Pedro Magalhães

Margens de Erro

Só uma gracinha.

Posted September 27th, 2009 at 8:52 pm4 Comments

by Pedro Magalhães

Pelo Maradona, tudo.

Posted September 26th, 2009 at 10:16 am4 Comments







by Pedro Magalhães

Trocas 1.1.3

Posted September 25th, 2009 at 6:10 pm4 Comments

Uma novidade: a apresentação de uma média móvel ponderada das cotações para cada contrato. Infelizmente, não há tempo para construir gráficos. Mas olhar para o índice pode servir como antídoto para a excessiva volatilidade das cotações. Se bem que, ao longo deste dia, as coisas parecem ter estabilizado mais um pouco.

by Pedro Magalhães

Recta final

Posted September 25th, 2009 at 6:06 pm4 Comments

Na última semana antes das eleições legislativas de 2005, numa 4ª feira, salvo erro, jantei com um grupo de colegas do ICS. Falou-se nas eleições e, a certa altura, alguém se lembrou de apostarmos um futuro jantar num restaurante à escolha na base dos melhores palpites para os resultados. O vencedor seria o que tivesse o menor desvio absoluto médio, assim que apurados os resultados dos 5 maiores partidos. Cada um escreveu os seus palpites numa pequena folha de papel. Depois, trocámos as folhas, comentámos os palpites de cada um, e fomos para casa. Estão a ver como é absolutamente fascinante a minha vida social?

A verdade é que nunca cheguei a cobrar esse jantar aos meus colegas. Eles ficaram a achar que eu tinha inside information, e tinham razão. À hora do dito jantar, já conhecia os resultados da última sondagem do CESOP. Mas o interessante - e suponho que até hoje eles não repararam - é que os meus palpites foram ligeiramente diferentes dos resultados da sondagem que foi divulgada no dia seguinte. Dei, no palpite, um pouco menos ao PSD e ao BE e um pouco mais ao CDS do que na sondagem. Achei que a campanha estava a correr tão mal a PSL que as coisas ainda iriam piorar nos dias seguintes ao trabalho de campo. Receei uma presumível propensão dos eleitores do BE para votarem "sincero" em sondagens e "útil" nas eleições ou mesmo para se desmobilizarem à última hora. Tive em conta o facto de o CDS-PP, em quase todas as eleições a que concorreu sózinho nos últimos anos, ir sempre em crescendo nas várias sondagens ao longo da campanha, presumindo assim que, na tendência, poderiam fazer melhor no final. Já não sei onde está a dita folhinha, mas recordo-me que, com estas "teorias", acertei em cheio nos resultados. Mas as "teorias" não eram grande coisa: foi provavelmente mera sorte, porque das vezes seguintes que fiz a mesma brincadeira as coisas não correram tão bem.

Se conto a historieta é porque acho que ajuda a perceber a diferença entre aquilo que as sondagens dizem, dessa e desta vez, e aquilo que é uma previsão de um resultado eleitoral (neste caso um mero palpite pessoal). Intrigam-me sempre as pessoas que comentam aqui resultados de sondagens, por vezes ainda a meses das eleições, dizendo "já se sabe que o partido x vai ter mais" ou "é impossível que o partido y tenha isto nas eleições". Se os meus amigos já sabem quais vão ser os resultados e se isso é a única coisa que vos interessa, então por que razão prestam atenção a meras sondagens? (Vão mas é brincar para aqui). Por outras palavras, se bem que não seja possível apurar isto neste momento, a diversidade de abordagens metodológicas das últimas quatro sondagens, conjugada com a similitude dos seus resultados, fazem-me supor que é improvável que não tenham medido com razoável precisão as intenções de voto dos portugueses no momento em que foram feitas (o único receio que tenho a esse respeito é que haja, comum a todas, uma propensão de determinado tipo de eleitor para ocultar as suas intenções, para recusar responder a sondagens ou para não ser encontrado no processo amostral). Mas daí até supor que os resultados do dia 27 vão ser iguais às sondagens vai um salto que, podendo perfeitamente ter por base inicial os resultados das sondagens - como eu tive na minha "previsão" de 2005 - pode ser muito arriscado.

De resto, os líderes partidários, pelas reacções que tiveram às sondagens, mostram que sabem isso perfeitamente: ninguém entrega os pontos, e todos utilizam uma retórica que visa mitigar (ou amplificar) aqueles que julgam ser os efeitos negativos (ou positivos) das próprias percepções criadas pelas sondagens no futuro comportamento dos eleitores. Sócrates diz que sondagens não ganham eleições e combate a "abstenção por certeza de vitória". MFL e Jerónimo combatem a potencial desmobilização dos seus eleitores em face de resultados desfavoráveis. Louçã combate o voto útil no PS, tentando tornar o voto no BE útil para impedir uma putativa maioria PS. Portas usa-as para mobilizar os eleitores do CDS-PP e sugerir uma suposta "inutilidade" do voto no PSD. Em suma: eles acreditam que algumas coisas ainda podem mudar até dia 27, e estão a fazer o possível para que mudem. Tudo normal. É assim mesmo.

É claro, no entanto, que quaisquer especulações sobre o dia 27 podem repousar na relação entre o retrato feito a dias das eleições pelas sondagens das intenções de voto e aquilo que tende a suceder em eleições legislativas. E sobre isso, só tenho isto a dizer:

1. Com estes resultados medidos a menos de uma semana da eleição, se o PS perder, as eleições de 2009 vão-se tornar um estudo de caso apenas comparável ao que sucedeu no Reino Unido em 1992. O que teria uma vantagem, atraíndo para o país uma legião de cientistas políticos sem paralelo desde o PREC :-)

2. No momento em que foram feitas, as sondagens vistas no seu conjunto (uma amostra agregada de 4925 inquiridos), sugerem que havia mais intenções de voto no BE do que no CDS-PP (2,3 pontos de vantagem para uma margem de erro de 1,2 pontos). Mas nem sequer são capazes de dizer se a margem do CDS-PP sobre a CDU (0,6 pontos) correspondia a qualquer coisa de real na inferência para a população. E dito isto, quem sabe se o BE volta a conseguir resistir a alguma desmobilização de última hora? Nas Europeias resistiu. E desta vez?

O resto seria pura especulação, e para isso vou ao Trocas. Em suma: larguem lá as sondagens e vão mas é votar em quem e como acharem melhor.

by Pedro Magalhães

Na Alemanha também há eleições

Posted September 25th, 2009 at 11:30 am4 Comments

Vale a pena visitar este site que foi sugerido por um leitor num comentário anterior.

by Pedro Magalhães

Onde está a Eurosondagem?

Posted September 25th, 2009 at 9:49 am4 Comments

Para estas eleições, a Rádio Renascença, a SIC e o Expresso decidiram não solicitar à Eurosondagem a realização de uma última sondagem antes das eleições, o que julgo ser inédito. Não conheço as razões, mas vou aqui presumir - e retiro o que escreverei de seguida se me disserem que a pressuposição está errada - que isto sucede em consequência do que se passou nas Europeias. É quase inútil dizer que estão no seu pleno direito. Mas atrevo-me a dizer que foi uma péssima decisão, por duas razões:

1. O público fica mais bem servido com mais sondagens e não com menos. Mais sondagens significa que ficamos a dispor de mais resultados com maior variabilidade de métodos. Por outras palavras, descontando erro amostral, ficamos a poder apreciar melhor se diferentes resultados se devem a diferentes opções técnicas ou metodológicas ou se os resultados são independentes delas. Mais sondagens significa mais observações e, logo, menos incerteza. E mais sondagens significa ainda que um outlier -sempre possível - é mais facilmente "desdramatizado" e colocado em contexto.

2. Não fazer sondagens porque os resultados das últimas sondagens de intenções de voto nas Europeias tiveram importantes discrepâncias em relação aos resultados eleitorais é mandar uma mensagem completamente errada à opinião pública sobre o que é uma sondagem. É dizer que ela é uma previsão e que, se essa "previsão" falhar, se cometeu um erro. Pode ser que sim. Mas pode ser que não. É preciso estudar, como não me canso de dizer. E há mais. Depois das Europeias, os relatos e as explicações do "fracasso" ficaram quase exclusivamente nas mãos de políticos ou de comentadores directa ou indirectamente ao serviço de partidos políticos. Não detectei, na esmagadora maioria destes comentários, um único argumento minimamente apresentável de natureza técnica, mas apenas julgamentos sumários, insultos e injuriosas alegações de desonestidade e manipulação. Deixar parecer que este discurso absolutamente inane influenciou uma decisão sobre a condução ou não de sondagens pré-eleitorais é, pura e simplesmente, entregar o ouro aos bandidos.

Desculpem meter-me na vida dos outros e, como mencionei, retiro o que escrevi se me explicarem que as razões foram outras. Mas decisões como estas influenciam a qualidade do debate público sobre as sondagens e a qualidade da informação que é transmitida ao público.

by Pedro Magalhães

Quadro final

Posted September 25th, 2009 at 9:23 am4 Comments

Todas as sondagens de Setembro. Para as últimas quatro, variação em relação à última sondagem do mesmo instituto e uma média ponderada:



Como se pode ver, duas tendências comuns a todas: descida do BE e subida do CDS-PP. Outro aspecto relevante é, claro, a impressionante convergência das quatro sondagens, maior ainda do que a ocorreu nas últimas sondagens de 2005. Já várias vezes discuti aqui este fenómeno recorrente, para o qual vejo três explicações plausíveis:

1. Cristalização do voto (e já citei aqui tantas vezes um famoso artigo de Andrew Gelman e Gary King que nem faço link outra vez);
2. Maior investimento por parte dos institutos nas derradeiras sondagens;
3. Institutos looking over their shoulders.

A 3ª explicação, que foi mencionada aqui há uns dias num comentário, é potencialmente a mais perturbante. Mas aqui, duas notas:

1. Não acredito, muito sinceramente, que alguém obtenha um resultado e o mude deliberadamente para se ajustar a uma qualquer expectativa do que vão ser os resultados as eleições ou aos resultados de outros institutos. As coisas passam-se, potencialmente, de forma muito mais subtil. Como explicam Gary King e os seus colegas neste outro artigo - um óptimo exemplo do tipo de "auditoria" que se pode fazer a um conjunto de sondagens pré-eleitorais e que a Comissão nomeada pela ERC faria bem em imitar - a produção de "estimativas de resultados" exige um conjunto de ajustamentos dos dados que se baseiam numa série de pressuposições sobre quem é um votante provável, como se distribuem os indecisos, como se corrigem distorções da amostra, etc, etc, etc. É por essas pressuposições e nesses ajustamentos, creio, que as expectativas se podem subtilmente "inflitrar".

2. Mas também noto que, em todas as sondagens, não há mudanças em relação ao que têm sido práticas constantes dos vários institutos quando fazem sondagens pré-eleitorais (a Marktest abandonou a ponderação pós-amostral por recordação de voto em 2005, mas já o tinha feito há algum tempo; a Aximage usa um modelo de redistribuição de indecisos que me parece igual ao usado no passado; Intercampus e CESOP fazem o mesmo que fazem sempre nas últimas pré-eleitorais). Pelo que, para responder ao comentador, acredito mais, neste caso, nas explicações 1 e 2.

by Pedro Magalhães

Legislativas. Aximage, 21-24 Setembro, N=850, Tel.

Posted September 24th, 2009 at 9:13 pm4 Comments

Vem aqui.

PS: 38,8%
PSD: 29,1%
BE: 10%
CDS-PP:8,6%
CDU: 8,4%
OBN: 5,1%

Em relação aos 850, havia 5,8% de indecisos.

by Pedro Magalhães

Legislativas. CESOP-UCP, 17-22 Setembro, N=4367 (2764 intenções de voto válidas), Presencial.

Posted September 24th, 2009 at 9:09 pm4 Comments

O relatório-síntese pode ser consultado aqui.

by Pedro Magalhães

Legislativas. Intercampus, 21-23 Setembro, N=1006, Presencial

Posted September 24th, 2009 at 9:06 pm4 Comments

PS: 38%
PSD: 29,9%
BE: 9,4%
CDU: 8,4%
CDS-PP: 7,7%
OBN: 6,6%

13,2% dos 1006 disseram-se indecisos ou não responderam à pergunta sobre intenção de voto.

by Pedro Magalhães