Pedro Magalhães

Margens de Erro

Aximage, 7 Jun., N=600, Tel.

Posted June 14th, 2010 at 10:45 am4 Comments

Intenções de voto (entre parêntesis, resultado após redistribuição proporcional de indecisos):
PSD: 31,6% (33,9%)
PS: 30,5% (32,8%)
CDU: 9,9% (10,6%)
BE: 9,7% (10,4%)
CDS-PP: 7,4% (7,9%)
OBN: 4% (4,3%)
Indecisos: 6,9%

Notícia aqui. Outros resultados:

1. Passos Coelho recebe mais preferências para governar do que José Sócrates;
2. Decisão de PR sobre "casamentos gay"divide eleitorado em duas partes iguais;
3. Cavaco Silva tem mais de 50% de intenções de voto numa primeira volta.

by Pedro Magalhães

Eurosondagem, 8 Jun., N=1025, Tel.

Posted June 14th, 2010 at 10:32 am4 Comments

Intenções de voto após redistribuição de indecisos:
PSD: 34,9%
PS: 34,8%
CDS-PP: 10,1%
BE: 7,7%
CDU: 7,5%

Notícia aqui. Outros dados da sondagem:

1. Paulo Portas é o líder partidário em maior queda de popularidade;
2. Cavaco Silva cresce em popularidade e 67% acham que vai ser o próximo PR;
3. Avaliação da actuação concreta do PR da questão dos "casamentos gay" é maioritariamente positiva;
4. Mais de metade defendem fim da legislatura antes de 2013.

by Pedro Magalhães

Posted June 5th, 2010 at 8:11 pm4 Comments

Num artigo do Público de Maio passado, são recolhidos depoimentos de alguns historiadores sobre a forma como a História de Portugal coordenada por Rui Ramos analisa o Estado Novo. Entre elogios e críticas, predominam contudo as segundas. Há muitos que apontam uma excessiva desvalorização da repressão. Há quem critique a desvalorização das componentes "fascistas" e "revolucionárias" do regime. Há quem critique uma excessiva diabolização da República. Há quem considere que a relação do regime com a Igreja não está correctamente tratada. Há quem ache que a guerra colonial devia ter um tratamento mais aprofundado. Há quem discorde do tratamento dos poderes do Chefe de Estado, do tratamento das fontes, etc, etc.

E é verdade: há uma pessoa que causa Rui Ramos de "falta de seriedade intelectual", o que realmente parece conversa pouco séria. Mas para um extraterrestre chegado hoje de Marte, que é mais ou menos o que eu sou em relação à história da I República e (ligeiramente menos) do Estado Novo, a leitura do livro, do artigo em causa e da crónica de hoje de Vasco Pulido Valente enchem-me de perplexidade. O livro parece-me muito bom, seja do ponto de vista analítico seja como texto "literário", mas é naturalmente criticável, como tudo na vida. As críticas recolhidas no artigo parecem-me, na minha profunda ignorância, ir na direcção certa, especialmente as de Manuel de Lucena.


não me parece que nada do que está acima justifique queixas sobre a forma como em Portugal não se tolera a divergência de opiniões e a "originalidade", ao contrário do que pelos vistos sucede na bela Albion ou até em Espanha, nem vejo que semelhantes críticas a Rui Ramos denunciem "sujeição à hierarquia" e "vassalagem" ao pensamento dominante. E muito menos se percebe a artilharia pesada de Vasco Pulido Valente, acusando os críticos de não serem "especialistas da I República" ou nem sequer historiadores.

Rui Ramos, meu colega no ICS, é um admirável

by Pedro Magalhães

Posted May 31st, 2010 at 10:26 pm4 Comments

aqui

by Pedro Magalhães

Hayek era mas é um grande comuna

Posted May 28th, 2010 at 3:40 pm4 Comments

Li há bocado um post onde se falava da predilecção de Pedro Passos Coelho por Friedrich August von Hayek e ocorreu-me partilhar isto convosco:

"We find it unquestionable that in an advanced society government ought to use its power of raising funds by taxation to provide a number of services which for various reasons cannot be provided, or cannot be provided adequately, by the market."

"(...) protection against violence, epidemics, or such natural forces as floods and avalanches, but also many of the amenities which make life in modern cities tolerable, most roads ... the provision of standards of measure, and of many kinds of information ranging from land registers, maps and statistics to the certification of the quality of some goods or services offered in the market."

"The assurance of a certain minimum income for everyone, or a sort of floor below which nobody need fall even when he is unable to provide for himself, appears not only to be a wholly legitimate protection against a risk common to all, but a necessary part of the Great Society in which the individual no longer has specific claims on the members of the particular small group into which he was born."

"On the other hand, it is merely common sense that government, as the biggest spender and investor whose activities cannot be guided wholly by profitability, and which for finance is in a great measure independent of the state of the capital market, should so far as practicable distribute its expenditure over time in such a manner that it will step in when private investment flags, and thereby employ resources for public investment at the least cost and and with the greatest benefit to society."

"Building regulations, pure food laws, the certification of certain professions, the restrictions on the sale of certain dangerous goods (such as arms, explosives, poisons and drugs), as well as some safety and health regulations for the process of production and the provision of such public institutions as theaters, sports grounds, etc., certainly assists intelligent choice and sometimes be indispensable for it."

"(...) there is some reason to believe that with the increase in general wealth and of the density of population, the share of all needs that can be satisfied only by collective action will continue to grow(...)"

"Such a program as has been described [Social Security] would involve some coercion, but only coercion intended to forestall greater coercion of the individual in the interests of others; and the argument for it rests as much on the desire of individuals to protect themselves against the consequences of the extreme misery of their fellows as on any wish to force individuals to provide more effectively for their own needs."

"(...) the situation is different where the aim is the provision of amenities of or opportunities for recreation, or the preservation of natural beauty or of historical sites or places of scientific interest, etc."

"In other words, it is the character rather than the volume of government activity that is important. A functioning market economy presupposes certain activities on the part of the state."

"Of course, in some respects, the state uses coercion to make us perform particular actions. The most important of these are taxation and the various compulsory services, especially in the armed forces. Though these are not supposed to be avoidable, they are at least predictable and are enforced irrespective of how the individual would otherwise employ his energies; this deprives them largely of the evil nature of coercion. If the known necessity of paying a certain amount in taxes becomes the basis of all my plans, if a period of military service is a foreseeable part of my career, then I can follow a general plan of life of my own making and am as independent of the will of another person as men have learned to be in society. "


I rest my case. Bom fim-de-semana e boas leituras.

P.S.- Muito útil este artiguinho.

by Pedro Magalhães

Marktest, 18-20 Maio, N=804, Tel.

Posted May 28th, 2010 at 9:25 am4 Comments

Intenções de voto após redistribuição de indecisos:
PSD: 43,9%
PS: 27,6%
BE: 7,7%
CDS-PP: 7,5%
CDU: 7,1%

Notícia aqui.

by Pedro Magalhães

Prémio da Associação Portuguesa de Ciência Política

Posted May 27th, 2010 at 10:12 am4 Comments

Vai ser entregue hoje, pelas 18h, na Sala Biblioteca Eduardo Coelho da UCP, o Prémio da Associação Portuguesa de Ciência Política para a melhor tese de doutoramento defendida nos últimos dois anos. O prémio foi para Tiago Fernandes, com um trabalho intitulado Patterns of Associational Life in Western Europe, 1800-2000: A Comparative and Historical Interpretation. A tese está disponível online aqui. Fiz parte do júri e fiquei muito positivamente impressionado com a qualidade dos trabalhos seleccionados para a short-list final, em áreas tão distintas como as relações internacionais, a teoria política e a economia política (também gostei muito, por exemplo, de trabalhos da Alexandra Magnólia Dias - o trabalho de campo foi incrível - e do blogosférico André Azevedo Alves). Mas a tese vencedora era a mais forte do conjunto, especialmente do ponto de vista teórico e metodológico: não é nada comum encontrar um trabalho que combine tão bem dados quantitativos, as teorias da política comparada e uma abordagem historiográfica aos problemas. O Tiago não é nenhum novato nestas andanças, mas acho que ainda vamos ouvir falar muito dele e deste livro.

by Pedro Magalhães

Austeridade e popularidade

Posted May 26th, 2010 at 9:36 am4 Comments

Num artigo de ontem do FT, retomado hoje no Público, defende-se a ideia de que as medidas de austeridade aprovadas por alguns governos europeus não terão afectado a sua popularidade. Num certo sentido, a afirmação é insusceptível de ser confirmada ou infirmada. O "pacote de austeridade" italiano foi aprovado anteontem. O português, por exemplo, foi aprovado no dia 21. Hoje é dia 26. O Público cita os resultados de uma sondagem cujo trabalho de campo terminou no dia 18. Enough said.

Dito isto, olhemos para as sondagens dos últimos meses de agitação financeira e ameaças de bancarrota. Na Irlanda, o Fianna Fáil, partido de governo, tem hoje 23% de intenções de voto, o valor mais baixo desde Maio de 2009. De Janeiro até Abril, desceu 4 pontos percentuais, de 27 para 23%. Na Grécia, a popularidade do Primeiro Ministro desceu 15 pontos de Abril para Maio e as intenções de voto no PASOK desceram 4 pontos entre Março e Maio. Na Itália, a popularidade de Berlusconi atingiu o ponto mais baixo nos últimos dois anos. E em Portugal, como sabemos, das últimas três sondagens divulgadas, duas colocam, pela primeira vez em anos, o PSD à frente do PS nas intenções de voto.

Não sei bem do que falam o FT e o Público quando dizem que as medidas de austeridade não afectaram a popularidade dos governos, mas de sondagens não é certamente.

P.S.- De um comentário no Facebook: ""Em Espanha, o PSOE perdeu cerca de 8 pointos em seis meses (dos 42% para os 34%) mas o PP nao ganhou nada (continua nos 40%). Os beneficiados sao os pequenos partidos (IU e UPyD) e a abstencao. Veremos se o mesmo acontece em Portugal!"

by Pedro Magalhães

Eurosondagem, 13-18 Maio, N=1024, Tel.

Posted May 21st, 2010 at 10:31 pm4 Comments

Intenções de voto depois de redistribuição de indecisos (valores antes de redistribuição entre parêntesis):
PS: 36,2% (29,3%)
PSD: 33% (26,8%)
CDS-PP: 11,3% (9,2%)
CDU: 7,7% (6,2%)
BE: 7,1% (5,8%)

Notícia aqui.

by Pedro Magalhães

Primárias nos US of A.

Posted May 18th, 2010 at 2:51 pm4 Comments

As primárias americanas ajudam a recordar-nos que os Estados Unidos e a Europa, estando indubitavelmente localizados no mesmo corpo celeste, são no entando separados por uma massa de água bastante larga e profunda:


by Pedro Magalhães