Pedro Magalhães

Margens de Erro

Aximage, 6-11 Jan., N=600, Tel.

Posted January 25th, 2010 at 10:32 am4 Comments

A última sondagem da Aximage de que aqui falámos foi também usada para recolher intenções de voto numas hipotéticas presidenciais. Resultados aqui e aqui.

Recordem-se que, quando se fala das intenções de voto nas presidenciais entre os eleitores que tencionam votar num determinado partido, estas percentagens são calculadas em relação a sub-amostras, nalguns casos de dimensão reduzidíssima. Se a amostra tem 600 eleitores, 60% dizem que não vão votar, e 8% que votariam, por exemplo, na CDU, temos 19 pessoas que votariam na CDU. A margem de erro associada é enorme. Isto é só para que se perceba o que quer dizer "30,6% do eleitorado da CDU votaria Cavaco". Muito pouco.

by Pedro Magalhães

Aximage, 6-11 Jan., N=600, Tel.

Posted January 16th, 2010 at 8:21 am4 Comments

Pode ser lida aqui. Ministro das Finanças é o pior avaliado, Ministra da Educação a melhor avaliada. As voltas que o mundo dá.

by Pedro Magalhães

Eurosondagem, 7-12 Janeiro, N=1010, Tel.

Posted January 16th, 2010 at 7:49 am4 Comments

Pode ser lida aqui. Nas intenções de voto receio sempre o costume ("partido x subiu 0,5%" e coisas do género) mas no texto diz-se, e bem, "sem alterações". 22% dos portugueses acham que Alegre é o melhor candidato de esquerda para as próximas presidenciais, seguido de Gama (22%) e (interessante) Sócrates (15%). Quanto ao resto, é extraordinária a quantidade de coisas complicadíssimas sobre as quais os portugueses alegadamente têm opiniões. Sobre "não-atitudes", o clássico, o über-clássico, e um óptimo capítulo mais recente.

by Pedro Magalhães

Um post populista

Posted January 11th, 2010 at 4:39 pm4 Comments

Um teste para Vexas:

1. É verdade que um grupo de peritos nomeado pelo Ministério das Finanças recomendou ao Governo, em Outubro passado, que agravasse a tributação das mais-valias de investimentos em Bolsa?
VERDADE
MENTIRA

2. O programa de governo do PS, partido de governo, previa "aproximar o regime de tributação das mais-valias mobiliárias ao praticado nos países da OCDE"?
VERDADE
MENTIRA

3. A proposta de Orçamento de Estado de 2010 vai incluir o agravamento de impostos sobre as mais-valias de acções?
VERDADE
MENTIRA

As respostas correctas podem ser encontradas aqui, aqui e aqui. Se respondeu "verdade" às três perguntas, congratulo-o pelo rigor do seu pensamento lógico. Se respondeu "verdade" às duas primeiras e "mentira" à segunda, congratulo-o pelo seu profundo conhecimento da (ir)realidade política portuguesa.

by Pedro Magalhães

A iniciativa popular do referendo

Posted January 6th, 2010 at 3:51 pm4 Comments

Num depoimento ao Diário de Notícias, Vitalino Canas assinala que "só uma minoria dos países permite aos cidadãos convocar directamente um referendo". Tem, obviamente, toda a razão. Por um lado, segundo a Freedom House, em 2008, só 90 dos 193 países independentes eram democracias eleitorais livres, pelo que, à partida, há uma maioria de países onde a questão nem se coloca. Por outro lado, no sentido mais estrito da frase, a possibilidade de os cidadãos convocarem directamente um referendo é minoritária mesmo entre as democracias. De resto, é o mais minoritária possível: não existe em sítio algum. Mesmo nos países onde um determinado número de cidadãos pode solicitar a realização de um referendo sobre uma decisão tomada ou a tomar por uma autoridade política ou forçar um voto nacional sobre uma medida proposta por esse grupo de cidadãos (a distinção tradicional entre "referendo" e "iniciativa"), a convocação da votação propriamente passa sempre por um crivo de qualquer espécie. É frequente, por exemplo, tribunais superiores verificarem requisitos legais formais, a formulação da pergunta ou limitações de conteúdo. Compreensivelmente, não faz sentido que um referendo ou uma iniciativa produzam resultados contrários à constituição de um país ou ao direito internacional, e há matérias que não podem (nem devem) ser sujeitas a referendo. Cabe a autoridades judiciais ou políticas fazer esse tipo de verificações.

Dito isto, a verdade é que os países democráticos onde se prevê que os cidadãos possam suscitar referendos e/ou iniciativas não são tão poucos como isso. Só na Europa há quinze. E desses quinze, há oito em que existe sempre uma de várias formas possíveis de, satisfeito o número mínimo de assinaturas e os requisitos legais básicos, um grupo de cidadãos ver realizada uma votação sobre uma decisão política do parlamento ou sobre uma proposta (ou contra-proposta) desse grupo de cidadãos. Portugal, pelo contário, é daqueles onde as modalidades de iniciativa popular são mais limitadas e onde a proposta de um referendo se encontra sujeita a um crivo político mais apertado.

A democracia directa tem coisas boas e más. É um modo de decisão particularmente delicado quando estão em jogo direitos de minorias, se bem que os resultados dos estudos existentes sejam menos conclusivos a esse respeito do que possa pensar (ver, por um lado, isto e isto, e por outro, isto e isto) e os direitos das minorias, sendo cruciais, não são tudo numa democracia. Mas independentemente disso, ou do que possa achar do tema em concreto que agora se discute em Portugal*, há uma coisa inescapável: no nosso país, o direito de iniciativa popular do referendo encontra-se de tal modo condicionado que se aproxima de uma ficção. Nestas circunstâncias, acho que era quase preferível que não estivesse consagrado. Pelo menos evitava-se que os agentes políticos se viessem vangloriar, algo excessivamente, com a noção de que a nova lei do referendo "veio escancarar portas que até aqui estavam fechadas", introduzir "os cidadãos no circuito, porque passam a poder tomar a iniciativa de referendo" e fazer com que passem a ser "verdadeiros e próprios protagonistas."** Não veio.

*Já agora, para o que interesse, a minha opinião sobre o assunto do casamento entre pessoas do mesmo sexo explica-se rapidamente: acho que esses casais devem ter direitos exactamente iguais aos de casais heterossexuais, é-me relativamente indiferente que se chame a esse contrato e sistema de direitos e deveres "casamento" ou outra coisa qualquer (mas admito que não seja indiferente para muita gente) e ainda não travei conhecimento com um argumento substantivo racionalmente aceitável que me justifique a exclusão da adopção no âmbito desse contrato. Mas esta opinião nada tem a ver com o que está acima.

**Vitalino Canas, em artigo de opinião no DN, 7/3/1998.

by Pedro Magalhães

A "classe média" e as "mulheres a dias"

Posted December 28th, 2009 at 1:02 pm4 Comments

Anda para aí uma controvérsia sobre a "classe média": o que significa, quem a compõe e que padrões de rendimento e de consumo a caracterizam. As minhas aulas de "Sociologia das Classes Sociais e da Estratificação" na licenciatura em Sociologia no ISCTE são já uma memória algo distante e receio que o tema não me tenha ocupado nos últimos anos. Imagino também que as definições económicas de "classe média" não coincidam necessariamente com as definições sociológicas, e talvez por aí se explique parte (mas na verdade só uma pequena parte) da controvérsia. Se bem entendo, os economistas tendem a favorecer definições de classe média na base dos rendimentos dos indivíduos e dos agregados familiares a que pertencem. Já os sociólogos tendem a olhar para uma combinação de características, incluindo a profissão, a situação na profissão, as qualificações académicas, a posição na hierarquia profissional, a propriedade dos "meios de produção" e outras.

Mais concretamente, os economistas usam, parece-me, dois tipos de abordagem. A primeira consiste em olhar para a distribuição de rendimentos num determinado país e dizer que a "classe média" desse país é composta pelos indivíduos ou famílias cujos rendimentos se situam algures no meio dessa distribuição: o terceiro quintil (20% da população); os segundo, terceiro ou quarto quintis (60% da população); ou um intervalo qualquer em torno da mediana. Já dá para perceber que a simplicidade e aparente exactidão da abordagem coexiste com um grau considerável de arbitrariedade na definição das fronteiras entre a "classe média" e as outras classes (os 20% do meio, os 60% do meio, ou outra proporção qualquer? E porquê?). A segunda abordagem, seguida aqui, por exemplo, consiste em dizer que a classe média é composta por aqueles que estão ao mesmo tempo acima do limiar da pobreza mas que não podem mantêr-se acima desse limiar sem trabalhar (ao contrário dos "ricos", que poderiam viver de juros, rendimentos e lucros). Pelas contas de Einsenhauer, nos Estados Unidos, a "classe média" é composta por nada mais nada menos que 82% da população. Aqui haverá porventura menos arbitrariedade na estipulação do que significa "classe média", mas uma "classe social" a que pertencem 4 em cada 5 indivíduos certamente não terá, a não ser num muito alto grau de abstracção e generalidade, padrões de consumo homogéneos, para já não falar nas coisas que costumam interessar aos sociólogos (atitudes, comportamentos, identidades, valores, crenças, etc).

Os sociólogos olham para isto de outra forma, mas sem que isso signifique que o conceito "classe média" ganhe grande tracção. É certo que, em geral, para os sociólogos, "classes médias" englobam muito genericamente todos aqueles que não pertencem nem à "burguesia" (patrões, empresários, dirigentes de empresas, quadros superiores da administração pública, profissionais liberais de altos rendimentos) nem ao "proletariado" (assalariados de profissões manuais, agrícolas ou industriais). Mas esses membros da - para usar uma terminologia marxiana - "pequena burguesia" ou dos chamados "lugares contraditórios de classe" ocultam uma diversidade enorme de situações e uma proporção enorme da população ou dos agregados familiares de Portugal (nos cálculos de um trabalho recente de Cristina Roldão utilizando o European Social Survey, qualquer coisa entre 34 e 59 por cento da população, dependendo das tipologias utilizadas). Logo, não surpreende que qualquer afirmação genérica sobre a "classe média" seja sempre controversa e, em princípio, quase por definição, errada ou irrelevante. Também não surpreende que, num estudo recente sobre classes sociais na Europa escrito pelos três portugueses que mais têm estudado e escrito sobre o assunto há mais de 30 anos, o termo "classe média" não mereça sequer uma única menção: é demasiado vago, impreciso e denotativo de realidades completamente heterogéneas para dispor de utilidade descritiva ou explicativa.

Dito isto, haverá alguma coisa a dizer sobre a questão em apreço: se a maioria da classe média portuguesa emprega "mulheres a dias", a tempo parcial ou completo? Já perceberam que acho que a pergunta não faz sentido e a resposta também não fará. Mas vamos lá ver uma coisa:

1. Neste post, Paulo Pedroso sugere que um "inquérito às classes médias" mostraria que a resposta a essa questão é afirmativa. Bem, em 2002 o International Social Survey Program realizou um inquérito a amostras nacionais em vários países e estimou em 8,4% a proporção das famílias portuguesas onde a limpeza da casa é feita com a participação de "uma terceira pessoa" que não um membro do agregado familiar (incluindo, note-se, ajuda paga ou não paga, o que sobrestima em muito, como veremos, a percentagem de famílias que contratam serviços de "mulheres a dias") . Mas o mais curioso é que, quando cruzamos rendimento do agregado familiar (por escalões) com o recurso a "terceiras pessoas" para a limpeza, verificamos que a relação é curvilinear: percentagens maiores nos extremos da distribuição de rendimentos (muito maior, claro, nos rendimentos mais elevados). Por outras palavras, quem recorre menos a terceiras pessoas para a limpeza da casa são os indivíduos em agregados familiares com rendimentos...intermédios. Claro que isto não significa que os mais pobres recorram mais a "mulheres a dias" que os escalões intermédios, mas sim que, nos escalões inferiores, estamos certamente a falar em ajuda não paga. Mas lá que é irónico, é. E tudo isto, claro, completamente incompatível com a ideia de que a "maioria" das famílias de "classe média" em Portugal recorrem a este tipo de serviço, a não ser que a definição de classe média seja não só extremamente restritiva mas também diferente de qualquer noção familiar à Sociologia ou à Economia.

2. Os valores baixos - 8,4% para o total, 37% para as famílias de mais altos rendimentos (acima dos 2500 euros, dados de 2002) - podem surpreender. Mas notem: não conheço dados para Portugal, mas em Espanha - na base de inquéritos, não de estatísticas oficiais, mais falíveis nestes domínios onde está envolvido muito trabalho informal - as pessoas empregadas no trabalho doméstico representam 3,9% do total da força de trabalho, segundo um relatório da Organização Mundial do Trabalho preparado para a International Labor Conference do próximo ano. Das duas uma: ou os números para Portugal são muito maiores do que em Espanha, ou volta-se a não vislumbrar qualquer possibilidade de que uma força de trabalho com estes números tão escassos forneça serviços à maior parte de 20, 24, 59, 60 ou 82% dos lares portugueses, seja qual for a definição de "classe média" que utilizemos. Para que a resposta à pergunta inicial seja afirmativa, a definição de "classe média" teria de ser, novamente, extremamente restritiva.

Isto não retira interesse a outras questões genéricas, especialmente às diferenças entre Portugal e outros países. O valor de 8,4% (11,5% para as famílias com mulheres empregadas) é, na base do inquérito do ISSP, comparativamente alto, e é possível que nisto jogue algo do que Fernanda Câncio ou Paulo Pedroso defendem como explicações. Mas o ponto mais importante é prévio: ao contrário do que defende Paulo Pedroso, é nos factos, e não nas explicações, que começa o problema. E sem nos entendermos no explanandum, nem vale a pena perder muito tempo com o explanans.

P.S. - Sobre o assunto, ler um post de Paulo Pedroso, ao qual respondi, e outro de Elísio Estanque. Sem querer negligenciar o resto, o último parágrafo do post de EE interessou-me particularmente: ele explica de onde veio toda esta discussão e é, em si mesmo, todo um projecto de investigação.

by Pedro Magalhães

Novidades Trocas

Posted December 22nd, 2009 at 11:32 am4 Comments

No Trocas de Opinião há algumas novidades:

1. Apresentação em tempo real das ordens de venda mais baixas e de compra mais altas:



2. Organização dos contratos por temas e arquivo dos contratos já fechados:

3. E, claro, alguns novos contratos.

Sobre o modo de negociação dos contratos, bem, os responsáveis ainda não chegaram a acordo sobre se e como alterar. Entretanto, contudo, o mercado não se vem portando nada mal, prevendo correctamentre que Portugal não seria cabeça de série para o Mundial (apesar do 5º lugar no ranking da FIFA), estimando desde cedo que o treinador do Sporting seria um português e nunca contemplando a hipótese de que o BCE subisse as taxas de juro em Dezembro.

by Pedro Magalhães

Intenções de voto

Posted December 16th, 2009 at 5:37 pm4 Comments

PS e PSD:


BE, CDS-PP e CDU:


Na linha vertical, a data das últimas eleições. Nas linhas horizontais, os resultados dos partidos nessas eleições.

by Pedro Magalhães

Tableau de bord

Posted December 16th, 2009 at 4:35 pm4 Comments


by Pedro Magalhães

Eurosondagem, 25 Nov-1 Dez, N=1031, Tel.

Posted December 4th, 2009 at 11:40 am4 Comments

Os resultados estão aqui. A interpretação varia. Aqui PS e PSD "seguram intenções de voto". Já aqui, "PS dilata vantagem sobre PSD". Num caso, a comparação é com a sondagem anterior. Noutro, com os resultados eleitorais.

by Pedro Magalhães