Pedro Magalhães

Margens de Erro

Intercampus, 4-6 Out, N=609, Tel.

Posted October 9th, 2010 at 11:06 pm4 Comments

A notícia no site da TVI24 não menciona nem data de realização do estudo, nem dimensão da amostra, nem modo de inquirição. Teremos de concluir que a TVI supõe que a Lei 10/2000 não se aplica a sites da internet e que a ERC não tem jurisdição sobre nada disto. Contudo, aqui vai:

Legislativas:
PSD: 35,2%
PS: 32%
PCP: 11,1%
BE: 10,6%
CDS-PP: 9,1%

Presidenciais:
Cavaco Silva: 55,5%
Manuel Alegre: 30,7%
Francisco Lopes: 5,6%
Fernando Nobre: 4,9%
Defensor de Moura: 1,2%

Em comparação com a última sondagem da Intercampus que conheço, de Julho passado, o PSD desce 4 pontos, o PS desce 2,4 pontos, CDU, BE e CDS-PP sobem (mas diferenças não são estatisticamente significativas). Cavaco Silva desce quase 4 pontos e Alegre sobe quase 4 pontos. Claro que, ao passo que comparar sondagens dentro do mesmo instituto é sempre uma boa ideia ("house effects"), comparar Julho com Outubro pode não ser.

P.S. - A ficha técnica está no Público. Obrigado a Luciano Alvarez pela chamada de atenção.

by Pedro Magalhães

Uma previsão dos resultados das presidenciais (1)

Posted October 7th, 2010 at 5:02 pm4 Comments

Em Julho de 2008, eu e o Luís Aguiar-Conraria escrevemos um paper onde fazíamos uma previsão dos resultados eleitorais das legislativas de 2009, que viriam a ocorrer a 27 de Setembro, mais de um ano depois. Essa previsão, apontava para que o PS tivesse 38,4%, e uma vantagem de 11,3 pontos sobre o PSD, ou seja, 27,1%. Num artigo posterior, escrito poucos meses depois mas publicado em Junho de 2009, afinávamos a nossa previsão para o PS: 37,1%. Em Setembro de 2009, o PS obtinha 36,7% dos votos e o PSD 29,1%.

Como já aqui explicámos, esta previsão deixou-nos ao mesmo tempo entusiasmados e perplexos. Entusiasmados pela enorme precisão. Perplexos porque o cenário macroeconómico no qual baseámos as nossas previsões - e que era o adiantado pelas organizações internacionais à época - não se veio a concretizar. Pelo contrário, o que sucedeu, a partir de finais de 2008, foi uma recessão internacional sem precedentes desde os anos 30. Assim, a nossa questão tornou-se outra: por que razão a previsão baseada em "previsões de crescimento económico" (e não nos dados reais da economia) esteve tão próxima dos resultados finais? Pode ter sido mero acaso. Mas pode ser que isto nos diga algo sobre como a realidade económica é percebida pelos eleitores (abrindo parêntesis, é curioso verificar, no recente inquérito dos Transatlantic Trends,  como os portugueses foram, de todos os países inquiridos, aqueles onde a percepção de consequências concretas da crise era mais baixa em 2009 e onde mais subiu de 2009 para 2010). Vamos trabalhar nisto.

Entretanto, obedecendo a um poderoso impulso suicidário, tivemos entretanto outra ideia: e qual uma previsão dos resultados das presidenciais? Péssima ideia. Vamos a isso.

Péssima ideia porquê? Várias razões:

1. Na democracia portuguesa, tivemos 7 (sete) eleições presidenciais. Se quisermos prever o futuro na base do passado, podemos usar não mais de 7 (sete) observações. É muito, muito pouco.

2. A maior parte dos modelos deste género procura prever a percentagem de votos do partido ou partidos no governo, ou seja, o desempenho do incumbent (há tradução?), no pressuposto de que a função de voto do governo é explicada por aspectos do seu desempenho (popularidade, crescimento económico, etc.). Mas o que fazer ao conceito de incumbent no caso do presidente?
2.1 Primeiro, o Presidente não governa (há certamente quem gostaria, mas lamentamos informar que não).
2.2 Segundo, quem é o incumbent em 1976? Não há. E em 1980: Eanes, claro. E em 1986, que votação de que incumbent estamos a prever? Bem, tendo em conta que Eanes foi apoiado pelo PS e pelo PCP, talvez nos arrisquemos a colocar a soma dos votos em Soares, Zenha e Pintassilgo no lado esquerdo da equação. E em 1991: a votação em Soares? Mas Soares foi apoiado pelo PS e pelo PSD. E por aí fora: por outras palavras, como não há uma identidade um a um entre partidos e candidatos, e como os candidatos representam coligações diferentes de eleição para eleição, o conceito de incumbent ainda faz menos sentido.

Como lidar, então, com o problema? O que podemos tentar prever? Nos próximos dias, explicamos o quê, como e o que daí resulta.

by Pedro Magalhães

Uma previsão do resultado das eleições presidenciais

Posted October 7th, 2010 at 4:59 pm4 Comments

by Pedro Magalhães

Sondagens no Brasil: muito barulho por nada?

Posted October 4th, 2010 at 11:36 am4 Comments

Os resultados (quase) finais (99,99% das secções apuradas) da 1ª volta no Brasil foram os seguintes:

Dilma Rousseff: 46,9%
José Serra: 32,61%
Marina Silva: 19,33%

A abstenção foi, como sempre, relativamente baixa (18,12%). O voto "obrigatório" (ponho com aspas porque a coisa é complicada, havendo eleitores para quem o voto não é obrigatório e mais algumas complicações, ver aqui) ajuda. Outra coisa que costuma estar associada a uma abstenção baixa é uma alta proximidade entre os resultados das últimas sondagens e aqueles que acabam por ser os resultados finais. A razão é simples: em sistemas com alta abstenção, as intenções de voto recolhidas anteriormente têm menor probabilidade de se concretizarem. E se, por alguma razão, aqueles que declaram uma intenção de voto e votam forem diferentes daqueles que declaram uma intenção de voto e não votam, é óbvio que vai haver, ceteris paribus, uma maior discrepância entre as sondagens e os resultados eleitorais. Em países com alta abstenção, a única maneira de lidar com isto é ter bons modelos de "votantes prováveis". Mas o que é um bom modelo de "votantes prováveis" é algo que pode mudar de eleição para eleição. No Brasil, essa dificuldade não se coloca de forma tão grave como noutros países (Portugal, por exemplo, e Estados Unidos, ainda mais).

No Brasil, nas eleições de  2006, 1º turno, Lula teve 48,6%, seguido de Alckmin (41,6%) e Helena (6,9%). Nessa altura, se excluirmos a sondagem da Sensus (feita no dia 24 de Setembro), as restantes (conduzidas pelo Ipespe, Vox Populi, Datafolha e IBOPE) deram resultados que não foram muito diferentes daqueles que vieram a ser os resultados das eleições. Em todos os casos, Lula e Helena tiveram pior resultado nas eleições do que nas sondagens, e o inverso sucedeu com Alckmin. Mas a média dos desvios absolutos entre o resultado eleitoral dos três principais candidatos e o resultado da última sondagem foi de 4,3 pontos para a Vox Populi, 2,4 para Datafolha e IBOPE e 2 pontos para o Ipespe.

Isto é "bom" ou é "mau"?  Para termos um ponto de comparação, podemos usar as últimas presidenciais portuguesas. Aí, a média dos desvios absolutos para os três maiores candidatos, nas sondagens conduzidas logo antes das eleições, oscilou entre 1,3 pontos (Católica) e 3,2 pontos (Eurosondagem). Logo, uma conclusão rápida é que, apesar da "pressão para o erro" causada por uma maior abstenção em Portugal, há qualquer coisa a causar maiores discrepâncias entre as sondagens brasileiras e os resultados eleitorais. E julgo que é evidente que a gigantesca diferença de escala e as dificuldades colocadas pela realização de trabalho de campo no Brasil têm de ter um papel aqui. Imaginem o que significa tentar chegar a contactar pessoas que vivem em prédios com segurança armada à porta, em favelas ou em zonas rurais inacessíveis. Para lidar com isto, os institutos brasileiros utilizam amostras muito grandes - a última sondagem da Datafolha tinha 20.960 inquiridos!  - e, quase invariavelmente, amostragem por quotas. Mas a amostragem por quotas tem problemas potenciais, a começar pela qualidade da informação censitária e indo até à própria escolha das quotas relevantes. Talvez um ponto de comparação mais relevante sejam as eleições presidenciais americanas: aí, "a média dos erros médios" anda pelos 2,8 pontos percentuais. Os resultados do Ibope e da Datafolha foram, deste ponto de vista, "normais", e o que é "anormal" são os resultados das sondagens portuguesas.

Como correram as coisas nesta 1ª volta de 2010? Vejamos as últimas sondagens que julgo terem sido publicadas antes da eleição (votos válidos):

Datafolha (1 e 2 de Outubro): Dilma, 50%; Serra, 31%; Marina, 17%.
IBOPE (27 de Setembro): Dilma, 51%; Serra, 31%; Marina, 17%.
Sensus (28 Setembro): Dilma, 54,7%; Serra, 29,5%; Marina, 13,3%.

Isto corresponde a uma média de desvios absolutos de 2,3 pontos para a Datafolha, 2,7 para o Ibope e 5,6 para a Sensus. Logo, para Ibope e Datafolha, valores muito próximos dos de 2006 (como sucede de resto para a Sensus, que já em 2006 tinha estado muito longe dos resultados finais).

Pelo que leio, há agitação no Brasil pelos "falhanços" das sondagens. Mas de um ponto de vista estritamente técnico, não vejo bem porquê. Os dois institutos mais prestigiados ambos apontaram para a impossibilidade de determinar se Dilma ganharia à 1ª volta. Ambas as sondagens sobrevalorizaram Dilma, mas em 2006 ambas tinham sobrevalorizado Lula, sendo de resto habitual que um candidato claramente favorito acabe por ter nas eleições resultados piores que nas sondagens (seja porque os seus apoiantes, tendo segurança de vitória, se desmobilizam ou votam noutros candidatos seja porque os apoiantes de outros candidatos se inibem de mostrar uma intenção "minoritária" aos inquiridores). Muito barulho por nada, aqui.

Já na sondagem à boca das urnas ("boca de urna", no Brasil), a coisa complica-se um pouco. Em princípio, uma boca de urna resolve dois problemas: primeiro, mede comportamentos de votantes, não intenções de potenciais votantes; segundo, tem menos problemas amostrais, porque não tem de encontrar as pessoas nos seus domicílios, mas apenas à saída do local de voto. Aqui, 51% para Dilma, como sucedeu na boca de urna do IBOPE, sugere problemas na selecção dos locais de voto, na capacidade para seleccionar uma boa amostra de eleitores ou em ajustar em relação a recusas. O último ponto costuma ser muito relevante. Recordem-se que, naturalmente, a recolha dos votos numa boca de urna continua a depender da colaboração voluntária de eleitores. E se houve recusas maiores da parte dos apoiantes de Serra ou Marina (e incapacidade das empresas para ajustar resultados a essas recusas), uma coisa destas pode suceder, mesmo numa boca de urna. Mas é só uma hipótese.

by Pedro Magalhães

Outlier

Posted September 30th, 2010 at 9:29 am4 Comments

Agora que

by Pedro Magalhães

Marktest, 14-17 Setembro, N=804, Tel.

Posted September 25th, 2010 at 1:29 pm4 Comments

Presidenciais, intenções de voto:

Cavaco Silva: 70%
Manuel Alegre: 22%
Fernando Nobre: 4%
Francisco Lopes: 1%
Defensor de Moura: 0,2%

Aqui. A soma disto é 97,2%, mas pela notícia não consigo inferir o que representam os 2,8% em falta.

A diferença em relação à sondagem anterior é, claro, estrondosa. Esta pode ser um outlier, com futuras sondagens a regressarem a valores mais "normais". Mas pode suceder igualmente que este resultado indique falta de cristalização das ideias e intenções do eleitorado neste momento. Temos de esperar por mais estudos.

by Pedro Magalhães

Eurosondagem, 15-21 Setembro, N=2062, Presencial

Posted September 24th, 2010 at 11:44 pm4 Comments

Após redistribuição de indecisos:
Cavaco Silva: 54,9%
Manuel Alegre: 33,0%
Fernando Nobre: 6,2%
Francisco Lopes:4,8%
Defensor de Moura:1,1%

Aqui.

by Pedro Magalhães

Marktest, 14-17 Setembro, N=804, Tel.

Posted September 24th, 2010 at 12:53 pm4 Comments

Após redistribuição de indecisos e ajustamento de brancos e nulos ao valor da anterior eleição:
PSD: 38,0%
PS: 35,7%
CDS-PP: 6,7%
BE: 6,5%
CDU: 6,5%
OBN: 6,6%

Aqui. Desculpem desapontar-vos, mas tenho que dizer que, tendo em conta a dimensão das amostras e a margem de erro associada à diferença de proporções entre duas amostras independentes, estes resultados são exactamente iguais aos da sondagem anterior.

by Pedro Magalhães

Aximage, 6-9 Setembro, N=600, Tel.

Posted September 20th, 2010 at 12:35 pm4 Comments

Presidenciais, intenção de voto:

Cavaco Silva: 58,1%
Manuel Alegre: 32,1%

A versão online da notícia não fornece mais elementos sobre outros reais ou possíveis candidatos. Na ERC, onde é suposto encontrarmos os depósitos das sondagens, com fichas técnicas e relatórios, a última sondagem disponível, no momento em que consulto, é de 5 de Agosto. Estou por isso a presumir que esta sondagem é a mesma que esta, tendo as mesmas características técnicas. Mas vá-se lá saber.

A última sondagem da Aximage que conheço sobre o tema é esta, de Julho. Encontrava intenções de voto de 55,3% em Cavaco Silva, 26,9% em Manuel Alegre, 11,6% em Fernando Nobre e 6,2% em Jerónimo de Sousa. A soma disto dá 100%, pelo que presumo que estávamos a falar só de pessoas que afirmaram que iriam votar e diziam saber em quem.

Os resultados da sondagem mais recente, caso acabassem por ser os resultados das eleições - coisa que ninguém está a pretender dizer - significariam que:

- Cavaco Silva teria uma percentagem de votos superior à que Jorge Sampaio teve em 2001;
- Manuel Alegre conseguiria praticamente ter a mesma percentagem de votos que ele próprio e Mário Soares tiveram, somados, em 2006.

by Pedro Magalhães

Aximage,

Posted September 11th, 2010 at 6:44 pm4 Comments

by Pedro Magalhães