto é novo, e encontramos este tipo de discussão com muita frequência sobre as sondagens feitas nos Estados Unidos. Um exemplo.

by Pedro Magalhães

Eurosondagem, 6-12 Out., N=1021, Tel.

Posted October 15th, 2010 at 1:36 am4 Comments

PS: 35,3%
PSD: 35,3%
CDU: 8,4%
CDS: 8%
BE: 7,8%


Aqui.

by Pedro Magalhães

Atrasada: Eurosondagem, 30 Set., N=620, Tel.

Posted October 13th, 2010 at 10:19 am4 Comments

PSD: 35%
PS: 33%
CDU: 9,7%
BE: 9,3%
CDS: 7%

A dimensão da amostra utilizada é bastante inferior ao habitual na Eurosondagem.

by Pedro Magalhães

Aximage, 6-9 Outubro, N=600, Tel.

Posted October 13th, 2010 at 10:07 am4 Comments

Há uma sondagem recente da Aximage, cujos dados estão muito incompletos na notícia online. Quando o depósito na ERC estiver visível actualizo tudo isto. Contudo, é curioso que dê o mesmo sinal que a sondagem Intercampus: PS e PSD a descerem.

Nas presidenciais, a mesma coisa: Cavaco Silva a descer, Manuel Alegre a subir. Mais exactamente:

Cavaco Silva: 55,1%
Manuel Alegre: 35,7%
Fernando Nobre: 7,1%
Francisco Lopes: 1,9%
Defensor de Moura: 0,2%

by Pedro Magalhães

Entretanto, no Brasil…

Posted October 12th, 2010 at 12:56 pm4 Comments

Que eu saiba, há apenas uma sondagem realizada para o 2º turno: Datafolha (8 Out., N=3.265): após redistribuição de indecisos (7%), Dilma 54%, Serra 46%.

Uma análise muito interessante sobre o peso do Bolsa Família nas eleições, aqui. Como é óbvio, não se deve inferir causalidade, porque os dados são agregados (em vez de individuais) e a relação pode ser espúria (as razões que fazem com que indivíduos recebam Bolsa Família já os predisporia seja como fosse a votar Dilma). Mas é sugestivo.

by Pedro Magalhães