Pedro Magalhães

Margens de Erro

A banda sonora da minha adolescência

Posted November 1st, 2009 at 11:15 pm4 Comments

O primeiro responsável pela banda sonora da minha adolescência morreu ontem. Houve outros, como Ricardo Saló e Aníbal Cabrita (no "Noites de Luar"), mas António Sérgio foi o primeiro que fez com que, na altura, a música que ouvíamos fosse a coisa mais importante das nossas vidas.

Duas canções que, estou quase certo, ouvi pela primeira vez no "Som da Frente". Mais adolescente que a segunda não existe. E contudo, ainda a tenho no i-Pod.



by Pedro Magalhães

Um dia

Posted October 29th, 2009 at 4:36 pm4 Comments

Planet Money é o nome de um blog e de um podcast da National Public Radio dedicado a temas económicos, tratados de forma acessível e divertida mas nunca simplista. Não perco um podcast.

Há duas semanas, um desses podcasts foi dedicado a um funcionário da Exxon em Angola e a Minguito, um rapaz que vive nas ruas de Luanda vendendo pastilha elástica e cigarros. O dia em que um órgão de comunicação social português disser algo de semelhante ao que aqui é dito sobre Angola e o seu governo será um dia feliz para a imprensa portuguesa. Receio que esse dia não esteja para breve.

by Pedro Magalhães

O Trocas

Posted October 28th, 2009 at 6:08 pm4 Comments

Há uma série de novidades na calha para o Trocas, que serão implementadas a pouco e pouco. A principal será a introdução em tempo real das melhores ordens de venda e de compra para cada contrato, para que quem queira negociar se oriente melhor. Mais e melhores gráficos, novas formas de participação e discussão no mercado, etc.

Entretanto há um novo contrato com um novo putativo futuro líder do PSD: Morais Sarmento (e a ver se não teremos de meter outro em breve). Em geral, contudo, o mercado nunca teve certezas sobre o PSD. Foram raras transacções feitas a mais de 50. Mas importa dizer que o título mais valorizado desde o início dos contratos quase nunca deixou de ser Pedro Passos Coelho.

by Pedro Magalhães

Relatório sobre sondagens e inquéritos de opinião

Posted October 28th, 2009 at 1:03 pm4 Comments

Em Julho deste ano, a ERC deliberou constituir uma comissão para efectuar um diagnóstico sobre a situação das sondagens e apresentar sugestões sobre medidas a adoptar. Essa comissão foi formada por José Vidal de Oliveira, da Escola Superior de Comunicação Social; Helena Nicolau, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação; e Fernando Cascais, Director do CENJOR.

Essa comissão produziu um relatório que foi apresentado há dias numa conferência da ERC, apresentação essa que foi coberta pela comunicação social em várias notícias. O próprio relatório irá, ao que sei, ser publicado pela ERC, mas não se encontra ainda disponível na net. Pode ser, contudo, descarregado aqui. Esta é a que julgo ser a versão definitiva, depois de uma versão preliminar ter recebido comentários das empresas e outros interessados. O relatório baseia-se principalmente numa base de dados composta por 38 sondagens realizadas sobre 8 eleições diferentes, das legislativas de 2005 até às europeias de 2009.

Para quem não tiver paciência para ler, o que conclui este relatório? Vou dividir as conclusões em três partes: constatações sobre divulgação/depósito dos resultados das sondagens; constatações sobre as próprias sondagens e seus resultados; e recomendações.

1. Constatações sobre divulgação/depósito das sondagens e seus resultados:
- Nem sempre os universos foram correctamente definidos (faltando a algumas especificar que, em telefónicas, estamos na maioria dos casos a definir universos de residentes em lares com telefones fixos, etc.) - p.12;
- Nem sempre as fichas técnicas explicam como são seleccionados os inquiridos - p.15;
- Nem todos os questionários utilizados são disponibilizados - p.17;
- O conceito de inspecção/supervisão das entrevistas e entrevistadores não é interpretado de maneira uniforme - p. 22;
- Há fichas técnicas omissas sobre se a amostra é ou não objecto de ponderação, por que variáveis e se uma das variáveis é o último voto - p. 22;
- A análise da cobertura jornalística das sondagens revela grande visibilidade dada aos resultados, interpretação editorial colada à informação quantitativa, enquadramento competitivo, erros e excessivas simplificações e tendência para transformação de observações em prognósticos - pp. 40-41;
- Apresentação frequente das sondagens com resultados até às décimas - p.41.


2. Constatações sobre as próprias sondagens e seus resultados:
- Os procedimentos de amostragem adoptados pelas diferentes empresas, se cumpridos, não levantam objecções - p.15;
- Não existe relação entre a dimensão da amostra utilizada e a média dos desvios absolutos entre as intenções de voto estimadas para os principais partidos em sondagens pré-eleitorais e os resultados reais na eleição - p. 16;
- Nem todas as sondagens utilizam questionários onde se coloquem perguntas sobre a intenção de votar - pp.17-19;
- Existe grande disparidade do número máximo de entrevistas por entrevistador/dia nas várias empresas e institutos - p. 21;
- "Nas eleições europeias, a Marktest foi a única empresa que revelou o sentido correcto de voto entre PSD e CDS (...), o que não impediu de ser a que apresentou maior desvio médio em módulo entre o valor estimado e o valor da eleição, a nível de patidos e brancos/nulos" - p. 25;
- Os maiores desvios foram encontrados para as eleições europeias de 2009; os menores para as legislativas de 2005 - p. 27;
- Os desvios foram menores nas projecções para as legislativas de 2005 (8 sondagens), presidenciais de 2006 (6) e intercalares de Lisboa em 2007 (5); nas sondagens realizadas pelo Ipom (1), Universidade Católica (7) e Aximage (5); que utilizaram o procedimento de amostragem de selecção aleatória de freguesias tipo e último aniversariante(7); que recorreram à entrevista pessoal (17) - p. 4 e pp. 24-25.
- Os desvios foram maiores nas projecções para as europeias de 2009 (5 sondagens), feitas pela empresa Pitagórica (1), seguida da Intercampus (7); que utilizaram o procedimento de selecção "homem mais novo" (1); e que recorreram à entrevista telefónica (21) - p.4 e pp. 24-25;
- O PS e o PSD são os partidos para os quais os desvios apresentam maior variabilidade - p. 30;
- Os resultados das projecções para o PSD tenderam a ser subavaliados em todas as projecções para as autárquicas de 2005 em Lisboa e ligeiramente sobreavaliados nas projecções para as legislativas de 2005 - p.30;
- Em 6 das 8 eleições, os resultados as projecções para o PS tenderam a ser sobreavaliados - p. 30;
- Os resultados do CDS foram subavaliados em todas as projecções para as europeias de 2009 - p. 30;
- Os resultados das projecções para a CDU estão sempre muito próximos da realidade para todas as eleições em estudo - p.30;
- Os resultados das projecções para o BE estão sempre muito próximos da realidade para todas as eleições em estudo - p.30.


3. Recomendações:
- É secundária a quantificação exacta dos membros do universo - p.14;
- É desejável que as fichas técnicas indiquem de modo uniforme e mais claro o procedimento de amostragem, as variáveis de estratificação e o processo usado para selecção de unidades iniciais, intermédias e finais - p. 15;
- É importante que as fichas técnicas passem conter informação sobre "abstenção estimada" - p. 19;
- É importante que o questionário faça parte integrante da ficha técnica depositada - p.19;
- O facto de a taxa de instalação de telefone fixo não ser de 100% e a elevada taxa de posse de telefone móvel recomenda que a amostra seja composta por entrevistados com telefone fixo no lar e entrevistados com móvel sem telefone fixo no lar - p. 20;
- Sugere-se indicação na ficha técnica da percentagem de entrevistas controladas, entrevistadores inspeccionados e número de entrevistas anuladas após inspecção - p. 22;
- Necessidade de indicação de variáveis utilizadas para ponderação - p. 22;
- Em amostras por quotas, sugere-se reequilíbrio amostral por último voto - p.22;
- Em amostras por quotas, não deve ser apresentada margem de erro máxima, mas sim referir que "o erro é desconhecido. Se fosse utilizado um procedimento aleatório, o erro máximo seria de x%" - p. 23;
- Deveria ser abandonada a apresentação dos resultados até às décimas e dar mais relevo ao intervalo de confiança - p. 41;
- Republicações de resultados de sondagens deveriam fazer referência à publicação inicial, responsável e fonte - p. 42;
- Elaboração de um pequeno manual sobre procedimentos correctos e incorrectos no tratamento editorial das sondagens e criação de um curso-modelo de curta duração sobre sondagens para jornalistas - p. 56;
- Criação de um "programa informático" que, cito, "passe a calcular os diferentes intervalos de confiança (com níveis de significância de 5% e 1%) e, analisando tendências, ponha em evidência dados que saiam fora dos limites previstos, alertando para a necessidade de uma análise das bases técnicas da sondagem em questão" - p. 57.

Há outras recomendações sobre a natureza da ficha técnica a preencher pelas empresas e depositar na ERC, às quais, pela sua especificidade, vos poupo.

Como imaginam, tenho opiniões sobre tudo isto. Mas o que eu gostava mesmo era de saber o que pensam as pessoas que se interessam por este assunto, visitam este blogue e costumam comentar sondagens. Não há muitas oportunidades para debater estes assuntos fora do calor eleitoral, e esta é uma delas. Aproveitem. Daqui a uns tempos direi o que penso deste relatório e das suas conclusões.

by Pedro Magalhães

Thompson Library, OSU

Posted October 25th, 2009 at 7:51 pm4 Comments





by Pedro Magalhães

Seven Nation Army

Posted October 25th, 2009 at 7:43 pm4 Comments

by Pedro Magalhães

Outono a sério

Posted October 25th, 2009 at 7:39 pm4 Comments






by Pedro Magalhães

Uma ideia para Alberto Martins

Posted October 25th, 2009 at 7:37 pm4 Comments

by Pedro Magalhães

A "raridade" dos governos minoritários e outras coisas

Posted October 20th, 2009 at 3:05 pm4 Comments

Anteontem, no Público, uma peça mencionava a raridade dos governos minoritários na Europa. Espanha e Portugal seriam as excepções.

Receio, contudo, que a amostra utilizada, quer em número de países considerados quer do ponto de vista do período analisado, esteja um pouco enviesada. Entre 1945 e 1999, se considerarmos 17 países da Europa Ocidental (Austria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Islândia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido), estiveram no poder 424 governos. 141 (33%) eram governos minoritários, e 93 (22%) eram governos minoritários de um só partido. Portugal e Espanha estão entre os casos em que estes governos foram mais frequentes, mas o mesmo sucede com a Dinamarca, França, Irlanda, Itália e Suécia. Estes dados podem ser encontrados neste livro de 2008.

Outra coisa que o livro mostra é que, obviamente, governos minoritários duram menos que governos maioritários: em média, menos um ano. E outra ainda é que, talvez menos obviamente, os partidos que lideram governos minoritários tendem a ser menos punidos em eleições subsequentes que outros tipos de governo.

Entretanto, a coisa mais conhecida sobre as consequências económicas dos governos minoritários é um antigo paper de duas pessoas hoje muito famosas, Nouriel Roubini e Jeffrey Sachs, que sugere que governos minoritários tendem a produzir défices orçamentais 1.5 pontos por ano acima do que sucede com governos maioritários. Já passou muita água debaixo da ponte depois deste artigo. Um livro de 2002 de Torsten Persson e Guido Tabellini confirma a mesma ideia (ver quadro 6.7), mas há muita discussão sobre o assunto.

by Pedro Magalhães

Aximage, 12-16 Outubro, N=600, Tel.

Posted October 19th, 2009 at 11:58 am4 Comments

São tratados temas como a actuação dos membros do governo e dos líderes político-partidários. A escala utilizada é de 0 a 20. Entre os membros do governo, a avaliação mais alta vai para Teixeira dos Santos (média de 13) e a mais baixa para Maria de Lurdes Rodrigues (7,2). Entre os líderes partidários, a média mais alta é a de Paulo Portas (12,3) e a mais baixa a de Manuela Ferreira Leite (6). O PM é avaliado com 12,1 e o PR com 9,8. Tudo aqui e aqui.

by Pedro Magalhães