Pedro Magalhães

Margens de Erro

Eurosondagem, 1-7 Set, N=1035, Tel.

Posted September 10th, 2010 at 10:16 am4 Comments

Após redistribuição de indecisos:
PS: 36%
PSD: 35,8%
CDS-PP: 8,4%
CDU: 7,7%
BE: 7,1%

Aqui. Estatisticamente, os resultados desta sondagem são exactamente iguais aos da anterior. Outra coisa que importa notar é que, na Eurosondagem, o PSD nunca chegou a ter uma vantagem tão grande sobre o PS como noutros estudos (o máximo foi em Julho, 2,5 pontos percentuais). Mas juntando estes resultados aos da Marktest, começa a ganhar credibilidade a noção de que a vantagem de que o PSD terá tido sobre o PS após a eleição de PPC terá diminuído (ou desaparecido) desde então, e que uma derrota do PS numa eleição neste momento não poderia ser dada como adquirida.

by Pedro Magalhães

(Atrasada): Eurosondagem, 28 Jul-Ago, N=1031, Tel.

Posted September 10th, 2010 at 10:14 am4 Comments

Após redistribuição de indecisos:
PSD: 36%
PS: 35%
CDS-PP: 9%
CDU: 8%
BE: 7,2%

Aqui.

by Pedro Magalhães

Previsões para as Midterm elections

Posted September 9th, 2010 at 9:58 am4 Comments

Os leitores habituais sabem que sou um "sucker for forecasts". De tal maneira que até me abalancei a fazer, com o LA-C, uma sobre Portugal (que, num certo sentido, não correu nada mal). Há dias, estive no painel da APSA onde se apresentaram as previsões para as próximas eleições no Congresso americano. Aqui encontram um óptimo resumo daquilo a que assisti. Resumindo ainda mais, três prevêm controlo Republicano, enquanto duas antecipam controlo Democrata (e uma mais recente junta-se àquelas que antecipam controlo Republicano).

Convém lembrar, contudo, a história contada por Gary Jacobson, o comentador no painel. Antes das eleições de 2006, Jacobson estimou cinco modelos diferentes, com pressuposições e variáveis diferentes, todos eles com bons indicadores de ajustamento aos dados e capacidade de "previsão" de resultados passados. Resultaram daqui cinco previsões bastante diferentes para 2006. Jacobson escreveu cada um dos modelos e dos resultados previstos em cinco folhas de papel diferentes, e seguiu para um jantar/ceia com amigos na noite eleitoral. Obtidos os resultados, tirou um dos cinco papéis do bolso e disse "Vêem, acertei!". Pelo que estas coisas devem ser tomadas, digamos assim, cum grano salis.

by Pedro Magalhães

Até Setembro.

Posted August 3rd, 2010 at 4:23 pm4 Comments



Foto: Nicolau Wallenstein

by Pedro Magalhães

Marktest, 20-26 Julho, N=802, Tel.

Posted July 30th, 2010 at 12:32 am4 Comments

Resultados após redistribuição de indecisos:

PSD: 37,3%
PS: 33,3%
BE: 8,5%
CDS-PP: 7,5%
CDU: 6,8%

Aqui.

Uma das interpretações possíveis é que começamos a sentir os resultados da posição do PSD na golden share e da proposta de revisão constitucional. Outra hipótese, claro, é que 47,7% para o PSD e 24,1% para o PS nunca passou de um mero outlier. A primeira interpretação é plausível. Mas a segunda é quase certa: só de pessoas que se identificam explicitamente com o PS em inquéritos pós-eleitorais, face-a-face, e com grandes amostras, temos consistentemente entre 17 e 20% da totalidade dos eleitores em 2002, 2005 e 2009. 24% dos votos válidos nunca podia ser, não é assim?

by Pedro Magalhães

Euroexpansão, 8-11 Julho, N=1504, Tel.

Posted July 28th, 2010 at 11:01 am4 Comments

Antes de redistribuição de indecisos:
PSD: 26,7%
PS: 20,6%
BE: 4,3%
CDU: 4,1%
CDS: 2,5%
Outro: 0,7%
Branco/nulo: 6,2%
Não votava: 12,1%
Votaria, mas não sabe em que partido: 22,1%
Não responde: 0,8%

Após redistribuição de indecisos:
PSD: 41%
PS: 31,7%
BE: 6,5%
CDU: 6,3%
CDS-PP: 3,8%
Outro: 1,1%
Branco/nulo: 9,5%

Sondagem inclui também uma questão sobre presidenciais, mas inclui Jerónimo de Sousa no menu e não inclui Defensor de Moura. Dá 51,1% a Cavaco Silva, mesmo antes da redistribuição de indecisos.

by Pedro Magalhães

Intercampus, 16-20 Julho, N= 603, Tel.

Posted July 28th, 2010 at 10:46 am4 Comments

Após redistribuição de indecisos:

PSD: 39,2%
PS: 34,4%
CDU: 9,5%
BE: 9%
CDS-PP:5,9%

Sondagem incluiu também questão sobre intenção de voto nas presidenciais:
Cavaco Silva: 59,4%
Manuel Alegre: 26,8%
Fernando Nobre: 9,1%
Defensor de Moura: 2,9%

Tudo aqui e aqui.

by Pedro Magalhães

Adenda

Posted July 20th, 2010 at 4:30 pm4 Comments

Para vocês dois ou três que ainda não estão completamente saciados sobre o assunto, última coisa. Em 1982, uma das alterações feitas na I revisão constitucional consistiu em mudar o artigo 193º, onde se dizia "O Governo é politicamente responsável perante o Presidente da República e a Assembleia da República", substituindo essa formulação por "O Governo é responsável perante o Presidente da República e a Assembleia da República." Depois, no art. 194º (agora 191º) onde se fala da responsabilidade "política" e "politicamente responsáveis", tirou-se o "política" e o "politicamente". Finalmente, o 198º (agora 195º) passou a ter um nº 2 onde se passou a dizer "o Presidente da República só pode demitir o Governo quando tal se torne necessário para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas, ouvido o Conselho de Estado".

Vasco Campilho, num texto recente, defende que, na actual formulação, "o Presidente já pode demitir livremente o Governo". Como o PR "é responsável por aferir se a demissão do Governo é necessária para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas", resulta daqui que retirar a expressão "quando tal se torne necessário para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas, ouvido o Conselho de Estado" não passa de um "ajuste semântico". Espero não violar o pensamento do Vasco se disser que devemos concluir também que, neste domínio, a revisão de 1982 também não passou, afinal, de outro "ajuste semântico".

É uma questão curiosa, sobre a qual tenho poucas certezas. Em rigor acho que só tenho uma: ninguém concorda com o Vasco. Quando digo "ninguém" não me refiro a analistas, constitucionalistas ou investigadores vários. Refiro-se sim aos actores políticos. O PS e o PSD, quando aprovaram a mudança em 1982, não acharam que estavam a fazer mera cosmética. Eanes, que se sentiu profundamente traído por esta revisão, também não achou. Os vários presidentes desde 1982 nunca recorreram a este expediente, e sempre que falaram sobre o assunto foi para afirmar que, desde 1982, o PR não pode demitir um governo pelas mesmas razões que o podia fazer antes de 1982. O PSD também não acredita que se trate de um mero ajuste semântico: caso contrário, não o proporia alegando que assim se equilibram melhor os poderes do presidente. E os restantes partidos também não acreditam nisso: caso contrário, não se oporiam à proposta do PSD.

Por que será que todos acreditam que essas palavras - "só pode demitir o Governo quando tal se torne necessário para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas" - mudam realmente as coisas? Sou sensível, claro, a uma ideia do Vasco: o facto de este poder presidencial não ter sido usado desde 1982 não quer dizer que não exista. O que não houve foram circunstâncias que o tornassem usável. Mas já acho muito difícil acreditar que essa é a única razão que faz com que não tenha sido usado. O Presidente tem sempre de justificar os seus actos perante os eleitores e os outros agentes políticos. Há centenas, milhares de pessoas, dispostas a escalpelizar a palavra do Presidente, as suas razões, e os seus argumentos. A capacidade de impôr uma boa narrativa pode aumentar a sua legitimidade política, e a incapacidade de o fazer pode miná-la. Isso pode valer uma reeleição ou, se estiver no segundo mandato, o sucesso eleitoral dos partidos da sua área política ou, simplesmente, um "bom lugar na história". Se isto não fosse assim, nenhum agente político usaria a palavra para persuadir seja quem for. Tudo se limitaria a decisões, os seus efeitos nos diversos interesses, e o resultado agregado de tudo isso no apoio eleitoral.

Daí que a resposta possa ser a mais simples de todas: legitimar política e publicamente a decisão de demitir o governo quando se tem de explicitamente invocar "o regular funcionamento das instituições democráticas" é mais difícil do que quando não se tem de o fazer. Ignorar o poder das palavras até pode parecer, de repente, uma abordagem mais "realista" da política. Mas, provavelmente, não é. Ora aqui vai uma citaçãozinha para terminar em beleza (mas o assunto é sério):

"[Discursive institutionalism] provides insight into an area of political action that political scientists have long neglected, largely because they could not account for it within the limits of their own methodological approaches. The result is that they have ignored some of the biggest questions in politics, the questions that political philosophers through the ages have puzzled over, such as the role of ideas in constituting political action, the power of persuasion in political debate, the centrality of deliberation for democratic legitimation, the construction and reconstruction of political interests and values, and the dynamics of change in history and culture. (...) To policy makers and politicians in particular, the very notion that one would need to make a plea for taking ideas and discourse seriously would appear ludicrous, because the very essence of what they do is to generate ideas about what should be done and then communicate them to the general public for discussion and deliberation."

Mas tenho, como disse, poucas certezas sobre isto.

by Pedro Magalhães

A responsabilidade do governo perante o Presidente (3)

Posted July 20th, 2010 at 1:25 pm4 Comments

Julgo que o escrevi até agora sobre o tema tem algumas hipóteses de ser relativamente consensual, porque predominantemente factual. O que se segue será, certamente, menos. Cada um terá as suas ideias sobre o que constitui um funcionamento desejável das instituições políticas. E algumas das alegadas consequências de diferentes arranjos institucionais não se encontram provadas para além de qualquer dúvida. Mas o que acho é o que se segue:

1. Um dos principais problemas em conceder ao Presidente a capacidade de demitir livremente um governo é o de criar confusão sobre a atribuição do poder executivo. Se um Presidente demite um governo e promove uma solução alternativa - empossando um novo PM e um novo governo que sabem que poderão ser demitidos a qualquer momento - instala-se a pergunta óbvia. Quem manda? O novo PM ou, na verdade, o PR? E se entrarem em conflito, como se resolve? Nova demissão e novo PM? E quando é que isto acaba? Na dissolução, o end game é simples: os eleitores falam. Na demissão, o que se gera é ambiguidade sobre quem governa e um potencial de conflito que, como sugerem muitos exemplos, acaba muitas vezes em crises constitucionais, onde governos e presidentes recusam reconhecer a legitimidade de uns e outros.

2. Poder-se-ia dizer que, quando existe uma relação de responsabilidade política do PM em relação ao PR, a possibilidade de conflito será baixa. Mas os exemplos mostram, mais uma vez, que não é assim. Nos sistemas president-parliamentary, a enorme importância e poder do presidente, concedidos por este poder de demissão do governo, tornam o cargo especialmente apetecível para...um Primeiro Ministro em funções. Em países como a Ucrânia ou a Arménia, o cargo de PM foi muitas vezes  ser visto como um mero passo em direcção àquele onde poderá estar o verdadeiro poder de governar, a Presidência. O resultado? Mesmo entre Presidentes e PM's da mesma família política, a instalação de um conflito foi apenas uma questão de tempo. Oleh Protsyk explica isso muito bem numa série de artigos sobre o semipresidencialismo na Europa de Leste. Ver este, por exemplo.

3. Mesmo que não haja conflitos constitucionais graves, a confusão sobre onde está localizado o poder executivo é perniciosa do ponto de vista da responsabilização eleitoral. O nosso sistema já tem perversidades suficientes deste ponto de vista, permitindo a governos que - subtilmente ou não - coloquem as culpas dos seus fracassos na actuação dos presidentes. Mais ambiguidades sobre "quem manda" só pioram a situação. Quem governa mesmo? Quem deve ser punido ou recompensado pelo quê? Em situações de conflito, quem é o líder da oposição: o líder do maior partido da oposição parlamentar ou o Presidente? Estas confusões são más para a qualidade da responsabilização política, pelas oportunidades de blame-shifting que abrem.

 4. Um ponto adicional, relacionado com o anterior mas mais subtil - não é meu, deve ser por isso - que Joaquim Aguiar explicou muito bem neste livro. Um Presidente que pode demitir um governo tem, no sentido que temos vindo a analisar, mais poder. Mas noutro sentido tem menos. A citação é longa mas acho que vale a pena:

"Ao fazer desaparecer o poder constitucional que atribuía ao Presidente a obrigação (um poder-dever) de avaliar a sua confiança em relação ao primeiro-ministro, a revisão constitucional de 1982 libertou o Presidente da República para exercer sem restrições a sua função superior de regulador em última instância do poder político. Continuando a ser eleito por sufrágio directo, o que lhe assegura uma legitimidade própria, continuando a ter o poder de dissolução do Parlamento, o que lhe assegura a capacidade para determinar a periodização da agenda política, o Presidente da República ficou com a possibilidade de estabelecer uma diarquia estratégica efectiva, passou a dispor de um poder realmente separado, deixou de estar comprometido pelo apoio ao primeiro-ministro - e é isso que lhe oferece a potência superior da regulação em última instância. (...) O Presidente da República pode exercer esse poder de regulação ou não, mas qualquer que seja a sua escolha, essa é uma opção livre, não está condicionada pelo constrangimento da anterior relação de confiança que tinha de estabelecer com o primeiro-ministro. Por sua vez, o primeiro-ministro deixou de poder invocar, em sua defesa, a confiança do Presidente da República, o que lhe permitia apropriar a legitimidade presidencial para justificar as suas opções no exercício do poder executivo" (p. 170).

Dito de outra forma, um Presidente que pode efectivar a responsabilização política do governo transforma-se num líder de facção: da facção dos partidos da oposição ou da facção do partido do governo. Um líder de facção não tem legitimidade para regular seja o que for. É um actor político como os outros. Isto parte do princípio que, se queremos um presidente eleito em Belém, preferimos que esse presidente seja um "regulador". Eu prefiro, mas admito que haja outras preferências.

5. Finalmente, em sistemas onde o PR pode demitir o PM, os segundos não são escolhidos da mesma forma do que nos sistemas onde isso é impossível. Quando ao PR cabe apenas escolher o PM mas não o pode demitir, cabendo esse poder exclusivamente ao parlamento, é natural que a escolha reflicta mais as preferências do parlamento eleito. Quando pode nomear e demitir, o PR tem mais condições para se afastar das preferências do parlamento. Discutido, explicado e provado aqui.

Imagino que haja outros argumentos contra a ideia proposta pelo PSD, mas estes são os que mais me interessam. Imagino também que haja argumentos contra os meus, e gostava de os conhecer. O que certamente não serve é a argumentação de Pedro Passos Coelho ou Paulo Teixeira Pinto. Inicialmente, veio a ideia de que, se se pode dissolver livremente a Assembleia, então o "equilíbrio" exige que se possa também demitir livremente o governo (ver aqui e aqui), como se estivéssemos a falar de engenharia hidráulica. Espero que tenha ficado óbvio que os dois poderes não são equivalentes, e que não há razão nenhuma para que estejam "equilibrados". E agora, para maior espanto, transparece numa notícia do jornal i que a ideia é "a Assembleia só pode ser dissolvida se estiver 'em causa o regular funcionamento das instituições'. Eu espero que isto não seja verdade. Primeiro, lá se vai a metáfora do equilíbrio. Segundo, limita-se o "bom" poder presidencial (aquele em que ele está politicamente constrangido pelas preferências dos eleitores) e amplia-se o "mau" (aquele em que não está). Que grande confusão. E tão desnecessário, tudo isto.

by Pedro Magalhães

Interlúdio

Posted July 20th, 2010 at 11:06 am4 Comments

Um interlúdio nesta discussão sobre a responsabilidade do governo perante o Presidente para saudar uma das ideias contidas no projecto de revisão constitucional do PSD. Segundo o jornal i, o projecto prevê que deixe de haver um número mínimo de votantes para que um referendo seja vinculativo, o que, suponho, significará a eliminação do nº 11 do artigo 115º.

A confirmar-se, é uma óptima proposta. Acolhe as recomendações da Comissão de Veneza a este respeito e os resultados da investigação internacional sobre o tema, para a qual - não vale a pena ser demasiado modesto - a academia portuguesa deu contribuição não irrelevante (aqui, aqui e aqui). Ao contrário do que sucede com outras ideias no projecto do PSD, não há razão para que esta não consiga suscitar algum consenso. No caso dos poderes do Presidente, é fácil atribuir ao PSD - justamente ou não - motivações muito "egoístas", ditadas pelo facto de o actual Presidente ser da sua área política. Mas neste caso, todos os referendos realizados falharam o quórum de participação, e em todos eles o PSD estava do lado do statu quo. Chapeau!

by Pedro Magalhães