Pedro Magalhães

Margens de Erro

Quem adivinha o que é isto?

Posted March 10th, 2010 at 11:04 am4 Comments

by Pedro Magalhães

Ler

Posted March 8th, 2010 at 12:16 pm4 Comments

Fazer uma pesquisa das publicações em revistas académicas internacionais escritas em Portugal é uma coisa que dá boa disposição logo pela manhã. Não estou a ser irónico. No ISI Web of Knowledge, só a contar com as publicações em ciências sociais e humanidades, há já 124 artigos em inglês publicados nos primeiros meses de 2010 por investigadores a trabalhar em Portugal. Seguem-se alguns destaques. Podem não ser as melhores - é-me impossível dizer - mas são as que mais interesse me despertaram.

1. "Attitudes toward assisted death amongst Portuguese oncologists", de Ferraz Gonçalves, na Supportive Care in Cancer.

2. "Firm-level social returns to education", de Pedro S. Martins e Jim Y. Jin, no Journal of Population and Economics.

3. "What do we really know about fiscal sustainability in the EU? A panel data diagnostic", de António Afonso e Christophe Rault, na Review of World Economics.

4. "The Socioeconomic determinants of economic inequality: Evidence from Portugal", de Santiago Budria, na Revista Internacional de Sociologia (uma revista espanhola que publica em inglês).

5. "Social mobility in Portugal (1860-1960): operative issues and trends", de Helder Adegar Fonseca e Paulo Eduardo Guimarães, na Continuity and Change.

6. "Genetics and criminal behaviour: recent accomplishments", de Arlindo Lagoa e outros, na Medecine Science and the Law.

7. "Violence in Juvenile Dating Relationships Self-Reported Prevalence and Attitudes in a Portuguese Sample", de Carla Machado e outros, no Journal of Family Violence.

Para além disto, mais perto de casa:

- não é de 2010, mas é recente, um artigo de Hajo Boomgaarden e André Freire: "Religion and Euroscepticism: Direct, Indirect, or No Effects?", na West European Politics.

- Michael Lewis-Beck e Marina Costa Lobo: "Anchoring the Portuguese Voter: Panel Dynamics in a New Electorate", na Political Research Quarterly.

Finalmente, shameless plugs. Deverá sair este ano um artigo com a Marina sobre eurocepticismo em Portugal (no discurso partidário e no comportamento eleitoral) na South European Society and Politics e um artigo com o LA-C sobre quorums e referendos no European Journal of Political Economy.

by Pedro Magalhães

Intercampus, 23-27 Fev., N=1015, Tel.

Posted March 5th, 2010 at 10:59 am4 Comments

Muita informação actual e interessante na sondagem do Público de hoje.

Intenções de voto (antes e após redistribuição de indecisos):
PS: 28,5 (40,36)
PSD: 24,2 (34,35)
BE: 7,1 (10,05)
CDS-PP: 5,5 (7,82)
CDU: 4,4 (6,28)
Outros: 0,8

Agora para um meu pet peeve: só para terem uma ideia, aquele 0,06% que faz a diferença entre 40,3% e 40,36% para o PS representa 0,4 inquiridos.

Outros resultados:

1. 59,8% acham que Sócrates mentiu deliberadamente quando disse na AR que não sabia da vontade da PT querer comprar a TVI. Curioso que não há um único NS/NR nesta pergunta (40,2% acham que o PM não mentiu), ou será que foram excluídos do total? E se foram, quantos serão? Não é irrelevante.

2. Entre os que disseram achar que o PM mentiu, 74% acham que a mentira não tem justificação.

3. 54% acham que o PM tem condições para continuar a governar. Também não há NS/NR nesta pergunta. O que está acima aplica-se.

4. 74,56% (ou, quem sabe, 74, 5643452837%) acham que Cavaco Silva será o próximo PR e 59,06% gostavam que assim fosse.

5. 50,5% acham que PR deveria ter mais poderes.

6. 30,4% gostariam que António Costa sucedesse a Sócrates caso este abandonasse a liderança do PS e 16,6% que fosse Jaime Gama (como lisboeta, também tenho uma opinião sólida sobre este assunto).

7. Se houvesse demissão do governo, 64,8% queriam eleições.

8. 57,9% querem que o governo faça acordos à esquerda e à direita.

9. 28% queriam MRS, 26% queriam PPC, 20% queriam PR e 7% JPAB para o PSD. Em parte, é uma pena a pergunta incluir MRS e não haver resultados por simpatia partidária, nomeadamente entre os simpatizantes do PSD.

by Pedro Magalhães

Sobre a última e sobre as próximas sondagens

Posted March 4th, 2010 at 6:35 pm4 Comments

A sondagem da Marktest que for conduzida em Abril vai ser interessante. De momento, o PSD tem 30,9% das intenções de voto, e tem vindo a subir. Mas tem vindo a subir mesmo quando MFL é avaliada negativamente pela maioria dos eleitores e, curiosamente, pelos próprios que agora afirmam tencionar votar no PSD: entre eles, apenas 29% fazem uma avaliação positiva da MFL, contra 53% que fazem uma avaliação negativa.

Um novo líder do PSD, independentemente de quem seja, pode provavelmente contar com menor hostilidade inicial ou, pelo menos, alguma indiferença. Em suma, a diferença que isso cause nas intenções de voto no PSD será um bom teste à influência dos líderes nessas intenções.

by Pedro Magalhães

Artigo

Posted March 3rd, 2010 at 2:05 pm4 Comments

Um artigo de Miguel Lebre de Freitas, no Jornal de Negócios, via Economia Política. O Economia Política fala, a propósito disto, do Europa 2020. A mim, a crónica de Lebre de Freitas lembrou-me de um artigo muito recente de James Buchanan, intitulado Economists have no clothes:

Unfortunately, economists, generally, failed to understand that aggregate variables that may be measured with tolerable accuracy ex post may not be variables subject to control, directly or even indirectly. The fundamental misconception here lies in the understanding of what ‘the economy’ is. The ‘economic problem’ is not (despite Lionel Robbins) an engineering problem that may be defined simply as the allocation of scarce resources among alternative uses. The economy, in some inclusive definitional sense, is perhaps best described as an order that consists of an interlinked set of exchanges, simple and complex, from which outcomes emerge that may in some respects be meaningfully measured but that cannot be chosen, and thereby controlled, by concentrated decision takers.

by Pedro Magalhães

Marktest, 16-21 Fev, N=804, Tel.

Posted March 3rd, 2010 at 11:37 am4 Comments

Com algum atraso, retomo os resultados da última sondagem Marktest. Resultados mais assinaláveis:

1. Intenção de voto no PS cai de 40,5 para 36,7% de Janeiro para Fevereiro.
2. PSD prolonga tendência de subida que já vem desde as eleições.
3. CDS prolonga tendência de descida desde a mesma altura.
4. Saldo de opiniões positivas-negativas sobre o PM passa de -6,4 para -27,5.
5. Saldo de opiniões positivas-negativas sobre MFL mantêm-se em torno dos -50.
6. 74% daqueles que dizem tencionar votar no PS têm imagem positiva do PM; 80% daqueles que dizem tencionar votar no PSD têm imagem negativa.

by Pedro Magalhães

PORDATA

Posted February 23rd, 2010 at 12:05 pm4 Comments

Sou algo suspeito, porque faço parte do Conselho Científico da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Mas dificilmente se poderia imaginar uma primeira iniciativa da FFMS mais auspiciosa do que a PORDATA.

Primeiro, porque a PORDATA congrega num único suporte um conjunto de dados estatísticos sobre a sociedade e a economia portuguesas que se encontravam dispersos por muitas fontes oficiais, tornando essa informação mais acessível e transparente. Segundo, porque a própria construção da PORDATA levou, no contacto com essas fontes, à detecção de lacunas e problemas nessa mesma informação. Neste sentido, a PORDATA já contribuiu não apenas para a disseminação de informação mas também para a melhoria da sua qualidade. Terceiro, porque uma das coisas em que se teve maior cuidado na construção desta base foi na análise das mudanças de critérios na medição das variáveis, permitindo a quem analisa os dados perceber em que casos as evoluções ao longo do tempo reflectem alterações reais ou, pelo contrário, simples mudanças de critérios. Sabendo como pensam os governos e como este tipo de dados se presta à manipulação, isto não é coisa de somenos. E quarto, porque estes dados são disponibilizados pela PORDATA de uma maneira mais amigável, manejável e atraente do que em qualquer fonte oficial portuguesa que conheça. É evidente que o seu uso ainda exige um conjunto de competências mínimas. Mas o facto de o suporte de tratamento de informação ter sido criado de raiz permite que seja mais friendly que os sites e suportes das fontes oficiais, facilitando o seu uso não apenas por especialistas mas também por jornalistas, estudantes e público interessado em geral.

E há um último ponto, para mim não menos relevante. Por várias razões que não vale a pena tratar aqui, acho que o advento da blogosfera e das redes sociais como fontes de informação e locais de debate tem causado duas tendências contraditórias. A primeira, muito positiva, é de fornecer um constante recurso de fact-checking no debate público. Políticos e jornalistas sabem que, se não fizerem cuidadosamente o seu trabalho, há sempre alguém algures que sabe algo que os primeiros julgavam que ninguém sabia e os segundos não se deram ao trabalho de apurar e estudar devidamente. Mas a segunda, mais perturbante, tem sido a de mergulhar o debate público num mar de opiniões. Hoje, é fácil encontrar todo o tipo de opiniões sobre todos os temas, expressas não apenas pelos cidadãos em geral e pelos políticos, mas também por aqueles - especialistas, responsáveis da administração pública e jornalistas - dos quais esperaríamos mais juízos de facto e menos juízos de valor. Em suma, há uma tendência crescente para tratar os factos como se fossem meras opiniões e as meras opiniões como factos. Assim, acho muito positivo que a primeira iniciativa pública da FFMS não seja a de nos atirar mais opiniões para cima, mas sim a de nos facultar, simplesmente, informação.

Muitos parabéns a Maria João Valente Rosa, responsável pelo projecto.

by Pedro Magalhães

Aximage, 10-13 Fev., N=600, Tel.

Posted February 22nd, 2010 at 1:20 pm4 Comments

Três aspectos desta sondagem:

1. Intenção de voto, indicando subida do PSD e descida do PS. Importa dizer, contudo, que as diferenças entre sondagens, tendo em conta as dimensões das amostras, não são estatisticamente significativas.

2. Opiniões sobre PM e "Face Oculta".

3. Preferências sobre melhor líder para o PSD. Entre o eleitorado em geral, PPC 41,9%, PR 37,1% e JPAB 12,2%. Neste caso, a diferença entre PPC e PR é estatisticamente significativa. Depois entre eleitores do PSD: PPC 40,8%, PR 40,7%. Aqui a diferença carece de significância estatística, mas não pelas razões mencionadas no artigo ("Uma diferença que, por se situar dentro da margem de erro da sondagem, revela um empate técnico entre os dois candidatos"). Primeiro, a sub-amostra dos eleitores do PSD é muito menos que a amostra do eleitorado, pelo que a "margem de erro da sondagem" seria sempre mau indicador. Segundo, porque a significância estatística da diferença entre duas proporções não se estima através da margem de erro da sondagem (ver aqui).

by Pedro Magalhães

Política comparada

Posted February 15th, 2010 at 12:52 pm4 Comments

Aqui há uns anos, o Primeiro Ministro da Hungria, Ferenc Gyurcsány, foi apanhado numa gravação a admitir a outros membros do partido que "temos andando a mentir nos últimos dois anos". Seguiram-se motins. Gyurcsány, contudo, aguentou mais três anos no poder, até Março de 2009. Agora vêm eleições. O partido de Gyurcsány, o MSZP, tinha conseguido mais de 40% dos votos nas eleições anteriores, em 2006. Agora, a um mês das eleições, as sondagens dão-lhes 22%. E tendo em conta o sistema eleitoral húngaro, o MSZP arrisca-se a ser praticamente eliminado do parlamento e a dar 2/3 dos assentos ao FIDESZ.

by Pedro Magalhães

Mais um de mil exemplos possíveis dos efeitos da linguagem das perguntas nos resultados de uma sondagem

Posted February 12th, 2010 at 6:33 pm4 Comments


Aqui, via Marginal Revolution.

by Pedro Magalhães